Matérias

   
 

Pato Donald comemora 70 anos

 

Foi no dia 9 de junho de 1934 , com a estréia do desenho animado A galinha sábia , que o Pato Donald soltou seu primeiro "quac" nas telas dos cinemas americanos. Fazendo estripulias e com a voz do dublador Clarence Nash , o pato ultrapassou o camundongo bonzinho Mickey em termos de popularidade.

A incursão inicial do pato pelos quadrinhos ocorreu em 1934, na página dominical intitulada Silly simphonies , na qual eram quadrinizados os desenhos animados da Disney.

Al Taliaferro foi o primeiro artista a desenhar Donald. Este quadrinhista gostou demais da personagem e pediu a Roy Disney , irmão de Walt, que autorizasse a criação de uma tira própria para o pato de roupa de marinheiro. Insistiu tanto, que, após algumas tentativas frustradas, conseguiu que a distribuidora King Features Syndicate se interessasse pelo material.

Tendo iniciado o trabalho em 1937, Taliaferro acompanhou o pato até 1965, quando faleceu, tendo sido responsável pela ampliação do universo da personagem. Nas tiras de Mickey da década de 1930, realizadas por Floyd Gottfredson , Donald era adjuvante do protagonista e, ao lado de Pateta , metia-se em confusões, sofrendo nas mãos de Chiquinho e Francisquinho . No entanto, em 1937, Taliaferro concebeu três sobrinhos ( Huguinho , Zezinho e Luisinho ) para infernizar a vida do pato, que ficou mais "adulto", embora ainda permanecesse histriônico como nas animações. Logo em seguida, apareceram o primo guloso e preguiçoso Gansolino (que já havia participado de um desenho animado), a avó laboriosa Vovó Donalda e a namorada Margarida (antes dela, Donald havia paquerado uma pata latina, com visual hispânico, chamada Donna Duck , no desenho animado Don Donald ).

O pato começa a viajar pelo mundo

Ainda na década de 1930, o pato também viveu aventuras produzidas por artistas ingleses e italianos. William A. Ward fez diversas histórias para a revista britânica Mickey Mouse magazine em que Donald contracena com Donna Duck e o marinheiro Mac . Na Itália, Federico Pedrocchi , que obteve autorização do Estúdio Disney para desenhar as personagens Disney, utilizou o pato em diversas narrativas editadas nas publicações Topolino e Paperino (sendo este o primeiro título de Donald, lançado na Itália em 1937). Porém, foi com o trabalho desenvolvido para os quadrinhos por Carl Barks , egresso do estúdio de animação, que Donald teve sua rica e complexa personalidade explorada ao extremo. Barks, o "homem do pato", como era chamado pelos fãs, mostrava a personagem como herói, vilão, atrapalhado, briguento, ciumento, ganancioso e preguiçoso, e sempre com muito humor. Ora antagonizado pelos sobrinhos, ora auxiliado por eles, Donald queria se tornar reconhecido em seu trabalho. Tornava-se, então, um mestre (aviador, demolidor, vidraceiro etc.), mas acabava gerando uma enorme confusão.

Nas histórias realizadas por Barks, o pato vivia aventuras em lugares distantes e estranhos (no Pólo Norte, na selva centro-americana, no Egito, nos Andes), disputava a atenção da Margarida com o primo sortudo e arrogante Gastão , travava verdadeiras batalhas com seu vizinho Silva e ainda auxiliava o tio milionário a encontrar tesouros, recebendo alguns centavos por hora trabalhada.

Além das tiras de Al Taliaferro e das histórias criadas por Barks para as revistas de quadrinhos, Donald passou pelas mãos de outros artistas, como os norte-americanos Tony Strobl e Jack Bradbury , os italianos Romano Scarpa e Giovan Battista Carpi (desenhista das primeiras aventuras do Superpato , identidade secreta de Donald, criada na Itália em 1969), o holandês Daan Jipes (que hoje refaz os roteiros escritos por Carl Barks para episódios dos Escoteiros-Mirins), o chileno Victor Arriagada Rios e o argentino Daniel Branca .

Donald chega ao Brasil

No Brasil, as tiras de Donald realizadas por Taliaferro começaram a ser editadas na década de 1930, nas páginas de publicações como Mirim , Suplemento juvenil , Guri , Lobinho e Gibi . Em outubro de 1938, Donald compartilhou com o elefante Bolinha (personagem de uma animação do Estúdio Disney) a edição de fim de mês do Suplemento juvenil . Em 1946, a EBAL lançou a revista Seleções coloridas , que apresentou aos leitores brasileiros histórias estreladas pelo pato elaboradas por Carl Barks e pelo argentino Luis Destuet .

Um pato brasileiro

Com a publicação da revista Pato Donald pela editora Abril , em julho de 1950, a personagem ganhou mais prestígio no Brasil e abriu espaço para os artistas nacionais. A primeira história em quadrinhos com Donald feita aqui foi "Papai Noel por acaso" , editada em dezembro de 1959 na Pato Donald número 424, que contava com arte de Jorge Kato . Depois, Waldyr Igayara , Carlos Edgard Herrero , Irineu Soares Rodrigues , Primaggio Mantovi , Euclides Miyaura , Eli Leon , Luiz Podavin , entre outros brasileiros, também desenharam aventuras protagonizadas por Donald.

Atualmente, dois artistas italianos e dois norte-americanos destacam-se na elaboração de episódios com o pato. Giorgio Cavazzano dá prosseguimento ao estilo italiano das histórias Disney, enquanto seu conterrâneo Marco Rota segue os passos de Carl Barks. Também fãs de Barks, William Van Horn e Don Rosa (autor da Saga de Tio Patinhas ) dão continuidade às peripécias de Donald que tanto encantaram os leitores ao longo das últimas sete décadas. Por isso, fãs de sete a setenta anos podem continuar a ler, maravilhados e divertidos, os quadrinhos deste adorável pato encrenqueiro. Feliz aniversário, Donald.

Roberto Elísio dos Santos é pesquisador sênior do Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP, jornalista, doutor em Comunicação pela ECA-USP, professor do IMES - Centro Universitário Municipal de São Caetano do Sul e autor do livro "Para reler os quadrinhos Disney" (Editora Paulinas).

Voltar

 
 
HOME MEMBROS PESQUISA MAT…RIAS NOTICIAS BOLETIM REVISTA AG¬QUE EVENTOS BIBLIOGRAFIA LINKS ACERVO