A interatividade na Televisão

e nas Redes Eletrônicas

 

Relatório de pesquisa para o CNPq  - julho 2002

José Manuel Moran

Professor aposentado de Novas Tecnologias de Comunicação

no curso de Rádio e Televisão da Universidade de São Paulo

jmmoran@usp.br

www.eca.usp.br/prof/moran

 

  (Texto escrito em 2002, antes da definição do modelo japonês de TV digital pelo Brasil)

 

Introdução

            A televisão ainda é parcialmente analógica num universo audiovisual e telemático digital. A Internet, digital, tem avançado em todos os campos da sociedade, do econômico ao educacional. O e-commerce, e-business, e-learning são expressões difundidas que expressam a ampliação dos negócios, comércio e educação virtuais. Ao escolher o formato digital está em jogo não só a multiplicação de canais e a qualidade da transmissão, mas principalmente a ampliação, até o inimaginável neste momento, das possibilidades de integração das mídias digitais, doe texto, som e imagem para uma gama amplíssima de programas, serviços, formas de comunicação, de escolha e de interação. O tema interatividade na televisão e nas redes eletrônicas está se revelando cada vez mais amplo, complexo e difícil de acompanhar, dada a rapidez, variedade de soluções novas e diferentes serviços que vão aparecendo.

O desenvolvimento paralelamente da televisão digital e do computador possibilita transferir dados, áudio e vídeo simultaneamente a grandes velocidades. A necessidade de desenvolver serviços multimídia está exigindo a renovação da televisão e a sua convergência. Primeiro foi a TV por assinatura, via cabo ou satélite, aumentando a oferta de canais, de produtos e de acesso.  As tecnologias de satélite, a fibra ótica e a compressão de sinais digitais como o MPEG, permitem maior escolha e até compra de produtos diretamente, algo antes impossível. A internet incorpora um novo conceito ao do broadcasting da TV, o “digicasting”, a transmissão de sons e imagens pela Internet, que obriga à TV a incluir novos software que permitam a navegação mais livre, a ter acesso a bancos de dados junto com as narrações da televisão, tornando a navegação pela televisão muito mais próxima de como navegamos na Internet, tornandoe que  a televisão se transforme, pela primeira vez, num caminho de duas mãos, muito mais interativo, ao menos potencialmente.

MuitasAs  aplicações que estão sendo  testandodas atualmente, entre elas são o vídeo on demand – a escolha de filmes, programas gravados e vídeos, na hora que o telespectador quiser - e o pay per view - programação exibida em vários canais exclusivos para quem pode pagar por eles, em geral canais esportivos, infantis, musicais e eróticos. Pode ser escolhido o ângulo de transmissão, o horário de acesso, a informação complementar, os serviços integrados (compras, pacotes financeiros), a criação de ambientes de comunicação virtuais (jogos on-line, grupos de afinidade).

Também está sendo oferecido acesso à Internet por canais de TV por assinatura, com acesso de 256 kb até dois megabites por segundo.

A televisão incorpora a interatividade da Internet e a Internet está ampliando sua rapidez de transmissão para transmitir também televisão em tempo real, a la carte e permitindo interações áudio-video-gráficas antes impossíveis.[1]

O tema interatividade na televisão e nas redes eletrônicas está se revelando cada vez mais amplo, complexo e difícil de acompanhar, dada a rapidez, variedade de soluções novas e diferentes serviços que vão aparecendo. Encontramos desde visões extremamente otimistas, que falam da rápida implantação dessas novas tecnologias e serviços, até outras bastante pessimistas, que apontam as resistências, a lentidão das mudanças, o fechamento de empresas virtuais, a sua desvalorização nos últimos dois anos.

 

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/qtv200620011p.htm

 

QUALIDADE NA TV DIGITAL
Convergência de tecnologias,
convergência de interesses

Nelson Hoineff

 

Por estar atuando com novas tecnologias na educação presencial e a distância, foquei como o conceito de televisão muda no cotidiano e especificamente na educação, com as redes telemáticas e os novos programas (software) que permitem que haja maior possibilidade de interação entre professores e alunos, na educação semi-presencial e a distância.

 A TV digital interativa começa a se tornar realidade no Brasil, pelo menos para alguns telespectadores. As principais operadoras de tevê por assinatura já estão colocando na casa de seus assinantes as primeiras soluções que tornarão o televisor um aparelho com muito mais funções. Através dele começa a será possível, além de interagir com a programação alternativa, fazer compras e transações bancárias, alugar serviços e navegar na internet.

A televisão está experimentando contínuas mudanças. A Televisão está mudando do formato analógico para o digital. Do ponto de vista tecnológico estamos numa fase de grandes avanços e grandes incertezas. Os avanços acontecem na integração de tecnologias pela digitalização, expansão da Internet, da velocidade e formas de acesso, do poder de processamento dos computadores. As incertezas, porque ainda não foi definida até esse momento a opção de TV digital no Brasil, o que impede a concretização de grandes investimentos que aproximariam a televisão do computador e da Internet.

Mesmo assim há experiências significativas de avanços nos serviços que permitem escolhas maiores dos usuários.

Nos últimos anos estamos acompanhando o crescente número de canais: dos poucos canais da TV aberta aos quase 150 da TV por satélite. De um conceito de televisão como programação de entretenimento e informação estamos passando para uma televisão de serviços - vendas, internet, home-banking - aproximando-se rapidamente do computador em rede. De uma televisão onde praticamente recebíamos tudo pronto podemos "participar" cada vez mais: do simples zapping, do uso do controle remoto, aos 0800 e 0900, aos programas mais personalizados, aos pay-per-view há um sem número de possibilidades de escolhas, difíceis de imaginar alguns anos atrás. De uma televisão que organizava o nosso tempo (novela das oito...) começamos a passar para uma programação "a la carte", onde poderemos escolher assistir muitos programas na hora que nos for mais favorável.

Por estar atuando com novas tecnologias na educação presencial e a distância, foquei como o conceito de televisão está mudando no cotidiano e especificamente na educação, com as redes telemáticas e os novos programas (software) que permitem maior possibilidade de interação entre professores e alunos, na educação semi-presencial e a distância.

 

            Muitas das possibilidades da televisão provêm da transmissão digital, de sua aproximação com o computador. Pesquisei também como funcionam as redes telemáticas. Como evolui a Internet, ao passar de rede universitária para rede também comercial. A Internet - modo texto - de antes de 94 à Internet gráfica, com imagens, movimento e sons, que, pouco a pouco, se transforma na mais nova mídia audiovisual. A Internet está fazendo o caminho inverso da televisão. Começa conectando um a um, um a um grupo e vai re-organizando-se em grandes serviços de acesso e informação como o UOL. A televisão sempre foi um meio de poucos falando para muitos e quer agora aproximar--se se mais aos gostos e expectativas de cada indivíduo. A televisão se personaliza; a Internet se massifica.

 

   Objetivos

            Os objetivos da pesquisa foram investigar as várias formas de interação propostas pela televisão do ponto de vista técnico e da programação. Como há uma evolução rápida nas tecnologias de comunicação digitais procurei informar-me sobre os avanços tecnológicos, as experiências mais significativas, as pesquisas disponíveis.

Além da televisão, acompanhei a aproximação das redes eletrônicas (Internet) à Televisão e desta às redes. Como a televisão utiliza a Internet e as mudanças que a televisão experimenta pela sua relação com a Internet.

Pesquisei as formas de interação que estão surgindo com a ampliação das redes eletrônicas e também com o avanço tecnológico da televisão. Fiz um levantamento na Internet das experiências mais significativas em interação através das redes eletrônicas. Acompanhei alguns projetos que ampliam o conceito de interatividade através da televisão por assinatura.

            Ao estudar a interação a partir do telespectador comprovei que somos tratados como consumidores e não como cidadãos. Valemos quanto podemos consumir. E ocupei uma parte do tempo da pesquisa em entender melhor a interatividade das pessoas na Sociedade da Informação nas suas dimensões tecnológica – avanços e serviços – comunicacional – trocas significativas - e educacional – ambientes participativos de aprendizagem.

. Diante de tantas mudanças, onde nos situamos? Como e até onde vale a pena interagir. Toda a mudança é positiva? Toda interação nos ajuda? Ter mais e mais canais em que nos ajuda?

A interatividade foi estudada mais especificamente nas redes eletrônicas, na Internet, na educação superior. Na educação on-line, como apoio ao presencial e na educação a distância, estão desenvolvendo-se ambientes virtuais de aprendizagem, software que ajudam a gerenciar conteúdos, processos de comunicação e administração de cursos via WEB.

Fiz uma análise do potencial comunicacional dos principais programas existentes atualmente no mercado e desenvolvi alguns cursos de pós-graduação utilizando esses programas da forma mais interativa possível.

Coloquei na Internet uma página de serviços sobre Comunicação e Educação, com pesquisa sobre endereços interessantes comentados, especificamente sobre Televisão, Redes e Interação. O endereço da página é: www.eca.usp.br/prof/moran

 

Vejamos agora a interatividade do ponto de vista tecnológico, comunicacional e educacional:

 

 

 

1. A interatividade do ponto de vista tecnológico

A TV digital pode ser de alta definição ou normal.  A TV de alta definição  é numa forma de transmissão com definição de imagem muito maior que a praticada até agora (mais que o dobro do número de linhas existentes nos padrões NTSC, PAL ou SECAM), uma proporção de tela mais adequada à vista humana (16x9, contra os 4x3 atuais), além de áudio surround 5.1, isto é, em cinco canais digitais.

A tecnologia digital permite que a emissora transmita mais de um programa no mesmo canal. Tecnicamente é possível transmitir um único programa em alta definição (HDTV); um programa em alta definição e outro em baixa definição (LDTV) – mais adequado para aparelhos celulares de terceira geração; um programa em alta definição e um programa em definição padrão (SDTV) equivalente à das TVs analógicas atuais; quatro programas em definição padrão tela larga (16 x 9); quatro programas em definição padrão (SDTV) e um em baixa definição (LDTV).

A TV de alta definição ocupa o dobro de largura de banda de transmissão, enquanto que a TV digital normal permite que vários sinais digitais trafeguem no mesmo espaço. Isso significa que onde hoje passa uma freqüência possam passar de quatro a seis canais digitais convencionais. Isto significa, por exemplo, que o espectador poderá escolher entre diversas imagens que lhe são enviadas de um mesmo evento. Mas implica também, na prática, que as emissoras acabam de ganhar novos canais: em média, três novos para cada emissora existente.

A televisão pode utilizar uma parte da freqüência de transmissão supérflua ou residual para enviar dados, a uma velocidade 350 vezes maior que a de um modem de 56k utilizado nos computadores. Muitos dos serviços interativos que rodam na Internet poderiam ser integrados à transmissão do conteúdo televisivo.

Os sinais de TV chegam a nós de três formas: 1) por uma antena comum; 2) por cabo ou antena de microondas; e 3) por uma parabólica apontada para um satélite. As duas últimas formas de transmissão são pagas. A primeira, gratuita -- daí seu nome: TV aberta. Na TV paga, o número de canais foi multiplicado por 30 em dez anos. Enquanto a TV aberta obtém 100% de suas receitas com anúncios, na TV paga mais de 80% vêm das assinaturas. Enquanto os Estados Unidos possuem 92 milhões de assinantes, a TV paga no Brasil só conseguiu chegar a 3,5 milhões de residências contra 43 milhões alcançadas pela aberta. Mas a TV paga tem uma transmissão 50 anos à frente da aberta. "Um televisor de 1953, conservado, ainda pega nosso sinal", diz Alfonso Aurin Palacin Junior, superintendente de engenharia do SBT.[2]

As empresas de televisão conseguiram fazer um acordo para definir padrões e protocolos em HTML para TV, o que permite aos criadores de conteúdo entregar a programação em todos os formatos e meios de transporte (análogo, digital, por cabo e satélite) para difusão pela Internet. Com isso a televisão se parece mais com a Internet e a Internet começa a se aproximar da qualidade da TV, com mais interatividade e não rodará exclusivamente em computadores, mas em laptops, palmtops, celulares, eletrodomésticos, ampliando de forma inimaginável o acesso, a mobilidade, a liberdade de conexão.

O que se pretende é que os programas de televisão naveguem pela Internet e que os programas que rodam na Internet sejam compatíveis com os de produção de televisão. É o caminho para a integração do monitor e do aparelho de televisão. Em determinados momentos podemos ser só telespectadores, em outros navegadores, e quando quisermos integrar ambos, a televisão e a navegação, em tempo real. É isso que está se preparando agora com a chegada da TV digital: plataformas comuns e intercambiáveis de navegação pela TV/Internet ou pela Internet/TV, com muitos mais serviços, interação e negócios.[3]

            As TVs por assinatura e os telefones celulares já estão se adequando à tecnologia digital. Há um forte consenso que a telefonia móvel integrará telecomunicações e radiodifusão quando se fala em novos negócios. As aplicações oferecidas pela TV digital possibilitarão, de maneira interativa, a recepção de notícias e a visualização de programas de TV em palmtops e celulares de terceira geração que poderão vir a ser aparelhos de TV móvel e portátil.

Os conteúdos hipermídia, associados tanto à programação quanto ao intervalo comercial, que passarão a trafegar com o sinal de TV, permitirão a interação com o que estará sendo exibido, abrindo diversas possibilidades de negócios e prometem fazer a diferença entre o modo analógico e digital de assistir à TV.

A eficiência técnica - em qualidade de som, imagem e produção de conteúdo - criará as oportunidades de interação necessárias à recepção da TV em qualquer lugar e a qualquer hora. Mas é o conteúdo e a oferta de bons produtos associados que mudarão a cara da TV.[4]

De um conceito de televisão como programação de entretenimento e informação estamos passando para uma televisão de serviços - vendas, internet, home-banking - aproximando-se rapidamente do computador em rede. De uma televisão onde praticamente recebíamos tudo pronto podemos "participar" cada vez mais: do simples zapping, do uso do controle remoto, ao 0800, aos programas mais personalizados, ao pay-per-view há um sem número de possibilidades de escolhas, difíceis de imaginar alguns anos atrás. De uma televisão que organizava o nosso tempo (novela das oito...) começamos a passar para uma programação "a la carte", onde poderemos escolher assistir muitos programas na hora que nos for mais favorável.

             Até pouco tempo o broadcasting era unidirecional. Um passivo telespectador se submetia aos horários fixos da grade de programação das emissoras. A digitalização das transmissões terrestres, por cabo ou satélite proporcionou a oferta de serviços interativos, video-on-demand, datacasting etc. e o modelo que as empresas vêm usando para essas transmissões bidirecionais está baseado na Internet.

Diante deste cenário, o que é interatividade do ponto de vista tecnológico?          

II - A interatividade

Segundo Lippman, pesquisador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), pode-se definir interatividade como uma "atividade mútua e simultânea da parte dos dois participantes, normalmente trabalhando em direção de um mesmo objetivo"[5].

             (Brand, 1988).

Interatividade está asociada à Com relação ao conceito de interatividade, Machado (1990) acrescenta a característica da bidirecionalidade do processo, onde o fluxo se dá em duas direções. O processo bidirecional de um meio de comunicação seria aquele onde "os pólos emissor e receptor são intercambiáveis e dialogam entre si durante a construção da mensagem"[6]. (p. 208).

Para Lippman, um sistema pode ser chamado de interativo quando as características descritas a seguir estão presentes. Interruptabilidade é a primeira dessas característicascaracterística. Isto é, cada um dos participantes deve ter a capacidade de interromper o processo. Isso é o oposto de alternabilidade, onde os participantes alternam-se em suas ações: um participante deve esperar que o outro termine sua ação para que possa atuar. Como o processo interativo deve ser mútuo e simultâneo, cada participante deve ter a possibilidade de atuar quando bem entender. Esse modelo de interação estaria mais para uma conversa do que para uma palestra. Porém, a interruptabilidade possibilidade de interrupção deve ser mais inteligente do que simplesmente trancar o fluxo de uma troca de informações. O conceito de granularidade refere-se ao menor elemento após o qual se pode interromper. Em uma conversação poderia ser uma frase, uma palavra; no cinema poderia ser uma cena, um plano. Além disso, em uma conversação costuma-se responder à interrupção com um balançar de cabeça, com sons como "um-hum", ou com frases do tipo "já respondo sua pergunta". Portanto, para que um sistema seja realmente interativo, essas circunstâncias devem ser levadas em conta para que o usuário não creia que o sistema interativo usado tenha "trancado".[7]

Interatividade significa também possibilidade de encontrar respostas, de não deixar o usuário ou interlocutor perdido, de ele poder aprender, buscar seus próprios caminhos de navegação. O número de previsões de interação não é ilimitado, mas para o sistema ser interativo deve dar a sensação de que o número de links ou conexões à base de dados parece não ter fim.  Outro princípio seria degradação graciosa. Esse princípio refere-se à instância do sistema não ter a resposta para uma indagação. Quando isso ocorrer, o outro participante não deve ser deixado perdido, nem o sistema deve se desligar. Os participantes devem ter a capacidade de aprender quando e como podem obter a resposta que não está disponível naquele momento.

Lippman chama a atenção para a dificuldade de programar-se todos os tipos de indagações possíveis. A pergunta "Gostaria de receber informações sobre o Brasil" poderia ser formulada de várias outras maneiras. Perguntas como "Brasil?", "Como é o Brasil?", "O que você tem aí sobre o Brasil", "Quais são as informações existentes sobre o maior país da América do Sul?" deveriam acessar o mesmo conjunto de informações. Logo, um sistema interativo deve oferecer a característica de previsão limitada. Isto é, não é preciso prever todas as instâncias possíveis de ocorrência. Assim, se algo que não havia sido previsto ocorre na interação, o sistema ainda tem condições de responder. No caso de computadores, essa característica deve dar a impressão de uma database infinita.

Lippman ainda lembra que o sistema não deve forçar uma direção a ser seguida por seus participantes. Isso seria o princípio do não-default. A inexistência de um padrão pré-determinado que dá liberdade de navegação e exploração aos participantes. No projeto Movie Map, um videodisco produzido em 1978 apresentando o conceito de interatividade, o usuário poderia passear pela cidade de Aspen, Colorado, e a qualquer momento parar e entrar em um prédio. O sistema não forçava o participante a esperar chegar ao fim da quadra para fazer sua seleção. Isso remete mais uma vez ao princípio da interruptabilidade, pois diz respeito à possibilidade do usuário parar o fluxo das informações e/ou redirecioná-lo.

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TV digital e Televisão de alta definição

Televisão digital não é sinônimo de TV de alta-definição – o HDTV é apenas um entre os múltiplos avanços possibilitados pelas plataformas digitais de transmissão e recepção. Consiste numa forma de transmissão com definição de imagem muito maior que a praticada até agora (mais que o dobro do número de linhas existentes nos padrões NTSC, PAL ou SECAM), uma proporção de tela mais adequada à vista humana (16x9, contra os 4x3 atuais), além de áudio surround 5.1, isto é, em cinco canais digitais.

Outras características da televisão digital, no entanto, podem ser muito mais abrangentes do que a da abertura para o aprimoramento da qualidade da imagem. A multiplexação, por exemplo. Dois sinais diferentes, ou até seis, podem utilizar o mesmo espectro de freqüência, que nas transmissões analógicas comporta apenas um. Simplificadamente, pode-se considerar que uma transmissão em HDTV ocupa o dobro do espaço de uma outra em definição standard (SDTV). Na mesma faixa de freqüência que lhe é atribuida, portanto, uma emissora pode transmitir, ao mesmo tempo, um programa em HDTV e dois em SDTV, ou dois em HDTV, ou ainda quatro (e até mais) em SDTV.

Isto significa, por exemplo, que o espectador poderá escolher entre diversas imagens que lhe são enviadas de um mesmo evento. Mas implica também, na prática, que as emissoras acabam de ganhar novos canais: em média, três novos para cada emissora existente.

Transmissões extra-TV também fazem parte do cardápio digital. Utilizando espectros de freqüência residuais (chamados ‘oportunísticos’, no jargão digital) as emissoras podem enviar, a uma velocidade 350 vezes maior que a de um modem de 56k, qualquer tipo de informação, relacionada ou não com os programas transmitidos. Isso inclui, é claro, conteúdo de internet. A essa velocidade, o download de um programa do porte do Word levará 5 segundos.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/qtv200620011p.htm

 

QUALIDADE NA TV DIGITAL
Convergência de tecnologias,
convergência de interesses

Nelson Hoineff

 

Para compatibilizar os formatos de transmissão do conteúdo pela Internet foi criado o ATVEF - Advanced Television Enhancement Forum (Fórum do Desenvolvimento da Televisão Avançada), uma aliança de empresas que definiram protocolos em HTML para TV, o que permite aos criadores de conteúdo entregar a programação em todos os formatos e meios de transporte (análogo, digital, por cabo e satélite) para difusão pela Internet. O que se pretende é que os programas de televisão naveguem pela Internet e que os programas que rodam na Internet sejam compatíveis com os de produção de televisão. É o caminho para a integração do monitor e do aparelho de televisão. Em determinados momentos podemos ser só telespectadores, em outros navegadores, e quando quisermos integrar ambos, a televisão e a navegação, em tempo real. É isso que está se preparando agora com a chegada da TV digital: plataformas comuns e intercambiáveis de navegação pela TV/Internet ou pela Internet/TV, com muitos mais serviços, interação e negócios. É uma televisão que parece Internet ou a Internet com cara de TV e interatividade da Rede. Só que a rede não rodará exclusivamente em computadores, mas em laptops, palmtops, celulares, eletrodomésticos, ampliando de forma inimaginável o acesso, a mobilidade, a liberdade de conexão.

