Boletim eletrônico do Núcleo José Reis de Divulgação Científica da ECA/USP,
é parte do Projeto
Integrado de Pesquisa em Treinamento de Divulgação Científica - PTDC/CNPq
e vinculado à Associação Brasileira de Divulgação Científica-
ABRADIC São
Paulo, Brasil - Ano 9- nº106 - Fevereiro de 2010
Eis
um fato cada dia mais intenso em nosso cotidiano
de divulgadores científicos. Estamos
presos em nossos Avatares... O filme 'Avatar'
só veio para alertar ainda mais...
Chamou atenção por vários
motivos: a volta de James Cameron (Titanic),
os efeitos especiais, “uma experiência
única” e muito aquém do
que um simples 3D, o orçamento que
chegou a quase 500 milhões de dólares
e o tempo de demora na produção
(quatro anos).
Para a divulgação
de ciência e tecnologia interessa a
reflexão sobre o mundo virtual que
o filme provoca. Demorei em comentar, porque
ainda pensando sobre o assunto. No filme,
o ‘Avatar’ substitui o humano,
mas não é isso que ocorre quando
estamos em nossos computadores?
Imagem
do Filme 'Avatar'
A
história do filme se passa em 2154
aonde existe uma colônia chamada Pandora,
habitada pelos Na’ vi, nativos azuis
alienígenas. Devido o local ser rico
em mineral, vários humanos já
tentaram invadir o ambiente deles, mas para
chegar perto é preciso criar um elo
de confiança com a raça, o que
ninguém nunca havia conseguido.
Tudo muda
com a chegada do ex-fuzileiro Jake Sully,
que recebe a tarefa de se infiltrar em Pandora
através de sua forma 'Avatar' (corpo
geneticamente mudado feito com seu DNA e dos
nativos), pois esta era a missão de
seu irmão gêmeo, que faleceu.
Mesmo sem saber quase nada sobre a cultura
dos Na’vi, e mesmo estando em cadeira
de rodas, aceita este desafio.
No
final do filme a realidade representada pelo
mundo dos Avatares acaba sendo a escolhida
por Sully. Ele deixa sua forma humana e o
‘Avatar’
ganha sua vida, na metáfora que nos
interessa discutir...Afinal, em muitos casos,
não é isso que está ocorrendo?
A vida no ciberespace não está
se tornando muito mais instigante e prazerosa
que fora dele? Quantas pessoas não
estão presas em suas fazendas no Facebook?Isto
sem contar as horas de MSN, Orkut, Blogs,Chats,
e outras coisas...Será que apenas o
protagonista do filme trocou de vida com seu
‘Avatar’?
Era
apenas uma mosca
Não mais que uma simples mosca;
aos olhos de quem não via
E quantos segredos, afinal, caberiam,
dentro de tão mísero inseto,
perdido,
entre as folhagens mortas de uma manhã
qualquer ?
Era preciso muito mais do que apenas olhos
para poder enxergar
Era preciso saber sonhar
Mas não estes sonhos comuns,
que se perdem à luz do primeiro alvorecer
Era preciso sonhar, além do simples
olhar;
Sonhar além das já conhecidas
fronteiras
Sonhando além, muito além,
do próprio sonho
Conforme
notícia no G1 por Diego Assis,
a jornalista Flavia Guerra (ver blog)
faz documentário sobre um motoboy
brasileiro chamado Karl Max (sem o "r"
mesmo). Retratando a realidade do imigrante
ilegal em londres, que trabalha com documentação
falsa e se arrisca para ganhar o máximo
de dinheiro possível.
Ao
longo das filmagens, o goiano Karl sofre
um acidente e quase tem seu pé
amputado. O trânsito não
é só assassino em São
Paulo, mas também nos países
desenvolvidos. Repito: o jeito é
pegar a bike. Porém, o repórter
Assis conta o final feliz graças
ao "jeitinho inglês":
a equipe médica que atendeu o motoboy
simplesmente ignorou o fato de ele não
estar com a documentação.
Foi atendido "como um legítimo
cidadão europeu".
Isso
me lembra o SUS, cheio de corrupção
e incongruências.
E também o sistema de Saúde
estadunidense -- ultimamente passando
por reforma --, que conheci pelo documentário
de Michael Moore "Sicko".
Bom,
dá pra ver que não é
só a pontualidade brasileira que
devia se aproximar das dos britânicos.
O jeitinho também.
Aparelho
identifica cores para deficientes visuais
João
Paulo O. Freitas
Mais
segurança na hora de pagar: o aparelho
identifica também dinheiro
Infelizmente,
ainda há no Brasil um problema de
acessibilidade. Pessoas com algum tipo de
deficiência sofrem mais na hora de
viver em sociedade. A questão da
cadeira de rodas que não sobre na
calçada ou não entra na porta
é apenas um desses exemplos. Deficientes
visuais enfrentam, todos os dias, a dificuldade
de identificar cores ou simplesmente nem
as enxergam. Mas isso pode mudar.
Pesquisadores da Escola Politécnica
(EP) da USP desenvolveram um equipamento
capaz de identificar, por leitura óptica,
a cor de um objeto ou o valor de uma nota
de Real.
Os engenheiros de computação
Fernando de Oliveira Gil e Nathalia Sautchuk
Patrício, desenvolveram o projeto
dentro do programa Poli Cidadã.
Finalista da competição internacional
Unreasonable Finalists Marketplace do Unreasonable
Institute, no Colorado, Estados Unidos,
o Aurie, como foi nomeado, identifica as
três cores básicas: azul, verde
e vermelho. Por sensores ele analisa a cor
predominante do objeto, “falando”
ao usuário.
Para as notas, o funcionamento é
igual, já que no Brasil elas são
diferenciadas pela cor. Um problema está
na identificação das notas
de dois e 100 reais, exigindo, então,
alguns ajustes.
Atualmente o protótipo necessita
um software para ler as informações
coletadas, mas os engenheiros idealizam
a junção dele ao aparelho,
tornando-o autônomo.
Como a ideia é destiná-lo
ao público de baixa renda, o aparelho
é feito para ser vendido o mais barato
possível, mas com qualidade. Por
isso a equipe está pedindo doações
para ganhar a final da competição.
O dinheiro será usado para custear
os desenvolvedores durante um período
de 10 semanas de treinamento na sede do
Unreasonable Institute, com profissionais
e especialistas na área de negócios.
Como doar: deve-se preencher um cadastro
no site oficial do Unreasonable Institute
e fazer a doação, ou pelo
Pagseguro através do site do Identificador
de Cores.
Expediente
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