Bacharelado em Comunicação Social com habilitação em Editoração

O curso de Editoração da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo foi criado em 1972. Nasceu sob os auspícios do Ano Internacional do Livro, em uma época de questionamentos sobre o papel desempenhado pelos suportes impressos na sociedade contemporânea diante da emergência das novas mídias, e em meio à defesa apaixonada de intelectuais do mundo que se levantaram em sua defesa, como bem o atesta Le Courrier da UNESCO, que naquele ano publicou todo um volume dedicado ao sábio invento de Gutenberg.

Foi o segundo curso superior destinado a formar editores no Brasil. O primeiro surgiu na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1971. Notemos que esses cursos vinham atender a novas demandas do mercado de bens culturais, o qual caminhava para a especialização e a segmentação dos produtos, em função das classes emergentes de consumo que despontavam nesses tempos de “milagre econômico”2. Assim, a abertura de cursos superiores voltados para a produção editorial no Rio de Janeiro e em São Paulo, no início da década de 1970, ratificou o papel centralizador dessas duas principais capitais do centro-sul do país na produção e consumo de impressos. As duas iniciativas confirmaram a tendência anunciada por José Marques de Melo no discurso de inauguração do curso de Produção Editorial da Escola de Comunicações e Artes:

Não era  mais  possível  continuar  com  a  formação  empírica  de  editores  autodidatas, como  são  todos  os  que  conheço  em  nosso  país.  [...] Eles surgiram  numa  época  em  que  não havia  qualquer  escola  para  os  formar,  e  assim  só  com  muito  esforço  e  coragem  lançaram-se numa tarefa de verdadeira aventura, por não possuírem nenhuma formação que os habilitasse para  o  exercício  de  tal  nobre  função  [...]  Eles,  mais  do  que  nós,  estavam  lutando  para  a existência de um curso como este.

A primeira turma de formandos em Editoração colou grau em 1975. Desta data até 2010 a Escola formou mais de três centenas de bacharéis.

Desde sua implantação, o curso tem evoluído pari passu às transformações socioculturais e à evolução dos meios de comunicação.  Atento à modernização que alcança a indústria editorial no país e no exterior, busca atualizar sua linguagem e sua infraestrutura,  particularmente  com  a  inserção  de  disciplinas  e  de  equipamentos  de multimídia para a produção textual nos suportes impresso e digital.

O acompanhamento das inovações  no  campo  da  produção  editorial  e  gráfica por  parte  do  corpo  docente,  sempre  empenhado  em  refletir  sobre  o  sentido  do projeto  político-pedagógico  que  norteia  o  curso  e,  consequentemente,  sobre  as competências  esperadas  do  profissional  da  área,  tem  concorrido  para  o  êxito  dos alunos  egressos  no  mercado  de  trabalho.  O aquecimento do mercado de bens culturais, associado à oferta constante de estágios e de empregos  nas  diversas  áreas para as quais o aluno da ECA-USP está habilitado a atuar, certamente constitui um dos fatores  explicativos  para  o  alto  índice  de  demanda  pelo  curso  nos  últimos  anos.  No vestibular de 2011, a concorrência  foi  da  ordem  de  quase  dezenove  candidatos  por vaga. Em 2008, 2009 e 2010 a relação candidato-vaga manteve a média de dezessete candidatos por vaga.

Por este breve histórico, parece  evidente  que  desde  as  origens  o  curso  de Editoração  confirma  sua  vocação  multidisciplinar,  pois  incorpora  na  grade  curricular disciplinas  teóricas  e  práticas  dedicadas  à  formação  acadêmica  humanística  tanto quanto  à  formação  profissional  apta  ao  trabalho  familiarizado  com  as  inovações tecnológicas.  Para  isso,  o  curso  conta  com  a  empresa  júnior  e  a  editora-laboratório Com-Arte, dedicadas  à  publicação  de  livros,  revistas  e  outros  produtos  editoriais  em suporte  digital  ou  impresso.  Além  disso,  o  curso  estimula  as  atividades complementares  de  Pesquisa  e  Extensão,  segundo  os  princípios  fundadores  da Universidade  de  São  Paulo,  e  participa  de  vários  programas  de  intercâmbio internacional.  Notemos, outrossim,  que  se  trata  da  única  universidade  pública a formar editores em nível superior no Estado de São Paulo.