Woodard (1994, p. 29) afirma que a forma híbrida da televisão com o computador, o que chamou de telecomputador, será um conglomerado de tecnologias. Esse novo eletrodoméstico daria acesso a um sem número de bancos de dados fornecendo entretenimento, informações e serviços através de "texto integral, espetaculares exposições audiovisuais e imagens tridimensionais".[8]

“Quando um novo meio é introduzido, ele é adotado inicialmente por uma elite educada que tem o poder intelectual e a capacidade econômica para assimilá-lo antes de qualquer outra classe. Na medida em que o preço do novo meio cai e ele se torna mais amplamente aceito, ele progressivamente aumenta o apelo de massa e se torna dominado pela economia da audiência de massa. Mas quando um meio novo competitivo aflora, o meio antigo deve especializar-se e tirar vantagem do seu apelo tecnológico único para sobreviver”.[9]

Será possível, com o advento da tevê interativa, recuperar o terreno perdido e fazer cumprir as promessas democráticas dos meios de massa, garantindo que os papéis do transmissor/produtor e do receptor/espectador sejam intercambiáveis? Será possível que o espectador venha a exercer sobre a programação uma influência mais ativa do que existe hoje na tevê comercial ou estatal.[10]

Diante de cada nova mídia, sempre há intelectuais que exaltam o seu poder democrático, de estímulo à participação, como fez o teatrólogo alemão Bertold Brecht em relação ao rádio. A mesma análise está sendo feita em relação à TV digital e à Internet. Ambas permitem o processo de autoria e de intercâmbio, mas, aos poucos, essas mídias estão entrando na engrenagem organizacional capitalista e são assumidas por grandes grupos, que gerenciam e, na prática, dominam o processo de produção e de transmissão, em grande escala.

Será possível, com o advento da tevê interativa, recuperar o terreno perdido e fazer cumprir as promessas democráticas dos meios de massa, garantindo que os papéis do transmissor/produtor e do receptor/espectador sejam intercambiáveis? Será possível que o espectador venha a exercer sobre a programação uma influência mais ativa do que existe hoje na tevê comercial ou estatal. (Machado, 1990, p. 26)

Na era da interação, o sistema vertical de transmissões será invertido, visto que cada lar tornar-se-á um transmissor em potencial pois, diferente da televisão, o telecomputador será capaz não apenas de receber mas também de transmitir seus próprios sinais. (Woodard, 1994, p. 31)

 

Mudanças com a TV interativa

A tevê interativa mudará a estrutura de produção e programação das emissoras de televisão. A atual programação linear dará lugar a interatividade onde o espectador decide a organização e evolução das informações transmitidas Schwier (citado por Woodard, 1994, p. 35) discute a evolução da lineariadade da televisão para a interatividade:

A interatividade está na base das mais fortes transformações possibilitadas pelas transmissões digitais. Seu impacto econômico é gigantesco. Um dos objetivos mais importantes da TV interativa, no médio prazo, é a criação de formatos específicos para o T-commerce – o comércio eletrônico gerado pela televisão. O T-commerce é a mais conclusiva resposta até agora a um dilema tão antigo quanto o controle remoto, e que os publicitários só conseguiram resolver de maneira pueril, com ações de merchandising nos programas e a colocação estratégica de banners e placas de publicidade em jogos de futebol. Nada mais consistente do que isso conseguiu ser feito para contrabalançar a simples possibilidade que os espectadores têm de evitar os comerciais no intervalo dos programas.

O que o T-commerce faz é encorajar o consumo através de respostas bidirecionais em tempo real. O espectador continua vendo a novela, mas dá um clique para comprar a roupa que a atriz está usando. Para que isso aconteça, é necessário o avanço da tecnologia de SPE (synchronous program enhacements), o que é uma questão de tempo.

Da mesma forma, a partir da utilização da mesma tecnologia, é também uma questão de tempo a generalização do VOD (video on demand), por meio do qual o espectador chama o filme que quer no momento que desejar; e do programming on demand, que estende isso a toda programação gravada e vai fazer com que o espectador não se relacione mais com o intermediário (o operador ou a rede de televisão), mas diretamente com a programação.

Na verdade, tudo isso é possível porque, com as plataformas digitais, televisão, internet e telefonia passam a utilizar o mesmo alfabeto – ainda que não necessariamente falando a mesma linguagem, o que derruba apenas a impressão, que por um momento se tinha, da convergência física entre receptor de televisão e computador.

Nos EUA, as transmissões digitais começaram há mais de um ano. Chegarão a 100% por volta de 2005. No Brasil, a DTV deve começar em 2003, mas é necessário a definição do sistema a ser adotado para que se possa estabelecer um cronograma de implantação. Pelas contas da própria Anatel, esta migração representa um negócio de 10 bilhões de dólares nos próximos dez anos.

São três os padrões digitais que disputam o mercado brasileiro: o americano ATSC, o europeu DVB e o japonês ISDB. Entre estes padrões existem diferenças sutis, qualidades e defeitos que não são consensuais nem entre os engenheiros. Além disso, todos estão em desenvolvimento, vivenciando um processo dinâmico de mudanças que em dois anos os tornarão bem mais semelhantes entre si.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos/qtv200620011p.htm

 

QUALIDADE NA TV DIGITAL
Convergência de tecnologias,
convergência de interesses

Nelson Hoineff

O padrão de transmissão da TV digital a ser adotado no Brasil ainda não foi determinado, mas as emissoras de TV, produtoras comerciais e fornecedores de serviços já estão começando, timidamente, a tatear o formato. Alguns projetos já estão sendo captados em câmeras HDTV e outros têm captação em película e finalização nos novos equipamentos de telecinagem e edição digitais de alta definição.

A pioneira na produção de programas captados com câmeras HDTV foi a Rede Globo, com a cobertura do Carnaval 2000. Depois foi a vez dos dois episódios derradeiros do seriado “Mulher”, realizados em estúdio com câmeras HDTV. Toda a parte de dramaturgia do seriado “A invenção do Brasil”, exibido na semana do Descobrimento, também foi captada no formato. A emissora ainda não estabeleceu um projeto de implantação do sistema com a realização dos testes, mas eles apontam uma linha a ser seguida. O diretor da Central Globo de Engenharia, Fernando Bittencourt, afirma que a transição acontecerá “no ritmo que o business definir”. Segundo ele, o plano preliminar é o de iniciar com as transmissões esportivas, passando em seguida para eventos e programas especiais.

Lizandra de   Almeida. Um pé na alta  resolução.http://www.telaviva.com.br/especiais/main.htm  (checar)

 

Televisão interativa: um meio de comunicação democrático?

Alex Fernando Teixeira Primo (1), Luciana Moura (2),
Gilca Silveira (2), Laurelise Alves dos Santos (2)]

 

 

O interessante na TV interativa é a combinação de entretenimento – principalmente filmes e jogos- com informação, vendas e educação, num mesmo meio, num mesmo canal É um meio que conserva algumas das funcionalidades conhecidas da televisão com as da Internet.

Utilizaremos vários aparelhos em conjunto: computadores, telefones celulares, televisores, mas o importante é a interoperabilidade, a integração entre aparelhos e softwares e a possibilidade de comunicação direta entre produtores e usuários, sem depender necessariamente de grandes empresas audiovisuais.

 

 

 

 

 

Werner Lauff. Siglo "C" - Media Digital del Siglo 21 in www.videoagenlatin.com

 

 

            Panorama atual da TV interativa

Situação atual da TV digital

Estamos numa fase de relativa incerteza em relação à TV Digital. Em alguns países, como a Inglaterra, está evoluindo com rapidez. Em outros, como nos Estados Unidos, avança, mas a um ritmo mais lento do que se previa, principalmente na TV digital aberta. No Brasil o governo ainda não definiu o padrão de TV digital, o que impede a concretização de grandes investimentos que aproximariam a televisão do computador e da Internet. Mesmo assim há experiências significativas de avanços nos serviços que permitem escolhas maiores dos usuários.

A TV digital (DTV) estará presente em 103 milhões de residências ao redor do mundo no final de 2002, e em 374 milhões de lares em 2008, segundo uma nova estatística feita pela Strategy Analytics.[11]

Em cinco anos, a TV interativa dos Estados Unidos terá receita de US$ 25 bilhões ao ano, somente com novas formas de anúncios e com comércio por impulso na TV.

A TV digital baseada na transmissão via satélite ainda é a escolha preferida dos telespectadores, apesar de que as operadoras a cabo estão começando a ganhar popularidade. A Strategy Analytics estima que a TV a cabo será a plataforma digital que crescerá mais rapidamente no mundo em 2003, com 15,9 milhões de casas assinando a tecnologia, contra os 15,4 milhões para satélite digital.  As regiões da América do Norte e da Europa Ocidental contabilizam atualmente 78% dos lares com TV digital no globo. Em 2008, no entanto, a região da Ásia-Pacífico será responsável por 28% de todo o mercado mundial.[12]

A consultoria Booz-Allen & Hamilton estima que o número de casas com acesso a TV digital no planeta crescerá de 124 milhões em 2001 para 680 milhões em 2010 (26 milhões no Brasil). Numa primeira estimativa, diz a Booz-Allen, as emissoras brasileiras poderão ganhar mais 3,3 bilhões de dólares além da publicidade, que somou 7,5 bilhões em 2001. A E-consulting, de São Paulo, é bem mais otimista: prevê que, já em 2006, haja receitas adicionais de 19 bilhões. A Forrester, por sua vez, considera que, em 2005, 20 bilhões será a receita mundial total com TV interativa, enquanto a McKinsey sustenta que só as emissoras americanas faturarão 17,5 bilhões com ela.

Mas a reação a tais ofertas é incerta. O francês Canal Satellite informa já ter faturado 152 milhões de euros em 2001 com interatividade. Na Inglaterra, o país mais avançado em TV digital, a Domino's Pizza diz que aumentou em 27% o número de pedidos graças a um anúncio interativo, e que as vendas pela TV representaram 2,3% do faturamento. Mas uma sondagem revelou que 62% dos ingleses nunca usaram os serviços interativos de suas TVs. Na Dinamarca, leva em média seis meses até o assinante perceber que sua TV é interativa. "O público decidiu que TV é para entretenimento. Quando quer interagir, vai ao PC", disse o presidente mundial da Intel, Craig Barrett. Só que isso não diminui o interesse por conteúdo mais individualizado.[13]

Estamos numa fase ainda em que a TV e o computador exercem funções bem diferentes. Serviços bancários avançam mais rapidamente na Internet do que na TV digital. O computador é visto como um meio mais privado que a televisão e mais adequado para esse relacionamento, ao menos neste momento. “O conceito é claro: interatividade tem de auxiliar a experiência de ver TV, não competir com ela”, afirma Robert Fraser, diretor da BSyB British Sky Broadcasting, a experiência mais bem sucedida de TV digital na Inglaterra.[14]

            A TV interativa na Europa

Até pouco tempo o broadcasting era unidirecional. Um passivo telespectador se submetia aos horários fixos da grade de programação das emissoras. A digitalização das transmissões terrestres, por cabo ou satélite proporcionou a oferta de serviços interativos, video-on-demand, datacasting etc. e o modelo que as empresas vêm usando para essas transmissões bidirecionais está baseado na Internet.

TVs interativas não são propriamente uma novidade na Europa. Na França, por exemplo, a TPS e os Canal+ e Canal Satellite já oferecem o sistema via satélite digital. As emissoras estão apenas no primeiro estágio da interatividade e ainda não se sabe os limites para estas transmissões bidirecionais. E, falar em TV interativa pode vir a ser em breve um pleonasmo. No final do ano 2000 25 milhões de pessoas no mundo tinham TV digital. Estima-se que em quatro anos esse número aumente para 200 milhões.

 

No Reino Unido a DTT entrou no ar em novembro de 98. O sinal é distribuído pela ONdigital (leia box pág. 20), que subsidia o set-top box para o usuário. Até hoje apenas aA Espanha, a Suécia ,e a Finlândia e a Alemanha iniciaram as transmissões digitais. Outros países estão definindo suas estratégias de implantação.

A ONdigital é o provedor de DTT na Grã-Bretanha. Atualmente conta com mais de 800 mil usuários e estima bater a casa de um milhão até o final deste ano. Carlton Communications e Granada Media Group, os dois maiores broadcasters do UK, são os acionistas da empresa criada em 97, após conseguirem a licença de operação. A ONdigital é uma empresa independente com suas próprias premissas e é considerada a primeira a distribuir os sinais digitais terrestres de multicanais e serviços interativos. Desde o início de setembro também passou a oferecer ao mercado serviços de Internet pela TV.

O sistema (DVB-T) é o mesmo, mas cada país busca seu próprio modelo de negócios, de acordo com as necessidades e características de cada um. A concorrência da DTT (Digital Terrestrial Television) com as transmissões por cabo ou satélite e a disputa com a TV paga varia muito dentro da comunidade européia.

Devido à forte presença da distribuição do sinal de TV via cabo e satélite tanto na Suécia quanto na Finlândia, os negócios não estão deslanchando como acontece na Inglaterra. A mesma situação deve ocorrer nNa Alemanha, que pretende iniciar as transmissões em 2001, onde a disputa com o cabo e satélite deverá ser ferrenha devido à alta incidência da recepção dos sinais de TV via os dois meios. Na França e na Itália, países com baixos índices de TV via cabo e satélite, os planos ainda estão indefinidos.

São as TVs públicas - como a France Télévision (França), RAI (Itália), ARD e ZDF (Alemanha) - que demonstram maior predisposição em adotar a DTT, seguindo o exemplo da BBC. (leia box pág. 18). As concorrentes privadas vêem na DTT apenas uma oportunidade no desenvolvimento de negócios, mas esbarram no financiamento dos investimentos necessários para disponibilizar os serviços, à exceção da Alemanha.

A concorrência entre as TVs públicas e privadas tem novo componente: o T-commerce. A veiculação de anúncios é proibida nas emissoras bancadas pelo estado, deixando-as à margem dos comerciais que possibilitam vendas on-line. Um atrativo que as emissoras privadas podem dispor na briga pela audiência.

É preciso lembrar que o cenário europeu de broadcasting difere dos moldes adotados nos Estados Unidos e no Brasil. As TVs públicas vivem das taxas arrecadadas pelo governo. Todo telespectador paga anualmente um tipo de imposto para receber os sinais de TV, proporcional ao meio escolhido (terrestre, cabo ou satélite). Além disso existem as TVs por assinatura, que oferecem um maior leque de opções de canais e serviços. No Velho Mundo, TV a cabo não é sinônimo de TV por assinatura, como entendemos no Brasil.

 

bidirecionalidade

Até pouco tempo o broadcasting era unidirecional. Um passivo telespectador se submetia aos horários fixos da grade de programação das emissoras. A digitalização das transmissões terrestres, por cabo ou satélite proporcionou a oferta de serviços interativos, video-on-demand, datacasting etc. e o modelo que as empresas vêm usando para essas transmissões bidirecionais está baseado na Internet.

TVs interativas não são propriamente uma novidade na Europa. Na França, por exemplo, a TPS e os Canal+ e Canal Satellite já oferecem o sistema via satélite digital. As emissoras estão apenas no primeiro estágio da interatividade e ainda não se sabe os limites para estas transmissões bidirecionais. E, falar em TV interativa pode vir a ser em breve um pleonasmo. No final do ano passado 25 milhões de pessoas no mundo tinham TV digital.

Estima-se que em quatro anos esse número aumente para 200 milhões.

A oferta de serviços aumenta dia-a-dia e o grande desafio dos operadores é definir como irão disponibilizar tais serviços, pois precisam apresentar seus sistemas de forma atrativa para o consumidor (usuário) e a preços competitivos. Tecnologia e criatividade não faltam para o setor. Empresas como Microsoft TV, OpenTV, Canal+ Technologies ou a Orca, por exemplo, apresentam as ferramentas para a execução e implantação dos serviços interativos. Para essas empresas o meio de transmissão usado pelas emissoras é irrelevante. Para o retorno, telefone e Internet são os caminhos utilizados para garantir a interatividade. O foco de seus produtos é a facilidade com que o usuário trafega pelos serviços oferecidos. O gargalo do setor está na capacidade financeira das redes. A conversão e implantação dos sistemas envolvem grandes investimentos.

 

Os serviços interativos e de previsão do tempo, videotexto e Internet pela TV são acessados pelo controle remoto do set-top box ou do receptor digital. Através de teclas coloridas e das setas, o usuário navega pela tela da TV.

Na BBC ários programas veiculados atualmente via terrestre já contam com serviços complementares e interativos. Um bom teste realizado pela emissora londrina foi a transmissão dos jogos de tênis de Wimbledon, no ano passado. Notícias, scores de partidas realizadas no mesmo horário e perfil dos jogadores puderam ser acessados pelos telespectadores durante as transmissões. A distribuição por satélite digital contou com um implemento: o usuário pôde escolher a que partida assistir do campeonato.

Todo o conteúdo informativo é produzido por jornalistas.

Um dos orgulho da emissora, bem nos moldes da produção inglesa, é o BBC Knowledge, que ao lado das imagens apresenta um texto explicativo e ainda lista uma série de informações adicionais como websites e eventos relativos ao tema do programa. O sucesso desse canal é o “Voyager” voltado para o público jovem. Pelo controle remoto é possível responder a uma série de questões propostas no fim do programa relacionadas aos tópicos apresentados, como ciências, artes, história etc. Dependendo do número de acertos, o usuário recebe uma senha especial com a qual pode acessar a Internet e explorar áreas restritas do site bbb.co.uk/voyager.

 

 

Broadcasters, grupos de mídia e provedores de conteúdo estão às voltas com a broadband. A introdução dos serviços de vídeo em banda larga, considerada uma excelente oportunidade para faturar mais com seus negócios, vem sendo muito discutida e ansiosamente aguardada. Estima-se que 23 milhões de domicílios em todo o mundo serão assinantes de serviços de TV em DSL, até 2005.

Diversas empresas estão desenvolvendo equipamentos, sistemas e aplicações para marcar presença no mundo emergente da broadband.

A capacidade de compatibilizar a variedade de operações de broadcasting, media streaming e formatos de arquivo em um mesmo sistema é de vital importância para os equipamentos de transmissão, distribuição, produção e para os modelos operacionais de programação dos próximos anos.

Embora ainda exista muita controvérsia a respeito do assunto, o mercado não parece acreditar que a Internet irá substituir o broadcasting. A maioria aposta que serão mídias complementares e a banda larga irá implementar a interatividade da digitalização da TV, principalmente nas transmissões terrestres.

Poucos acreditam que o modelo do broadcasting tradicional, isto é, audiência de massa, possa acabar.

A crença é que o acesso à Internet de banda larga pela TV será o pontapé inicial ao processo de convergência entre a comunicação de massa e a personalizada.

 

???

A ONdigital é o provedor de DTT na Grã-Bretanha. Atualmente conta com mais de 800 mil usuários e estima bater a casa de um milhão até o final deste ano. Carlton Communications e Granada Media Group, os dois maiores broadcasters do UK, são os acionistas da empresa criada em 97, após conseguirem a licença de operação. A ONdigital é uma empresa independente com suas próprias premissas e é considerada a primeira a distribuir os sinais digitais terrestres de multicanais e serviços interativos. Desde o início de setembro também passou a oferecer ao mercado serviços de Internet pela TV. O set-top box é subsidiado pela empresa e os serviços custam de £ 6,99 a £ 9,99 por mês (US$ 20 a US$ 30, aproximadamente).

Os canais da ONdigital são enviados via fibra óptica da central de distribuição para o centro de multiplexação em Londres, onde as imagens são comprimidas e mixadas com áudio, legendas e serviços de dados. Os sinais são distribuídos para 81 retransmissoras no UK via fibra óptica, e daí transmitidos por canais em UHF. ???

 

 

Experiências da TV Bloomberg

           

A mídia que se tornou o símbolo da sociedade de massas do Século XX atravessa sua primeira grande revolução motivada pela tecnologia digital. Mais do que uma evolução técnica, a TV digital promete ser o ponto de partida para uma nova concepção de comunicação e entretenimento, pois pela primeira vez o espectador conquista o poder de ‘navegar’ pela programação e desenvolver seus próprios produtos.

Nos últimos seis meses, um seleto grupo de consumidores na Inglaterra tem sido usado como ‘cobaia’ pela agência de notícias econômicas Bloomberg, para o desenvolvimento de seu projeto de televisão interativa. O canal jornalístico da empresa, não muito palatável aos espectadores leigos, pois reúne imagens, gráficos e indicadores econômicos na mesma tela, tem o formato ideal para o lançamento de um conceito interativo de programação.

Desde o início do ano, a  A Bloomberg TV permite aos ingleses que montem a tela do canal, selecionando quais indicadores devem ser mostrados e que formato deve ter a apresentação dos programas. No futuro, os aficionados pelo mercado financeiro poderão até assistir a um filme, por exemplo, com uma barra lateral de notícias sobre as bolsas.

‘A Inglaterra é o nosso mercado teste, pois a TV digital está crescendo muito rapidamente lá. Nos Estados Unidos, os esforços do mercado estão mais direcionados ao uso de imagens em banda larga na internet’, explica a diretora geral da Bloomberg TV, Katherine Oliver (, que veio ao país explicar a Jornal da Tarde, 19/04/2001

"Bloomberg ensaia televisão do futuro", copyright Valor Econômico, 12/09/00)

empresários o projeto de TV interativa do canal. Estima-se que existam hoje cerca de 100 mil proprietários de TV digital no Reino Unido com acesso ao sistema interativo da Bloomberg. Daqui a seis meses, o sistema estará disponível na versão francesa do canal. Por aqui, a novidade deve demorar para chegar, já que a TV digital apenas engatinha na América Latina.

Katherine destaca que a Bloomberg tem grandes vantagens competitivas nesse mercado, pois já possui uma larga base de informações próprias e clientes de alto poder aquisitivo. ‘A internet passou a representar uma importante fonte de acesso a informações do mercado financeiro para os pequenos investidores interessados em ter mais lucro em suas aplicações. O que pretendemos é ser a referência desse público dentro do novo formato de televisão interativa’, diz."

No Brasil, além da chegada da TV digital, outro fator deve alavancar a TV interativa: a convergência das tecnologias nas TVs por assinatura (internet, telefone, televisão e rádio chegando às casas por um único meio) que, por sua vez, deve aquecer ainda mais o mercado de TV paga. ‘A TV digital só trará benefícios para a TV por assinatura. Nos Estados Unidos, ela passa pelo cabo’, diz Moisés Pluciennik, CEO da Globo Cabo. Segundo pesquisas das operadoras americanas, a tendência é que os consumidores de TV digital sejam usuários de TV paga.

