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III Seminário Internacional Latino-Americano de Pesquisa da Comunicação
Promoção e realização
Veja artigo do Prof. Dr. Kaarle Nordestreng sobre o seminário
1. Histórico
2. Justificativas da escolha do tema
3. Democratizar a comunicação: uma tarefa pendente?
4. Programa
5. Programação
6. Organização
7. Informações e inscrições
8. Informação para transporte
A Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación (ALAIC), como entidade científica que reúne os estudiosos das ciências de comunicação na América Latina, realiza a cada dois anos, em parceria com universidades do continente, um congresso e um seminário internacional de pesquisa em comunicação[1]. A realização desses eventos científicos tem permitido fomentar o desenvolvimento do campo, a articulação dos pesquisadores dos mais diferentes países e, sobretudo, debater os temas contemporâneos de comunicação no âmbito da sociedade global.
A realização do III Seminário Internacional Latino-Americano de Pesquisa da Comunicação será realizado junto com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Escola de Comunicações da Universidade de São Paulo e vem coroar iniciativas muito bem sucedidas dos dois seminários anteriores.
O primeiro aconteceu em Cochabamba, Bolívia, em novembro de 1999, juntamente com a realização do I Encuentro Nacional de Comunicación e a organização esteve a cargo da Universidad Andina Simón Bolívar (UASB), Universidad Catolica Boliviana e do Centro Interdisciplinario Boliviano de Estudios de la Comunicación (CIBEC), sob a coordenação geral de Erick Torrico Villaneuva. Tendo como tema central La Comunicación Latinoamericana y la cuestión del desarrollo: balance y proyecciones em medio de dos milenios, os eventos constituíram um marco na história do campo acadêmico de comunicação na Bolívia. Nunca, até então, o país tinha conseguido reunir um número tão grande de participantes, cerca de 1000, e a presença de inúmeros conferencistas de renome internacional em um evento de comunicação.[2]
A Facultad de Periodismo y Comunicación Social da Universidad Nacional de La Plata sediou o segundo, que teve como tema central: Estratégias comunicacionales en la sociedad del siglo XXI, em agosto de 2001, La Plata, Argentina. Conjuntamente aconteceram, também, o VIII Jornadas, promovido pela Asociación Internacional de Jóvenes Investigadores en Comunicación-AIJIC e o III Congreso da RedCom - Red de Carreras de Periodismo y Comunicación Social de la Republica Argentina sob a coordenação geral de Alfredo Alfonso. A realização de todos esses eventos liderados pela ALAIC, por meio do II Seminário, possibilitou reunir mais de 1000 participantes e fomentar o debate dos grandes temas da comunicação da sociedade contemporânea. Contribuiu para dinamizar ainda mais a Facultad de Periodismo y Comunicación Social, que na última década tem se destacado pela vontade de se transformar e crescer no campo acadêmico, motivada em grande medida pela necessidade de desenvolver perspectivas próprias com aportes referenciais argentinos e latino-americanos.[3]
Para a ALAIC tem sido fundamental realizar os seminários e os seus congressos em conjunto com universidades latino-americanas em diferentes países e liderar o debate dos grandes temas que vêm merecendo a atenção da sociedade. As inquietudes e os grandes problemas sociais clamam por respostas. Os meios de comunicação e todos os seus atores e integrantes têm um papel importante neste contexto.
Para o III Seminário a escolha recaiu sobre algo que vem inquietando os estudiosos e os agentes envolvidos no que diz respeito às políticas e a democratização da comunicação não só no Brasil, mas em toda a América Latina. A opção, portanto, é trabalhar com o tema central: Democratizar a comunicação: uma tarefa pendente? 25 anos da NOMIC – Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação e Informe Mac Bride[4]. E, como subtemas: O que é democratizar a comunicação em tempos de globalização e da revolução tecnológica da informação? Políticas Públicas de Comunicação na América Latina na contemporaneidade: análises e desafios.
