Arte Sequencial - Uma Viagem Visual
Originalmente publicado na revista
Showmix
Prof. Dr. Waldomiro Vergueiro
| Falar da história das histórias em quadrinhos é sempre correr um
risco muito grande. Em que época situar seu aparecimento? Quem nomear
como o primeiro artista dos quadrinhos? Como identificar a primeira
história em quadrinhos? Isto será sempre uma questão muito difícil
de ser respondida sem a criação de controvérsias. Por um lado,
pode-se desagradar aqueles que entendem as histórias em quadrinhos
apenas como elas hoje predominam no mercado, basicamente em revistas
das mais variadas periodicidades. Por outro lado, pode-se descontentar
aqueles que preferem identificar como histórias em quadrinhos as
produções gráficas e de ilustração de alguns artistas de séculos
anteriores aos nossos, entrando em uma disputa que já gerou talvez um
excessivo número de discussões. Não há como fugir dessa controvérsia, mas isto não é absolutamente importante. Mais do que identificar uma data precisa, a partir da qual podemos a cada ano acrescentar mais velas ao bolo de aniversário das histórias em quadrinhos, é importante constatar que elas existem, representam um meio de comunicação com linguagem própria e têm provavelmente um longo caminho pela frente. Olhar o passado só tem sentido quando se utiliza este olhar como um indicador para o futuro, não como um elemento de saudosismo. Será este o espírito a guiar esta série de textos sobre a história das histórias em quadrinhos. Pretende-se que o amante deste meio de comunicação de massa, através do conhecimento daquilo que as histórias em quadrinhos viveram ou deixaram de viver até hoje, compreenda melhor aquilo que elegeu como sua leitura predileta. Comunicação através da imagem Para o entendimento do que as histórias em quadrinhos significam,
é talvez conveniente estabelecer uma primeira premissa, a de que as
histórias em quadrinhos cresceram e se multiplicaram porque vão ao
encontro das necessidades do ser humano. Isto porque elas utilizam
um elemento de comunicação que esteve presente na história humana
desde o seu início: a imagem. A imagem antes da escrita A figura das cavernas parece ter atendido satisfatoriamente as
necessidades de comunicação do homem primitivo. No entanto, na
medida em que o homem evoluía, ela deixava de atender plenamente a
essas necessidades. Isto talvez tenha ocorrido porque os agrupamentos
humanos tiveram sempre a tendência de se deslocar e era impossível
então (como ainda o é hoje) levar consigo as cavernas onde haviam
habitado, em cujas paredes haviam retratado seu passado. A memória
coletiva se perdia quando uma geração sucedia outra. Havia
necessidade de se criar algo que pudesse perpetuar essa memória. |