Jornal da Tarde, 19/04/2001

"Bloomberg ensaia televisão do futuro", copyright Valor Econômico, 12/09/00

 

No Brasil

 

 

No Brasil começou em maio de 2001 em Sorocaba, SP uma experiência importante de televisão interativa por cabo que utiliza a

Edylita Falgetano. Broadcasting bidirecional. Revista Tela Viva, 2000.

Globo Cabo/Microsoft implantam TV interativa 
P
rimeira implementação mundial de televisão interativa por cabo a usar a solução Microsoft TV Basic Digital, começa em 5/2001 a ser testado em Sorocaba, no interior do estado de São Paulo, o serviço criado pela parceria entre a Globo Cabo S/A e a Microsoft Corporation.

Na fase de testes-piloto, a Globo Cabo usará o MS TV Basic Digital para oferecer novas funcionalidades a um grupo de 250 usuários do serviço Net que utilizarão set top boxes digitais da Samsung, dando início ao projeto de televisão interativa. "O principal objetivo de nossos testes é disponibilizar interatividade nos lares de assinantes e aprender quais são as possibilidades e funções que estes mais valorizam", informa Moyses Pluciennik, diretor executivo da Globo Cabo: "O piloto vai ser um campo de testes fértil para que possamos entender o mercado de televisão interativa no Brasil antes do lançamento comercial destes serviços em outras cidades".

Para a Microsoft, será um passo importante por uma série de razões: "A iniciativa representa a primeira implementação no mundo do Microsoft TV Basic Digital, nossa solução para a primeira geração de set top boxes digitais. Além disso, é a primeira implementação de um serviço de televisão interativa baseada na plataforma Microsoft TV na América Latina" comenta Alan Yates, vice-presidente mundial de vendas e mercadologia da plataforma Microsoft TV, que veio ao Brasil para o anúncio.

Novo comportamento - A TV Interativa revolucionará a maneira de como as pessoas vêem televisão em todo o mundo. Com ela, será possível assistir a jogos com câmeras diferentes ao mesmo tempo, em diversos ângulos, fazer compras em supermercados, realizar transações bancárias, conferir a programação para os dias futuros em um guia eletrônico, entre tantas outras possibilidades. Nessa primeira etapa, o usuário já sentirá uma melhora expressiva na qualidade de som e imagem, que passam a ser similares ao padrão DVD.

O banco Bradesco participará do projeto com o lançamento de um canal financeiro denominado TV Banking Bradesco. Nesta primeira fase, estarão disponíveis as informações sobre os produtos e serviços oferecidos pela instituição. 

"Nosso objetivo é poder, em breve, oferecer aos nossos clientes mais um canal de atendimento no qual poderão realizar suas operações bancárias com segurança e tranqüilidade", relata Cândido Leonelli, diretor de produtos especiais do Bradesco. "Trata-se de um lançamento inédito, do qual não poderíamos deixar de participar. Para o banco, é mais uma oportunidade de colocar o que há de mais avançado em termos de tecnologia à disposição do cliente".

Edylita Falgetano. Broadcasting bidirecional. Revista Tela Viva, 2000.

Globo Cabo/Microsoft implantam TV interativa 

A plataforma - O Microsoft TV Basic Digital é o resultado da aliança estratégica entre a Microsoft Corporation e a NDS para estender a oferta de soluções de televisão interativa baseadas na plataforma Microsoft TV. É uma solução abrangente em software, baseada em padrões cliente-servidor, que permitem às operadoras de televisão por assinatura aprimorar as possibilidades de uso da TV para os seus telespectadores e assinantes. Assim, cria novas e significativas oportunidades econômicas para as operadoras de televisão e os fornecedores de programação, equipamentos e programas de computador no ramo televisivo em todo o mundo. A tecnologia racionaliza os custos da distribuição de novos serviços aprimorados de TV na primeira geração digital de decodificadores, bem como na nova geração de decodificadores avançados e dispositivos para o entretenimento que está surgindo agora.

Essa família de produtos inclui o programa MS TV Basic Digital e o MS TV Advanced, para decodificadores, e o MS TV Server e o MS TV Access Channel Server para o fornecimento de novos serviços através da central da operadora. Como extensão da plataforma Microsoft TV, as tecnologias da empresa fornecerão serviços de transmissão e funções nas futuras gerações do sistema operacional Windows, criando a base para os serviços de TV interativa em computadores pessoais e outros dispositivos para a computação.

A Microsoft TV foi criada levando em conta os padrões mundiais de transmissão de TV digital, incluindo Digital Video Broadcasting (DVB), Advanced Television Systems Committee (ATSC) e ARIB. Ela também tem suporte para os padrões comuns da Internet tais como HTML, JavaScript e HTML Dinâmico, bem como todo o conteúdo interativo patenteado de acordo com as especificações do Advanced Television Enhancement Forum (ATVEF).

 

 

Globocabo e Microsoft testam TV digital em Sorocaba

 

http://www.stamaria.com.br/informatica/topico%202.html

No Brasil, mais de 95% das residências têm televisores, num total estimado em 60 milhões de aparelhos. De acordo com o Ibope, o brasileiro assiste a três horas e meia de televisão por dia -- num ano, são 53 dias diante da tela. Para 40% da população, ela é o único meio de informação e entretenimento. "Na periferia das grandes cidades, há TVs ligadas por 15 horas diárias nos fins de semana", diz Antonio Teles de Carvalho, vice-presidente executivo da Rede Bandeirantes.[15]

Nos últimos três anos começou a crescer significativamente a participação do público na elaboração dos programas de TV. Além do tradicional telefone, utilizado com sucesso em programas como "Você decide" e "Intercine" (da Rede Globo), a Internet tornou-se o recurso mais aproveitado quando se fala de interação. Basta observar programas como "Opinião Brasil" e "Roda viva" (jornalísticos da TV Cultura), "É show!" (Rede Record) e "Super positivo" (da TV Bandeirantes), entre tantos outros.

Quem assina uma TV por satélite já recebe sinais digitais que tornam possível um sem-número de canais e serviços interativos. Graças a isso, a TV por satélite cresce 111% ao ano no Brasil, contra 13% do restante do setor. As redes de cabo, embora atrasadas, tentam seguir a mesma rota inovadora. No Brasil, boa parte das instalações de cabo está pronta para transmitir digitalmente a qualquer momento. Só as TVs abertas continuam presas à transmissão analógica de 50 anos atrás.

O Brasil ainda está decidindo entre o padrão de TV digital norteamericano (ATSC), o japonês (ISDB-T) e o europeu (DVB). Para o Prof. Zuffo, professor de Engenharia Eletrônica da USP, a escolha de um padrão de TV Digital poderia ser adiada e melhor discutida. "A opção por qualquer um dos sistemas estará atrelada a fatores que vão além da qualidade tecnológica", diz. "Trata-se de uma escolha que terá impacto nos próximos 30 anos, além disso, será uma decisão geopolítica que envolve, inclusive, aspectos culturais", aponta. Futuramente, com a TV Digital será estabelecido um modelo de convergência entre o telefone celular, computador e portais (homegatway). "A opção por um padrão digital levará em conta tudo isso".[16]

Com relação às diferenças entre os padrões (americano, japonês ou europeu), o professor considera o japonês "mais ousado", principalmente quanto aos modelos de convergência que permitem a interação de aparelhos de TV, celular, Sistemas de Posicionamento Global (GPS) e serviços E-comerce e M-comerce de automação doméstica. "No caso americano, há que se considerar um legado de 250 milhões de TVs que funcionam muito bem", analisa. Quanto ao padrão europeu, Zuffo considera conservador por conciliar o interesse de 32 países que compõem a comunidade européia. "É perfeitamente viável um país que possui 54 milhões de aparelhos de TV como o Brasil propor um padrão com tecnologia própria. Nosso sistema poderia ser uma boa mistura dos três em questão", afirma, lembrando que, em breve, a China deverá lançar seu próprio padrão de TV Digital.

Será que alguém quer saber de interatividade na TV? As respostas são, no mínimo, ambíguas. Na DirecTV, o serviço interativo mais usado são os jogos infantis. O tal banco pela TV (ou t-banking), oferecido pelo Itaú, é acessado por 15 000 clientes -- de 200 000 assinantes que têm conta no banco. A Unibanco AIG Seguros fez um anúncio interativo. Em duas semanas, 2.000 espectadores clicaram, e 350 compraram.

As pessoas, principalmente os jovens, não querem mais simplesmente assistir à televisão. Eles querem se expressar através da TV, mostrar sua cara, por isso a interatividade é tão importante. Ela possibilita uma interlocução com o público, enriquece a programação", afirma Cris Lobo, diretora de programação da MTV. Segundo ela, a emissora já utiliza recursos interativos há muito tempo, mas a grande virada veio em 99. "Nesse ano nós dobramos a audiência da TV e isso teve muito a ver com a interatividade", afirma.[17]

O gerente de comunicação da Record, Ricardo Frota, cita uma série de números de uma pesquisa feita pela NPD Research nos Estados Unidos, para mostrar que não é loucura esta história de ter um olho na TV e outro na tela do computador. "Cinqüenta e sete por cento dos internautas entrevistados assistem à TV e navegam na Internet ao mesmo tempo. Noventa e um por cento acessam o site depois de ver um comercial na TV a respeito."[18]

As operadoras de TV por assinatura via satélite Sky e Directv já oferecem alguns serviços interativos. Todos ainda são rudimentares, principalmente quando comparados às possibilidades técnicas da Internet, mas dão uma amostra do que o futuro promete para as TVs abertas.

A primeira, e talvez a mais importante, instância da interação é a grade de programação eletrônica. Trata-se de uma espécie de portal da operadora de TV paga. É a partir dessa tela inicial que o assinante inicia sua "navegação" pela TV. A Directv implantou em dezembro de 2000 seu portal interativo. O assinante pode acessar dois bancos (Itaú e Bradesco) e fazer consultas. Há também alguns joguinhos bem simples (resta 1, gamão etc.) e acesso a uma conta de e-mail -- para isso, é preciso ter um teclado especial. Serviços como horóscopo e previsão do tempo são semiinterativos: as informações todas são enviadas para a caixa conversora dos assinantes, e eles apenas têm de decidir de elas serão mostradas ou não[19].

O apetite por interatividade está incentivando a aproximação da TV com a Internet. A MTV Brasil é uma das emissoras que saiu na frente. O provedor de banda larga (acesso a dados, vídeo e som em alta velocidade) Ajato (empresa da TVA, da Abril), capaz de transmitir com rapidez programas com muitos dados, já exibe a programação da MTV. A emissora também conta com uma série de programas que permitem a participação do público, inclusive em salas de bate-papo que têm seu conteúdo parcialmente revelado ao longo do programa, como no "Erótica MTV". O site da emissora permite até descobrir os horários em que será exibido seu videoclip favorito. No final do ano passado, mais uma bandeira fincada na rede. O site da emissora inaugurou a era dos e-clips. Tratam-se de videoclipes interativos. "O internauta pode remixar a música, que tem uma seqüência básica e pode criar uma nova edição das imagens. E tem ainda um caráter de videogame, já que permite avançar estágios e descobrir novos caminhos", conta Fábio Abreu, diretor de marketing e Internet da MTV Brasil.[20].

A Sky segue uma trilha bem parecida. A operadora tem um embrião de portal no ar. Oferece algumas poucas informações (horóscopo, previsão do tempo, mensagens de serviço da própria operadora etc.) O mais interessante, porém, não são as interações ligadas a serviços extras -- que, de resto, podem ser acessados com mais comodidade e qualidade num computador. A Sky pertence ao grupo Globo e é, hoje, um laboratório de testes da interatividade ligada à programação. Na São Silvestre do ano passado, o assinante podia ver na tela em que ponto do percurso estavam os corredores. Na Copa João Havelange, era possível escolher o ângulo do qual se queria ver a partida (cada câmera enviava imagens para um canal diferente). No canal Multishow, também do grupo Globosat, um programa de videoclipes é acompanhado por uma série de informações sobre o cantor e a música que estão sendo exibidas.

Um projeto com a Globonews também está em fase final: a qualquer momento da programação normal do canal, o assinante pode chamar um menu com as principais notícias do dia. A imagem ao vivo então diminui um pouco de tamanho e pode-se navegar por um menu parecido com uma lista de links da internet. As informações vêm todas do site da Globonews.

Por enquanto, nen Sky nem Directv cobram por esses serviços. Ambas dizem que ainda não há massa de usuários suficiente para justificar cobranças extras. Como diz Philipe Boutaud, o diretor da Directv: "Muita gente está mais do que satisfeita com a TV aberta de hoje. A TV digital é uma promessa para o futuro. Existe uma grande diferença entre o que a tecnologia possibilita e o que é comercialmente viável".

Outra experiência interessante é a realidade pela AllTV,  estação inaugurada neste ano em São Paulo para transmitir 24 horas de TV ao vivo pela internet, com chat simultâneo para o espectador interferir na programação. Internautas podem contribuir com vídeos ou transmitir do próprio computador para todos via rede, enquanto âncoras coordenam o noticiário. Seu correspondente em Londres fala todo dia de um cibercafé, com uma webcam. Os 30.000 visitantes diários que a AllTV reuniu com um investimento de 2 milhões de dólares equivalem ao pico de audiência que o canal BandNews alcançou na internet depois de passar a transmitir 24 horas por dia pela rede de banda larga da Brasil Telecom. "Temos um ibope com cérebro. Se a programação está chata, mudamos na hora. A TV tradicional vai demorar para alcançar esse nível de interatividade", diz Alberto Luchetti, diretor-geral da AllTV. "Estamos construindo a segunda geração da TV brasileira."[21] "A rede não é só um mecanismo de download, é um ambiente interativo", diz Leslie Vadász, presidente da Intel Capital. "Há um zilhão de possibilidades a explorar.

No Brasil começou em maio de 2001 em Sorocaba, SP uma experiência importante de televisão interativa por cabo que utiliza a solução Microsoft TV Basic Digital, serviço criado pela parceria entre a Globo Cabo S/A e a Microsoft Corporation[22]. É possível, por exemplo, escolher uma câmera para acompanhar um determinado jogador em campo durante uma partida de futebol, conversar com outra pessoa que esteja assistindo ao mesmo programa, acessar a conta bancária e fazer compras no supermercado apenas usando o controle remoto da TV.

Na fase de testes-piloto, a Globo Cabo está oferecendo novas funcionalidades de TV interativa a um grupo de 250 usuários do serviço Net. "O principal objetivo de nossos testes é disponibilizar interatividade nos lares de assinantes e aprender quais são as possibilidades e funções que estes mais valorizam", informa Moyses Pluciennik, diretor executivo da Globo Cabo: "O piloto vai ser um campo de testes fértil para que possamos entender o mercado de televisão interativa no Brasil antes do lançamento comercial destes serviços em outras cidades". [23]

 

 

Será possível, por exemplo, escolher uma câmera para acompanhar um determinado jogador em campo durante uma partida de futebol, conversar com outra pessoa que esteja assistindo ao mesmo programa, acessar a conta bancária e fazer compras no supermercado apenas usando o controle remoto da TV. Já na fase de testes, quem for cliente do Bradesco poderá acessar o TV Banking Bradesco, canal financeiro criado especialmente pelo banco para a TV digital interativa. A princípio, os usuários terão acesso apenas a informações sobre os produtos e serviços oferecidos pelo banco, mas Cândido Leonelli, diretor de produtos especiais do Bradesco, promete um canal de atendimento seguro para a realização de transações bancárias via controle remoto para breve. O projeto da Globocabo/NET é o primeiro do mundo a utilizar a solução Microsoft TV Basic Digital, que reúne a plataforma Microsoft TV com a solução de distribuição interativa de informações e entretenimento da NDS Group.

 

 

Por enquanto, a TV interativa está restrita aos ‘early adopters’ (pessoas que usam tecnologias novas) nos países desenvolvidos, mas seu potencial é amplo. Em 2005, o número de residências que utilizará a TV interativa no mundo deve aumentar 540% , passando dos atuais 34,5 milhões (3,1% do total de casas com aparelho) para 220 milhões, segundo a Merril Lynch. A pesquisa aponta que, em cinco anos, a TV interativa dos Estados Unidos terá receita de US$ 25 bilhões ao ano, somente com novas formas de anúncios e com comércio por impulso na TV. Enquanto a receita com a TV interativa cresce, a tendência da publicidade na TV aberta é estagnar.

O conceito de TV interativa é abrangente, o que torna imprecisa sua definição. ‘Se perguntar o que é interatividade, cada um tem uma idéia’, diz Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA. Hoje, o mercado oferece duas possibilidades de acesso: os ‘set-top-boxes’ (dispositivos que convergem para a TV serviços, como internet ou ‘video- on-demand’) ou a TV digital. Apesar de ainda incipiente, a TV digital é considerada potencial ampliadora da interatividade televisiva. O sistema pode oferecer alta definição da imagem ou multiprogramação, o que permite multiplicar por seis a quantidade de canais, totalizando até 150. Todos com recursos interativos.

 

Por enquanto, fabricantes e emissoras de TV aguardam a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre o padrão de transmissão a ser adotado, que deve sair em outubro. A Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) já analisou três modelos disponíveis - o americano (ATSC), o europeu (DVB-T) e o japonês (ISDB-T) - e avaliou que o sistema japonês é o melhor.

A troca de sistemas – que deve levar dez anos e exigir investimentos de US$ 90 bilhões, considerando-se o cenário atual de 90 milhões de aparelhos de TV no país – não implica apenas qualidade tecnológica. O maior problema é o receio de se repetir o efeito PAL-M (sistema de transmissão de TV analógica) usado no Brasil, que é incompatível com o americano NTSC. ‘Não dá para ir contra a natureza mercadológica. O PAL-M nos isolou economicamente’, diz José Felix, diretor de engenharia da Net Sul. A adoção do sistema único, pelo menos no Mercosul, pode expandir em 30% a produção nacional de programas e de televisores.

A previsão dos fabricantes de TV digital é que, nos cinco primeiros anos, o mercado movimente R$ 5 bilhões ao ano. As operadoras são mais reticentes. ‘A TV digital não está lançada. Ela existe nos Estados Unidos, Europa e Japão, mas ainda está sendo inserida no mercado. Não há como compreender o mercado de digitalização’, diz Alexandre Annemberg, presidente do Conselho da Associação Brasleira de Telecomunicações por Assinatura (Abta). De fato, nos Estados Unidos, a TV digital ainda não decolou: apenas 10% dos aparelhos foram trocados. Analistas avaliam que o problema não é só o custo dos aparelhos (o preço caiu de US$ 8 mil, há dois anos, para US$ 2.500), mas a falta de programa dirigido. ‘O conteúdo existe em função do mercado e vice-versa’, explica Annemberg. Apesar de refratários, é certo que a TV atual será peça de museu até 2006.

 (Robinson Borges. O segundo nascimento da TV. Valor econômico, 15/09/2000)

DirecTV lança serviço para tornar a televisão mais interativa

 

DirecTV

Embora o conceito de tevê interativa ainda esteja bastante embrionário - mesmo nos EUA os projetos ainda não obtiveram a resposta esperada pelos fabricantes -, o Brasil começa a despertar para essa tecnologia.

A iniciativa é da empresa de televisão por assinatura via satélite DirecTV.

Na DirecTV Interactive, o usuário tem acesso, pela televisão, a serviços bancários, jogos eletrônicos, condições meteorológicas, serviços ao cliente e, em breve, outros recursos como comércio eletrônico e e-mail. O melhor é que o assinante não paga nada a mais por isso.

O projeto da tevê interativa foi iniciado há cinco anos, quando a empresa começou a operar no País, e segundo o diretor de Marketing, Paulo Octávio P.

de Almeida, o Brasil é o primeiro país da América Latina a dispor do recurso. "No lançamento do serviço, os usuários já tinham o guia eletrônico de programação: apertando o botão Info, ele recebia informações sobre aquele programa."

Outro recurso que já existia é o sistema multicâmeras, que permite que o usuário escolha a partir de qual ângulo quer assistir o evento. "No Rock in Rio, por exemplo, havia cinco canais mostrando diferentes câmeras."

Programação interativa

Desde 15 de fevereiro, o assinante dispõe de quatro canais interativos. O canal 915 dá acesso ao portal de jogos interativos, com três categorias: Família, Kids e Arcade.

O canal 925 é o dos serviços bancários, cujo conteúdo é feito pela empresa em parceria com o banco. No momento, somente um banco atende os correntistas pela tevê. Outros bancos devem entrar no sistema. O canal 943 informa o serviço meteorológico e o 981, os serviços ao cliente. Para Almeida, a idéia é atender toda a família. Em um ano, o diretor espera ter dez canais interativos.

Quanto às outras empresas que surgiram com a proposta de tevê interativa e faliram, Almeida diz que esse é um projeto diferente. "O conteúdo foi desenhado para a tevê. Essas empresas não levaram a interatividade para a tevê, e sim, a internet para a tevê, sem nenhuma adaptação."

Correio eletrônico será outro canal que estará disponível a partir de julho.

Para enviar e-mail, o usuário terá duas formas: pelo teclado virtual ou por um teclado sem fio, que agrupará também as funções do controle remoto e será vendido separadamente pelo preço aproximado de R$ 80.

"Esse serviço será ideal para um usuário médio, que apenas checa e-mails e faz operações bancárias. Para esse público, 90% das necessidades serão atendidas pelo serviço."

Para ter acesso à tevê interativa, o assinante conecta uma linha telefônica ao decodificador da DirecTV, que tem um modem embutido. Almeida explica que, inicialmente, o serviço será unidirecional, ou seja, "as informações chegam via satélite e saem via linha discada". Em breve, o serviço será bidirecional. Para isso, a Hughes, empresa que administra a DirecTV, está inventindo US$ 1 bilhão para levar o serviço a residências americanas e brasileiras. Atualmente, a DirecTV já atende o mercado corporativo americano com acesso à internet via satélite com o DirecTV PC.