A promoção e realização conjunta da ALAIC com o Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo para debater e refletir temas tão relevantes como os previstos neste III Seminário constituirão uma oportunidade única para se buscar novos caminhos para que a pesquisa acadêmica em comunicação contribua de fato com a nossa sociedade e esteja mais sintonizada com o mundo das comunicações e suas políticas.
A ECA-USP é a principal Escola de Comunicação na América Latina. É pioneira na criação dos cursos de pós-graduação (strictu sensu) em nível de mestrado e doutorado.
O Programa de Mestrado em Ciências da Comunicação da ECA-USP foi o primeiro da área de Comunicação no Brasil, criado em 8 de janeiro de 1972. O Programa de Doutorado em Ciências da Comunicação iniciou atividades em 01 de agosto de 1980. Com isso, a Escola completava o ciclo para a formação acadêmica da área: graduação, mestrado e doutorado em Comunicação. O mestrado em Artes, também pioneiro, viria a ser implantado em 1974 e o doutorado em 1980.
Desde o seu início, uma das diretrizes mais promissoras do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP (PPGCOM_ECA-USP) vem sendo o permanente trabalho de reformulação e atualização do perfil do curso oferecido, tendo em vista os constantes desafios provocados pela diversidade temática e pela abordagem interdisciplinar de seus objetos de estudo. Destaque-se que estes objetos estão em permanente interação com os interesses e demandas da sociedade. Essa diversidade encaminhou-se no sentido da criação de Áreas de Concentração e Linhas de Pesquisa que começaram a ser delineadas ainda em um período marcado pela ausência de uma visão mais abrangente da Comunicação e até de uma nomenclatura científica minimamente firmada.
Já no final da década de 1980, este programa era responsável por 48% da pesquisa acadêmica (mestrado e doutorado) de Comunicação do país. Esse foi um dos indicadores que levou as agências de fomento à pesquisa, como CAPES, CNPq e FAPESP, ao reconhecimento da área da Comunicação como área de pesquisa autônoma, deixando de ser, como até então, uma “especialidade da Sociologia”. O estatuto científico do campo da Comunicação estava garantido.
Outra contribuição a ser registrada, é aquela que diz respeito à diversidade tanto dos assuntos/temas investigados quanto de seu tratamento teórico-metodológico inovador ou exploratório. O Programa também adotou, pioneiramente, a pesquisa elaborada através de linguagens não-verbais, dissertações e teses em forma de vídeos, filmes, CD-ROM, etc. – como suportes de produtos de elaboração científica e do discurso acadêmico.
A diversidade teórico-metodológica e temática tem sido acompanhada por outro fator bastante relevante, o da diversidade de origem de seus alunos. O Programa da ECA, desde o início até os dias atuais, tem se caracterizado por ser um curso para onde acorrem estudantes de todo o país e ainda do exterior, principalmente de países da América Latina. A característica de ser um Programa aglutinador da pluralidade de interesses e experiências faz dele uma matriz de estudos que dá origem e potencializa os esforços regionais no ensino e pesquisa de Comunicação.
O papel de incubadora de novos cursos de pós-graduação e da revitalização de antigos tem sido uma das marcas distintivas da história da Pós-Graduação da ECA. Nesse sentido, e até hoje, quando a área de Comunicação no Brasil conta com 19 mestrados e 12 doutorados, o PPGCOM ECA-USP continua sendo um Programa de referência nacional e internacional, fomentando a pesquisa em regiões que até então pouco ou nada tinham de produção e conhecimento na área.
2. Justificativas da escolha do tema
Margarida M. Krohling Kunsch
A questão das políticas de comunicação na América Latina foi algo central dos debates dos anos de 1970 e1980, sob a liderança, inclusive da Unesco. São 25 anos do Informe Mac Bride sobre a NOMIC - Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação e da famosa reunião em San José, Costa Rica, a Primeira Conferência Intergovernamental sobre Políticas de Comunicação na América Latina e Caribe e dos grandes fóruns de debates que ocorreram em vários países da região em torno das chamadas Políticas Nacionais da Comunicação – PNC, entendendo-as como um conjunto de princípios e normas que norteiam as comunicações de uma nação. Conclui-se, por conseguinte, que o tema está intrinsecamente ligado às políticas de Estado, isto é, do país que estabelece suas políticas nacionais de comunicação, quer estejam explícitas ou não.
