Perspectivas (virtuais) para a educação
José Manuel Moran
Ex-professor da USP
No
artigo são apontadas várias perspectivas tecnológicas para o futuro da
educação. Acredita-se que caminhamos para formas fáceis de vermo-nos,
ouvirmo-nos, falarmo-nos, escrevermo-nos a qualquer momento, de qualquer lugar,
a custos progressivamente menores. Com as tecnologias cada vez mais rápidas e
integradas, o conceito de presença e distância se altera profundamente e as
formas de ensinar e aprender também.
Pondera-se,
porém, que infelizmente todos os avanços tecnológicos continuarão privilegiando
uma parte da população brasileira. A maior parte das escolas continuará
repetindo fórmulas pedagógicas ultrapassadas.
Conclui-se
que é preciso por em prática novas experiências, dado
que estamos vivendo uma etapa fascinante em que precisamos reorganizar tudo o
que conhecíamos em novos moldes, formatos, propostas, desafios. Os educadores
que compreenderem isso colherão mais rapidamente os resultados em valorização e
realização profissional, emocional e econômica.
1. A
educação diante das mudanças profissionais
2.
O professor do futuro próximo
3.Alguns problemas na educação no futuro
É difícil prever o futuro, porque ele não
se desenvolve linearmente. Na educação, contudo, é mais fácil antecipar algumas
perspectivas. A educação será cada vez mais importante para as pessoas, as empresas e os países.
A educação será cada vez mais complexa,
porque a sociedade vai se tornando mais complicada, rica e exigente em todos os
campos. A aprendizagem será contínua, ao longo da vida, de forma constante,
mais inclusiva, em todos os níveis e modalidades e em todas as atividades
pessoais, profissionais e sociais.
A educação será mais complexa, porque vai
incorporando dimensões antes menos integradas ou visíveis como as competências
intelectuais, emocionais e éticas.
A educação será mais complexa, porque
cada vez sai mais do espaço físico da sala de aula para muitos espaços
presenciais e virtuais; porque tende a modificar a figura do professor como
centro da informação para que incorpore novos papéis como os de mediador, de
facilitador, de gestor, de mobilizador. Desfocalizará o professor para
incorporar o conceito de que todos aprendemos juntos, de que a inteligência é
mais e mais coletiva, com múltiplas fontes de informação. A educação continuará
na escola, mas se estenderá a todos os espaços sociais, principalmente aos
organizacionais. As corporações, pressionadas pela competição e pela
necessidade de atualização constante, cada vez mais se transformarão em
organizações de aprendizagem e investirão no e-learning, na aprendizagem
mediada por tecnologias telemáticas.
As tecnologias na educação do futuro
também se multiplicarão e se integrarão, se tornarão mais e mais audiovisuais,
instantâneas e abrangentes. Caminhamos para formas fáceis de vermo-nos,
ouvirmo-nos, falarmo-nos, escrevermo-nos a qualquer momento, de qualquer lugar,
a custos progressivamente menores. Com as tecnologias cada vez mais rápidas e
integradas, o conceito de presença e distância se altera profundamente e as
formas de ensinar e aprender também.
As modalidades de cursos serão
extremamente variadas, flexíveis e “customizadas”, isto é, adaptadas
ao perfil e ao momento de cada aluno. Não se falará daqui a dez ou
quinze anos em cursos presenciais e cursos à distância. Os cursos serão
extremamente flexíveis no tempo, no espaço, na metodologia, na gestão de
tecnologias, na avaliação. Acredito que prevalecerá o sistema modular: os
alunos completarão créditos à medida que forem concluindo os seus cursos e suas
escolhas, completando determinado número de horas, de atividades, de
requisitos, obtendo diferentes níveis de reconhecimento ou certificação.
Infelizmente todos esses avanços
tecnológicos continuarão privilegiando uma parte da população brasileira. A
maior parte das escolas continuará repetindo fórmulas pedagógicas
ultrapassadas, tendo acesso a poucos recursos tecnológicos, com professores mal
remunerados e resultados comprometedores para o futuro profissional desses
alunos. E como a educação será cada vez mais importante para a mudança da
sociedade, acredito que a diferença entre os que têm acesso à educação de
qualidade e à educação massificadora será difícil de reverter no horizonte dos
próximos anos. Numa sociedade desigual não se pode esperar só da escola a
igualdade.
1.
