Equipe

Coordenação Geral:

Profª. Drª. Elza Dias Pacheco

Assessoria de Pesquisa:

Profª Marisa Del Cioppo Elias - PUC/SP - pesquisadora

Márcia Aparecida Guizi Mareuse - Psicóloga - colaboradora

Sandra Pasquali Pacheco - Psicóloga - apoio técnico

Apoio Técnico (bolsistas do CNPq):

Alessandra Rosine Carrasco - AP

Carla Rosa Loureiro - AP

Tatjana P. Luyten - AP

Claudemir Edson Viana - IC

Cordélia de Fátima Corrêa - IC

Débora Rocha Cronemberger - IC

Newton Guimarães Cannito - IC

Valter José da Silva - IC

 

Introdução

O tema "Televisão e Criança" tem sido objeto de grandes controvérsias e carência de solução, e exige reflexão e pesquisa, o que gerou o projeto "Televisão, Criança e Imaginário - Contribuição para a Integração Escola, Universidade e Sociedade".

Como a criança pensa a TV ? Como ela representa os eventos do cotidiano e os heróis e vilões que desfilam, diariamente, na "telinha mágica", através dos diferentes gêneros que se sucedem ? Como a escola tem se apropriado das mensagens televisivas ? Como a escola tem reagido/tratado a linguagem e/ou o conteúdo veiculado pela TV ? Como ela tem explorado a TV, esta "escola paralela", que, de modo tão fascinante, compete deslealmente ?

Não há dúvida de que estes temas, apesar de desconhecidos pela maioria dos professores despertam-lhes grande interesse. Inúmeras razões poderiam justificar este fato, dentre elas o fato de que os professores reconhecem que esse meio onipresente influencia diversos âmbitos da vida social das pessoas.

Como a escola pode ignorar os robôs que falam ? Os raios laser e as naves espaciais que fascinam crianças e adultos, que vêm a TV ? Como ignorar o humano ? A capacidade de voar e de se transformar ? A magia, o poder e o terror trazido pelos monstros e vampiros que integram momentos de televisão ?

Em função destes aspectos a TV também precisa ser estudada e estudada dialéticamente. A questão fundamental é a de saber como ambos, mensagens e sujeito se constituem e, de que maneira, o sentido os atravessa no momento em que se confrontam.

A pesquisa em questão partiu do pressuposto de que a TV interfere no trabalho desenvolvido na escola. Esta interferência ocorre no nível das relações que se estabelecem entre os diferentes elementos que convivem no ambiente escolar; no plano emocional; na área de valores e muitas outras. Ela ocorre mesmo na função específica da escola, que é a apropriação do saber acumulado e o desenvolvimento cognitivo do aluno.

A partir deste pressuposto, nos pareceu fundamental a compreensão do como, quando, em que nível e de que tipo é esta interferência. Uma tarefa altamente complexa, considerando-se a importância e o significado, as inúmeras variáveis que comporta, os conhecimentos requeridos e as dificuldades metodológicas envolvidas.

Em função destas considerações, o presente estudo procurou atender parte desta tarefa. As preferências televisivas manifestadas pelas crianças foram o ponto de partida para a análise de seu conteúdo e recepção. A compreensão da influência exercida pela TV através da identificação das representações do aluno e do professor, quanto aos mitos e estereótipos, bem como a maneira pela qual se entrecruzam no espaço escolar, pareceu fundamental nesta compreensão.

A importância deste trabalho reside no fato de atuar junto a um setor pouco explorado por pesquisas anteriores, constituindo-se em ampliação e aprofundamento do que já foi estudado até então.

A consideração do que já foi feito, na tentativa de ultrapassá-lo, estabelecendo elos e conexões num compromisso com a investigação científica, é a tarefa que consta deste relatório.

Da mesma forma, o trabalho tem a intenção de se constituir num subsídio útil para todos aqueles (pessoas ou instituições) que se propuserem a, dando continuidade a esta investigação, compreender a interferência da TV na vida social e na escolar mais especificamente.

Entendemos, também, que esta pesquisa possa servir de apoio à organização de cursos, treinamentos e, quando possível, venha intervir na escola com vistas a auxiliá-la no desempenho de sua importante função social.