O termo Políticas de Comunicação ou Políticas Nacionais de Comunicação já mereceu, portanto, por parte de pesquisadores e especialistas, espaço internacional para debate e reflexão. Desses encontros surgiram várias publicações. Uma figura latino-americana que se destaca e desde a década de 1960 investiga o assunto é Luis Ramiro Beltran, juntamente com muitos outros em todo esse contexto, como Antonio Pasquali, Herbert Chiller, Armand Matellart, Elizabeth Fox, Fernando Reys Mata, Rafael Roncagliolo e os brasileiros Luiz Gonzaga Mota, César Guimarães, Marco Antonio Rodrigues, José Marques de Melo, Nelly Camargo, José Salomão Amorim, Clarêncio Neotti, Roberto Amaral, Antonio Costella, Freitas Nobre, Moacir Pereira, dentre outros que abordam essa temática com diferentes enfoques. Uns se dedicando mais à parte da legislação, outros com análises críticas sobre o sistema de comunicações de massa no Brasil e sobre o papel da Unesco, da NOMIC e a relevância da produção do Relatório Mac Bride. Na atualidade há novos autores tanto no Brasil como nos demais países que também vêm dedicando-se ao assunto já com o enfoque das políticas públicas de comunicação.
Situar o Relatório Mac Bride no contexto histórico, trazendo-o para a contemporaneidade, poder-se-á constatar o quanto ele é atual e se aplica nos dias de hoje. Este clássico relatório da Comissão Internacional para o Estudo dos Problemas da Comunicação, realizado no período de 1977-1980, sob o patrocínio da Unesco, enfatiza os óbices à livre circulação da informação para a sociedade, que, variando de acordo com os países, ainda podem ser encontrados em todas as sociedades.
Para os autores desse histórico documento, produzido no contexto das batalhas pelas Políticas Nacionais de Comunicação e democratização dos meios de comunicação, na década de 1970, esses entraves que dificultam a liberdade de informação são facilmente identificáveis. Cabe citar aqui a violência física e as medidas de intimidação, a legislação repressiva, a censura, a constituição de listas negras de jornalistas, a proibição de certos livros, os monopólios derivados de medidas políticas, as obstruções burocráticas, além daquelas de caráter judicial, como as audiências a portas fechadas ou a sanção por desacato ao tribunal, e das que derivam de práticas profissionais, e os privilégios parlamentares. Ressalte-se que a ausência de entraves flagrantes nem sempre autoriza necessariamente o chegar à conclusão de que haja liberdade total de informação.
Outros obstáculos se manifestam sob a forma de pressões econômicas e sociais: monopólios de fato (públicos, privados e transnacionais), infra-estruturas inadequadas, definição restrita do conceito de notícia, dos critérios de publicações e da escolha dos temas a debater, e insuficiência da formação e da experiência profissionais. Tudo isso limita o direito dos cidadãos à informação, que ainda pode ser atingido em razão de algumas mentalidades rígidas e de tabus fortemente arraigados, assim como da submissão incondicional a autoridades civis, religiosas ou de outra natureza.
Entre os entraves mais evidentes e, certamente, os mais irritantes, mencionem-se as violências físicas contra os jornalistas e os jornais: perseguições, prisões, torturas, raptos, assassinatos, atentados com bombas algo,infelizmente tão presente na atualidade como na greve do Iraque. Esses atos intoleráveis – ou a ameaça de recorrer a eles – são tão freqüentes em certos pontos que praticamente contribuem para paralisar as atividades dos jornalistas. As vítimas não pertencem a uma única família política, já que todos os grupos ideológicos são atacados, alguns deles simplesmente porque fazem parte de um ramo que certos dirigentes consideram “perigoso”.
