Produto do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP - São Paulo - Novembro/Dezembro de 2008 - Ano 8- Nº47
Textos escritos e editados pelos alunos do Curso de Especialização em Divulgação Científica, do NJR-ECA/USP
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O papel da imagem na divulgação científica
Cynthia Sayuri Bando
 

Ilustrações de Filipe Franco (fonte:designerfilipefranco)
A ilustração tem sido usada nas produções literárias e científicas desde os séculos XVIII e XIX com a finalidade de auxiliar o pesquisador a comunicar suas idéias e descobertas, em forma de desenhos detalhados.

Na divulgação científica a produção artística, os desenhos, cartoons e fotografia têm papel fundamental ao expressar em imagem o conhecimento sobre as mais diversas ciências, através do impacto e a possibilidade de sintetizar conceitos, muitas vezes complexos e, atualmente são marcantes nos jornais, revistas, Internet, livros – principalmente os escolares, entre outros.

A representação visual muitas vezes facilita o entendimento de teorias ou conceitos científicos, embora alguns estudiosos digam que a linguagem escrita é mais confiável, pois o desenho pode ter uma idéia preconcebida do autor. Henri Poincairé escreveu em 1902 que “cada um trás em si a sua concepção do mundo e não é tão fácil com isso desembaraçar-se dela”. O ilustrador científico, Filipe Franco afirmou que o desenho carrega um pouco de subjetividade porque é resultado de um processo criativo individual, no entanto, isso não compromete a função primária que é a transmissão do conhecimento científico. Normalmente uma ilustração científica passa por um processo rigoroso de pesquisa, é pensado de forma detalhada para que possa transmitir uma determinada informação que seja facilmente assimilável e cientificamente correta.


Divulgação Científica

Uma imagem não é construída a partir da imaginação e sim da realidade. Para transmitir uma idéia através de uma ilustração é necessário que ela seja elaborada em função de um tema e não deve ter como objetivo principal que ela seja uma obra de arte e sim que ela seja reproduzida para comunicar um conhecimento científico. Normalmente a criação é supervisionada por um cientista ou por uma equipe científica responsável pela informação que se pretende divulgar. Quando a ilustração é feita com base num texto previamente escrito, ele já foi revisto e aprovado e a ilustração deve ser executada dentro dos mesmos parâmetros de rigor científico que acompanharam a execução do documento. No entanto, Filipe Franco disse que desde que se respeite às normas, existe sempre um espaço para a criatividade e a liberdade artística na criação de um desenho.

A história da ciência nos quadrinhos está relacionada com a história da ficção científica nos quadrinhos desde o final da década de 20 quando foi publicada a primeira HQ de ficção. A primeira tira publicada em jornal foi em 1929 sobre a história de Buck Rogers. O conto narrava à história de um piloto americano da época no século XXV. Utilizando esse formato de história em quadrinhos, e, em função de um tema científico, João Garcia, cartunista busca um viés para traduzir, em uma breve seqüência de imagem, a ciência de maneira de livre e com estilo humorístico. Sua ferramenta é o humor gráfico e a subjetividade é a marca de seu trabalho, “ao achar graça pela mesma perspectiva que lhe propus, falando de ciência, você também absorverá algum conteúdo que vai estimular novas e maiores dúvidas” diz João Garcia. O cartoon é um poderoso meio de levar a informação para um grande número de pessoas.


Os cientistas, por João Garcia

A partir de meados do século XIX o suporte fotográfico impôs uma nova maneira de fazer ciência e transmitir conhecimento científico. A fotografia pode mostrar um retrato real da história, permitindo às pessoas ver coisas que não eram visíveis como ver galáxias que estão a milhões de anos-luz. “todo o levantamento geológico, a construção do caminho de ferro, a construção do telégrafo, a exploração e a prospecção mineira foram sempre acompanhadas pela máquina fotográfica. As próprias dificuldades que a engenharia tinha impuseram melhoramentos na técnica fotográfica. As duas coisas estão ligadas.” diz o curador Jorge Calado, professor de Química-Física do Instituto Superior Técnico de Portugal.

Muitas pessoas têm dúvidas sobre a eficiência da fotografia na divulgação cientifica. “A fotografia, diferentemente do desenho é sempre uma representação de um indivíduo específico”, disse Filipe Franco. A fotografia tem problemas como profundidade de campo, exposição e processamento de detalhes, entretanto, como registro histórico ela tem feito o seu papel desde 1822, quando foi inventada.

Os recursos criados para expressar as possibilidades visuais são cada vez mais utilizados para aprimorar a divulgação científica. As técnicas utilizadas são ilimitadas, desde as mais tradicionais são grafite, nanquim e aquarela até sofisticados modelos animados com computação gráfica.
A imagem tem papel importante nas reflexões educativas porque podem representar de maneira visual o mundo real e demonstrar dentro de uma perspectiva humorística a ciências.


* Cynthia Sayuri Bando é secretária-executiva da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), Jornalista e aluna do Curso de Especialização em Divulgação Científica do Núcleo José Reis ECA-USP.

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