Além de seu valor próprio, enquanto produção de um conhecimento novo e da possibilidade que abre a novas investigações e à ação, esta pesquisa contribui para o enriquecimento do acervo documental nas áreas de Comunicação e Educação, na medida em que apresenta, como produto final do trabalho um catálago - "Ensaio"- com as produções culturais para TV preferidas pelas crianças da cidade de São Paulo, e sugestões de atividades para o ensino pré-escolar e fundamental.

Dessa forma, esperamos que a presente pesquisa, contribua para uma melhor compreensão da Comunicação, da Educação, das suas interrelações, e ofereça subsídios para a produção de material e capacitação de pessoal nessas áreas, e abra mais uma possibilidade de intercâmbio Universidade/Escola de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio / Comunidade.

 

Objetivos

Objetivo Geral

Fornecer subsídios alternativos para o intercâmbio cultural entre Universidade, Escola e Sociedade, a partir da análise de conteúdo e de recepção dos diversos gêneros que integram a comunicação televisiva, veiculada na cidade de São Paulo.

Objetivos Específicos

1. Levantar referencial teórico atualizado sobre a relação TV/Criança;

2. Investigar as diferentes formas de manifestação dos folguedos infantis, antes e depois do advento da televisão;

3. Identificar os diferentes tipos de produção cultural presentes na televisão.

4. Identificar as representações do imaginário social da criança e dos professores, quanto ao conteúdo veiculado pelas produções culturais televisivas preferidas pela criança e seu intercruzamento.

5. Identificar as formas de manifestação do lúdico na televisão e a maneira pela qual o público infantil se apropria delas.

6. Realizar análise de conteúdo e de recepção de uma amostra representativa de programas significativos para o referido público, investigando o verbal, a imagem e o som.

7. Identificar mitos e estereótipos presentes/evocados pelos programas preferidos pelas crianças;

8. Verificar como a escola tem se apropriado das produções culturais exibidas na TV;

9. Elaborar um catálogo com as produções culturais para a TV, preferidas por crianças da cidade de São Paulo.

 

Conclusões Finais

Nesta pesquisa, que ora se encerra, estabelecemos vários objetivos, que deveriam ser atendidos. Para tal elaboramos hipóteses de trabalho, baseados na teoria existente sobre a relação TV/Criança, TV/ Educação. TV/ Cultura/ Sociedade. Estabelecemos um arcabouço teórico que, em síntese, nos revelou que na perspectiva sócio - histórica - construtivista, se o mundo da TV é um mundo cultural, ou seja, um mundo feito de cultura ou de natureza semiótico. Ele se constitui, não é apenas constituido - pela linguagem - e sofre constante influência da linguagem perpassada pelos meios de comunicação de massa.

Tal perspectiva significa a ideia de que nada, a rigor, está pronto, acabado, e de que, especificamente, o conhecimento não é dado, em nenhum instância, como algo terminado. Ele se constitui pela interação do indivíduo com o mundo das relações sociais, enfim, com os meios tecnológicos. Tal ótica permite ao homem interpretar e (re) interpretar esse mundo, jogando-nos para dentro do movimento da História. Assim, não é possível a escola ignorar a influência desses agentes mediáticos. Ela precisa partir da realidade vivida por alunos e professores, isto é, pela sociedade. A educação deve ser um processo de construção do conhecimento ao qual ocorrem, em condição de complementariedade, por um lado, os alunos e os professores e, por outro lado, os problemas sociais e o conhecimento já construído ( acervo cultural da humanidade). A arte e cultura erudita, antes privilégio da elite, pode hoje ser apreciada pelas demais camadas sócio-econômicas da população, da mesma forma que, os conhecimentos de áreas variadas do saber podem ser divulgados, permitindo sua apropriação por toda uma população que formará novos conceitos, princípios e atitudes.