São constatações que, levantadas pela obra Um Mundo e Muitas Vozes: Comunicação e Informação na Nossa Época, editada pela Unesco e pela Fundação Getúlio Vargas em 1983 (pp. 228-229), apesar do tempo, não perderam a atualidade, continuando presentes em muitas sociedades de nosso planeta.
Em que pese todos os esforços da Unesco na tentativa de se estabelecer Políticas Nacionais de Comunicação, concentrando sua atuação, sobretudo, nos países do Terceiro Mundo, especialmente os da América Latina, sua batalha fracassou. Constata-se hoje que as propostas da Unesco de democratizar a comunicação ficaram num plano teórico, não interferindo efetivamente nas ações do Estado e no sistema produtivo dos meios de comunicação de massa. Essa constatação já foi objeto, também, de muitos debates e de publicações[5].
O que tem passado? Como andam as políticas públicas de comunicação no continente hoje? As Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação têm sido otimizadas para viabilizar a democratização da comunicação? São essas entre muitas outras questões que serão objetos de discussão neste Seminário.
3. Democratizar a comunicação: uma tarefa pendente?
Valério Cruz Brittos*A discussão envolvendo políticas públicas de comunicação nunca foi tão fundamental. Globalmente, a questão tem força conjuntural diante dos movimentos globalizados e globalizantes, onde os Estados são parcialmente enfraquecidos em sua capacidade de elaboração de regulamentação independente. Além do mais, o ano de 2005, em que se celebrará, na cidade de Tunis, a segunda fase da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação, é emblemático, por representar 25 anos de aprovação do Informe Mac Bride, com a luta pela NOMIC – Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação. Na verdade, a disparidade do fluxo comunicacional entre os países ricos e pobres permanece, nestes tempos de globalização, o que torna atual o debate em torno da NOMIC e oportuna a discussão ao redor de políticas de comunicação que busquem atenuar esta desproporcionalidade. A discussão em torno da NOMIC é relevante, ainda, tendo em vista sua importância impulsionadora dos próprios estudos comunicacionais, particularmente sustentando projetos de comunicação alternativa e popular.
No Brasil, por exemplo, a necessidade deste debate é premente, tendo em vista sua posição historicamente retrógrada em termos de Comunicação, mesmo comparativamente aos demais países da América Latina. Ao lado disso, a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva representou a perspectiva de mudanças no país, atacando estruturas tradicionalmente problemáticas. Isso poderia representar a adoção de políticas públicas avançadas, que atacassem questões sérias, como a concentração da propriedade midiática e a ausência de controle público. No entanto, os mínimos passos do Governo têm sido bloqueados pela ação dos grupos conservadores, liderados pelas indústrias culturais. Assim foi com as propostas de Lei do Audiovisual e do Conselho Federal de Jornalismo.
A situação das comunicações no país não é hoje menos trágica do que era há 20 anos atrás, ainda durante o período de ditadura militar. Permanece o mercado oligopolizado, embora a Globo já não mantenha os mesmos índices de audiência que alcançava. Em compensação, desde 1988 o Brasil conta com sistemas de televisão por assinatura, depois de muita oposição da própria Globo, temerosa de que a entrada das novas tecnologias de transmissão televisiva representasse a oportunidade de ingresso de novos agentes. No entanto, apesar de novos entrantes efetivamente terem passado a participar do negócio brasileiro de TV, como o tradicional grupo editorial nacional Abril e corporações transnacionais a exemplo da Warner e Sony, a Globo conquistou a liderança também deste mercado, na programação e na distribuição (onde está refluindo sua participação, devido à crise econômica do conglomerado), além de ter avançado sobre outros negócios, como internet e cinema, através de iniciativas próprias e associações.
