24h alerta vermelho

por Danielle Assalve

Somos nós os audazes bombeiros, cumpridores do nosso dever. Que no fogo voraz lutaremos, para salvar ou morrer.(Trecho da canção dos bombeiros)

Rua da Consolação, 1.663. São sete e meia da manhã. Para a "prontidão Amarela", é hora de ir para casa. Para a "Azul", é o começo das suas 24 horas de serviço. A primeira tarefa do dia é checar os materiais e viaturas. O cabo Lotero explica: "Na hora da ocorrência não pode ter nada emperrado". "Um minuto perdido pode significar uma vida perdida", complementa o sargento Levi. Começa a nossa visita ao Posto de Bombeiros.

Vermelho Fogo. Labaredas tomam conta do ambiente. Pessoas fogem para um lugar seguro. Outras correm para chegar ao local. Como é enfrentar um incêndio? Ouço, com surpresa, o soldado Rodrigo dizer: "Eu gosto. É muita adrenalina".

Vermelho Emoção. Uma ocorrência recente deixou impactos visíveis. O sargento Levi lembra: "Faz uns 20 dias, fomos atender a uma tentativa de suicídio. Um prédio em construção, de 26 andares. O rapaz estava na ponta de uma viga. Nós falamos: 'Vem aqui, vamos conversar, aí é muito perigoso'. Ele veio, deu a impressão de que ia sentar e disse: 'Falou'. Fez um positivo, levantou os braços e pulou. 26 andares... É complicado, porque você espera que a pessoa mude o intento. Moleque novo, não passava de 20 anos, bem vestido... complicado". Como é lidar com isto? "Não somos super-homens, temos nossas limitações". Para 'acalmar' este sentimento, Levi diz que conversam entre si sobre o que aconteceu.

Vermelho Razão. "Na hora você precisa ser rápido, não pode se envolver muito. Se for pelo coração e não pela razão, você dança", conta o cabo Leal. A questão é que "às vezes, a gente imagina uma cena, mas no local as coisas não são bem assim", explica a tenente Andréia. Ela conta que desenvolveu uma forma de lidar com estas situações: "Nunca procurei a pessoa depois, nunca cruzei essa linha. No momento, você se identifica com a vítima. Mas se ficar focado no sofrimento, não vai ter a visão necessária para agir. É preciso bastante equilíbrio". Apesar dos desafios, para ela esta é uma profissão gratificante: "É um meio de efetivamente ajudar as pessoas".

Vermelho Riso. Era por volta de dez e meia. A sirene foi acionada. Corremos para o pátio. Não entendi o que encontrei. Risos, alguns 'miados'... Perguntei pela ocorrência. "Gato em árvore", ouço alguém dizer. Duvidei: "É sério isso?". Vejo anotado em um papel: "Gato em árvore, Praça da República". Ficamos lá, parados, vendo um caminhão partir para realizar o salvamento de um gatinho trapalhão. E eu que achava que isso só acontecia em filmes...

Vermelho - Por quê? Mas, afinal, porque a cor do bombeiro no Brasil é o vermelho? A tenente Andréia explica que "o vermelho sempre esteve ligado à imagem do fogo, mesmo porque o serviço de resgate é relativamente novo para os Bombeiros, desde 1991". Ficamos sabendo ainda que o vermelho não é padrão mundial para identificá-los. "Em muitos países a cor predomiminante é o amarelo".