Uma Nação moderna não é mais aquela dirigida e manipulada por uma cúpula que detém o poder e o saber; depende sobretudo de toda a comunidade que a forma. A sociedade, por sua vez, se faz todos os dias no ritmo em que a ciência e a tecnologia progridem. É, pois, necessário, que a escola, enquanto instância social diversifique e descentralize as ações educativas e passe a utilizar variada e orientadamente os meios de comunicação de massa disponíveis na comunidade diversificando as experiências educativas.

Os nossos dados encontraram apoio no arcabouço teórico permitindo-nos, estabelecer uma série de conclusões teóricas e empíricas que, sabemos, serão alvo de críticas dos " apocalípticos" de que nos fala Umberto Eco. Passemos a arrolá-las:

Conclusões e Recomendações:

1. Uma grande parte da preocupação de pais, professores e da sociedade, em geral, sobre os efeitos danosos da tevê sobre a criança decorre das notícias veiculadas pela imprensa, sobre resultados contraditórios de pesquisas brasileiras e estrangeiras, através de manchetes como:

"A televisão é o mais alienante dos meios de comunicação".

" A televisão prejudica o desenvolvimento linguístico da criança";

"A televisão contribui para o desenvolvimento da criatividade" (...)

2. Apesar de todos os ataques às 625 linhas do tubo de raios catódicos, a televisão continua como peça principal da casa, ora como " babá eletrônica", ora como pano de fundo para as refeições familiares.

3. Uma das causas que atualmente mais preocupa a todos que, direta ou indiretamente, se dedicam ao estudo da televisão, é que a violência e a agressividade contidas na programação dos diversos gêneros televisivos sejam responsáveis pela criminalidade que assola a sociedade.

4. Até o presente, a preocupação com a violência física na programação televisão é tão exagerada que se ignora a violência símbólica como, por exemplo, a colonização cultural alienígena.

5. Não há uma relação de causa e efeito entre a violência das narrativas televisivas e os comportamentos anti-sociais e até sádicos de algumas crianças; contudo, estão excluídos desta afirmação as crianças que fazem parte dos "grupos de riscos", ou seja, crianças com distúrbios no desenvolvimento psicossocial.

6. Os juízos "Apocalípticos" e ou "integrados", parafraseando Umberto Eco, criam embaraços no aproveitamento do potencial educativo da televisão.

7. Uma das causas das acirradas críticas feitas à televisão advém do conceito errôneo que os adultos têm do que seja comunicação. Ignora-se que tal conceito não se refere apenas ao meio de comunicação e as mensagens que ele veicula mas à interação entre seres humanos que se baseia, não apenas numa mera transferência de informações, mas implica num processo simbólico de mediação que se estabelece entre produtos e assimiladores do processo comunicativo. Não há uma relação "biunívoca" entre o conteúdo das mensagens e o conteúdo das representações.

8. Todas as culpas do insucessos ou de comportamento desajustado das crianças à informação advinda da televisão, é obra de opinões que não são politicamente inocentes.

9. As querelas sobre Tv/criança, em parte, advém de uma visão simplificada que ora enfocam os conteúdos, ora enfocam os efeitos, perdendo de vista a totalidade do processo comunicacional.

10. A relação Tv - Criança, dado o fascínio que tal meio desperta no público infantil, é ainda carente de solução e daí a necessidade de se estudar continuadamente as preferências , interesses e disponibilidade de tempo "lime" do público infantil.

11. É certo que a criança paulistana fica de fronte do vídeo 40 horas semanais. Porém isto não significa que ela despenda todo este tempo assistindo a programação. Ela brinca "e a realidade diverte", só olhando o vídeo quando tem o seu universo despertado por algo que a agrade. Por outro lado, a criança tem um nível baixo de atenção dirigida, o que a leva distrair-se com atividades diversas, tendo a tevê como pano de fundo.

12. A criança é um ser histórico e assim ela recria o universos da programação assistida, segundo suas experiências. Isto desmistífica o clichê de "ser passível " diante da tevê.

13. Quando se trabalha com a criança como objeto de pesquisa, deve-se ter presente o conceito de infância a partir de uma perspectiva histórico - evolutiva, ou seja, considerando a infância como uma etapa da vida que se desenvolve num determinado espaço em constante processo interativo.

