O que aprendi sobre avaliação em cursos semi-presenciais
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Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
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Não me considero um especialista em avaliação de aprendizagem. Como professor vivenciei diferentes situações avaliação, em cursos com poucos e muitos alunos, com poucos e muitos recursos, em cursos presenciais, semi-presenciais e a distância. Tenho também um bom conhecimento de avaliação de projetos de cursos a distância.
Minha experiência em avaliação de aprendizagem como professor é mais interessante em cursos semi-presenciais, que combinam o blended learning, o aprender em sala de aula e no on-line. Comecei no fim da década de noventa a oferecer disciplinas presenciais em pós-graduação intercalando atividades a distância nas aulas presenciais. Causava um certo estranhamento nos alunos e em mim, no começo, dispensar os alunos de algumas aulas e discutir temas num fórum ou chat, mas também percebíamos a importância de ensinar e de aprender dessa nova forma. A primeira vantagem era a diminuir o número de viagens e deslocamentos. Alguns alunos vinham de outras cidades e estados e percebiam como era mais humano ter essa alternância de tempos presenciais e virtuais. Essa flexibilidade facilitava a vida dos alunos e a do professor. Também foi visto como importante a liberdade de acesso, a adaptação ao ritmo de cada um, a combinação de aprendizagem individual com a grupal e a possibilidade de estarmos aprendendo juntos mesmo a distância.
O
contato com os ambientes virtuais me fez perceber que a avaliação não podia ser
feita só no fim, que era importante realizar atividades que se somassem,
integrassem e concluíssem ao longo do curso. E que era importante equilibrar
planejamento e improvisação. No presencial, frequentemente mudava o
planejamento e a forma de avaliar. No semi-presencial,
aprendi a elaborar cursos em parte preparados e em parte construídos junto com
os alunos. O sucesso dos cursos dependia de mim, do planejamento e organização,
mas também dependia dos alunos, da sua motivação, da sua competência adquirida.
Há alunos que enriquecem qualquer curso, porque contribuem, colaboram,
interagem, pesquisam. Isso ajuda os colegas, que se animam mutuamente. Se os
cursos acontecem em parte pela interação, não se pode prever tudo de antemão. É
importante que o aluno possa trazer contribuições também para a avaliação, que
possa fazer propostas.
Dentre
as diferentes possibilidades de avaliação da aprendizagem dos alunos, costumo
destacar e combinar estas três:
1)
Elaboração de atividades relacionadas ao conteúdo, à compreensão de
conceitos, de textos e de contextos: através de resenhas, comparação entre
textos ou autores, até concluir com um ensaio-síntese com as principais idéias
aprendidas ao longo do curso.
2)
Pesquisa
sobre temas próximos à vida e interesse do aluno. Geralmente solicito
uma pesquisa individual e outra em pequenos grupos, na forma de projeto. Em
cursos semi-presenciais venho constatando a importância
do desenvolvimento de projetos ligados à experiência e vida dos alunos.
Projetos de poucos alunos, que pesquisam na Internet, tiram suas dúvidas com o
professor em classe e por e-mail ou pelo messenger e que são
apresentados no final para todos e publicados na página do curso. O Webquest
tem se revelado um bom guia no desenvolvimento de projetos de pesquisa mediados
pela WEB.
3)
Avaliação da qualidade da participação no ambiente virtual
através de fóruns, listas, chats e blogs, principalmente.
Atuei
muitos anos em cursos de comunicação. O campo da comunicação me trouxe muitas
contribuições para a avaliação. Constatei que negociando com os alunos
os ajudava mais do que trazendo uma única proposta acabada e pronta para todos.