A educação diante das mudanças profissionais
Roberto Macedo, ex-professor da USP,
utiliza uma metáfora para descrever a nova realidade profissional: “no mundo do
trabalho navegamos, como um surfista, com a nossa competência como tal, mais a
prancha, diploma ou profissão que escolhemos. Não temos, contudo, controle
sobre as ondas de oportunidades que surgirão, nem mesmo se elas virão na praia
profissional escolhida. Especular sobre as profissões do futuro é como teorizar
sobre as ondas que virão. O correto é estar preparado para enfrentá-las, independentemente
de suas características” (MACEDO, 2000).
Uma parte das instituições educacionais
se preparará para esta mudança; outra parte permanecerá dentro de paradigmas
antigos. Teremos escolas avançadas e tradicionais, como sempre, com propostas
diferentes. Teremos escolas com propostas conservadoras e com tecnologias de
ponta; outras, com propostas tecnológicas inovadoras para utilização
massificadora no ensino. Teremos organizações que aprendem continuamente,
interativamente, que integrarão as tecnologias avançadas com projetos
pedagógicos inovadores. O que é claro é que qualquer pessoa poderá acessar
através das tecnologias virtuais muitos cursos à distância de forma mais fácil
do que hoje e haverá uma variedade de oferta muito superior à atual.
Os cursos tenderão a durar menos e a
serem feitos de forma contínua. “Acredita-se que em futuro próximo os cursos de
graduação terão de um a três anos, no máximo, de forma que o indivíduo inicie
seu processo profissional o quanto antes, mantendo a vida estudantil
concomitantemente à vida profissional” (BRAGA ,
2003).
O foco dos cursos será cada vez mais na
aprendizagem significativa, na aprendizagem conjunta, não tanto olhar um
conteúdo predeterminado. Haverá cursos prontos, com autores consagrados, com
apresentações multimídia, mas predominarão os cursos com interação, debate,
desenvolvimento conjunto de experiências, projetos, solução de problemas, com
uso intensivo de tecnologias interativas audiovisuais e apoio on-line. O acesso
a grandes bibliotecas virtuais multimídia com registros áudio-vídeo-gráficos
será fácil, ao menos para as bibliotecas públicas, porque também haverá
bibliotecas pagas. Não armazenaremos tanta informação em casa. Guardaremos só o
essencial e acessaremos a qualquer momento o que precisarmos (o custo será
decrescente).
O processo de aprender será mais
personalizado. “A educação (será) mais personalizada, mais feita sob medida
para cada aluno. Este tem que tomar muitas decisões do que aprender, onde e
como, principalmente na fase mais adulta. Há respeito pelos estilos individuais
de aprendizagem de cada aluno, sem nenhuma tentativa de forçar os alunos a
demonstrar o mesmo desempenho em todas as áreas acadêmicas” (LITTO, 2002).
O foco na aprendizagem será predominante.
O aluno se transformará no protagonista da sua própria formação. “A
aprendizagem (será) realizada não pela ‘decoreba’, mas sim pela participação em
projetos organizados em torno de problemas e que levem a ‘descobertas’ pelos
alunos de conhecimentos novos. Buscar-se-á mais o equilíbrio entre a aquisição
de competências necessárias para sobrevivência no mundo moderno (identificar
problemas, achar informação, filtrar informação, tomar decisões, comunicar com
eficácia) e a compreensão profunda de certos domínios de conhecimento estudados.
O estudo será mais transdisciplinar, focado em experiências, projetos,
pesquisas on-line, interatividade, orientação individual e grupal. Os alunos
mais ativos, o professor mais orientador de aprendizagem” (LITTO, 2002).
Embora as tendências globalizantes sejam
difíceis de determinar em educação, porque há uma forte resistência local e
nacional a outras formas de ensinar, haverá com certeza muita facilidade de
acessar cursos no exterior com grandes especialistas, principalmente cursos de
pós-graduação, cursos de alta especialização, sem ter que se deslocar durante
anos ao estrangeiro. Haverá sempre alguns critérios de validação desses cursos
para fins de profissionalização local, principalmente na área de saúde, mas se
superará a rigidez do processo de certificação a que estamos acostumados nos
países latinos.