14. A programação televisiva não se apresenta às crianças com uma única visão axiológica do mundo, já que as representações sociais são processos simbólicos, mediados pelas instituições que fazem parte do contexto histórico de cada receptor. Assim, cada criança tem uma representação de mundo segundo a sua forma de experienciar o seu micro - cosmo.

15. A visão de mundo apresentada na televisão, quer nos programas de ficção, quer nos programas informativos infantis ou adultos, apresentam uma estrutura narrativa onde a dicriminação de papéis sexuais, é nítidamente chauvinista. Em toda a programação televisiva, há uma proposta de discriminação étnica, racial nacional, cultural e econômica o que não "discrimina nos demais" meios de comunicação e, o que é pior, dos livros didáticos que contém, como diz Umberto Eco "(...) que parecem verdade".

16. Devido à dificuldade, e mesmo à impossibilidade de se controlar todas as variáveis intervenientes que ocorrem ao longo do desenvolvimento infantil, podemos concluir que "a influência da televisão "jamais poderá ser tratada como objeto de estudo autônomo.

17. As crianças não são receptoras passivas da programação televisiva pois eles têm uma "capacidade mediática" que lhes permite selecionar o que lhes interessa, incorporando criativamente tais conteúdos.

18. É mais importante a relação que a criança estabelece com a televisão no sentido de "dialogar" com os discursos apresentados do que os conteúdos assistidos por ela.

19. Para se estudar a relação Criança/Tv é indispensável que se considere o processo interacional da cultura mediática.

20. Nem a psicologia, nem qualquer outra ciência pode dar uma resposta definitiva sobre se a televisão é boa ou não, para as crianças. Sua influência dependerá de como ela é utilizada. É necessário que as crianças aprendam a utilizar corretamente a informação oriunda da televisão. Para isso devemos levá-las avaliar a fidedignidade e veracidade do que está sendo informado via tevê. A isto chamamos "leitura crítica", uma estratégia que ajuda a criança a lidar com o juízo de autoridade de quem detém e passa a informação; ou seja, decodifica-la a partir das experiências e necessidades pessoais.

21. Perceber o espetáculo pela TV, na atualidade, é tão necessário como aprender a ler e a escrever. A existência, na televisão, de uma pluralidade de propostas normativas representa um avanço quanto à literatura que tem uma proposta pedagógica com um único código moral que entra em conflito com a necessidade de liberdade da criança.

22. Na produção cultural para a Tv, a telenovela, é, em especial a chamada "novela das oito", é assistida por sessenta milhões de telespectadores que se rendem a uma problemática que, de certa forma, faz parte das experiências dos receptores: é a busca do papel da Cinderela envolvendo a busca da origem como: a da identidade social; a procura de um filho trocado na maternidade, problemas de incesto, problemas de vida e morte. A criança faz parte e está sempre envolvida nesta trama, o que a leva a classificar em 2º lugar a novela como gênero preferido.

23. O gênero "desenho animado" é o preferido de crianças até nove anos de idade. Os motivos explicativos são: a narrativa é constituída com uma linguagem simbólica de magia cujas características são a rapidez das ações, os gestos, as transformações dos objetos. Por outro lado, em pouco espaço de tempo a criança viajava com os personagens através de florestas, em alto - mar, debaixo da terra, em espaços siderais. É um mundo onde tudo acontece e tudo é possível e ninguém morre através do desenho. A criança entende coisas profundas ligadas à justiça, esperança, abandono, pois as representações sociais são cifradas na linguagem da magia do "faz - de - conta".

24. O processo de mundialização exige que os estudos sobre os desenhos animados, gênero preferido das crianças, se orientem para os elementos culturais dessa programação, em especial, às produções japonesas e nas quais se mesclam as artes marciais, as lendas, as mitologias e a religião.

25. Os desenhos animados tradicionais exibem uma violência caricata pois após vários massacres, por exemplo do Jerry sobre o Tom e do Pica - Pau sobre quem o incomoda, tudo volta ao normal e ninguém sai machucado. A criança sabe que é "mentirinha" pois ela não confunde ficção com realidade embora transite frequentemente de um processo para o outro. É o caso do jogo simbólico. Ela sabe que a comidinha com a qual alimenta a sua boneca é um mero jogo com o qual ela se diverte, e muitas vezes faz com os companheiros e bonecos, aquilo que a mãe faz com ela.