  

Novas possibilidades tecnológicas

Em 1998 começou a TV Digital, um processo de produção, transmissão e recepção de televisão que permite a transmissão de maior número de canais na mesma banda, introduzir a HDTV - Televisão de Alta Definição e novos serviços, aproximando a televisão do computador.

Em HonKong, começou em janeiro de 1998 a iTV (“interactive TV”), oferecida pela Hong Kong Telecom IMS. Pagando uma taxa de instalação de US$ 38 e um aluguel mensal de US$ 25 pelo set-top box, o usuário - munido de senhas especiais - poderá escolher entre video-on-demand, music-on-demand, karaoke on line e compras em quatro “shopping centers virtuais”, um deles formado por uma das maiores cadeias de supermercados de Hong Kong. Estes serviços serão complementados com games, home banking e acesso à Internet.

Redes de cabo como as norteamericanas @Home e Road Runner incorporam a Internet com grande sucesso comercial. A Internet perde sua lentidão exasperante e ensina como facilitar a vida dos consumidores em vários itens básicos de sua agenda pessoal: comunicação (correio eletrônico e videoconferência), contabilidade (home banking), compras (home shopping ou e-commerce, “comércio eletrônico”, incluindo reservas de hotel e passagens, encomendas de refeições, download de programas para computador etc).

Além disso, os novos softwares já testados para a TV interativa possibilitarão o chamado hyperlinking com a Web. Enquanto assiste a determinado programa, o assinante pode acessar simultaneamente os sites da programadora (ou do show em questão, ou de suas estrelas...) para obter todo tipo de informação adicional: guias de programação, bancos de dados com biografias e filmografias, noticiários e boletins meteorológicos atualizados, sinopses de episódios anteriores...

 

Soluções tecnológicas na busca de interação:

teleconferência, videoconferência e internet

 

Denominamos teleconferência à transmissão de imagem e som por satélite, para regiões distantes, com captação de sinais por antena parabólica. Por outro lado, a videoconferência utiliza câmaras, vídeo e microfones entre vários ambientes interligados. A transmissão pode ser feita por linhas telefônicas dedicadas, fibra ótica ou satélite digital. A qualidade da imagem depende muito da largura da banda de comunicação. Normalmente se utiliza conectando até seis pontos para garantir o equilíbrio entre economia e interatividade. Uma terceira forma de transmissão é pela Internet que se dirige ao aluno individualmente no seu computador, ou a pequenos grupos, em tempo real ou de forma assíncrona.

A videoconferência tem sido usado há algum tempo como um meio para promover aulas iterativas para audiências geograficamente distribuídas. Algumas redes particulares, nos Estados Unidos, tem sido usadas para disponibilizar programas que podem ser vistos por universidades, escolas de medicina ou órgãos de pesquisa que estão conectados a essa redes.

Avanços na tecnologia dos computadores, tais como rápidos processadores, e melhores esquemas de compressão tornaram possível integrar áudio e vídeo no ambiente de computação. Um novo tipo de vídeoconferência, "desktop videoconferencing", diferentemente de "room videoconferencing", que requer salas equipadas especialmente, com hardware caro, pode ser ativada apenas adicionando algum software e hardware para "standard desktop computers".

Algumas técnicas de compressão de dados são largamente utilizadas. Áudio e vídeo precisam ser capturados de sua forma analógica e digitalizados para serem manipulados por computador. Sem estarem comprimidos, esses dados requerem grande banda passante para serem transmitidos. Dados de áudio e vídeo precisam ser comprimidos ou compactados antes de serem enviados pelos canais de comunicação. Tudo isto precisa acontecer em tempo real para facilitar a comunicação e a interação.

 

Algumas soluções atuais de videoconferência para rede

 

A Silicon Graphics tem uma solução muito interessante para uso em rede. O software foi desenvolvido para uso via Internet ou Intranet e permite ao professor preparar aulas, provas, avaliações das mais diversas de forma muito prática para o professor. É um sistema aberto que permite alterações por qualquer pessoa que faça programações simples em HTML. Ao criar um formulário para provas, com questões e respostas objetivas, o sistema gera o arquivo CGI para rodar dentro do servidor Internet. Permite aulas síncronas ou assíncronas.

A Silicon Graphics, em rede ATM, utiliza o padrão MPEG e nas aulas com vídeo permite rodar o vídeo "full screen" (tela cheia) com qualidade como se o vídeo estivesse rodando em videocassete local. Para uso na Web usa o padrão RM da Real Video, caindo a qualidade para alguns frames por segundo. A vantagem é que, ao produzir a aula, com o uso de vídeo, o sistema já gera automaticamente os arquivos MPEG e RM, o que os torna transparentes para o professor.

Precisa que um servidor de vídeo seja instalado um servidor de vídeo na rede e/ou provedor. Este servidor de vídeo fica conectado ao servidor de dados (normal da rede) e compartilha as conexões com qualquer computador ligado em rede. Como o vídeo vai compartilhar a mesma conexão pode provocar uma pequena lentidão na rede de dados, mas nada que prejudique o sistema. Pode gerar aulas síncronas, com o professor ao vivo falando com seus alunos em computadores remotos (mas ligados na rede), ou aulas assíncronas, onde o aluno pode ter a aula nos horários mais convenientes, independentemente da presença do professor naquele momento;

Tanto em Intranet quanto em Internet, a videoconferência é programada para dar prioridade para o áudio, evitando-se assim frases entrecortadas durante a comunicação. Com isso a banda para vídeo fica menor e, no caso da Internet, cai a definição e o número de quadros por segundo. No entanto o áudio mantém-se preservado com qualidade e sem interrupções.

O preço atual do servidor de vídeo, dos softwares necessários e interfaces de conexão servidor de vídeo/servidor de dados é de aproximadamente cinquenta mil dólares. Cada computador a acessar as aulas deve ter instalado um software próprio para acesso, com licenciamento.O sistema pode ser conhecido no endereço: www.silicongraphics.com.

A PictureTel é a fabricante de equipamentos de videoconferência mais sofisticados.  Domina mais de 60% do mercado mundial. O último modelo oferece recursos com muitas facilidades operacionais, liberando o professor da necessidade de manuseio de "botões". O sistema mais sofisticado é totalmente automatizado dispensando operadores de câmara, diretores  de TV,  operadores de  áudio e  outros profissionais.  Os cortes, zoom, comutação de áudio, vídeo e gráficos obedecem ao comando pelo "guia de voz"; ou seja, pela voz a câmara se posiciona e comuta, independentemente de onde esteja o interlocutor.

O sistema da Picture Tel pode ser usado tanto em rede local Intranet como em conexão discada através das linhas de 64 Kbps. Os produtos  PictureTel podem  ser conhecidos em www.picturetel.com

A Vtel é uma empresa que fabrica equipamentos  para serem  utilizados em

videoconferência, maior concorrente da Picture Tel e utiliza procedimentos semelhantes. O equipamento VTEL pode ser conhecido no endereço www.settop250.com/info.html. O site da Vtel é www.vtel.com

A Parks é uma empresa de informática que desenvolveu um sistema para viabilizar vídeo trafegando em rede ATM ou pela Internet. Ela utiliza a rede já instalada nas universidades para que o aluno a distância  possa, em seu computador, acessar  aulas de forma assíncrona e assista vídeos hospedados em servidor de vídeo na rede. Pela Internet o tráfego também sofre as limitações do meio. Utiliza o mesmo procedimento da Silicon Grahpics, com menos recursos e preço menor. O produto pode ser conhecido em www.parks.com.br

A Fore é uma empresa que fabrica recursos tecnológicos para vídeo e outros aplicativos. A solução da Fore  para videoconferência permite uso em rede ATM, LAN ou WAN para  tráfego de  aulas em  vídeo para  o sistema de  computadores terminais dentro de uma instituição.

O sistema funciona no  próprio servidor de dados da rede existente e permite que qualquer  professor, funcionário ou aluno que tenha acesso à esta rede, possa assistir aulas. O acesso aos produtos Fore encontra-se em www.fore.com

A BARCO  é uma indústria de produtos  profissionais sempre ligados à imagem. Na televisão seus produtos  são na área  de monitoração de  alta resolução, digitalização da imagem, transmissão, compressão e periféricos. Para o Ensino  a distância possui equipamentos com taxa de compressão digital para tráfego de sinais de vídeo dentro da banda de 2 Mbs. Seus  sinais digitalizados podem  ser transmitidos  a distância por  meio de Microondas,  Satélites,  Rede Digital  de  Serviços Integrados  (RDSI ou  no original: ISDN), ou mesmo em rede ATM, local ou remota. Os produtos BARCO podem ser conhecidos em www.barco.com

O uso de ponto a ponto com o sistema da Picture Tel ou da Vtel é melhor em conexão discada a 64 + 64 Kbps do que via Internet. Pela Internet o tráfego é mais lento e não se aproveitam os recursos de codificação e decodificação dos codecs das duas empresas.  Na verdade, o modem  transmite a 128 Kbps (duas linhas de 64), porém ele trabalha com um algoritmo de compressão que permite enviar e receber muito mais que os 128 K da banda de passagem, o que viabiliza mais informações por segundo, obtendo-se um vídeo de melhor qualidade. Via rede os recursos são muito bem otimizados.

Se a rede for ATM, é possível reservar uma banda de 2 Mb o que é suficiente para rodar vídeo com 30 quadros por segundo, (tempo real) com praticamente tamanho da tela inteira, com qualidade melhor que o vídeo VHS.

 

 

 

 

 

O usuário

 

A resposta do usuário à interatividade tem sido o maior problema enfrentado pelas empresas. Apesar das pesquisas indicarem um mercado promissor, ainda existem dúvidas sobre o êxito de sua recepção. ‘As grandes companhias não estão sempre certas’, afirma Todd Giltin, professor de mídia da New York University (NYU). Para ele, a resposta dos telespectadores é duvidosa, pois a maioria chega em casa cansada e liga a TV em busca de distração. As pessoas assistem à TV e não a programas específicos.

            Luís Carlos Boucinhas, diretor-executivo da Globo.com, diz que a experiência adquirida com a Rede Globo em programas que exijam a participação do público indica o contrário. ‘Toda vez que se coloca perguntas no ar, a Globo congestiona as linhas da Embratel. Acredito na interatividade.’

Para Kent Daniel, diretor da Microsoft, o problema da TV interativa é saber o tempo que as pessoas despenderão com a interatividade. É preciso que se criem aplicativos que agreguem valor aos usuários. Pesquisa de sua empresa indica que os americanos acessam a TV para o entretenimento e o PC para aspectos profissionais. Para alguns, entretanto, a tendência é que a fronteira entre um televisor e um PC seja derrubada. Vai haver uma convergência de aparelhos. A TV vai incluir o PC e o PC vai incluir a TV. Não haverá um vencedor. São vários’, avalia Dave Wachob, vice-presidente da WorldGate Communications.[24]

Pesquisa da Forrester Research indica que em cinco anos o PC vai perder terreno em termos de acesso para outros meios. Para o vice-presidente da CNN, John Friend, porém, haverá espaço para todos. ‘Não acredito que exista um ‘magic box’, que una tudo ao mesmo tempo. Haverá um grande espaço para a TV tradicional dentro da interativa e as pessoas usarão os PCs no escritório.’ Na opinião de Virgílio Amaral, a TV interativa ainda está em sua fase inicial. O desafio é desenvolver um conteúdo para torná-la um produto indispensável ao dia-a-dia do usuário.

 

 

2. A interatividade do ponto de vista comunicacional

 

Dimensões da interação pessoal

            A comunicação é um campo de trocas, de interações, que permitem perceber-nos, expressar-nos e relacionar-nos com os outros, ensinar e aprender. Comunicar-nos é entrar em sintonia, aproximar, trocar, intercambiar, dialogar, expressar, influenciar, persuadir, convencer, solidarizar, tornar transparente, comungar.

            Na comunicação expressamos e buscamos o nosso lugar pessoal, nosso eixo, nosso centro a partir do qual interagir com os outros, com a sociedade. Na comunicação reecontramos o nosso espaço pessoal, o nosso lugar social, o que sabemos fazer melhor, o que nos gratifica e ao mesmo tempo ajuda a outras pessoas. Na comunicação há trocas em que aprendemos, nos ajudamos, sem necessariamente termos que chegar ao mesmo objetivo, ao mesmo resultado.

            Comunicamo-nos na busca de integrar o eu dividido, as tensões que nos dispersam, os antagonismos que nos puxam em várias direções. Comunicamo-nos na busca da integração de todas as dimensões dentro e fora de nós, do pessoal, passando pelo grupal até chegar ao estrutural.

            Comunicamo-nos para inserir-nos, para sermos aceitos e interagir em vários espaços significativos, em vários tipos de “comunidades”: comunidades de afeto e segurança (amizade, família); comunidades de trabalho, de aprendizagem, de lazer, de fé; comunidades locais, nacionais e internacionais; comunidades presenciais e virtuais.

            Comunicamo-nos para penetrar nas dimensões menos visíveis da realidade, para ir além da superfície, do imediato, do habitual.

            Comunicamo-nos para sermos felizes, para realizar as nossas verdadeiras possibilidades, para ajudar a outros a que também as realizem. Comunicamo-nos porque somos incompletos, porque nos faltam muitas informações, afetos, apoios.

            Comunicamo-nos para sermos mais livres, menos dependentes do  que nos escraviza: dinheiro, bens materiais, dependências emocionais, pessoas controladoras. Comunicamo-nos para superar nossos medos, traumas, fechamentos, tensões, egoíismos, dependências.

            A comunicação caminha na direção da inclusão, da integração. Da inclusão de pessoas diferentes, de formas distintas de ver. Caminha na aproximação de mais pessoas, de mais grupos; no estabelecimento de vínculos, de pontes para aproximar-nos das pessoas, sem isolar-nos em grupinhos, “panelinhas” ou seitas.

            A comunicação transita do pessoal até o global, do intrapessoal até o mundial, do micro até o macro, das relações entre pessoas até às relações entre países, entre blocos políticos ou religiosos. É importante compreender as dimensões maiores, as estruturais que interferem no nosso contexto pessoal, para poder situar-nos melhor e para poder modificá-lo. A comunicação estrutural, a comunicação política são campos de ação e reflexão fundamentais para a efetiva mudança da sociedade.

Na comunicação expressamos - ao menos em parte - o que somos, os vários níveis de interação e de conflito dentro nós. Comunicamos o que somos ao outro, direta e indiretamente, clara e imperceptivelmente, verbal e não verbalmente.

A comunicação ajuda a que nos percebamos através do espelho dos outros (mostra como eles nos vêem). A comunicação nos ajuda a modificar-nos pelas informações que os outros nos passam e pelas trocas lógico-afetivo-sensoriais que se dão nessa interação.

A comunicação nos mostra - pelas trocas e respostas - o que somos para o outro, o que estamos intercambiando - dando e recebendo - e de que forma nos percebemos, nos espelhamos.

Na comunicação interagimos, nos transformamos e transformamos o nosso ambiente, nossas situações pessoais, profissionais... Uma interação importante interfere indiretamente em outras formas de comunicação que desenvolvemos.

Sempre estamos nos comunicando.. Direta ou indiretamente. Por trás dos livros, da tela de cinema, da televisão, da tela do computador há comunicação entre pessoas. Por trás das máquinas, das mídias, há pessoas - ou programas feitos por pessoas - que se comunicam conosco, em tempo real (on on-line) ou não, de forma visível ou virtual.

 

Redes de comunicação pessoal no cotidiano

            Vamos construindo teias cada vez mais complexas de redes pessoais, interpessoais e grupais. Vamos construindo nossos “ninhos” familiares, profissionais, ideológicos, a partir dos quais percebemos, nos comunicamos, vivemos, agimos.

            É importante examinar essas teias, essas redes, que formam o nosso “capital humano”, nosso valor pessoal e social e observar que tipos de pessoas atraímos, como as pessoas interagem conosco, como elas nos percebem.

            O exame dessas redes pessoais nos dá uma radiografia aproximada de como andamos, em que estágio de amadurecimento estamos. Podemos examinar a nossa credibilidade (como as pessoas nos vêem), nossa competência (em que campos somos reconhecidos), nossa comunicação (nossa riqueza de troca, de intercâmbios).

            Essa complexa teia de interações mostra o grau de amadurecimento  pessoal, intelectual, emocional, o grau de confiança que inspiramos, a qualidade da nossa comunicação, a integração produtiva em todos os espaços pessoais.

 

Informação e Comunicação

            Eu vejo o mundo de um jeito específico e me parece tão firme, tão claro, que imagino que o outro também deve enxergá-lo da mesma forma. Mas ao falar com ele, fico surpreso quando, às vezes, não sou bem compreendido, quando não aceita imediatamente o que considero evidente. O que é claro para mim só é claro para mim. Não significa que o seja igualmente para o outro. O mundo que vejo não coincide com o que o outro vê. Pode ser parecido, mas não o mesmo.

            O mundo que vemos é em parte orientado pela cultura, pela educação, pela religião e, em parte, pela nossa experiência pessoal, pelas nossas formas de interagir com o mundo, de comunicar-nos de forma aberta ou fechada, confiante ou desconfiada. Estamos sempre dentro de um contexto maior, que nos envolve como a peixes na água e que nos parece “natural”. É tão natural que não o percebemos ou o damos por pressuposto. E, ao mesmo tempo, o contexto está em nós. Queiramo-lo ou não, a sociedade está o tempo todo interagindo, comunicando-se conosco, orientando-nos, balizando a nossa percepção e a ação. A sociedade reforça certos comportamentos e desaprova outros. Envia-nos continuamente feedbacks de aprovação ou desaprovação, de incentivo - se não questionamos os princípios básicos - ou de desaprovação - se os confrontamos.

            Uma parte de cada um de nós está codificada, articulada, claramente organizada. Mas uma outra parte se nos escapa; está desarticulada, parece desconexa, sem sentido. Há informações, em nós, claramente sistematizadas, que tanto nós como os outros captamos e agimos em função delas. Mas e as outras? Se nem mesmo eu encontro o seu significado, se não consigo organizá-las, como vou esperar que os outros as compreendam?

            É no processo de comunicação que essa desorganização diminui, que consigo encontrar áreas de significação no caos, no “inconsciente” tanto meu como no do outro. O outro lê nas entrelinhas do não verbal, do que sugiro, do que deixo escapar, da entonação e me devolve a sua leitura, que me ajuda a ler-me, a compreender-me a partir da sua leitura. Se as interpretações de muitas pessoas sobre mim são convergentes, se coincidem no essencial, a minha leitura sobre mim mesmo se modificará.

            Pela comunicação procuramos estruturar, organizar o caos pessoal - as incertezas de cada um, as nossas contradições. Procuramos também estruturar, organizar o caos grupal, as incertezas nas relações interpessoais, nas múltiplas interações de grupos pequenos e grandes, sólidos e mutáveis, masculinos e femininos, reconhecidos e desconhecidos, conservadores e inovadores. Também procuramos compreender o “caos social”, a complexidade das interações estruturais, as inter-relações entre o local, o nacional e o internacional, entre o pequeno e o grande, entre o universo masculino e o feminino, da criança e do adulto, da cultura erudita e a popular, entre o trabalho e o lazer, entre o material e o espiritual, entre o passado, o presente e o futuro. A comunicação nos ajuda a criar balizas, pontos de referência para perceber, julgar, agir. Nos ajuda a tornar-nos visíveis para os outros e a encontrar o nosso espaço pessoal, profissional e emocional diante dos demais.

 

A interação como busca e como expressão

Na comunicação há uma dimensão de expressão e outra de busca, de abertura para fora. Como expressão, mostro algo de mim e capto também algo do outro sobre ele e sobre mim. Como busca, procuro encontrar algo que me falta, algo que tem a ver comigo, algo que preciso para conhecer, sentir ou realizar-me. As duas dimensões - expressão e busca - costumam andar juntas, mas em determinados momentos uma delas prevalece.

Na comunicação busco e expresso segurança. Busco apoio, a segurança do território conhecido, do território familiar, em todos os campos: territórios físicos (cidade, casa); emocionais - pessoas em que confio; - intelectuais - idéias que compartilho. Pela comunicação mostro e procuro as marcas, as referências, que me orientam, que me dão segurança, tranqüilidade. Na comunicação busco o meu semelhante - pessoas, idéias -, o que tem a ver comigo, porque se parece comigo ou porque expressa aspectos do que gostaria de ser.

Na comunicação verifico e expresso as minhas percepções, sentimentos, visões de mundo; as minhas e as dos outros. Vejo-me através do olhar do outro, da percepção do outro, de como ele me devolve a resposta à minha aproximação.

 

A interação como compartilhamento

            Na comunicação compartilho, troco, interajo - ajo em conjunto com - por meio das palavras, do olhar, dos gestos, explícitos e implícitos. Essa ação minha provoca uma ação no outro, que se torna re-ação, ação de volta, que confirma ou neutraliza a minha ação. Se eu me sinto confirmado tenho a tendência a ampliar a interação, a querer trocar níveis mais complexos de informação, de sentimento.

Se o outro me confirma essa nova etapa e também amplia seu campo de interação comigo, a tendência é a de ir ampliando progressivamente os níveis de interação com ele, a sua abrangência, a sua freqüência. Se, pelo contrário, a cada proposta minha de interação, recebo uma resposta desconfirmadora, que me critica, que não me aceita e me desqualifica, procurarei diminuir as interações com ele, adotarei uma atitude de defesa - não aprofundarei o nível de comunicação -  ou de fuga - evitarei encontrá-lo.

Muitas formas de comunicação se baseiam em trocas comerciais, de intercâmbio de bens: eu ofereço algo a alguém em troca de algo que ele me dá (um serviço, por dinheiro).. Há outras relações em que a troca está mais ligada ao afeto, à “comunhão” que se estabelece, ao prazer de estar juntos, à intimidade que se cria entre duas ou mais pessoas (relações de amizade).

