A
ilustração tem sido usada nas produções
literárias e científicas desde os séculos
XVIII e XIX com a finalidade de auxiliar o pesquisador a
comunicar suas idéias e descobertas, em forma de
desenhos detalhados.
Na divulgação científica a produção
artística, os desenhos, cartoons e fotografia têm
papel fundamental ao expressar em imagem o conhecimento
sobre as mais diversas ciências, através do
impacto e a possibilidade de sintetizar conceitos, muitas
vezes complexos e, atualmente são marcantes nos jornais,
revistas, Internet, livros – principalmente os escolares,
entre outros.
A representação visual muitas vezes facilita
o entendimento de teorias ou conceitos científicos,
embora alguns estudiosos digam que a linguagem escrita é
mais confiável, pois o desenho pode ter uma idéia
preconcebida do autor. Henri Poincairé escreveu em
1902 que “cada um trás em si a sua concepção
do mundo e não é tão fácil com
isso desembaraçar-se dela”. O ilustrador científico,
Filipe Franco afirmou que o desenho carrega um pouco de
subjetividade porque é resultado de um processo criativo
individual, no entanto, isso não compromete a função
primária que é a transmissão do conhecimento
científico. Normalmente uma ilustração
científica passa por um processo rigoroso de pesquisa,
é pensado de forma detalhada para que possa transmitir
uma determinada informação que seja facilmente
assimilável e cientificamente correta.

Divulgação Científica
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Uma
imagem não é construída a partir
da imaginação e sim da realidade. Para transmitir
uma idéia através de uma ilustração
é necessário que ela seja elaborada em função
de um tema e não deve ter como objetivo principal
que ela seja uma obra de arte e sim que ela seja reproduzida
para comunicar um conhecimento científico. Normalmente
a criação é supervisionada por um
cientista ou por uma equipe científica responsável
pela informação que se pretende divulgar.
Quando a ilustração é feita com base
num texto previamente escrito, ele já foi revisto
e aprovado e a ilustração deve ser executada
dentro dos mesmos parâmetros de rigor científico
que acompanharam a execução do documento.
No entanto, Filipe Franco disse que desde que se respeite
às normas, existe sempre um espaço para
a criatividade e a liberdade artística na criação
de um desenho.
A história da ciência nos quadrinhos está
relacionada com a história da ficção
científica nos quadrinhos desde o final da década
de 20 quando foi publicada a primeira HQ de ficção.
A primeira tira publicada em jornal foi em 1929 sobre
a história de Buck Rogers. O conto narrava à
história de um piloto americano da época
no século XXV. Utilizando esse formato de história
em quadrinhos, e, em função de um tema científico,
João Garcia, cartunista busca um viés para
traduzir, em uma breve seqüência de imagem,
a ciência de maneira de livre e com estilo humorístico.
Sua ferramenta é o humor gráfico e a subjetividade
é a marca de seu trabalho, “ao achar graça
pela mesma perspectiva que lhe propus, falando de ciência,
você também absorverá algum conteúdo
que vai estimular novas e maiores dúvidas”
diz João Garcia. O cartoon é um poderoso
meio de levar a informação para um grande
número de pessoas.

Os
cientistas, por João Garcia
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A partir de meados do século XIX o suporte fotográfico
impôs uma nova maneira de fazer ciência e
transmitir conhecimento científico. A fotografia
pode mostrar um retrato real da história, permitindo
às pessoas ver coisas que não eram visíveis
como ver galáxias que estão a milhões
de anos-luz. “todo o levantamento geológico,
a construção do caminho de ferro, a construção
do telégrafo, a exploração e a prospecção
mineira foram sempre acompanhadas pela máquina
fotográfica. As próprias dificuldades que
a engenharia tinha impuseram melhoramentos na técnica
fotográfica. As duas coisas estão ligadas.”
diz o curador Jorge Calado, professor de Química-Física
do Instituto Superior Técnico de Portugal.
Muitas pessoas têm dúvidas sobre a eficiência
da fotografia na divulgação cientifica.
“A fotografia, diferentemente do desenho é
sempre uma representação de um indivíduo
específico”, disse Filipe Franco. A fotografia
tem problemas como profundidade de campo, exposição
e processamento de detalhes, entretanto, como registro
histórico ela tem feito o seu papel desde 1822,
quando foi inventada.
Os recursos criados para expressar as possibilidades visuais
são cada vez mais utilizados para aprimorar a divulgação
científica. As técnicas utilizadas são
ilimitadas, desde as mais tradicionais são grafite,
nanquim e aquarela até sofisticados modelos animados
com computação gráfica.
A imagem tem papel importante nas reflexões educativas
porque podem representar de maneira visual o mundo real
e demonstrar dentro de uma perspectiva humorística
a ciências.
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Cynthia Sayuri Bando é secretária-executiva
da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia
Molecular (SBBq), Jornalista e aluna do Curso de Especialização
em Divulgação Científica do Núcleo
José Reis ECA-USP. |