Apesar dos mercados de televisão terem sido formatados de acordo com as projeções e indicações dos próprios operadores, em consonância com os governantes de plantão (ditadores ou eleitos pelo voto direto), os grandes grupos familiares hoje passam por uma grave crise, especialmente de liquidez. Tanto no Brasil, como na Argentina, por exemplo, as principais corporações televisivas enfrentam um alto índice de endividamento (em grande parte externo), mais preocupante ainda num momento em que novos investimentos são constantemente requeridos, tendo em vista o avanço tecnológico. No caso brasileiro, para resolver a questão, as redes chegaram a acertar com o governo a permissão para receberem participação do capital estrangeiro (até 30%), mas isso de nada adiantou, pois os investidores não sentiram confiança no empresariado de televisão nacional. Ante o impasse, a saída foi recorrer ao Estado como sempre, articulando um financiamento especial do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o que desta vez não deu certo, por não terem as partes chegado a um acordo sobre as bases dos contratos.
Em meio a esse ambiente, o campo da comunicação foi desafiado, no país, em 2004, com duas relevantes medidas governamentais, a criação de uma Agência Nacional do Cinema e do Audiovisual (Ancinav), inicialmente propondo um mínimo de compromisso público aos atos de midiatização eletrônica, atualmente conduzidos essencialmente pela lógica mercadológica; e do Conselho Nacional de Jornalismo, para fiscalizar a atuação deste ofício e das empresas que o controlam. A ação dos capitais que dominam a mídia brasileira foi imediatamente contrária às propostas, como seria de se esperar, de forma que, no primeiro caso, o Governo alterou a proposição e, no segundo, a medida foi rejeitada pelo Congresso Nacional. Diante disso, e tendo em vista a história de concentração e ausência de comprometimento social da mídia nacional, este momento é de alerta, cabendo à sociedade civil e à Academia exercerem seu papel de crítica e de defesa dos interesses democráticos.
Situação semelhante é vivida por toda a América Latina, onde os meios de comunicação estão sob o controle de grupos oligopolistas com forte poder político. O caso da Venezuela é emblemático. O confronto aberto entre o presidente Hugo Chávez e os barões da mídia tem deixado muito clara a dificuldade de implantação de qualquer tipo de projeto contra-hegemônico, dado o enorme poder de reação dos grandes meios de comunicação de massa. A mais recente vitória legislativa do governo na matéria, fruto do enorme apoio popular, manifestado no momento do plebiscito, não elimina o problema. O exemplo mais claro foi o da tentativa de golpe de Estado de abril de 2002, contra o próprio Chávez, em que a mídia de todo o continente, de norte a sul, participou de forma vergonhosa. Na mesma ocasião, no entanto, a comunicação alternativa, incluindo as rádios comunitárias, articuladas pela internet, e, na Venezuela, a utilização dos celulares para a mobilização popular, mostrou o potencial crítico e de resistência que a comunicação pode ter.
O próprio avanço tecnológico atual, a serviço, em princípio, dos interesses hegemônicos, abre perspectivas de mudança, pois a evolução do mercado tem levado ao incremento do número de opções de lazer pago (cuja adesão não raro representa um comprometimento de renda acima do possível, no confronto com as receitas familiares), redundando numa diminuição do espaço de cada player individual. Na televisão, a quantidade de canais foi ampliada sensivelmente, nos últimos anos, não só devido às modalidades por assinatura, mas também diante da ampliação de emissoras abertas, a partir de variadas soluções tecnológicas (via satélite ou internet), ou o uso, de forma mais ampla, dos canais de 14 a 69 da televisão convencional. A TV digital, como plataforma tecnológica convergente, apresenta também um potencial de democratização da comunicação, podendo participar fortemente, a depender do modelo de financiamento a ser adotado, na inclusão digital.
Tudo dependerá, no entanto, das políticas públicas que serão efetivamente adotadas, pois a tendência natural da comunicação, deixada ao livre sabor das forças do mercado, é a concentração do poder e a exclusão. Nesse sentido, é preciso pensar as políticas públicas de comunicação e a inclusão digital, como partes de um projeto maior de inclusão social e de expansão da cidadania, visando a o da cidadania, visando a construeto maior de inclusento a ser adotado, .construção de uma sociedade mais justa.