A atitude dos alunos muda quando, dentro de alguns parâmetros delineados pelo
professor, podem sugerir atividades, formas de realização e de apresentação. Se
o importante é que o aluno aprenda, quanto mais possa aproximar-me dele para
ajudá-lo a aprender, tanto melhor. Como a avaliação faz parte da aprendizagem, a
avaliação também pode ser combinada, negociada, personalizada. E os
cursos semi-presenciais se prestam muito bem para essa
flexibilidade. No ambiente virtual, o professor pode atuar como orientador de
pesquisa, de projetos, como consultor, tirando dúvidas, dando sugestões. Por
isso, pode personalizar e tornar mais flexível o processo de avaliação.
O professor pode planejar a avaliação nos ambientes virtuais em três
campos principais: o da pesquisa, o da comunicação e o da produção-publicação.
Na pesquisa individual e grupal de temas, experiências, projetos, textos. Na
comunicação, realizando debates off e online sobre esses temas e experiências pesquisados. E na
produção, divulgando com os alunos os resultados em páginas WEB, blogs ou em
outros formatos multimídia, para que todos possam ter acesso a essas
informações.
Percebi
que os alunos gostam que a avaliação não sirva só para obter uma nota ou
conceito, mas para que possam apresentar, comunicar,
visualizar para a classe e para o professor o que fizeram. E os ambientes
virtuais são ótimos para publicar os resultados das pesquisas,
depois da apresentação presencial e dos debates subseqüentes. Os programas de
gestão de cursos a distância, os LMS, em geral, não
valorizam a publicação das pesquisas dos alunos. Prevêem a entrega dos
trabalhos e os comentários do professor, mas não se preocupam com a publicação
e a colaboração. Em alguns há áreas para publicação genérica pelos alunos, mas
é uma espécie de espaço público, coletivo, onde os alunos perdem a sua individualidade.
Os blogs
podem ser uma forma importante de publicação, porque
preservam a individualidade do autor e facilitam a interação, os comentários
dos colegas. É importante combinar colocar blogs dentro dos LMS com a função de
publicação interativa do processo e resultados de
aprendizagem.
Uma
das preocupações do professor é acompanhar o progresso do aluno, desde o início
até o fim de um determinado curso. Algumas ferramentas do Teleduc foram muito úteis,
na minha experiência, para organizar esse acompanhamento. O diário
de bordo permite registrar e visualizar o caminho que o aluno percorre, suas dúvidas e realizações. Esse diário
compartilhado com o professor foi útil para ajudar os alunos, para modificar os
rumos em determinados momentos de um curso e, principalmente, como um
instrumento que permite a visualização da trajetória do aluno. O diário de
bordo se combina
Uma
situação de aprendizagem virtual que os alunos valorizam muito mais do que os
professores é a comunicação
As
contribuições dos alunos no fórum também são excelentes ocasiões para
avaliação. Os fóruns e as listas de discussão são instrumentos
importante de aprendizagem coletiva. Alguns alunos trazem questões e
respostas que enriquecem muito o debate e por isso, devem ser valorizados. Tem
também os que escrevem muito e contribuem pouco e os que praticamente não se expõem, que ficam mais como olheiros (lurkers).
Fóruns e listas ajuda a aprofundar a discussão iniciada em sala ou podem ser usados como formas de preparação para a discussão presencial e para a sua avaliação. É possível através da comunicação assíncrona preparar previamente as aulas com envio de textos, questionários, pedir resenhas, pesquisas, e colocar questões relacionadas para debate. O professor pode acompanhar e avaliar o nível de entendimento do conteúdo, tirar dúvidas e explicar melhor conceitos mal assimilados ou trabalhados sem a devida profundidade. Através das respostas e comentários, é possível avaliar o nível de conhecimento e de reflexão do grupo. Inclusive, permite uma avaliação do próprio professor sobre sua metodologia de ensino e sobre as estratégias adotadas no curso. Isso permite reorganizar o planejamento, incorporando os interesses e sugestões dos alunos.
Grupos pequenos de trabalho colaborativo se beneficiam da assincronicidade pela falta de parâmetros de tempo e espaço nas discussões. Podem desenvolver individualmente materiais com conteúdos mais complexamente trabalhados, no seu próprio ritmo e horário, para num segundo momento colocá-los em discussão com seus pares.