Há setores que crescerão mais
rapidamente, que precisarão de mais formação contínua para atender à demanda. O
setor educacional é um deles, em todos os níveis, com ênfase para a educação
corporativa, para o terceiro setor. Outras áreas de crescimento de demanda
educacional: Informática, Saúde, Meio Ambiente, Turismo, lazer e
entretenimento, Biotecnologia, Administração e Tecnologia da Informação (BRAGA,
2003).
Algumas profissões terão mais destaque e procura nos próximos anos e nelas haverá maior oferta de
cursos:
1.
Administradores de comunidades virtuais
2.
Engenheiros de rede
3.
Gestor de segurança na Internet
4.
Coordenadores de projetos
5.
Consultor de carreiras
6.
Coordenadores de atividades de lazer e entretenimento
7.
Designer e planejador de games
8.
Gestor de patrocínios
9.
Gestor de empresas do terceiro setor
10.
Especialista na preservação do meio ambiente
11.
Engenharia genética
12.
Gerentes de terceirização
13.
Gestor de relações com o cliente
14.
Especialista em ensino à distância (EAD)
1.
Capacidade de trabalhar em equipe
2.
Domínio de idiomas
3.
Domínio de informática
4.
Autodidatismo
5.
Reciclagens periódicas
6.
Atualização permanente
7.
Cidadania e responsabilidade social
8.
Habilidade em tomada de decisão
9.
Capacidade de aprender a aprender
10.
Capacidade de associação de idéias
11.
Liderança
12.
Visão de conjunto
13.
Algumas tecnologias e serviços
na educação do futuro
É difícil desenhar as tecnologias do futuro,
mas quaisquer que sejam, caminham na direção da integração, da instantaneidade,
da comunicação audiovisual e interativa. Vejo as tecnologias dos próximos anos
com a facilidade com que repórteres e apresentadores de televisão se vêem,
falam e compartilham uma tela à distância; professores falarão e ouvirão os
alunos, navegarão com a facilidade de navegação e pesquisa que a Internet nos
permite, e terão a mobilidade que a telefonia celular,
pequena e onipresente já nos propicia hoje. Integraremos o melhor da
televisão digital (qualidade e interação), da Internet (pesquisa e
comunicação), da telefonia digital (flexibilidade, miniaturização, liberdade).
A televisão digital abre inúmeros novos
canais e riqueza de possibilidades de interação da Internet. Poderemos abrir
salas de aula à vontade, para momentos específicos, assim como hoje acessamos
quando queremos uma sala de chat. Essas aulas serão plenamente
audiovisuais. Teremos aulas mais expositivas e outras mais participativas.
Poderão ser feitas pesquisas em tempo real à distância, visualizando os
resultados e discutindo-os instantaneamente. O professor terá alguns recursos a
mais de gestão, de apresentação, de acompanhamento dos alunos (gestão
administrativa) e de avaliação. Em cada momento escolheremos o sistema e as
mídias mais convenientes. Se estivermos num lugar distante ou em trânsito
utilizaremos a telefonia celular. Se estivermos em um lugar com infra-estrutura
acessaremos uma tela grande com recursos de interação, de processamento e de
armazenamento superiores.
Algumas tecnologias e serviços parecem
estar próximos:
2.
Integração de mídias – como tendência já confirmada
atualmente, teremos em um só aparelho várias funcionalidades, como: Internet,
gravador e reprodutor de vídeo e áudio, câmera digitalizadora, banco de textos
e imagens, entre outros; tudo na forma wireless, ou seja, sem fio.
3.
Crescimento da multimídia educacional, do edutainment (educação
e entretenimento). Serão criadas empresas voltadas para o desenvolvimento de
materiais multimídia, de jogos educacionais em ambientes virtuais para
viabilizar a construção de simulações colaborativas de interação e
aprendizagem. As explicações serão ilustradas com imagens animadas
tridimensionais, com vídeos em realidade virtual, trazendo o hiper-realismo, a
visão simultânea de vários pontos, o encantamento. Os laboratórios serão mais e
mais multimídia, virtuais, interativos. O material didático será cada vez mais
sofisticado, complexo, caro.
4.
Tecnologias de comunicação virtual –
aumentará o número de computadores que compartilham informações,
materiais multimídia, aplicativos, grupos de discussão, ampliando o conceito de
comunidades informais de aprendizagem e que funcionam como nos sites de
música MP-3, peer to peer, de colega para colega. Alguns professores e
alunos disponibilizarão os seus trabalhos, pesquisas, materiais para todos,
enquanto outros serão de âmbito mais restrito, só com acesso por senha.