A ALAIC e o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da ECA-USP ao promover este seminário e liderar um grande debate internacional sobre todas essas questões estarão certamente contribuindo para que se busquem caminhos e alternativas para uma sociedade midiática mais plural e democrática.
4. Programa
1. Data
12 a 14 de maio de 2005
2. Local
Escola de Comunicações e Artes
Campus da Universidade de São
Paulo
3. Objetivos
- Discutir as políticas públicas de comunicação nos países da América
Latina no contexto da sociedade digital e globalizada;
-
Avaliar a produção acadêmica, que vem sendo gerada nos programas de
pós-graduação sobre a democratização das áreas e dos meios de comunicação e
suas interfaces sociais;
-
Comparar experiências comunicacionais democráticas entre os
países latino-americanos;
- Levantar proposições de políticas públicas de comunicação mais
democráticas.
4. Tema central
Democratizar a comunicação: uma tarefa pendente?
25 anos da NOMIC – Nova Ordem Mundial da Informação e da
Comunicação e Informe Mac Bride
5. Subtemas
O que é democratizar a comunicação em tempos de
globalização e da revolução tecnológica da informação?
Políticas Públicas de Comunicação na América Latina na
Contemporaneidade: análises e desafios
6.Grupos de Discussão
-
Como democratizar a comunicação
no Rádio?
-
Como democratizar a comunicação
na Televisão?
-
Como democratizar a comunicação
na Imprensa?
-
Como democratizar a comunicação
na Editoração Multimídia (livros, CDs, DVDs etc.)?
-
Como democratizar a comunicação
no Cinema?
-
Como democratizar a comunicação
nas novas mídias (Internet – inclusão digital)?
-
Como democratizar a comunicação
nas organizações?
-
Como democratizar a comunicação
na produção cultural e nas indústrias de entretenimento?
-
Como democratizar a comunicação
por meio da Educação?
7. Dinâmica e formato das sessões
As sessões deste III Seminario serão as mais dinâmicas e variadas possíveis. Haverá uma conferência especial do Senhor Ministro Chefe da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica do Brasil(SECOM), Luiz Gushiken, e uma sessão inaugural tratando do tema central, com renomados especialistas no tema das políticas de comunicação, que apresentarão suas contribuições antes de abrir o debate geral com os participantes.Os dois subtemas serão debatidos na forma de painéis. Cada expositor terá 20 minutos para apresentar seu paper previamente elaborado e, em seguida, haverá o debate, por meio de perguntas, com os participantes.
Uma das inovações deste seminário será a sessão dos Grupos de Discussão. A dinâmica básica será a seguinte: os coordenadores responsáveis selecionarão os trabalhos inscritos em cada um dos nove grupos programados e farão uma síntese dos conteúdos dos papers escolhidos. Os papers completos ficarão disponíveis na Internet para discussão virtual de todos os inscritos. Durante a sessão propriamente dita, os coordenadores farão, inicialmente, uma breve exposição sobre o tema em questão. Em seguida, apresentarão uma síntese dos pontos mais relevantes dos trabalhos inscritos com o debate simultâneo dos integrantes do grupo.
Além dos coordenadores, haverá
também um relator que fará as anotações necessárias, a fim de elaborar um
relatório com as principais conclusões e possíveis encaminhamentos que serão
apresentadas na sessão plenária do último dia.
8. Participantes
Professores, pesquisadores, profissionais e estudantes de Comunicação Social e outros interessados.
5. Programação
· Dia 11 de maio de 2005
· Dia 12 de maio de 2005
Dia 14 de maio de 2005
Painel 2: “Políticas públicas de comunicação na América Latina na contemporaneidade: análises e desafios”
Expositores: Enrique Sanchez Ruiz (Universidad de Guadalajara, México) - Eugenio Bucci (Radiobrás, Brasil) - Othon Jambeiro (Universidade Federal da Bahia, Brasil) - Valério Cruz Brittos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Brasil)Presidente: Luiz Milanesi (diretor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)
Vice-presidente: Mauro Wilton de Souza (vice-diretor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo)
Coordenação Geral
Margarida M. Krohling Kunsch (Universidade de São Paulo)
Maria Immacolata Vassallo de Lopes (Universidade de São Paulo)
Secretaria
Ana Maria Franchon Envio dos Resumos: de 7 de dezembro de 2004 a 15 de abril de 2005.