Cumpre, ainda, ressaltar o reconhecimento público da alta qualidade do curso de Editoração oferecido pela  Escola  de  Comunicações  e  Artes  que,  em  2005,  foi agraciado  com  o  “Prêmio  Melhores  Universidades  Guia  do  Estudante  Categoria Empregabilidade”. Em  2010,  foi  o  único  a  receber  nota  máxima  (cinco  estrelas)  na avaliação  do  Guia  dos  Estudantes,  resultado  que  se  repete  há  vários  anos  e  constitui um  dado  da  maior  importância,  considerando  a  expansão  de  cursos  com  projetos similares  em  instituições  particulares  localizadas  na  capital  paulista  e  noutras instituições públicas e particulares brasileiras.

Sobre os desafios futuros, questões levantadas no passado e discutidas no presente já os vislumbraram: ampliar o corpo docente, visando sua maior adequação às exigências da grade curricular e à pesquisa científica, e atender às novas demandas da sociedade, em especial aquelas relacionadas às novas tecnologias, com a mesma serenidade daqueles que jamais duvidaram da importância do editor e, principalmente, do livro ou – de modo mais abrangente – do impresso para o fomento da cultura nas sociedades contemporâneas.

As mudanças promovidas na grade curricular do curso de Editoração da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, para o ano de 2012, fizeram-se após longo debate, com participação ativa do corpo docente e  discente.  Resultados parciais, embora bem avançados, do processo de reforma foram divulgados amplamente em sessões do Fórum de Graduação da ECA, realizado ao longo de 2010, estimulando novas contribuições para a obtenção do resultado que agora se apresenta.  Durante o processo de estudo e revisão do programa, contamos com o apoio de profissionais da área editorial, que por meio de conferências abertas aos alunos e professores expuseram seus pontos de vista sobre as formas de atuação no mercado, suas experiências individuais e suas expectativas em relação aos egressos do curso. Algumas incursões em programas de  cursos  similares  no  Brasil  e  no  exterior foram feitas a título de comparação e na perspectiva de tornar nossa grade curricular compatível com outros programas de referências, o que para alunos e professores se apresenta  como  um  caminho  para  futuras  parcerias  e  intercâmbios. Na fase final de preparação  da  nova  grade, contamos com o apoio valioso de profissionais da Secretaria do CJE, do Serviço de Graduação da ECA e da Pró-Reitoria de Graduação.

 

Enfim, as propostas firmadas neste projeto-político pedagógico e que se refletem na nova grade curricular apóiam-se em três bases:

1ª) críticas, sugestões e reivindicações do corpo discente;

2ª) adequação do programa ao quadro de professores em atividade no curso de Editoração, o que implicou a atualização ou reforma de quase todos os programas, além da criação ou exclusão de disciplinas, tendo em  vista  o  diagnóstico das necessidades para uma formação de excelência, a articulação entre Ensino, Pesquisa e Extensão, mas também a falta de professores em alguns setores estratégicos do curso, lacuna provisoriamente preenchida com  a  inestimável colaboração, sobretudo, de dois professores aposentados da ECA: Edmir Perrotti, do CBD, e Francisco Roberto Savioli, do CCA.

3ª) estudo das Diretrizes Curriculares da área de Comunicação Social, particularmente, dos tópicos relativos à Habilitação em Editoração.

Tendo em vista a  importância  inegável  desse  último  documento  para  a consolidação  do  programa  que  se  espera  implementar  em  2012  no  curso  de Editoração da  ECA-USP,  reproduzimos,  a  seguir,  alguns  tópicos  das  “Diretrizes Curriculares para a área de Comunicação Social e suas Habilitações”.

 
 

Projeto Político-Pedagógico de Editoração

Notícias - Graduação Editoração
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