Na televisão predominam as trocas comerciais, as "transações", um intercâmbio onde cada um de nós procura preencher carências, lacunas, necessidades. Tanto nas trocas comerciais como nas afetivas se desenvolvem processos onde esse grau de intercâmbio aumenta, na medida em que aumenta a confiança. Mas nas comerciais o envolvimento emocional é menor e o grau de intercâmbio é semelhante. Nas trocas afetivas o grau de envolvimento é maior, mas os processos não são tão equivalentes o tempo todo, pode haver assimetria temporal nas trocas - mas não permanente. Temos mais tolerância com o amigo do que com o cliente ocasional, mas também na amizade há um grau de comprometimento maior, que, quando é quebrado, torna-se mais difícil de recompor.[25]

            Ha dois tipos básicos de interação: a predominantemente condicional e a predominantemente incondicional. Na condicional interagimos na base de trocas, definidas por códigos, e que tem limites mais ou menos estipulados. Se as trocas se tornam insatisfatórias, afetam a relação, podendo caminhar para a sua dissolução. Na comunicação incondicional ela não é objeto de negociação, de troca. A comunicação entre essas pessoas continuará acontecendo independentemente das circunstâncias, das trocas efetivas. É uma pré-condição que se sobrepõe às circunstâncias concretas da interação. Na comunicação incondicional nos aceitamos mutuamente de forma plena, de antemão, daqui para diante, independentemente de como as interações reais aconteçam.

            Sabemos que estas distinções têm muito de artificial, mas aparecem em oposição para maior clareza. Na prática, nada é totalmente condicional ou totalmente incondicional. Mas o predomínio de uma delas tem conseqüências importantes. A comunicação que expressa aceitação total cria um espaço de segurança emocional que favorece o desenvolvimento pessoal, a interação com o outro, que o ajuda a sentir-se mais aceito e a progredir, a superar dificuldades prévias. Quando me sinto mais seguro, tenho mais clareza para enfrentar novos desafios, posso construir algo mais sólido. Investimos mais na casa própria do que na alugada.

            O capitalismo tem aumentado as interações de troca, de barganha, condicionais. Esses espaços têm aumentado, inclusive em todas as dimensões da comunicação emocional, afetiva. Cada dia trocamos mais mensagens e parceiros e nos relacionamos com menos segurança. Aumentam as relações condicionadas: “Se... se”, ”eu farei, se..” ”eu quero em troca...”. Ganhamos e perdemos com o avanço das interações parciais, condicionadas.

 

A interação como realização ou fuga

            A comunicação nos põe em atividade. Buscamos nela a realização, tornar-nos produtivos. Mas nem toda a atividade comunicativa é produtiva. É fácil confundir-nos e confundir os outros. É freqüente a comunicação “distrativa”, que nos leva a fugas, a distrair-nos do que é fundamental, do que nos ajudaria a reencontrar-nos. Ao ver uma pessoa estar em ebulição, sempre ativa, marcando mil encontros, tendemos a concluir que essa pessoa é realizada, que está bem consigo mesma, crescendo cada vez mais. Acontece, muitas vezes, que essa atividade é, na realidade, um ativismo inconseqüente, um ocupar todo o espaço possível para não pensar, para não rever as atitudes básicas. A ação pode ser um poderoso afrodisíaco para manter artificialmente viva uma pessoa com problemas. É como estar ligado a aparelhos artificiais numa UTI, que mantêm a pessoa viva por mais tempo, mas que, quando desligados, mostram a deficiência de sobreviver pelos próprios meios.

            Aqui está a pedra de toque da comunicação pessoal, hoje. Num mundo onde a maioria corre da manhã à noite, anos e anos a fio, às vezes durante toda a vida, vale a pena ver se essa atividade de comunicação é produtiva ou distrativa. É produtiva se nos ajuda a realizar-nos, a evoluir, a humanizar-nos, a compreender-nos melhor e aos outros. É distrativa se ela se torna sua própria razão de ser. Corro, porque preciso correr, porque não sei parar, porque se paro me perco, porque tenho que pensar e não quero pensar nos meus problemas.

            A necessidade de estar ligado várias horas por dia na televisão, na Internet ou em qualquer mídia pode ser um claro sintoma de fuga. O imaginário é um campo rico de aprendizagem comunicacional, mas também de fuga, de evasão. O limite entre um e outro não acontece só pelo número de horas dedicadas, mas pela atitude fundamental que assumimos: o que nos leva a ver tanta televisão? O que estamos deixando de fazer ao ver tantas horas de TV?.

 

As muitas formas de interação

            Vivemos formas diferentes de comunicação, que expressam múltiplas situações pessoais, interpessoais, grupais e sociais de conhecer, sentir e viver, que são dinâmicas, que vão evoluindo, modificando-se, modificando-nos e modificando os outros.

            Do ponto de vista comunicacional, a interação acontece quando a mensagem vai e volta, quando “emissor” e “receptor” se alternam e as suas falas interferem no processo. Há vários processos de interação que expressam situações diferentes de comunicação, das mais superficiais às mais profundas.

            Há processos de comunicação superficiais - que expressam mais a exterioridade das coisas - e outros mais profundos - que relacionam o exterior com o interior, que desvendam quem somos, como pensamos, por que agimos de determinada forma.

            Há processos de comunicação mais autênticos - que expressam o que somos, até onde nos percebemos, que manifestam coerentemente a nossa percepção de nós mesmos e dos outros. Há processos de comunicação inautênticos, que não correspondem ao que percebemos, pensamos e sentimos, que servem a determinados propósitos, que podem levar-nos a deturpar a leitura que os outros fazem de nós - mais ou menos propositalmente.

            Há processos de comunicação que produzem mudanças, que nos modificam e modificam outras pessoas, enquanto outros processos não nos modificam, nos deixam onde estávamos, nos confirmam em nossos universos mentais pessoais ou grupais.

 

A interação aparente

            É um processo de “comunicação” onde as pessoas falam e respondem, sem prestarem verdadeiramente atenção ao outro e ao que ele está dizendo. Cada um precisa “desabafar”, ter alguém com quem conversar. Se a necessidade é forte e de ambas as partes, a “comunicação” se transforma num diálogo animado, mas “de surdos”, porque cada um fala de si, extravasa suas idéias, sentimentos, necessidades. Ambos falam, sem comunicar-se verdadeiramente. É um tipo de interação importante, porque ajuda a desanuviar a tensão pessoal, a sentir-se vivo. É uma comunicação unidirecional, de uma direção só: A fala para B e B fala para A, mas o que dizem realmente é pouco significativo para o outro, porque este também desabafa, está expressando suas necessidades.

Não há troca, mas a utilização do outro como interlocutor visível. Sirvo-me do outro para dizer o que quero. A sua resposta não é significativa, não modifica o que digo, porque na realidade estou mais atento ao que tenho a dizer do que ao que o outro me está falando. Interessa falar, não tanto que o outro fale, mesmo que haja diálogo aparente. Duas pessoas podem estar conversando durante horas dentro deste tipo de interação aparente.

            Uma variante da comunicação aparente é a de duas ou mais pessoas que já estão prevenidas em relação às outras e que já sabem de antemão (ou imaginam) o que elas vão dizer, como pensam, que respostas vão dar. Com isso, não estão atentas a qualquer informação nova, porque não a esperam de antemão. Vão para a interação na realidade para um confronto ou para um convencimento. Eu vou mudar o outro, não a interagir com ele. Vou impor o meu ponto de vista.

Muitas interações educacionais são deste tipo. O professor acha que a sua fala é importante, e o aluno quer ser ouvido. Em determinados momentos se encontram e pode acontecer um diálogo de surdos. O professor, que tem mais poder, pode sair do encontro satisfeito por ter feito prevalecer os seus pontos de vista, por ter “ouvido” os alunos. Mas provavelmente, eles saíram desiludidos, porque perceberam a distância, a arrogância e a manipulação disfarçada na linguagem do professor.

            Muitos casais conversam muito. Olhando de fora parece que interagem, mas se as posições e expectativas já estão pré-definidas, a interação será muito mais aparente que real. A interação dos que querem convencer-nos, dos donos da verdade, dos que se acham superiores costuma ser aparente, porque ambos não se escutam. O que quer convencer, repete sempre os mesmos argumentos; o outro faz que ouve e continua “na dele”.

            Pais e filhos costumam, com freqüência, ter interações superficiais baseadas na avaliação prévia que uns têm dos outros. Há pais que aconsideram que seus filhos precisam ser orientados em tudo, pela sua inexperiência. Por sua vez esses filhos “acham os pais caretas”, cheios de desconfiança e repetitivos: sempre dão os mesmos conselhos. Neste caso, podem estar juntos, “conversar”, mas será uma conversa surda, que provavelmente terminará em fracasso.

 

A interação superficial

            É uma interação limitada, com trocas previsíveis sobre temas socialmente definidos e com limites pré-estabelecidos - culturalmente ou pelos grupos e indivíduos. São trocas de mensagens sobre assuntos específicos e que não expõem muito a intimidade de cada um, por exemplo sobre futebol ou fofocas de pessoas ou artistas, em reuniões sociais, festas, bate-papos. Fala-se animadamente, mas sem interação pessoal, sem revelar o eu profundo a não ser neste campo específico. São processos úteis de manutenção dos vínculos dentro de um grupo ou comunidade, mas que pouco revelam dos indivíduos, porque eles se escondem, não querem se expor ou o fazem somente em outros espaços mais restritos.

            O trabalho profissional é importante - além das suas dimensões econômicas e de valorização pessoal - como espaço de comunicação. Nele encontramos espaços de conversa superficial, ritual, de aceitação grupal, de desabafo. Não são interações profundas, mas esse contato é fundamental para muitos, carentes de outras formas de comunicação mais rica.

            Na sociedade urbana, muitas pessoas passam a maior parte do tempo em trocas limitadas - almoços de negócios, jantares sociais -, onde o importante é mostrar que continuam vinculados a determinados grupos, em que não convém se expor pessoalmente. Por isso essas interações são rituais, previsíveis, pouco profundas e, a longo prazo, frustrantes, se não vêm acompanhadas de outras formas de comunicação mais profundas, em outros momentos, com outras pessoas.

            A complexidade da vida urbana, a competição feroz pela sobrevivência dificultam a possibilidade de desenvolver processos de comunicação pessoais e grupais mais profundos. Na falta dessas interações pessoais, muitos se relacionam  com as mídias, principalmente com a televisão, num tipo de interação virtual, que se dá principalmente no imaginário de cada um. Todos nos “encontramos” na televisão, só que terminamos refletindo pedaços de nós nas várias telas. Na televisão procuramos dimensões da vida mal preenchidas no cotidiano.[26]

 

A “interação” autoritária

            É uma troca ou interação dentro de um sistema fechado, onde se expressam relações de poder, de dominação. É uma troca desigual - em que um fala e o outro assente - baseada no poder econômico, político, intelectual ou religioso. É uma fala onde quem tem algum poder procura dominar o outro, impor seus pontos de vista, controlar. O outro se transforma em “receptor”, destinatário e só pode concordar com o emissor.

            Há uma interação autoritária explícita, clara e outra, implícita, camuflada. A maior parte das interações autoritárias é disfarçada. A implícita é mais difícil de perceber, porque vem camuflada dentro de uma roupagem participativa, que convida para a colaboração, o que a assemelha, num primeiro momento, à interação real. Normalmente ninguém quer mostrar-se impositivo. Os maiores ditadores justificam sua truculência com uma linguagem triunfalista, cheia de promessas, de realizações, de paternalismo. Decidem por nós. “Sabem o que é melhor para nós”. E disfarçam a dominação com apelos afetivos ao patriotismo, à grandeza, à “mãe pátria”. Em outras instâncias, como a familiar e a educacional, o autoritarismo se mascara mediante expressões afetivas de interesse pelo filho, pelo aluno, pelo uso de diminutivos carinhosos, pela bajulação. É uma fala que simula interação, preocupação e escamoteia todos os mecanismos de controle.

            O capitalismo, quanto mais avança, mais refina sua linguagem - cada vez mais humanista - e esconde os mecanismos de dominação. O marketing é a ciência aplicada ao controle, à manipulação disfarçada de preocupação humanitária. Os cigarros “Free” dizem que estão querendo que os jovens sejam “livres”, que tenham algo em comum. Apelam para o compartilhamento de aspectos da vida, associando-os a um produto que vicia e que colabora para a destruição deles mesmos.

 

A interação real

            Na interação real os parceiros estão abertos e querem trocar idéias, vivências, experiências, das quais ambos saem enriquecidos. O discurso é franco, objetivo, participativo. A fala do outro tem repercussão em mim, me ajuda a pensar e a, eventualmente, modificar-me.

            vários graus de comunicação real. O primeiro acontece, por exemplo, numa conversa ocasional entre duas pessoas que falam e se ouvem de forma animada e aberta. Pode existir uma comunicação viva, mas sem levar necessariamente a sua continuidade.

            Num segundo grau, vemos a comunicação aberta entre duas ou mais pessoas, que interagem habitualmente. É a comunicação entre alguns colegas de trabalho, entre amigos, entre alguns professores e alunos. Eles já vêm desenvolvendo roteiros de interação, onde os dois lados se respeitam e querem aprender. A comunicação os leva a avançar, a perceber melhor, a ajudar-se mais, a produzir novas propostas de trabalho, de ação.

            Num terceiro grau, observamos a interação entre pessoas que se comunicam profundamente, que têm seus próprios códigos verbais e não verbais. É a comunicação das pessoas que desenvolvem relações afetivas maduras, que crescem em riqueza, em abrangência. Pessoas bem resolvidas, evoluídas, abertas, flexíveis podem avançar nestes níveis mais profundos de comunicação

            Os níveis de comunicação apontados - mais superficiais ou profundos, mais autênticos ou inautênticos - se dão em várias instâncias: na comunicação pessoal (de cada um para consigo), na comunicação interpessoal (de um com um ou com alguns), na comunicação grupal, institucional e na social ou coletiva.

            Até agora estou estudando a comunicação como interação entre pessoas, principalmente do ponto de vista psicológico. Vou ampliar os conceitos de interação do ponto de vista linguístico e do ponto de vista tecnológico. Estou começando a pesquisar que interações predominam na televisão aberta e por assinatura, nos programas que se dizem participativos, interativos. Parece-me, inicialmente, que existe muito mais interação aparente que real, interação controlada (com opções limitadas) e especialmente, interação autoritária, escondida sob formas de comunicação abertas, afetivas, usando linguagem atraente, dominada pela publicidade e por interesses econômicos (ex. telefonemas pagos - 0900- para concorrer a prêmios).

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Tecnologias de comunicação e interação

As tecnologias de comunicação permitem cada vez mais escolhas. Mas, na prática, há muito mais possibilidades de interação do que interações efetivas. Há um acordo “tácito” entre produtores e consumidores: se oferecem muitas alternativas na área de entretenimento (filmes, games) e de serviços (telemarketing, home-banking) do que em outros campos, como o da informação ou de debates.

            É importante examinar os vários conceitos de interação existentes, que se aplicam a situações bem diferenciadas, criando confusão teórica. Também é importante neste projeto examinar a diferença entre as possibilidades de vários tipos de interação e o uso efetivo que a população faz, em geral, dessas possibilidades.

O fantástico desenvolvimento de tecnologias pessoais, móveis, mais baratas e cada vez mais interativas está propiciando mudanças significativas nas formas de trabalho, de lazer, de comunicação com pessoas próximas e distantes. Se mModificam-se as concepções de espaço e de tempo, do que é real e virtual, do que é tradicional e inovador.

A extraordinária expansão destas tecnologias faz com que muitos se deslumbrem e concluam que elas poderão resolver os grandes problemas que nos afligem, que as tecnologias diminuirão as desigualdades sociais, democratizarão o acesso aos bens culturais e econômicos. As redes vão permitir-nos relacionar-nos de forma diferente com o espaço e o tempo, falando, vendo-nos e trabalhando juntos, não importa a que distância e a um custo ínfimo. Poderemos ver-nos, ouvir-nos a distância, fazer compras sem sair de casa, pagar qualquer conta sem ir ao banco, estudar e trabalhar, ficando cada vez mais em casa.

De outro lado, também encontramos muitos críticos de toda essa parafernália tecnológica, como Neil Postman em Tecnopólio, cheia de gadgets inúteis, de soluções à procura de problemas, que acentuam a acomodação das pessoas, que as encerram mais e mais em casa, que diminuem o contato físico, enquanto aumentam o individualismo e a alienação.

            Nem o deslumbramento nem a crítica radical nos ajudarão a compreender melhor como lidar com as tecnologias. Elas nos ajudam e complicam. Nenhuma tecnologia é inocente. Socialmente são introduzidas por grandes grupos , procurando facilitar a nossa vida. Passada a fase de resistência, chega um momento em que o seu uso se torna majoritário e é imposto socialmente. Hoje o computador atingiu esse estágio dominador. Queiramo-lo ou não já está instalado em quase todos os aspectos das nossas vidas e a tendência é, pela miniaturização, a estar presente em todos os momentos e atividades pessoais, grupais e sociais.

Do ponto de vista pessoal, depende de como as utilizarmos. Elas são extensões da nossa mente e fazemos com elas o que fazemos com a nossa pessoa e nossas vidas. Ampliamos nossa busca, comunicação e ação nas mesmas direções. Uma pessoa que lê revistas de fofocas procurará na Internet sites ou foruns que lhe permitam um contato maior com esses mesmos assuntos. As tecnologias facilitam extraordinariamente nossa vida, mas também não podemos ignorar que a excessiva dependência delas nos torna vulneráveis individual e coletivamente.

            É possível criar usos múltiplos e diferenciados para as tecnologias. Nisso está o seu encantamento, o seu poder de sedução. Os produtores pesquisam o que nos interessa e o criam, adaptam e distribuem para aproximá-lo de nós. A sociedade, aos poucos, parte do uso inicial, previsto, para outras utilizações inovadoras ou inesperadas. Podemos fazer coisas diferentes com as mesmas tecnologias. Com a Internet podemos comunicar-nos - enviar e receber mensagens - podemos buscar informações, podemos fazer propaganda, ganhar dinheiro, divertir-nos ou vagar curiosos, como “voyeurs” pelo mundo virtual.

            Cada tecnologia modifica algumas dimensões da nossa interrelaçãointer-relação com o mundo, da percepção da realidade, da interação com o tempo e o espaço. O telefone celular vem dando-nos uma mobilidade inimaginável alguns anos atrás. Posso ser alcançado - se quiser - ou conectar-me com qualquer lugar sem depender de ter um cabo ou rede física por perto. A miniaturização das tecnologias de comunicação vem permitindo uma grande maleabilidade, mobilidade, personalização (vide walkman, telefone celular, notebook, modem...), que facilitam a individualização dos processos de comunicação, o estar sempre disponível (alcançável), em qualquer lugar e horário. Essas tecnologias portáteis expressam de forma patente a ênfase do capitalismo no individual mais do que no coletivo, a valorização da liberdade de escolha, de eu poder agir, seguindo a minha vontade. Elas vêem de encontro a forças poderosas, instintivas, primitivas dentro de nós, às quais somos extremamente sensíveis e que, por isso, conseguem fácil aceitação social.

            A tecnologia de redes eletrônicas modifica profundamente o conceito de tempo e espaço. Posso morar em um lugar isolado e estar sempre ligado aos grandes centros de pesquisa, às grandes bibliotecas, aos colegas de profissão, a inúmeros serviços. Posso fazer boa parte do trabalho sem sair de casa. Posso levar o notebook para a praia e, enquanto descanso, pesquisar, comunicar-me, trabalhar com outras pessoas à distância. São possibilidades reais inimagináveis há pouquíssimos anos e que estabelecem novos elos, situações, serviços, que, dependerão da aceitação de cada um, para efetivamente funcionar.

            Uma mudança significativa - que vem acentuando-se nos últimos anos - é a necessidade de comunicar-nos através de sons, imagens e textos, integrando mensagens e tecnologias multimídia. Estamos passando dos sistemas analógicos de produção e transmissão para os digitais. O computador está integrando todas as telas antes dispersas, tornando-se, simultaneamente, um instrumento de trabalho, de comunicação e de lazer. A mesma tela serve para ver um programa de televisão, para fazer compras, enviar mensagens, participar de um debate através de videoconferência, participar da realização, ao vivo, de um projeto com vários colegas, espalhados em vários continentes.

            A comunicação torna-se mais e mais sensorial, mais e mais multidimensional, mais e mais não linear. As técnicas de apresentação são mais fáceis hoje e mais atraentes do que anos atrás, o que aumentará o padrão de exigência para mostrar qualquer trabalho através de sistemas multimídia. O som não será um acessório, mas uma parte integral da narrativa. O texto na tela aumentará de importância, pela sua maleabilidade, facilidade de correção, de cópia, de deslocamento e de transmissão.

Os intelectuais ou criticam violentamente as possibilidades dos novos meios ou vêem em cada meio que aparece possibilidades novas de participação dos cidadãos, de elevação do seu nível cultural. Quando surgem o cinema, o rádio e, depois, a televisão ressaltam as possibilidades educacionais, culturais e comunicacionais de cada meio. Mas na realidade esses meios são apropriados pelo capitalismo, que os transforma em indústria, buscando o lucro fácil e universal e que leva ao predomínio de conteúdos de entretenimento e a formas de comunicação mais dirigidas do que participativas. As limitações de interação não eram principalmente técnicas, mas da forma de organização empresarial capitalista.

            Na essência, não são as tecnologias de comunicação que mudam a sociedade, mas a sua utilização dentro do modo de produção capitalista, que busca o lucro, a expansão, a internacionalização de tudo o que tem valor econômico. Os mecanismos intrínsecos de expansão do capitalismo apressam a difusão das tecnologias, que podem gerar ou veicular todas as formas de lucro. Por isso há interesse em ampliar o alcance da sua difusão, para poder atingir o maior número possível das pessoas economicamente produtivas, isto é, das que podem consumir.

As tecnologias de comunicação permitem cada vez mais escolhas. Mas, na prática, há mais possibilidades de interação do que interações efetivas por parte dos consumidores. A sociedade pode, na maior parte das atividades do cotidiano, exercer escolhas das mais simples às mais complexas. Numa televisão, começamos pela escolha (com e sem controle remoto) entre vários e muitos canais (de sete a mais de 150) - vhf, uhf, por satélite, por cabo. Podemos ter mais de um canal na tela (picture in picture), aumentar, diminuir ou eliminar som e/ou imagem. Na TV ou vídeo em estéreo, às vezes, podemos escolher uma narrativa na língua estrangeira ou na língua local. Podemos escolher simplesmente assistir um programa; podemos assistir e gravar o que assistimos, podemos assistir um determinado programa e gravar outro, podemos não estar assistindo nenhum e gravar, pré-programar.