O professor deve “perceber” seus alunos através de sua participação nas atividades síncronas e assíncronas. Pode acompanhar a evolução de cada um, quais são seus pontos fracos e suas dificuldades, onde estão bem e que temas precisam de maior aprofundamento. Ao final do curso, por meio de atividades criativas, o professor/mediador terá mais objetividade na avaliação como um todo, ao traçar um paralelo entre o início e o término do curso.
As ferramentas de comunicação virtual até agora são predominantemente
escritas, caminhando para ser audiovisuais. Por enquanto escrevemos mensagens,
respostas, simulamos uma comunicação falada. Esses chats
e fóruns permitem contatos a distância, podem ser úteis, mas
não podemos esperar que só assim aconteça uma grande revolução,
automaticamente. Depende muito do professor, do grupo, da sua maturidade, sua
motivação, do tempo disponível, da facilidade de acesso. Alguns alunos se
comunicam bem no virtual, outros não. Alguns são rápidos na escrita e no
raciocínio, outros não. Alguns tentam monopolizar as falas (como no presencial)
outros ficam só como observadores. Por isso é importante experimentar uma nova
metodologia da
Conclusão
Os princípios de avaliação são os mesmos para cursos presenciais, semi-presenciais e a distância; o que muda é a forma de organizá-los e os recursos tecnológicos mais adequados. Preocupa-me ver em cursos a distância, principalmente os massivos, que utilizam provas de múltipla escolha, presencialmente, porque o MEC exige avaliações presenciais em cursos a distância. O MEC exige avaliações presenciais, o que não significa que sejam necessariamente provas nem que todo o processo de avaliação esteja concentrado só nos momentos presenciais. Ainda predomina o foco no conteúdo na maior parte dos cursos a distância e também nos presenciais. Como conseqüência, a avaliação se concentra na verificação da apreensão desse conteúdo e esquece todas as outras dimensões: as de processo, de construção coletiva do conhecimento, das dimensões emocionais e éticas do projeto de ensino e aprendizagem, da flexibilidade na adaptação ao ritmo do aluno. Falta muito para mudar efetivamente os processos de avaliação, porque os projetos pedagógicos dos cursos presenciais, semi-presenciais e a distância são implantados, em geral, de forma simplista, massificadora e reducionista. Só falei da avaliação da aprendizagem, mas precisamos rever e modificar os projetos de educação como um todo para incluir processos de avaliação mais ricos, abrangentes e participativos.
Acho que toda avaliação, seja ela virtual ou presencial, deve ser continuada; o que significa que devemos avaliar não apenas um questionário de perguntas e respostas previamente elaboradas, mas devemos levar em conta também a participação do aluno, com dúvidas, comentários, críticas e atitudes em relação aos conteúdos abordados e em relação ao grupo e ao professor. Além disso, a pesquisa, o desenvolvimento de projetos, a criatividade nos trabalhos, a organização e, sobretudo, a flexibilidade com que o aluno faz conexões e relações entre em diversos temas, autores e áreas de conhecimento devem ser levados em consideração na avaliação.
A Internet abre um horizonte inimaginável de opções para implementação de cursos à distância e de flexibilização dos
presenciais e de inovar na sua avaliação. Pelo desenvolvimento da rede é
possível disponibilizar, pesquisar e organizar
Em poucos anos, dificilmente teremos um curso totalmente presencial.
Por isso caminhamos para muitas formas mixtas e
combinadas de organização de processos de ensino e aprendizagem e de gestão
administrativo-pedagógicas. Vale a pena inovar, testar, experimentar, porque
avançaremos mais rapidamente e com segurança na busca destes novos modelos de
avaliação que estejam de acordo com as mudanças rápidas que experimentamos em
todos os campos e com a necessidade de aprender continuamente.
É fundamental hoje
pensar o currículo de cada curso como um todo, e planejar o tempo e as
atividades em sala de aula e