Data de divulgação de aceite dos resumos : 26 de abril
O resumo deverá conter aproximadamente entre 10 e 15 linhas e apresentar, no início, título, nome do autor, titulação ou graduação, instituição a que pertence, país, e-mail e grupo de discussão escolhido. O resumo deverá ser enviado para o e-mail: alaic@edu.usp.br .
Envio dos Papers Completos: até 03 de maio de 2005.
O paper deve conter:
Título: em negrito, fonte Times New Roman, 14, alinhamento esquerda
Autor(es): último sobrenome em maiúsculas, títulação ou graduação e identificação da instituição. Resumo: 10 a 15 linhas, palavras-chave. Texto: alinhamento justificado; Word; fonte Times New Romam , tamanho 12; espaço entrelinhas de 1,5, de 10 a 15 páginas, incluindo bibliografia. Os resumos e os papers completos devem ser enviados para o e-mail: alaic@edu.usp.br, aos cuidados da coordenação do III Seminário / secretaria da ALAIC, em arquivo anexo e aguardar resposta de confirmação de recebimento do mesmo, para evitar problemas de perdas de e-mails.
Informações pelo telefone (55 11) 3091-2949
Valores para Inscrição:
|
Sócios (R$) |
Não- Sócios (R$) |
| Professores / Pesquisadores | 50,00 |
100,00 |
| Alunos de Graduação |
|
25,00 |
| Alunos de Pós-Graduação | 40,00 |
90,00 |
| Profissionais / Outros | 60,00 |
120,00 |
Táxi Hotéis Chambertin/ USP:Tempo de viagem: aproximadamente 25 minutos
Custo: aproximadamente R$35,00.
Local: para sua segurança, solicite o táxi ao concierge do seu hotel.
[1] Para maoires detalhes sobre a entidade, bem como suas frentes de atuação consultar o site:
[2] As palestras apresentadas nesses dois eventos encontram-se publicadas in: Memoria Académica, editada pelo Centro Interdisciplinario Boliviano de Estudios de la Comunicación - CIBEC, pela Asociación Boliviana de Investigadores de la Comunicación e pela UPS Editorial. La Paz, 2000.
[3] As principais palestras apresentadas nos três eventos foram publicadas na revista: Ofícios Terrestres, edição n. 11/12, Ano VIII, La Plata: Facultad de Periodismo y Comunicación Social, 2002.
[4] No livro Um mundo e muitas vozes: comunicação e informação na nossa época (1983) há o relatório completo do trabalho que foi desenvolvido pela Comissão Internacional para o Estudo dos Problemas da Comunicação, que foi presidida por Sean Mac Bride e composta por personalidades de diversos países.
[5] Ver trabalho de Elisabeth Fox em: Médios de Comunicación y Política em América Latina . México: Gustavo Gili, 1989, p. 210-230, onde a autora apresenta algumas conclusões a respeito da temática em questão.
* Professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) e doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (FACOM-UFBA). É presidente do Capítulo Brasil da União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura (ULEPICC) e editor do periódico acadêmico Eptic On line-Revista Electrónica Internacional de Economía Política de las Tecnologías de la Información y de la Comunicación (www.eptic.com.br).
** Professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), onde coordena o Observatório de Comunicação (Obscom), doutor em Economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e jornalista graduado pela Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP). É presidente da União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura (ULEPICC) e diretor do periódico acadêmico Eptic On line-Revista Electrónica Internacional de Economía Política de las Tecnologías de la Información y de la Comunicación (www.eptic.com.br).