            Escrevemos textos, com mil possibilidades de edição, inserção de imagens, de gráficos, vários tipos de letra, de formatação do texto-imagem, de cores. Os programas de multimídia tornam-se aos poucos mais acessíveis, permitindo o uso e a produção de textos, imagens fixas e em movimento, voz, música, navegando de forma aleatória, não linear, com interferência decisiva do usuário, que, nos programas de hipertexto, pode acrescentar suas próprias informações.

            Podemos executar programas lineares e complexos, fechados e abertos, sozinhos ou com outros, presencialmente ou à distância. Podemos comunicar-nos à distância com outros, através de redes eletrônicas, enviar, receber e registrar mensagens, procurar informações antigas e novas, prestar e receber serviços. O computador se alia ao CD-ROM e ao DVD - Digital Video Disk - e pode gerenciar a leitura e a busca de informação, leituras rápidas seqüuenciais e leituras aleatórias, mais interativas; se liga a uma televisão ou a um data-show e amplia para um grupo de alunos os dados e as imagens que estão no computador.

            Em síntese, os meios de comunicação, principalmente os eletrônicos, permitem e exigem hoje inúmeras escolhas contínuas, ampliam o leque de possibilidades de interação, tornam a sociedade mais e mais multimídica.

            Atualmente estamos passando de um período de escassez de meios eletrônicos (poucos canais) para outro de fartura (com mais de 12050 canais por televisão de transmissão direta), com várias tecnologias que permitem compras, serviços bancários, participação em debates sem sair de casa. Os meios eletrônicos permitem hoje, tecnologicamente, uma maior interação que antes. Mas a questão é até onde vai essa interação na prática. Continuará a mesma distância entre quem produz e quem “recebe” as mensagens, ou essa distância está diminuindo?.

            Pelas experiências interativas que acompanhamos no exterior, as pessoas as aceitam mais na área de jogos, de concursos, de entretenimento, de escolha de filmes (pay per view ou vídeo on demand) do que em áreas mais exigentes como em informação ou educação. Até agora, nas experiências preliminares com tecnologias interativas, os serviços mais procurados são os mesmos que na televisão convencional: mais e mais lazer. Não sabemos atualmente se essa tendência se modificará nos próximos anos. Mas a nossa hipótese principal é que os produtores orientam os telespectadores para formas de participação “fáceis” (entretenimento), imediatistas e relativamente simplistas (sim-não, favor-contra), o que expressa atualmente uma conivência implícita com os “telespectadores”, que escolhem também as formas mais fáceis de interação, as que dão menos trabalho, propondo escolhas mais simplistas (sim-nnão, favor-contra).

            Essa tendência acomodada de escolher o mais fácil se aplica ao público, em geral. Mas, ao mesmo tempo, estão despontando formas participativas específicas, mais alternativas como vem acontecendo em alguns canais de acesso público nos Estados Unidos, em televisões comunitárias. Como no Brasil a TV a Cabo faz pouco tempo que foi regulamentada, vários canais para educação e para a comunidade começam a multiplicar-se, o que permite que muitos grupos pequenos possam expressar-se, fazer-se ouvir. A questão fundamental é como competir pela audiência com os grandes conglomerados mundiais e com as redes nacionais comerciais.

 

            A tendência nestes próximos anos é à fusão da televisão com o computador e o telefone num só meio. A televisão será usada para conversar à distância com as pessoas, vendo-as, para trabalhar em conjunto, para colocar as propostas audiovisuais de cada um na tela. A tendência é que cada um possa ser também produtor e não só receptor. Mas neste momento estamos começando a experimentar formas mais participativas de acesso à televisão por parte de grupos mais organizados, como associações, ONGs, universidades.

 

 

A televisão, novo espaço de mediação

            Vamos inchando as cidades. As pessoas criam suas redes de trabalho, de comunicação, de vida. Circulam em grupos diferentes, em “tribos” mais ou menos duráveis, importantes. As instituições tradicionais - Igreja, família, polícia, governo, partidos políticos - estão em profunda crise de identidade. Todas elas estão reformulando-se e transmitem uma sensação de inadequação como espaços legítimos de inserção dos indivíduos.

            Ao mesmo tempo, os meios de comunicação vêm experimentando um desenvolvimento fantástico, ocupando espaços importantes na nossa vida, tornando-se pontos de referência e de mediação em todas as idades e para todas as atividades. A televisão, pela aliança com o poder econômico via publicidade, se expandem sem parar, realiza as principais mediações dos cidadãos, se transforma nos grandes espaços de identificação de todos nós. “Encontramo-nos” nos meios, no imaginário e na informação, no entretenimento descompromissado e nos grandes momentos para a cidade e para o país. A televisão principalmente é o meio mediador por excelência atualmente, é nosso ponto de referência onde quer que estivermos. Ao viajar por qualquer cidade do Brasil reencontramos os mesmos programas, os mesmos apresentadores, continuamos mantendo o mesmo diálogo mudo costumeiro.

            Diante da crise das instituições políticas, muitas pessoas procuram nos Meios de Comunicação, principalmente na televisão, as saídas pessoais para alguns dos seus problemas. Como a prática da justiça no Brasil costuma ser demorada, é comum procurar a televisão para resolver conflitos, principalmente no campo econômico.

            Vamos aos Meios para informar-nos, para divertir-nos e voltamos ao cotidiano para intercambiar nossas percepções, nossos sentimentos, nossas idéias mediadas pela televisão. Agora começamos a ampliar a interação através da Internet, da Televisão paga, mas ainda é na televisão aberta que reencontramos a nossa identidade pessoal, nacional e internacional.

 

A interação real e a virtual

            A maior parte das notícias, das informações não as presenciamos, nos chegam através da mediação de profissionais, de diversas mídias. A maior parte da informação sobre o mundo é virtual, isto é, não a conhecemos pessoalmente, nos é oferecida por terceiros. Nosso contato com o mundo é relativamente pequeno, em termos presenciais: interagimos com poucas pessoas, vivemos em poucos lugares, ocupamos poucos espaços. Ao mesmo tempo, estamos em contato com o mundo inteiro através da comunicação por satélite, pelo cabo, pela Internet, pelo telefone celular, pelos jornais, revistas, rádio, televisão. Por estas tecnologias podemos ter acesso a milhões de notícias, de informações, de conversas com incontáveis pessoas, direta e indiretamente, em tempo real ou não. As possibilidades de navegar virtualmente aumentaram dramaticamente nestes últimos anos e continuam a evoluir sem parar.

            Há conflito entre a comunicação física e a virtual? Sim e não. De um lado, a comunicação virtual se espalha tanto, se torna tão mais barata e fácil, que incita às pessoas a acomodar-se, a querer resolver quase tudo através das tecnologias. Por que vou enfrentar o trânsito se o outro pode ver-me e eu a ele? Só irei lá se creio que ganharei mais com a presença do que com a distância. Se tenho que pagar uma conta, até agora preciso deslocar-me até uma agência bancária, sair de casa. Nessa obrigação, posso encontrar acidentalmente alguém e estabelecer novos contatos. Se posso pagar a mesma conta conectado da minha casa ou escritório, não irei até o banco, a não ser que tenha outras razões pessoais. Muitas saídas anteriores diminuirão. A vida ficará mais facilitada. A tendência normal será estar mais tempo no meu lugar de conforto, na minha casa, no meu quarto, no meu escritório. Passarei mais tempo lá, sozinho e conectado com outras pessoas, vendo-as, ouvindo-as quando achar necessário. Terei muitas razões para isolar-me.

            De outro lado, todos precisamos de contatos pessoais, de pele, olho-no-olho, de sentir a pessoa ao lado, compartilhando tempos e espaços exclusivos das nossas vidas. São os espaços que reservamos aos amigos, aos namorados, à família. Esses contatos podem ser alimentados também virtualmente, mas ganham uma dimensão qualitativamente superior através do contato físico. O que considerarmos fundamental nas nossas vidas o faremos presencialmente. As tarefas, serviços, trabalho e a manutenção dos grupos a que pertencemos poderemos fazê-lo virtualmente.

            O grau de interação virtual e física variará dependendo da fase de vida de cada um (um adolescente precisa de muito mais contato físico do que um adulto, normalmente). Depende também do tipo de personalidade (há personalidades mais extrovertidas, que precisam do contato físico e outras mais introvertidas, que preferem ficar mais tempo sozinhas). Depende também do grau de equilibração pessoal, de confiança diante da vida e dos outros. Se confio neles, os procurarei mais. Se desconfio, se tenho medo, interagirei menos presencialmente.

            Há um exagero em alguns intelectuais diante da força da comunicação em rede. Extraem consequüências apocalípticas, como se tudo girasse em torno da rede virtual. A comunicação virtual já vem acontecendo há muito tempo nas atitudes básicas das pessoas. Se passo cinco horas por dia vendo novelas da televisão estou em contato durante cinco horas com estórias virtuais. Saio do meu entorno físico para vivenciar, interagir com outras histórias fora de mim. Quando no fim de semana muitas pessoas passam numa locadora e levam 5 ou 10 vídeos para passar o fim de semana, estão preparando-se para mergulhar em outras histórias fora do contexto físico delas. Vivem experiências de comunicação virtual. Quando ligo a TV a cabo e passo horas e horas de um seriado para outro, de um canal para outro, estou entrando em contato com diversas realidades virtuais. Muitos hoje vivem mais interações virtuais do que reais, se emocionam mais com histórias de uma telenovela do que com histórias semelhantes que acontecem ao seu redor.

            O que a tecnologia acrescenta agora é a facilidade de estabelecer interações com pessoas reais a distância, ao vivo, a um custo reduzido. Quem quiser interagir hoje vai encontrar muitas possibilidades de realizá-lo. Quem não quiser interagir, quem quiser isolar-se ou viver só num grupo afetivo presencial, continuará podendo fazê-lo tranqüilamente.

 

 

As interações psicológicas nas redes eletrônicas

            O aparecimento das redes interativas é um fenômeno recente e os estudos sobre as formas de recepção nesta mídia ainda estão em fase de desenvolvimento. O fato da Internet estar se expandindo de forma assustadora está propiciando o aparecimento de uma série de trabalhos que enfocam como o receptor esta interagindo através de processos de comunicação virtual. A dimensão psicológica do ciberespaço e da internet apresenta algumas peculiaridades, especialmente relacionadas aos ambientes de chat, sítios na internet onde os navegadores conversam em tempo real. O professor John Suler, Ph.D. da Rider University disponibilizou na Internet um site sobre o assunto que pretende ser um centro virtual de discusssão sobre a psicologia do ciberespaço e cujo o endereço é  www.rider.edu/users/suler/psycyber/psycyber.html.

www1.rider.edu/~suler/psycyber/psycyber.html            .

S   Segundo seus estudos, as duas principais características psicológicas das redes interativas são a noção de espaço e o determinismo tecnológico. A análise psicológica da interação nas redes pode começar a partir do próprio termo “ciberespaço”. Usuários da internet sempre definem o uso do computador na internet através de termos relativos a espaço, tais como “navegar” e  “site” (sítio). Conscientemente ou inconscientemente, usuários da internet sempre sentem que “entraram” em um sítio ou “visitaram” alguma página. Tendo a maior parte de suas relações influenciada por isso.  No que se refere ao determinismo tecnológico, muitas características do ciberespaço são explicitadas a partir de limitações ou avanços da tecnologia disponível. Atualmente, em ambientes de chat (conversa em tempo real entre duas ou mais pessoas através de mensagens escritas na tela) é ainda muito difícil  ver com quem se está conversando, o que permite a criação de personagens fictícios e mentiras referentes a aparência em ambientes que trabalham só com o texto. É relativamente comum por exemplo, que senhores de 40 anos se passem por meninas de 15 ou que garotos passem por mulheres para freqüentar salas exclusivas para gays. Com a possibilidade de ver com quem se está conversando, alguns destes artifícios não serão mais possíveis ou terão de ser mais elaborados, mudando suas características psicológicas. Como a habilidade de ver e ouvir outras pessoas através da internet mudará o ciberespaço? Os navegadores desejarão ser vistos ou a visão e audição através das redes será sempre uma opção? 

            Existem também outras características básicas da interação  que são comuns a todas as formas de recepção dentro das redes. Em primeiro lugar, devido a estas limitações tecnológicas de que falamos anteriormente, a experiência sensorial na internet ainda é limitada, e a maior parte das interações são feitas através de texto escrito. Depois, chats e e-mails possibilitam anonimato e flexibilidade de personalidade. O usuário pode esconder partes de si mesmo que não goste ou mesmo inventar uma outra personalidade.

A internet possibilita também a chamada “net-democracy” já independentemente dos recursos tecnológicos que os usuários utilizem, ao entrar na internet estão todos em um mesmo nível, sem nenhuma diferenciação aparente. Ainda dentro desta democracia, podemos dizer que não existem limites espaciais (não importa de onde alguém está teclando) ou temporais (grupos de discussão podem se estender ao longo de anos).

             Outra característica determinante da interatividade no ciberespaço é a possibilidade de manter gravado tudo o que foi escrito, permanentemente. A internet permite que se grave tudo o que se refere a um determinado relacionamento. O usuário pode lembrar tudo o que disse para outra pessoa, já que pode ter todos os e-mails que mandou gravados no hard--disk . Por fim o  acesso a vários relacionamentos também é próprio da internet. Com uma relativa facilidade, um usuário pode contatar pessoas de todo o globo e se comunicar simultaneamente com várias delas ao mesmo tempo através de e-mails ou de janelas específicas. A habilidade de filtrar relacionamentos dentro da rede amplifica o uso de motivações inconscientes junto com escolhas conscientes na seleção de amigos,amantes e inimigos.  Expectativas secretas, desejos e medos inconscientes determinam, dentro desta infinidade de possibilidades, como o navegador vai interagir, aproximando as relações dentro das redes com as de fora delas.

            As relações de interação dentro do ciberespaço retéêm muitas das características dos espaços freqüentados pelo navegador em sua vida quotidiana. O ciberespaço jamais deixará de ser uma extensão do indivíduo. Pesquisadores da área sugerem o estudo de como diferentes tipos de personalidade interagem no ciberespaço para se chegar a um estudo completo de suas dimensões psicológicas. Algumas suposições podem ser feitas: Esquizofrênicos podem aproveitar a falta de intimidade provocada pela menor proximidade; Narcisistas podem gostar da internet pela possibilidade de numerosos relacionamentos como um meio de conseguir uma platéia e Compulsivos podem gostar da possibilidade de controle e manipulação do meio ambiente. Por fim , a internet se torna um ambiente extremamente sedutor para adolescentes por oferecer todos os atrativos do mundo real (sexo, novas pessoas para conhecer...) dentro de seu quarto, quase sem nenhum perigo para o jovem navegador.

            Analisando a combinação das características psicológicas próprias das redes interativas e as características dos relacionamentos “físicos” absorvidas pelo meio vemos que redes como a internet possuem uma dinâmica muito própria. É obvio que mídias como a televisão e o rádio possuem suas características próprias também, mas as novas formas de interação criadas com o aparecimento destas redes criaram uma nova dimensão para o usuário. Especialistas em tecnologia apontam a internet de hoje como o embrião para a maioria das formas de comunicação mediatizadas do futuro. O que não se sabe é simplesmente se é a internet que vai englobar as outras mídias dando a elas a sua forma ou se suas formas de comunicação vão contaminar as outras mídias através da fusão entre computador, TV e rádio.

            Dentro disto torna-se cada vez mais necessário estudar as dimensões psicológicas da internet preparando terreno para as novas formas de interação decorrentes desta fusão. Até que ponto as características psicológicas presentes no ciberespaço de hoje poderão influir na produção da TV de amanhã? Com a digitalização da TV, o telespectador e o navegador serão a mesma pessoa, cabendo aos pesquisadores acompanhar de perto as interações entre o mundo real e o mundo cibernético com tecnologias integradas.

 

            Participação e controle nas novas mídias

            Há uma tensão permanente nos meios de comunicação entre o mercado e a cidadania. Enquanto mercado, estão organizados como empresas capitalistas, visando o maior lucro possíivel, procurando novos nichos, segmentando mais e mais o público - mídias locais, pessoais - simultaneamente com a estruturação mundial de mega-conglomerados que integram todas as mídias ao nível mundial.

            Enquanto cidadania, os meios eletrônicos são públicos - da sociedade -, gerenciados pelo Estado e concedidos a grupos econômicos. Espera-se, em troca, serviços que nos ajudem a compreender melhor a realidade (informação relevante), diversão variada e possibilidades de educação permanente, tanto no nível pessoal como no comunitário. Tem prevalecido, na prática, a busca do lucro, a comptetitividade feroz, a dependência empresarial, via publicidade, a oscilação entre a informação importante e o marketing, a informação como produto consumível e filtrada por interesses.

            Estamos numa etapa de transição quantitativa e qualitativa das mídias eletrônicas. Estamos passando de uma fase de carência de canais para uma outra de superabundância. Na TV a Cabo e por Satélite podemos aumentar o número de canais pela compressão digital até várias centenas. Mesmo a televisão aberta (VHF) vai poder proximamente, com a TV digital, multiplicar por cinco o número de canais ofertados.

            Até agora há, no Brasil, dois avanços legais - nas nossas leis - na busca de várias formas de participação social na mídia eletrônica, principalmente na televisão. Um é a criação do Conselho de Comunicação Social, vinculado ao Poder Legislativo, previsto na Constituição de 1988, com representantes das várias partes envolvidas, incluindo os telespectadores, e que só recentemente foi implementadovem sendo sucessivamente adiada por falta de vontade política. O segundo avanço é a obrigatoriedade, na lei da TV a Cabo, de abrir canais locais comunitários e para educação e cultura. É uma gota de água perdida dentro das avassaladoras alianças com grandes grupos que oferecem dezenas de canais basicamente de entretenimento. Mas é um sintoma claro de que a sociedade expressa a sua vontade de participar mais diretamente do que o fez no passado.

            Atualmente a Internet está começando a correr por fora, como uma nova mídia, surgida nas universidades e que, nos dois últimos anos, está abrindo-se também para o mercado. Muitos grandes sites - como os programas de busca - se sustentam com anúncios, como nas outras mídias convencionais. A Internet até agora é a mídia mais aberta, descentralizada e, por isso mesmo, mais ameaçadora para os grupos políticos e econômicos hegemônicos. Nas universidades não representava uma ameaça social. Como ela vai conquistando um número mais significativo de cidadãos, a “tentação” do Estado e dos grupos mais poderosos de controlá-la vai tornar-se cada vez mais forte. Como há na Rede conteúdos problemáticos e pessoas inescrupulosas, a pressão para o controle.aumentará. A grande ameaça da Internet não são os conteúdos violentos ou pornográficos, mas a possibilidade real de pessoas oferecerem serviços, que podem competir com os convencionais de outras mídias. Uma pessoa ou grupo pequeno pode fazer uma revista, montar uma emissora de rádio ou de televisão, sem pedir autorização a ninguém. O aumento dessas situações novas, concretas, testará a liberdade da Internet.

            Na TV a cabo se conseguiram alguns avanços porque grupos, associações que lutam pela democratização da comunicação estiveram presentes nos debates e negociaram as “concessões” possíveis. Atualmente está em definição legal o rádio e a televisão de baixa potência, em que podemos conseguir, com mobilização, uma maior participação de grupos não vinculados aos grandes meios.

   Universidades, associações, ONGs precisam mostrar a sua competência nos espaços atualmente existentes, e lutar para obtê-los nas emissoras de baixa potência e a estar em Conselhos que possam negociar novas formas de participação da sociedade nos meios, e estabelecer limites à força do poder econômico, principalmente durante a tramitação da nova  Lei das Telecomunicações.

            A educação mais crítica, nas escolas e universidades, também nos ajudará a que a sociedade apoie iniciativas de participação maior em todas as mídias, principalmente nas novas e a estarmos atentos a não aceitar novas formas de controle, que tentarão ser implantadas nestes próximos anos. Os grupos que gerenciam os meios de comunicação tendem a limitar as formas de participação, reduzindo-as ao lúdico, a incentivar concursos, jogos, premiações econômicas, enquanto “esquecem” formas de debate mais amplas em todas as dimensões significativas da nossa vida.

            As tentativas de controle da Internet também aumentarão porque atualmente ela desafia todos os padrões centralizados tanto da mídia impressa como da eletrônica. Na Internet encontramos uma possibilidade real de expressar-nos de forma mais livre, de escolher o que nos interessa, de acessar tanto os grandes sites   como os alternativos, os de pessoas e pequenos grupos. As pressões maiores virão dos empresários das mídias convencionais, quando a Internet se tornar um grande negócio, porque eles vão querer também dominar esse novo campo de negócios, esse novo mercado. Depende da nossa maturidade e organização como sociedade conseguir marcar presença nos velhos e nos novos meios, mostrando nosso valor mais como cidadãos do que como consumidores.

 

 

3. Interatividade nas redes aplicada à educação

 

Um dos campos privilegiados de pesquisa e prática da interação com as novas tecnologias é o da educação.

O presencial se virtualiza e a distância se presencializa. Ensinar e aprender com novas tecnologias é um desafio que até agora não foi enfrentado com profundidade. Temos feito apenas adaptações, pequenas mudanças na forma de ensinar e aprender. A educação presencial e a distância começam a ser fortemente modificadas e todos nós, organizações, professores e alunos somos desafiados a encontrar novos modelos para novas situações. Ensinar e aprender, hoje, não se reduz a estar um tempo determinado numa sala de aula. Implica modificar o que fazemos dentro e fora dela, no presencial e no virtual, organizar ações de pesquisa e de comunicação que possibilitem continuar aprendendo em ambientes virtuais, acessando páginas na Internet, pesquisando textos, recebendo e enviando novas mensagens, discutindo questões em fóruns ou em salas de aula virtuais, divulgando trabalhos.

