Somos nós os audazes bombeiros, cumpridores do nosso dever. Que no fogo voraz lutaremos, para salvar ou morrer.(Trecho da canção dos bombeiros)
Rua da Consolação, 1.663. São sete e meia da manhã. Para a "prontidão Amarela", é hora de ir para casa. Para a "Azul", é o começo das suas 24 horas de serviço. A primeira tarefa do dia é checar os materiais e viaturas. O cabo Lotero explica: "Na hora da ocorrência não pode ter nada emperrado". "Um minuto perdido pode significar uma vida perdida", complementa o sargento Levi. Começa a nossa visita ao Posto de Bombeiros.
Vermelho Fogo. Labaredas tomam conta do ambiente. Pessoas fogem para um lugar seguro. Outras correm para chegar ao local. Como é enfrentar um incêndio? Ouço, com surpresa, o soldado Rodrigo dizer: "Eu gosto. É muita adrenalina".
Vermelho Emoção. Uma ocorrência recente deixou impactos visíveis. O sargento Levi lembra: "Faz uns 20 dias, fomos atender a uma tentativa de suicídio. Um prédio em construção, de 26 andares. O rapaz estava na ponta de uma viga. Nós falamos: 'Vem aqui, vamos conversar, aí é muito perigoso'. Ele veio, deu a impressão de que ia sentar e disse: 'Falou'. Fez um positivo, levantou os braços e pulou. 26 andares... É complicado, porque você espera que a pessoa mude o intento. Moleque novo, não passava de 20 anos, bem vestido... complicado". Como é lidar com isto? "Não somos super-homens, temos nossas limitações". Para 'acalmar' este sentimento, Levi diz que conversam entre si sobre o que aconteceu.
Vermelho Razão. "Na hora você precisa ser rápido, não pode se envolver muito. Se for pelo coração e não pela razão, você dança", conta o cabo Leal. A questão é que "às vezes, a gente imagina uma cena, mas no local as coisas não são bem assim", explica a tenente Andréia. Ela conta que desenvolveu uma forma de lidar com estas situações: "Nunca procurei a pessoa depois, nunca cruzei essa linha. No momento, você se identifica com a vítima. Mas se ficar focado no sofrimento, não vai ter a visão necessária para agir. É preciso bastante equilíbrio". Apesar dos desafios, para ela esta é uma profissão gratificante: "É um meio de efetivamente ajudar as pessoas".
Vermelho Riso. Era por volta de dez e meia. A sirene foi acionada. Corremos para o pátio. Não entendi o que encontrei. Risos, alguns 'miados'... Perguntei pela ocorrência. "Gato em árvore", ouço alguém dizer. Duvidei: "É sério isso?". Vejo anotado em um papel: "Gato em árvore, Praça da República". Ficamos lá, parados, vendo um caminhão partir para realizar o salvamento de um gatinho trapalhão. E eu que achava que isso só acontecia em filmes...
Vermelho - Por quê? Mas, afinal, porque a cor do bombeiro no Brasil é o vermelho? A tenente Andréia explica que "o vermelho sempre esteve ligado à imagem do fogo, mesmo porque o serviço de resgate é relativamente novo para os Bombeiros, desde 1991". Ficamos sabendo ainda que o vermelho não é padrão mundial para identificá-los. "Em muitos países a cor predomiminante é o amarelo".