5.
Haverá grandes centros de materiais educacionais,
organizados como os data centers atuais, com serviços para todas as
situações educacionais: consulta, atendimento on-line (tira-dúvidas),
orientação de pesquisa, aluguel de salas virtuais, de laboratórios específicos.
Os especialistas estarão cadastrados nestes centros e nas universidades e darão
consultoria regular e eventual, sob demanda (BASSIS , 2003).
2.
O professor do futuro próximo
O professor será multitarefa, orientará
muitos grupos de alunos, dará consultoria a empresas, treinamento e
capacitações on-line, alternando esses momentos com aulas, orientações de
grupos, desenvolvimento de pesquisas com colegas de outras instituições. A
ciência será cada vez mais compartilhada e desterritorializada. Os
pesquisadores não precisarão morar perto, o importante
é que saibam trabalhar juntos virtualmente, que saibam cooperar à distância,
que tenham espírito cooperativo mais do que competitivo. Em determinadas áreas
do conhecimento, como em exatas ou biológicas, nas quais os projetos dependem
de experimentação física e laboratorial, haverá maior necessidade de contato,
de trocar mais informações estando juntos do que em outras áreas, como em
humanas, nas quais a flexibilidade espaço-temporal será maior.
O professor está começando a aprender a
trabalhar em situações muito diferentes: com poucos e muitos alunos, com mais
ou menos encontros presenciais, com um processo personalizado (professor
autor-gestor) ou mais despersonalizado (separação entre o autor e o gestor de
aprendizagem). Quanto mais situações diferentes experimentar, estará melhor preparado para vivenciar diferentes papéis,
metodologias, projetos pedagógicos, muitos ainda em fase de experimentação.
Quanto menor for a
criança mais tempo permanecerá junto às outras fisicamente para aprender a
conviver, a interagir, a viver em grupo. O acesso virtual nas crianças será
complementar. À medida que a criança for crescendo, porém, aumentará também o
grau de virtualização audiovisual da aprendizagem. Na fase adulta, o predomínio
do audiovisual virtual será muito mais forte. Não deixaremos nosso trabalho
para estudar ou para ensinar, a não ser em momentos iniciais para conhecer-nos
e nos finais para avaliar o processo. Os Congressos terão forte componente de
comunicação virtual. Mas nada impede que as pessoas viajem fisicamente até o
local para conhecer lugares, pessoas, conviver. Em muitos casos a participação
será on-line, à distância, conectados audiovisualmente.
3. Alguns problemas na educação no
futuro
Com os processos convencionais de ensino
e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a
autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os
processos de aprendizagem à distância. O aluno desorganizado poderá
deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e
poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará
sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou
indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de
produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o
entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou
do professor poderá ajudar a que queiram voltar a participar do curso. À
distância será possível, mas não fácil.
Os alunos estão prontos para a
multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais
claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o
máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Creio que
muitos professores têm medo de revelar sua dificuldade diante do aluno. Por
isso e pelo hábito mantêm uma estrutura repressiva,
controladora, repetidora. Os professores percebem que precisam mudar,
mas não sabem bem como fazê-lo e não estão preparados para experimentar com
segurança. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem
dar-lhes condições para que eles as efetuem. Freqüentemente algumas
organizações introduzem computadores, conectam as escolas com a Internet e
esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se
frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em
mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente.
A maior parte dos cursos presenciais e
on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor,
no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém que os
cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do
conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre
conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado
e em parte construído ao longo do curso.
É difícil manter a motivação no
presencial e muito mais no virtual, se não envolvermos os alunos em processos
participativos, afetivos, que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à
transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente
produzidos, correm o risco da desmotivação a longo prazo
e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar
conta da relação teoria/prática. Em sala de aula, se estivermos atentos,
podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e
procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o
aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não
imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso
à distância encarece o custo final.
Mesmo com tecnologias de ponta, ainda
temos grandes dificuldades no gerenciamento emocional, tanto no pessoal como no
organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação
dependem, mais do que das novas tecnologias, de termos educadores, gestores e
alunos maduros intelectual, emocional e eticamente;
pessoas curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar;
pessoas com as quais valha a pena entrar em contato, porque dele saímos
enriquecidos. São poucos os educadores que integram teoria e prática e que
aproximam o pensar do viver.
