
Ciência escarlate
Para a física, o vermelho do sangue, da paixão e do perigo oscila a uma freqüência de quatrocentas e sessenta trilhões de vezes por segundo. A cor da vida, do calor e da riqueza se propaga em ondas de energia eletromagnética com comprimento de setecentos milionésimos de milímetro. O vermelho, no entanto, não é apenas mais uma faixa no espectro eletromagnético, ou mais uma cor no arco-íris.
É graças ao desvio para o vermelho que a luz emitida por galáxias distantes sofre à medida que estas se afastam de nós - as ondas são "esticadas", baixando sua freqüência - que podemos observar e comprovar a expansão do universo. O vermelho está no extremo mais baixo do espectro da luz visível, ou seja, é a "primeira" cor que somos capazes de enxergar.
Dizer, a propósito, que "somos" capazes de enxergar a cor vermelha é apenas parte da verdade. As células da retina sensíveis a diferentes tonalidades de luz são divididas em três tipos, de acordo com a faixa de cores a que respondem. Existem células sensíveis aos violetas e azuis (baixas freqüências), aos verdes e amarelos e aos laranjas e vermelhos (altas freqüências). No entanto, apenas os primatas possuem os três tipos, ainda que a grande maioria, 94%, esteja dividida entre as duas últimas variedades.
O vermelho é a cor predominante do espectro de elementos químicos como o lítio, o cálcio e o estrôncio; é a cor da chama produzida pela sua queima. Outro elemento largamente associado à cor vermelha é o ferro, presente na hemoglobina dos glóbulos vermelhos, e que confere ao sangue sua capacidade de transportar oxigênio e seu vermelho vivo. Óxidos de ferro são alguns dos pigmentos mais antigos usados pelo homem, como as formas avermelhadas das pinturas rupestres.