Diante de tantas mudanças, precisamos reinventar a forma de ensinar e aprender, presencial e virtualmente. Os modelos tradicionais são cada vez mais inadequados. Nunca pudemos como neste momento, quando distantes fisicamente, continuar totalmente conectados, virtualmente próximos.

  

Quando alunos e professores estão conectados, surgem novas oportunidades de interação, antes simplesmente impensáveis.  O que vale a pena fazer quando estamos em sala de aula e quando estamos só conectados?. Como combinar, integrar, gerenciar a interação presencial e a virtual? Como “dar aula” quando os alunos estão distantes geograficamente e podem estar conectados virtualmente?

A Internet abre um horizonte inimaginável de opções para implementação de cursos à distância e de flexibilização dos presenciais. Pelo desenvolvimento da rede é possível disponibilizar, pesquisar e organizar em uma página WEB conteúdos, interligados por palavras-chave, links, sons e imagens e utilizar ferramentas de colaboração como correio eletrônico, fóruns de discussão e outras mídias que favorecem a construção de comunidades virtuais de aprendizagem.

. Temos poucos profissionais capacitados para preparar e gerenciar cursos flexíveis semipresenciais e de educação a distância. É uma área de grande futuro, mas ainda estamos aprendendo fazendo, experimentando, pesquisando.

 

A interatividade na educação on-line

Para Moore (1989), existem três tipos de interação: aluno/conteúdo (interação intelectual), aluno/professor, aluno/aluno. Sem o primeiro nível interacional proposto não há educação, pois o processo de interatividade intelectual com o conteúdo permite ao aprendiz mudar seu entendimento, perspectivas e estruturas cognitivas. É neste nível que Moore (1989) acredita que os aprendizes desenvolvam um "diálogo interno didático". No segundo nível, interação aluno/professor, busca-se estimular o aprendiz, motivá-lo, mantê-lo informado e prover feedback contínuo, adequado. A falta de feedback individual recebido de cada aluno pode levar o professor a optar por uma postura generalizante, limitando possibilidades de conhecer cada estilo pessoal de aprendizagem, fazendo com que se exija do aprendiz um maior grau de autonomia e motivação, já que o foco de ação é para o estilo de aprendizagem do grupo como um todo. O terceiro nível interacional, aluno/aluno pode-se dar com ou sem a presença do professor, de maneira síncrona ou assíncrona. Ele é útil na formação de vínculos entre os participantes do grupo, possibilita troca de experiências, permite a construção de um ambiente compartilhado e colaborativo.

Hoffman & Mackin (1997) propõem que se considerem quatro interações presentes no ensino à distância: aluno/interface, aluno/conteúdo, aluno/instrutor e aluno/aluno. A primeira interação proporciona o acesso que permite aos aprendizes não só receber o treinamento mas também participar dele. A interação aluno/interface é a linha vital entre o professor e aluno, se esta falha, o treinamento também pode falhar.

É preciso tornar a tecnologia o mais amigável e transparente possível; necessitamos ter uma preocupação ecológica tanto instrucional como técnica, para garantir uma adequação quanto à velocidade de conexão que o aluno tem na Internet, seus conhecimentos anteriores no uso do ferramental necessário ao acompanhamento do curso (daí a necessidade de pré-cursos como preparação e familiarização para o uso amigável das interfaces e ferramentas), segurança, privacidade do ambiente de aprendizagem e os possíveis cenários interacionais, como os citados em Office of Instructional Technology (1995) .

Hoffman & Mackin (1997) completam as colocações de Moore (1989) sobre a interação intelectual dizendo que há de se instigar a curiosidade, imaginação dos aprendizes além de promover a motivação, quando em contato com um conteúdo atraente, misturando treinamento e entretenimento (que os recursos multimídia atuais podem proporcionar).

Na terceira interação aluno/professor, Hoffman & Mackin (1996) o papel do professor é o de dirigir o fluxo de informações para o aluno, em duas categorias gerais: o toque humano e o diretor de aprendizagem. No toque humano, cabe ao professor estimular, motivar, manter o interesse, dar apoio e encorajar o aluno no seu processo de aprendizagem. Quanto ao papel de diretor - organizar o material instrucional, ministrar, acompanhar as aulas. A quarta e última, interação aluno/aluno é extremamente produtiva, oferecendo espaço para troca e aplicabilidade do conhecimento obtido em outros contextos.

Interatividade é importante para o aprendizado segundo Anderson (1999) pois sendo fundamentalmente uma experiência social, ela diferencia um curso de estudo autodirigido (onde somente há interações aluno/interface, aluno/conteúdo) dos que permitem a comunicação entre a comunidade de aprendizes e tutor; define e reconstrói o conhecimento pelas intervenções de cada sujeito ; proporciona um feedback essencial para o crescimento do grupo, leva ao pensar crítico, além de estimular e motivar os sujeitos.

Mesmo tendo consciência das necessidades interativas num curso à distância e suas características, as possibilidades amplas que os recursos tecnológicos atuais nos proporcionam, encontramos ainda uma grande quantidade de cursos disponíveis pela Internet , onde apesar da nova roupagem tecnológica, a aprendizagem é tratada como um "self- service". Pressupõe-se que o aluno ao se inscrever no curso, educar-se-á sozinho. Ele tem acesso ao material, divulgado em geral em páginas HTML, faz pesquisas em bibliotecas virtuais e bancos de dados variados e aprenderá. Este modelo pedagógico, com o ranço do ensinar tradicional de baixa qualidade, presencial, nada mais é do que um clone dos cursos tradicionais, meros cadernos, livros e lousas eletrônicos, onde o foco continua centrado no conteúdo, na informação e na falta de colaboração e baixa relacionalidade.

Bordenave (1987:41) citado em Ramos (1999) afirma,

"Mas a limitação mais grave da teleeducação é a dificuldade de introduzir no seu processo as novas orientações pedagógicas que favorecem a participação ativa dos alunos na produção do conhecimento, bem como o desenvolvimento da consciência crítica, através da reflexão sobre a prática (práxis). De fato, a mediatização do processo educativo pelos meios de comunicação, que separam o professor dos alunos e estes entre si, conspira contra a educação reflexiva-participativa. Compatibilizar a educação à distância com as educações pedagógicas problematizadoras e libertadoras constitui um desafio para as novas gerações de educadores e comunicólogos"

Precisamos ressaltar e ter sempre em mente que dentro do novo paradigma educacional, o processo de ensino-aprendizagem necessita de grande interatividade, troca de idéias e experiências, feedback e auto-avaliação efetiva, muito além de preencher lacunas em textos, clicar em telas variadas, escolher alternativas em testes de múltipla escolha. Para que a construção do conhecimento se dê de maneira efetiva , o aluno deve ser um participante ativo do processo educativo, onde haja interatividade, contato (mesmo que exclusivamente virtual) com companheiros de curso e professor, para que possam formar uma comunidade virtual de aprendizado coletivo. O aspecto social e afetivo é de grande relevância neste contexto de aprendizagem.

 

Gerenciamento de cursos presenciais em ambientes virtuais

Tendo acesso à Internet, podemos flexibilizar a forma de organizar os momentos de sala de aula e os de aprendizagem virtual de forma integrada e alternada.

Os cursos podem alternar momentos de encontro numa sala de aula e outros em que continuamos aprendendo cada um no seu lugar de trabalho ou em casa, conectados através de redes eletrônicas.

Há muitos programas (softwares) que permitem realizar um conjunto de atividades pedagógicas e de acompanhamento de alunos dentro de um mesmo ambiente virtual. Os mais utilizados atualmente são o WebCT (www.webct.com), o Blackboard (www.blackboard.com), o Teleduc (http://hera.nied.unicamp.br/teleduc), o AulaNet (http://anauel.cead.puc-rio.br/aulanet/) entre outros. O Teleduc da Unicamp e o AulaNet da PUC-Rio são gatuitos. O WebCT e o Blackboard são pagos, embora este último permite criar cursos individuais gratuitos.

 São programas que rodam na Internet e possibilitam colocar textos, sons, imagens; enviar e receber mensagens. Eles possuem também um conjunto de ferramentas de comunicação,  que permitem fazer discussões a distância ao mesmo tempo em salas de bate-papo (chats) ou em um lugar, chamado fórum, onde as mensagens vão se organizando por assuntos ou por grupos e que podem ser escritas e acessadas por alunos e professores a qualquer momento. Esses programas evoluem rapidamente e vão incorporando ferramentas mais sofisticadas de comunicação, como o vídeo chat, uma comunicação em tempo real, com um mix de som, texto escrito e imagem, - o professor pode ser visto pelos alunos ao vivo - adequado para este momento de transição entre a banda estreita e a larga, de maior velocidade.Os programas permitem também o gerenciamento do curso a distância: cadastrar os alunos, acompanhá-los em cada etapa, ver se estão participando adequadamente do curso, que materiais estão sendo mais ou menos acessados, etc. E, pela primeira vez os mesmos programas podem ser utilizados para flexibilizar um curso presencial ou gerenciar um a distância.

 

Critérios pedagógicos de avaliação para softwares gerenciadores de EAD

 

 

Na educação on-line, como apoio ao presencial e na educação a distância, estão desenvolvendo-se ambientes virtuais de aprendizagem, software que ajudam a gerenciar conteúdos, processos de comunicação e administração de cursos via WEB.

São programas que facilitam a interação entre professores e alunos, entre alunos e alunos, dentro e fora de cada escola ou universidade.

Fiz uma análise do potencial comunicacional dos principais programas existentes atualmente no mercado e desenvolvi alguns cursos de pós-graduação utilizando esses programas da forma mais interativa possível.

 

Assisti demonstrações de diversos softwares tendo como objetivo principal conhecer mais a fundo cada um dos produtos que possibilitem o gerenciamento de cursos à distância, publicação de conteúdo, permitem controle de acesso, geração de relatórios, além da interação síncrona e assíncrona do grupo de alunos e professor, durante o desenrolar de um curso virtual.

Foram analisados os softwares First Class, Top Class e Universite, todos de larga utilização nos meios organizacionais e acadêmicos, para treinamento capacitação e reciclagem de profissionais e alunos.

Somada à experiência de se conhecer estes três novos softwares, inclui nas considerações que desenvolverei a seguir, a vivência de estar montando cursos on-line nos ambientes integrados do WebCT e Blackboard, além da prospecção do Eureka (software desenvolvida pela PUC-PR em parceria com a Siemens, a qual detém os direitos autorais do produto).

 

O eixo principal da nossa reflexão é a questão pedagógica:

O quanto é possível facilitar o trabalho do professor e alunos propiciando um ferramental de comunicação adequado a uma nova forma de aprender e ensinar, dentro do novo paradigma educacional.

Quais recursos permitem uma comunicação efetiva, seja síncrona ou assíncrona, e que garantem um alto grau de interatividade entre alunos e professores.

A possibilidade de receber feedback do professor juntamente com a divulgação dos conceitos relativos às diversas atividades realizadas  pelos alunos, individual ou coletivamente.

Qual a possibilidade de inserção de conceitos relativos à participação e atividades presenciais; já que estes ambientes integrados podem também ser usados para apoio à atividades presenciais e semi-presenciais de aprendizagem.

Quais as possibilidades oferecidas por cada um deles em relação ao rastreamento de acessos e páginas visitadas, mensagens postadas, com objetivos de poder compor um mapa da trajetória de um aluno durante o curso.

Qual a flexibilidade oferecida aos alunos de inserirem por conta própria material escrito, seja individual ou coletivo, numa área de trabalho colaborativo criada para grupos temáticos; mandarem diretamente ao professor tarefas, monografias, resumos; necessários à reflexão e discussão da comunidade do curso.

Qual a possibilidade do aluno sem interferência do administrador ou professor usar livremente o fórum, fazendo inserções de novas temáticas; usar a área de chat sempre que sentir necessidade de manter um contato síncrono, seja com seus pares ou com o professor.

A razão destes questionamentos se fundamenta no que se deseja em um processo de aprendizagem mediado pela tecnologia, no nosso caso específico a Internet.

Estamos ainda longe de poder afirmar que existe um modelo de pedagogia on-line, que serviria como parâmetro para nossas reflexões e questionamentos de como ser um excelente professor, tutor e um aluno engajado neste novo cenário de aprendizagem.

Queremos que o processo de ensino aprendizagem se dê sob uma nova ótica, mais compartilhada pelos atores do processo, onde a interatividade e a construção de comunidades colaborativas de aprendizagem sejam os pilares de nosso projeto pedagógico.

Dar mais enfoque à aprendizagem que ao ensino; priorizar a flexibilidade e a autonomia do aluno para que este seja um indivíduo ativo e responsável pela construção de seu conhecimento.

Visamos colocar em prática uma nova maneira de aprender e ensinar, tanto presencial como virtualmente; isto exige uma profunda reflexão sobre como devem ou se espera que atuem nos novos papéis os professores, alunos e as entidades educacionais que dão suporte ao ensino formal.

Quando pretendemos desenvolver cursos on-line, sejam voltados a dar apoio ao ensino presencial, semi-presencial ou totalmente não presencial, usando como mídia preferencial a Internet e as possibilidades de comunicação síncrona e assíncrona que esta proporciona, devemos destacar dois fatores fundamentais para que se alcancem as metas pedagógicas previstas – interatividade e a construção de comunidades de aprendizagem cooperativa.

Podemos ressaltar os principais benefícios de se trabalhar em ambientes de aprendizagem cooperativa:

Existe articulação de pensamentos individuais colocados em grupo; a informação é comunicada e o conhecimento coletivamente construído.

O resultado obtido destas interações é maior que a soma individual de cada uma das posições pessoais.

Existe valor no conflito que surge nas negociações em busca de um consenso do grupo, gerando motivação e envolvimento da comunidade.

Forma-se um senso de comunidade, criam-se vínculos, adquire-se uma dinâmica e cultura próprias, um jeito de interagir coletivamente.

Rapidez de respostas de qualidade a dúvidas postadas ao grupo, posições diferentes sobre um determinado assunto, múltiplas fontes de consulta, múltiplos temas em discussão, novidades e pesquisas emergentes.

Construindo ambientes de colaboração estaremos garantindo, seja presencial ou virtualmente uma educação de qualidade, a formação de indivíduos autônomos, atores motivados e responsáveis pelo seu desenvolvimento pessoal.

Segundo Vygotsky: “A aprendizagem é fundamentalmente uma experiência social, de interação pela linguagem e pela ação”.....”a aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica e um processo através do qual as pessoas penetram na vida intelectual daqueles que as cercam”

Ë através das trocas, da interatividade, das intervenções pessoais e coletivas que se constrói um conhecimento multifacetado, efetivo e contextualizado.

No contexto dos cursos on-line, além da performance e orientação pedagógica do professor, enquanto facilitador da aprendizagem, temos que ter clareza do quanto a mediação tecnológica oferecida por um software pode ajudar ou limitar as ações pedagógicas.

Poderíamos analisar estes softwares sob múltiplos pontos de vista, mas vamos nos restringir principalmente na análise do ferramental de comunicação, que dê apoio à questão da interatividade e construção de comunidades de aprendizagem. Analisaremos também, como um segundo critério de reflexão o ferramental de avaliação.

Isso não implica relegar a segundo plano a questão das ferramentas de avaliação que propiciem criar testes, pesquisas de opinião, etc. Somente vale lembrar que quando trabalhamos em ambientes de comunidade de aprendizagem, o papel preponderante cabe às questões reflexivas, à criação de materiais de pesquisa coletiva, relatórios ou monografias com características mais discursivas que simples testes.

Dentro deste enfoque pedagógico destacamos nas tabelas em anexo, as ferramentas de cada software, sua descrição de uso ou finalidade operacional e a função pedagógica prevista ou esperada.

 

Funcionalidades que permitem avaliação do desempenho do aluno

 

 

 

Funcionalidade

 

Descrição

Função Pedagógica

 

WebCT

 

Blackboard

 

Eureka

 

Top Class

 

Universite

Gerador de tarefas

Criar tarefas para avaliação de desempenho

Construir formas diversas de instrumentos de avaliação

Cria tarefas com customização de prazos, enviadas diretamente ao  (escaninho), mais focada nos trabalhos com questões discursivas; cria testes auto corrigíveis de múltipla escolha, com feedback . Nas questões onde há espaço para argumentação, se não se coloca a resposta exata, o conceito é anulado

Cria testes de múltipla escolha, verdadeiro ou falso, associação, preenchimento de lacunas, questões randômicas,

dissertativas (se não se colocar uma resposta correta ele dá nota zero), possibilita feedback instantâneo

Somente agenda tarefas na área chamada cronograma, indicando se estas são coletivas, individuais ou em grupos específicos

Cria testes auto corrigíveis pelo software ou pelo professor

Cria tarefas cm customização de prazos, mais focada nos trabalhos com questões discursivas; cria testes auto corrigíveis de múltipla escolha, verdadeiro falso, questões randômicas, múltiplas respostas. Dá feedback automático

Gerenciador de notas

Viabilizar o manuseio e publicação de notas

Quantificar o desempenho do aluno

Computa notas criadas por tarefas geradas dentro do próprio software ou decorrentes de outras atividades (participação..etc)

Computa notas por aluno, ítem ; é possível editar as notas e criar tarefas mesmo não geradas automaticamente

Não

Sim, computa notas por vários critérios; não incorpora conceitos advindos de  avaliações não automatizadas pelo software

Computa notas criadas por tarefas geradas dentro do próprio software ; não há como colocar notas de tarefas presenciais ou decorrentes de participação

 

 

Gerenciamento de desempenho pessoal feito pelo aluno

Gerador de estatísticas

Avaliar seu desempenho pessoal e/ou em relação ao grupo

Computa acessos, última página visitada, páginas com conteúdo, artigos lidos, mensagens postadas….,

Não

Computa estatisticamente dados gerais, por, usuário, módulo, e período

Não

Não

Rastreamento de acesso

Levantamento estatístico de acessos em diversas modalidades

Medir o grau de participação tendo como parâmetro acessos, mensagens postadas

Rastreamento por aluno, por classe; por acesso (primeiro e último), páginas visitadas, inserções escritas e lidas. É possível colocar parâmetros de quantificação na pesquisa

Faz rastreamento por usuário, data, horário, dia da semana, cruzando este critério a todas as páginas de conteúdo, áreas de comunicação

Computa estatisticamente dados gerais, por usário, módulo e período (mesma visualização permitida ao aluno)

Rastreamento por páginas acessadas por usuário e grupo

Rastreamento por várias modalidades de pesquisa, páginas, usuário, grupo

 

 

 

 

 

 

 

Funcionalidades que dão suporte à comunicação e socialização da produção escrita

 

Funcionalidade

Descrição

Função pedagógica

WebCT

Blackboard

Eureka

Top Class

Universite

Correio eletrônico

Troca de mensagens  pessoais dentro do ambiente do software e na Internet

 

Interação aluno- professor, aluno – aluno de maneira mais privada que num fórum

Sim, para usuários internos e envio externo

Sim para usuários com contas externas ao do ambiente

Sim para usuários com contas externas ao do ambiente

Somente para um remetente interno por vez e

configurável para contas externas

Sim, com contas  externas ao ambiente

Área de trabalho colaborativo

Proporcionar troca de informações em grupos privados

Criar um ambiente de colaboração com  privacidade para discussão interna de projetos e envio de material

 

Sim

Sim

Não

Não

Não

Web forum

Espaço para postagem de mensagens no âmbito coletivo

Estimular a discussão em busca de um consenso e germinação de novas temáticas

Sim

Sim

Sim

Sim

Sim, mas com a ressalva de que o aluno não pode colocar assuntos novos para debate

Web fórun privados

 

Espaço para postagem de mensagens em âmbito privado

Estimular a discussão mais focada em temas previamente determinados

Sim

Sim

Não

Não

Não

Chat

Comunicação síncrona

Estimular a criação de laços sociais, buscar momentos de síntese, esclarecimentos, tomada de decisões e brainstorming

Sim com múltiplas salas; transcrição da conversa gravada automaticamente

Sim, uma só sala para o grupo como um todo.É possível uma sala de chat para cada grupo temático. Há gravação e possibilidade de “dar a palavra”aos alunos.

Sim, uma só sala.Não há gravação automática

Esta ferramenta nem faz parte do pacote original, teria que ser anexada às outras ferramentas já existentes

A princípio uma sala  e chat por classe. Não há gravação automática do log

Home page pessoal e de projetos grupais (criada com as próprias ferramentas do software)

Criar um repositório de informações pessoais e do grupo de discussão com tema específico

Socializar um pouco da vida pessoal e profissional de cada articipante, através de relatos, fotos, CV, e bookmarks; dar visibilidade a projetos

Sim

Sim

Não

Não

Não

Área para envio de material ao professor

(drop box)

Facilitação de envio de material diretamente ao professor

Socialização com o professor da produção intelectual do aluno; agilização do envio de conteúdos

Sim

Sim

Sim de maneira pública

Não

Não

Suporte nativo ao Hipertexto

(documentos em HTML e links)

Permitir o upload de arquivos em múltiplos formatos, sem necessidade de formatação pré- convencionada pelo software

Facilitar a publicação, especialmente aos usuários leigos, estimulando o envio de material

Sim com certas restrições, a extensão preferencial para textos é HTML, mas aceita publicação em outros formatos, com certa perda de performance gráfica; imagens estáticas somente em gif e jpg; arquivos de som somente em wav

Sim

Sim

Sim, textos somente em formato html

Sim

Area privada de file manager para repositório de informações como aluno, individualmente

Criar um repositório de arquivos pessoais relevantes à temática do curso

Permitir a mensuração individual dos progressos instrucionais, além de potencialmente ser um espaço para criação ou repositório de informações relevantes, de forma centralizada

Sim, desde que o aluno esteja inscrito em um grupo temático

Não

Não

Não

Não

Area coletiva  de file manager  por grupos temáticos

Criar um repositório de arquivos grupais relevantes à temática do curso

Socialização da produção intelectual individual ou de grupo, além da divulgação de materiais de relevância de autoria externa ao grupo

Sim

Sim

Não

Não

Não

 

Comparações técnicas

 

Hardware requerido

Processador

Para o WebCT isso depende do sistema operacional adotado. Que o sistema seja baseado em Intel, assume-se que se use no mínimo um Pentium II 266 MHz, mas sugere-se um processador mais veloz.

