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Vallegrande (Ao Che)

(Incluindo um texto de Carlos Drummond de Andrade do livro Um calafrio diário)


Renata Pallottini (1931- São Paulo, SP)
Poetisa, dramaturga, contista, romancista e Professora Doutora em Artes. Publicou POESIA: Acalanto (1952); O cais da serenidade (1953); O monólogo vivo (1956); A casa (1958); Nós, a faca e a pedra (1965); Os arcos da memória (1971); Chão de palavras (1977); Noite afora (1978); Coração americano (1979); Cantar meu povo (1980); Cerejas, meu amor (1982); Ao inventor das aves (1985); Esse vinho vadio (1985); Praça maior (1988); Obra poética (1995); Um calafrio diário (2002). PROSA: Mate é a cor da viuvez (1975) - CONTOS; Nosotros (1994); Oficios & amargura (1998). LITERATURA INFANTIL: Titã, a Poeta (1984); O mistério do esqueleto (1985); Café com leite (1988 ) - poesias ; Do tamanho do mundo(1993); Anja (1997) - poesia; Sempre é tempo - (1998); O Livro das adivinhações (2000); As três rainhas magas (2002); PEÇAS DE TEATRO: colônia Cecília (1987); a vida é sonho (1992); Enquanto se vai morrer (1997); Sarapalha (1999); Os loucos de antes (2000).


Nas verdes colinas há um silêncio de morte.
Entre árvores, pássaros, moradas,
um silêncio que veio se acomoda.
Surgem as fontes de água,
caminhos de homens sós, passos, picadas,
entre pássaros, fontes, emboscadas.

Nas montanhas mais verdes a morte está plantada
e o céu que ali se estende não se estende por nada.
Se alguém ali morreu, pouco importa quem seja:
foi um homem quem morreu com seus olhos de estrelas,
Sua barba e seus cabelos, sua boca e seus desejos.

Um homem morto apenas e não morto por nada
entre árvores, pássaros, fontes, emboscadas
a caminho das últimas, indistintas moradas.


Poesia de Renata:
Sob a música exata
Há um tremor humano.

O verbo canta mais
Do que os jogos verbais:
O mundo refletido.

O tempo, o ser, a morte,
O invisível suporte
Do amor, por sobre o caos.

Poesia de Renata
Um reflexo de prata
No deserto noturno.

Com um abraço de
Carlos Drummond
Rio, 24.XI,1969.


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