26. Quando o Pica - Pau está na programação televisiva ele é o preferido porque é engraçado, é bonito, é colorido, é ágil, voa, é agressivo e forte, é esperto, é mágico, defende o que é seu e sempre é vitorioso.

27. Atualmente, a publicidade que permeia os "os programas infantis" é estéticamente bem feita, impedindo que a criança mude de canal através do recurso de uma multiplicidade de estratégias sedutoras através da manipulação de cores, imagens, sons que se mesclam com as mensagens, "cantos" mas com uma " tíming" rapidíssimo.

28. O conteúdo do "spots" publicitários que ocorrem durante as programações representam as meninas como mais adultos do que os meninos e portadores de uma sensualidade precoce. Já a representação dos mesmos, em geral, é mais agressiva e competitiva.

29. As peças publicitárias, quer dirigidos à infância ou aos adultos, baseam-se (....) alimentação; bebida; sexo; (...)

30. Quando se analisam as peças publicitários encaixadas na "programação infantil" televisiva conclui-se que no "intercepto" imagético os apelos ao consumidor/criança estão relacionadas com o processo de socialização, ou seja, os primeiros objetos que a criança consome pertencem ao desenvolvimento oral como: guloseimas, refrigerantes (...), cuja preferência segue na adolescência, o vestuário/moda (relacionado ao bem estar e "status" é um apelo dominante.

31. O discurso publicitário oferecido ao público infantil parece obedecer a dois eixo narrativos: o primeiro seria a vida passada, presente e prospecções de futuro; o segundo seria o próprio cotidiano da criança onde ela estabelece relações pessoais e sociais . Desta forma é onde se formam os valores normativos de comportamento da criança, ou seja, onde se exerce a autoridade adultocêntrica, através de categorias semânticas.

32. Devido ao descaso do Estado com a reciclagem e atualização do professorado brasileiro, a televisão ainda não adentrou, oficialmente, as nossas escolas.

33. A Tv comercial pode e deve ter utilizada como meio didático já que através dele a criança recebe muita informação. Para que tal ocorra é necessário que pais e professores conheçam a programação que a criança assiste para que a televisão possa ser "lida" não apenas no seu texto mas, em especial, no seu intertexto. O mesmo deve ser feito com a imagem e a trilha sonora. Desta forma, a televisão se transforma num laboratório importante que deve ser apropriado pelo lar e pela escola.

34. O arcabouço teórico, utilizado nesta pesquisa nos autoriza a dizer que os resultados contraditórios quer de pesquisas brasileiras ( que são escassas), quer de pesquisas estrangeiras sobre a relação TV/Criança, no que diz respeito a efeitos, derivam de paradigmas inadequados e ultrapassados, como é o caso de modelos funcionalistas e behavioristas de metodologias que carecem de rigor científico como é o caso de controle de variáveis e a escolha de sujeitos de amplas faixas etárias as quais que diferem muito quanto aos aspectos desenvolvimentais de procedimentos rudimentares como questionários com questões fechadas utilizadas na exploração das preferências da programação televisiva e na recepção dessa programação.

35. Hoje, com a retirada das crianças dos espaços públicos onde elas se beneficiavam do contato com a diversidade cultural, o lazer central do seu cotidiano é assistir televisão. Mesmo assim em especial, nas zonas afastadas dos centros urbanos, os folguedos infantis preferidos continuam sendo o "pega - pega", "esconde - esconde" ? Mesmo assim, o Brasil, em termos de posse de aparelhos televisivos se coloca como de equipamento médio, ou seja, 75 porcento das residências têm um aparelho televisor.

36. O "discurso interior", de que nos fala Vygotski, enquanto transformação e evolução do discurso egocêntrico infantil, discurso que a criança pequena mantém consigo mesma durante as suas atividades lúdicas, é o mesmo que a criança exibe em forma de "diálogo" para relacionar - se com tevê.