Os educadores marcantes atraem não só
pelas suas idéias, mas pelo contato pessoal. Transmitem bondade e competência,
tanto no plano pessoal, familiar como no social, dentro e fora da aula, no
presencial ou no virtual. Há sempre algo surpreendente, diferente no que dizem,
nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na forma de comunicar-se,
de agir. E eles, numa sociedade cada vez mais complexa e virtual, se tornarão
referências necessárias.
Ensinar é um processo complexo que exige
neste momento mudanças significativas. Investindo na formação de professores no
domínio dos processos de comunicação envolvidos na relação pedagógica e no
domínio das tecnologias, poderemos avançar mais depressa, sempre tendo
consciência de que em educação não é tão simples mudar, porque há toda uma
ligação com o passado que é necessária mantermos, além
de também estarmos atentos a um futuro que é bastante imprevisível.
Estamos caminhando para uma aproximação
sem precedentes entre os cursos presenciais (cada vez mais semi-presenciais)
e os à distância. Os presenciais terão disciplinas parcialmente à distância e
outras totalmente à distância. E os mesmos professores que estão no
presencial-virtual atuarão também em processos de ensino-aprendizagem à
distância. Teremos inúmeras possibilidades de aprendizagem que combinarão o
melhor do presencial (quando possível) com as facilidades do virtual.
Com o aumento da velocidade e de largura
de banda, ver-se e ouvir-se à distância será bem mais fácil e barato. O
professor poderá dar uma parte das aulas da sua sala e ser visto pelos alunos
onde eles estiverem. Em uma parte da tela do aluno aparecerá a imagem do
professor, ao lado um resumo do que está falando. O aluno poderá fazer
perguntas no modo chat ou audiovisual, participar de debates à
distância. Essas aulas ficarão gravadas e os alunos poderão acessá-las off
line, quando acharem conveniente.
Caminhamos para formas de gestão menos
centralizadas, mais flexíveis, integradas. Para estruturas mais enxutas. Está
em curso uma reorganização física dos prédios. Menos quantidade de salas de
aula e mais multifuncionais. Caminhamos para uma flexibilização crescente de
cursos, tempos, espaços, gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias,
avaliação. Isso nos obriga a experimentar pessoal e institucionalmente
diferentes propostas de cursos, de aulas, de técnicas, de pesquisa, de
comunicação.
O processo de mudança na educação não é
uniforme nem fácil. Iremos mudando aos poucos, em todos os níveis e modalidades
educacionais. Há uma grande desigualdade econômica, de acesso, de maturidade,
de motivação das pessoas. Alguns estão preparados para a mudança, outros muitos
não. É difícil mudar padrões adquiridos (gerenciais, atitudinais) das
organizações, governos, dos profissionais e da sociedade. E a maioria não tem
acesso a esses recursos tecnológicos, que podem democratizar o acesso à
informação. Por isso, é da maior relevância possibilitar a todos o acesso às
tecnologias, à informação significativa e à mediação de professores
efetivamente preparados para a sua utilização inovadora.
Estamos aprendendo, fazendo. É importante
experimentar algo novo a cada semestre. Podemos começar pelo mais simples na
utilização de novas tecnologias e ir assumindo atividades mais complexas.
Começar pelo que conhecemos melhor, pelo que nos é familiar e de fácil execução
e avançar em propostas mais ousadas, difíceis, não utilizadas antes.
Experimentar, avaliar e experimentar novamente é a chave para a inovação e a
mudança desejadas e necessárias.
Os professores papagaios, que só repetem
o que lêem, serão progressivamente deixados de lado e substituídos pelas
tecnologias avançadas de informação. Com a sociedade muito mais interconectada,
com a ampliação quase infinita de fontes e materiais de consulta, precisaremos
cada vez mais de educadores com credibilidade, que inspirem confiança, de
educadores-facilitadores, educadores-mediadores, que nos ajudem a organizar o
caos e as contradições pessoais, grupais, organizacionais e sociais.
Estamos vivendo uma etapa fascinante em
que precisamos reorganizar tudo o que conhecíamos em novos moldes, formatos,
propostas, desafios. Os educadores que compreendam e ponham em prática antes essas novas experiências – os inovadores –
colherão mais rapidamente os resultados em valorização e realização
profissional, emocional e econômica.
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