Para o Blackboard, o mínimo recomendado é um Pentium III 500 MHz, com a sugestão de se utilizar um sistema dual ou quad (dois ou quatro processadores). Em ambos os casos prevêem-se atualizações caso a carga de utilização aumente muito.

Memória

O WebCT sugere um mínimo de 128MB para Linux em Intel, ou 256MB para Windows NT, ao passo que o Blackboard sugere uma faixa variando de 256MB a 512MB. Como ambas as aplicações são de utilização intensiva de bancos de dados e servidores Web, há uma utilização alta da memória RAM. Portanto, de acordo com a carga de utilização, pode ser muito importante a atualização de mais memória com facilidade.

HD

Varia de acordo com a utilização. O Blackboard já sugere um valor de 9 a 100 GB. O WebCT dá alguns parâmetros de acordo com a utilização: 30 MB para a instalação básica, cada curso utiliza 2 MB, e cada aluno, 30-70KB de acordo com a atividade do aluno. Esses valores não incluem conteúdo dos cursos. Calcula-se portanto que um disco de 9 GB suportaria cerca de 1000 cursos com 30 alunos, 4M de conteúdo, grau de atividade dos alunos médio, ou 350 cursos de 50 alunos, alta utilização, 20M de conteúdo, grau de atividade alto. Deve-se destacar que 20MB de conteúdo pode ser pouco se forem utilizados arquivos de multimídia como áudio e vídeo (mas não animações em flash, por exemplo, que ocupam um espaço em disco relativamente pequeno).

De uma foma geral, quanto ao hardware, o BlackBoard fornece informações sobre como dimensionar o servidor com base na carga de utilização prevista para o mesmo.

Sistemas operacionais

O WebCT possui versões em diversos sistemas operacionais, inclusive Linux e Windows NT. Caso haja interesse de se migrar para estações Unix, é possível fazê-lo com relativa facilidade, bastando um procedimento de cópia de segurança dos cursos em uma máquina e restaurando as cópias na outra máquina. Blackboard possui versões em Solaris, Linux e WinNT, mas pode ser difícil sua migração para outro SO, uma vez que o banco de dados da versão NT é feito em Microsoft SQL Server. Provavelmente será possível se houver uma ferramenta de Backup.

Instalador

Ambos os produtos possuem instalador na versão para NT. Em ambos os casos, pressupõe-se que as configurações do SO e de outros softwares necessários já tenham sido feitas (Web server, etc.), exceto no caso do WebCT+Apache, onde o próprio instalador solicita dados de configuração do servidor Web.

Conteúdo gerado em

No WebCT, o conteúdo dos cursos é gerado em HTML, podendo consistir de páginas estáticas, armazenadas no servidor, ou páginas criadas dinamicamente, de acordo com o contexto interativo. É possível se criar novos arquivos ou incorporar os já existentes através de uma ferramenta de upload.

Funcionalidades semelhantes no Blackboard; no entanto, não foi possível se determinar se o conteúdo é armazenado na forma final (HTML) ou na forma de texto e dinamicamente montado como html.

Interface aberta?

É possível se modificar as interfaces em ambas as ferramentas. No entanto, nos dois casos é necessário modificações das rotinas de acesso ao banco de dados ou ainda a utilização de “artifícios” (como utilizar código HTML de layout em seções de cabeçalhos) para que se aumente o grau de liberdade de diagramação. Em ambos os casos há uma certa dificuldade de se modificar os conjuntos de quadros (framesets) que compõem as páginas. Do ponto de vista de tradução para o português, o WebCT possui um suporte nativo para outros idiomas, apesar de que tais idiomas ainda não foram implementados (o português está atualmente em fase de produção). Assim, seria necessário apenas se instalar os pacotes de línguas para a tradução das interfaces padrão do sistema. O Blackboard não possui suporte a outras línguas e não o tem em desenvolvimento, de forma que deveria ser feita uma manipulação nas próprias rotinas e bancos de dados de controle da ferramenta, o que consistiria para o fornecedor como violação da licença de uso.

 

 

 

Resultados da análise

 

Do que foi analisado e testado na prática, não existe um software gerenciador de ambientes online de EAD perfeito, que atenda totalmente as necessidades que temos no momento.

Todos apresentam um “pacote” básico comunicacional, ferramentas de criação de atividades para avaliação sob múltiplas formas. Estamos portanto buscando qual deles atende mais de perto o que desejamos no momento.

Gostaríamos de justificar a ausência do software First Class nas comparações, já que este pode ser considerado mais como um sistema operacional, um gerenciador de ferramentas de comunicação, com recursos nativos pobres para publicação de conteúdo, criação de grupos temáticos e outras funcionalidades características dos ambientes integrados para gerenciamento de ensino à distância.

Após esta visão comparativa estruturada de cada um dos softwares e suas potencialidades podemos num primeiro momento excluir, por não contemplarem os requisitos básicos pedagógicos, os softwares Universite, Eureka e Top Class

O Universite é um software que prioriza as questões de gerenciamento em detrimento à flexibilidade de ação do aluno, como por exemplo, inserções de novos temas no fórum, envio de arquivos para áreas publicas ou temáticas.

O Eureka é um software com conceito pedagógico interessante, mas peca por não ter ferramentas para construção de grupos temáticos com a mesma estrutura do WebCT e Blackboard.

Tanto o Universite como o Top Class não apresentam recursos nativos de construção de grupos colaborativos temáticos, áreas de transferência de arquivos para os mesmos, fórum e chat privados.

Focaremos nossa análise final no Blackboard e WebCT:

Pedagogicamente eles praticamente se equivalem em termos de recursos de comunicação, interatividade, cooperação e possibilidade de se usar instrumentos de avaliação mais abertos (inclusive com inserção de conceitos gerados de eventos não virtuais).

O Blackboard é ligeiramente superior ao WebCT em relação a postagem de material para socialização e envio para o professor, ao apresentar uma interface mais clean e mais amigável ao usuário.

O WebCT apresenta recursos interessantes que não encontramos no Blackboard, tal como se colocar associado às áreas de conteúdo ferramentas como glossário, anotações pessoais do aluno, bookmarks, referências bibliográficas e de Web, arquivos de vídeo e som (como adendos a serem consultados em cada texto).

Em termos de ferramentas para elaborar avaliações o Blackboard oferece uma gama maior de recursos, além dos encontrados no Webct que proporciona criar testes de múltipla escolha e pesquisas.

Ao buscarmos maiores informações técnicas sobre a questão da customização do idioma para ambos os softwares, esbarramos nas dificuldades apresentadas pela equipe de suporte do Blackboard, que considera alterações feitas no software para customização como uma violação da licença. Quanto ao WebCt eles apresentam uma maior abertura em relação à customização, tanto do idioma como de interfaces.

Aqui encerramos a análise pedagógica, que em conjunto com os aspectos técnicos, de design e financeiros podem gerar um panorama consistente para a melhor escolha de um produto que seja adequado às nossas necessidades como educadores..

 

 

 

A interatividade em cursos on-line

 

Não basta ter programas interativos para que o processo de ensino-aprendizagem mude. É importante desenvolver práticas pedagógicas participativas com o apoio de novas tecnologias. Com a experiência de gerenciar vários cursos de graduação e pós-graduação de forma semi-presencial com apoio da Internet, apresento as principais da metodologia de ensinar em ambientes virtuais integrados com a sala de aula.

Nas primeiras aulas  é importante motivar os alunos para o curso, criar boas expectativas, estabelecer laços de confiança e organizar o processo de aprendizagem. Podemos valorizar os primeiros encontros com os alunos para que se tornem agradáveis, interessantes, cativantes. Isso facilita todo o processo posterior. Se os alunos compreendem que vale a pena participar do processo de aprender juntos, o nosso trabalho fica extremamente facilitado. Procurar organizar uma aula com uma boa apresentação tecnológica (PowerPoint), vivências, navegação on-line pela Internet e idéias inovadoras. Dar muita importância a criar um clima de apoio, de incentivo, de afeto, partindo de mim. Mostrar que estamos gostando de estar lá, que vale a pena investir esse tempo juntos, porque todos vamos aprender muito (eu também). Procurar ter uma sala de aula o mais rica possível de tecnologias: computador e multimídia para apresentação e ponto de Internet para acesso on line. Isso nos permite uma grande flexibilidade na passagem de um momento de apresentação de idéias, para outro de ilustração, de pesquisa, de contribuições dos alunos. Se um aluno conhece um texto ou site interessante, vai lá e o mostra diretamente à classe. Esse clima cordial e otimista contagia à maior parte dos alunos e os predispõe a colaborar mais, a dar o melhor de si.

Como uma parte do curso vai acontecer no ambiente virtual, mostramos esse ambiente ao vivo, onde estão os textos, o espaço de colaboração, o que facilita a navegação dos alunos depois.

É importante também orientar o processo de pesquisa, tanto do ponto de vista metodológico como tecnológico (como fazer pesquisa na Internet). Assim é mais simples realizar pesquisas orientadas, no virtual.

As primeiras aulas também são importantes para organizar as equipes, os grupos de pesquisa, os projetos. Assim poderemos orientá-los melhor a distância.

Quando propomos flexibilizar o tempo presencial e virtual damos mais importância ao estarmos juntos. Nada supera a presença física. O virtual é um pálido reflexo das possibilidades de contato e intercâmbio que o presencial propicia e que exploramos pouco. O virtual é mais “cômodo”, facilita o acesso a distância, a comunicação em qualquer momento sem sair do nosso espaço profissional ou familiar. Mas é uma interação muito pobre comparada com a de estarmos juntos.

Como até agora a aprendizagem é feita basicamente de forma presencial, não lhe damos valor. Em cursos semi-presenciais, se demoramos muito para retornar à sala de aula, há uma expectativa pelo reencontro, um desejo de ver-nos, de estar juntos, de colocar em comum nossas impressões. A flexibilização curricular re-valorizará a importância de aproveitar os momentos de presença física.

Depois das primeiras aulas presenciais, podemos marcar uma primeira leitura virtual de um texto e o início da primeira pesquisa. Os alunos lêem o texto, colocam suas observações no fórum. Voltamos ao presencial, aprofundamos as questões que apareceram no fórum e vamos dando mais tempo para o virtual, vamos espaçando mais os encontros, de acordo com a maturidade da turma, com o tipo de assunto. Como orientação pode-se fazer a primeira aula virtual curta e depois manter uma relação de duas por uma: uma presencial e duas virtuais. No virtual pode-se manter uma parte do tempo ocupado em compreensão de textos fundamentais. Os resumos vão para o fórum. As questões principais são resumidas pelo professor e se marca um encontro virtual em tempo real (chat) para aprofundar algumas das questões do fórum. Os alunos fazem suas pesquisas sobre o mesmo tema, as colocam na página e as aprofundam no próximo encontro presencial.

Algumas atividades no chat são para tirar algumas dúvidas, onde quem quiser coloca alguma questão em relação ao texto projeto e o professor procura orientá-lo. Em outros momentos, organizamos grupos para discutir um tema bem específico dentro de cada sala de aula virtual, com a supervisão do professor.

Cada experiência virtual on-line tem o seu valor. Tirar dúvidas pode ser útil, se o grupo for disciplinado e não muito numeroso. Os nomes dos alunos e do professor aparecem em um canto da tela e todos sabem quem entra, sai ou permanece lá. Discutir um texto ou questão em pequenos grupos em salas virtuais é interessante. Corresponde à discussão feita em grupos numa sala de aula presencial. Através da lista de discussão ou fórum o professor organiza os grupos com seus coordenadores e salas respectivas e  discutem o texto ou assunto indicado durante um tempo determinado. O professor navega pelas várias salas, acompanha a discussão, participa quando percebe que é conveniente. Essa conversa de cada grupo fica registrada para acesso posterior de qualquer aluno na hora que ele quiser. É importante que cada grupo faça uma síntese do que foi discutido para facilitar o próprio trabalho de aprendizagem e de quem acessar depois. Essa síntese pode ser colocada também no fórum para dar-lhe mais visibilidade. Em geral, eu peço a ajuda de um assistente para me acompanhar no gerenciamento do chat. A seqüência de perguntas e respostas é muito rápida. Ele se envolve mais com as respostas imediatas e eu fico observando mais o ritmo, o movimento e faço rápidas sínteses ou colocações em menos momentos, mas significativos. Assim consigo perceber melhor o que está acontecendo, quando há dispersões desnecessárias ou quando ressaltar um aspecto que está sendo apresentado.

Como nem sempre é possível reunir os alunos em horários predeterminados, o professor pode organizar também discussões gerais ou grupais no fórum. É um espaço onde se podem criar tópicos de discussão e cada um escreve quando o considera conveniente. Há fóruns gerais, para todos e podem também ser organizados em grupos, para discutir assuntos específicos e facilitar a interação. Os fóruns de grupos podem ser abertos a todos ou só para cada equipe, dependendo do grupo e da atividade. O importante é que os grupos participem, se envolvam, discutam, saiam do isolamento, um dos grandes problemas da educação a distância até agora.

As ferramentas de comunicação virtual até agora são predominantemente escritas, caminhando para ser audiovisuais. Por enquanto escrevemos mensagens, respostas, simulamos uma comunicação falada. Esses chats e fóruns permitem contatos a distância, podem ser úteis, mas não podemos esperar que só assim aconteça uma grande revolução, automaticamente. Depende muito do professor, do grupo, da sua maturidade, sua motivação, do tempo disponível, da facilidade de acesso. Alguns alunos se comunicam bem no virtual, outros não. Alguns são rápidos na escrita e no raciocínio, outros não. Alguns tentam monopolizar as falas (como no presencial) outros ficam só como observadores. Por isso é importante modificar os coordenadores, incentivar os mais passivos e organizar a seqüência das discussões.

O ritmo do presencial-virtual depende de muitos fatores. Não se pode estabelecer a priori um padrão rígido. Cada professor encontrará o seu ponto ideal de equilíbrio e depende também do grau de maturidade e cooperação da classe. O importante é que prever uma espécie de aula-sanfona, que vai do presencial para o virtual e volta para o presencial de acordo com o ritmo do grupo.

Hoje a possibilidade que temos de troca no presencial é muito maior que no virtual (embora não aproveitemos, em geral, o seu potencial). Com o avanço da banda larga, ao ver-nos e ouvir-nos facilmente, recriaremos condições de presencialidade de forma mais próxima e sentiremos mais o contato com os outros, que estão em diversos lugares.

Pela avaliação feita com os alunos,  vale a pena utilizar ambientes virtuais como ampliação do espaço e tempo da sala de aula tradicional, mas não são uma panacéia para a aprendizagem nem substituem a necessidade de contatos presenciais periódicos. Equilibrando o presencial e o virtual podemos obter grandes resultados a um custo menor de deslocamento, perda de tempo, e de maior flexibilidade de gerenciamento da aprendizagem.

Educar em ambientes virtuais exige mais dedicação do professor, mais apoio de uma equipe técnico-predagógica, mais tempo de preparação – ao menos nesta primeira fase - e principalmente de acompanhamento, mas para os alunos há um ganho grande de personalização da aprendizagem, de adaptação ao seu ritmo de vida, principalmente na fase adulta.

Com o aumento do acesso dos alunos à Internet, poderemos flexibilizar bem mais o curriculum, combinando momentos de encontro numa sala de aula com outros de aprendizagem individual e grupal. Aprender a ensinar e a aprender, integrando ambientes presenciais e virtuais, é um dos grandes desafios que estamos enfrentando atualmente na educação no mundo inteiro.

É importante neste processo dinâmico de aprender pesquisando, utilizar todos os recursos, todas as técnicas possíveis por cada professor, por cada instituição, por cada classe: integrar as dinâmicas tradicionais com as inovadoras, a escrita com o audiovisual, o texto seqüencial com o hipertexto, o encontro presencial com o virtual.

O que muda no papel do professor? Muda a relação de espaço, tempo e comunicação com os alunos. O espaço de trocas se estende da sala de aula para o virtual. O tempo de enviar ou receber informações se amplia para qualquer dia da semana. O processo de comunicação se dá na sala de aula, na internet, no e-mail, no chat. É um papel que combina alguns momentos do professor convencional - às vezes é importante dar uma bela aula expositiva – com um papel muito mais destacado de gerente de pesquisa, de estimulador de busca, de coordenador dos resultados. É um papel de animação e coordenação muito mais flexível e constante, que exige muita atenção, sensibilidade, intuição (radar ligado) e domínio tecnológico.

 

 

Conclusão

 

            A palavra interação e interatividade está sendo utilizada de forma muito abrangente. Ao tornar-se uma palavra "mágica", muito utilizada pelos meios de comunicação ela vai perdendo a sua força.

Predomina a dimensão comercial, nas propostas de interação: interação de consumo como transação, extremamente voltada para o entretenimento, para os jogos, para o imaginário. A tendência é ampliar a gama de interações lúdicas, de tornar a televisão um cassino permanente, com jogos, sorteios, vendas.

Aumenta a oferta de programas de ficção: filmes, séries cômicas, programas eróticos. As experiências que tentaram até agora a interação maior na informação, em documentários têm tido menor sucesso. Há mais oferta de programas específicos. Predomina, no entanto, muito mais a oferta de todas as formas de entretenimento, evasão, jogos, vendas, sexo. Isto dá retorno comercial. Significa que a maior parte das pessoas procura na televisão esses produtos, leva à televisão essas necessidades, procura alguma forma de satisfação.

Temos canais de arte, de programas mais elaborados. São minoria e com um público diminuto, embora importante. Quero aprofundar nestes próximos dois anos, de um lado as possibilidades que as redes tanto de televisão quanto a Internet oferecem e, ao mesmo tempo, o que as pessoas efetivamente procuram, quando se sentem livres para fazê-lo.

A televisão é um meio de poucos para muitos e ao mesmo tempo de poucos para poucos (programação cada vez mais segmentada). A Internet é um meio de poucos para poucos, mas que, está começando a formar grandes conglomerados de informação e de acesso. A Televisão e a Internet são meios de comunicação que cada vez se aproximam mais e que caminham para integrar o que cada uma tem de melhor e propiciar novas formas de comunicação, de serviços e de interação.

Com a definição próxima do modelo de TV digital  surgirão muitas iniciativas na área técnica e de conteúdo, que explorarão formas de escolha, interação, participação ainda pouco conhecidas. É uma mudança que se faz lenta, mas inexoravelmente. Quando olhamos a quantidade de serviços que realizamos na Internet e olhamos para como nos relacionávamos com o computador dez anos atrás, constatamos o quanto avançamos e como se torna irreversível o universo da comunicação por e-mail, listas de discussão, chats, programas integrados de comunicação como o ICQ, grandes portais, bases de dados virtuais variadas e poderosas, serviços bancários on-line, educação contínua semi-presencial e a distância e tantos outros.

Por outro lado, muitos apregoavam o fim da TV aberta, a segmentação total, com o avanço da TV por assinatura via cabo ou satélite e constatamos que essa segmentação avança de forma mais lenta do que o esperado e que a TV aberta, com a digitalização, pode multiplicar canais, apresentar propostas simultâneas, intergari com portais próprios na Internet. Em suma, pode adaptar-se a este cenário em contínua mudança.

O aumento da velocidade de conexão das redes, a implantação da televisão digital e os celulares de terceira geração começam a criar sinergia entre as mídias e abrem um panorama rico, promissor e ainda incerto de como tudo vai caminhar.

O até agora chamado telespectador começa a poder escolher mais. Isso gera novos serviços. Mas a grande maioria até agora parece caminhar na direção da ampliação do que já existe. Procura entretenimento, exibicionismo (ex. reality shows), sexo e violência em todas as mídias. É uma interação linear, que, neste momento, caminha na mesma direção do consumismo mais exacerbado do que já se estava procurando antes. Interatividade não significa automático aumento de consciência, de cidadania. A interatividade facilita a procura do que sempre estávamos procurando. São outras organizações, como a escola e a família, que podem contribuir significativamente para aprender a compreender, sentir e comunicar-nos de forma mais rica, significativa e realizadora.

O papel das redes on-line na melhoria do processo de ensino-aprendizagem é o desafio que estou enfrentando agora, como decorrência desta primeira aproximação mais genérica ao universo das novas mídias digitais. Todos os processos de ensino-aprendizagem - da educação infantil à Pós-Graduação, passando pela família e organizações econômicas e sociais - estão sendo profundamente modificados pelas possibilidades que as tecnologias telemáticas nos propiciam. Esta pesquisa continua na interação na educação on-line.

 

Bibliografia comentada sobre Interatividade na Televisão

 

A bibliografia se encontra disponível na minha página pessoal na Internet: http://www.eca.usp.br/prof/moran

 

Canadian Journal of Communication

DONALDSON, Lisbeth & KURTZ, Suzanne M., Applications of Interpersonal Communication Model to Education Environments, Canadá, winter 1997, pp. 25-40.

  O Modelo de Comunicação Interpessoal é aplicado profissionalmente com o objetivo de: 1) desenvolver a forma de aprendizagem dos estudantes de comunicação, bem como as relações entre teoria e prática; 2) analisar a importância de um curso de comunicação para professores. O artigo exibe uma efetiva preocupação com as relações dentro da sala de aula, dando dicas sobre as habilidades da comunicação necessárias no ensino e na aprendizagem.

Journal of Advertising Research

COFFEY, Steve & STIPP, Horst, The Interaction Between Computer and Television Usage, New York, USA, ed. Advertising Research Foundation, março/abril 1997, pp. 61-67.

  A discussão sobre o impacto da nova mídia digital sobre a mídia de massa tradicional é normalmente acompanhada por equivocadas previsões, tal como a substituição da tv tradicional devido ao crescimento da popularidade da Internet. O artigo mostra que, ao invés de uma substituição, haverá uma interação entre as diferentes mídias. Exibe também estatísticas em relação ao crescimento do uso do PC, a forma com que as pessoas o utilizam como ferramenta; e a provável interação deste com a televisão.

Journal of Advertising Research

GUGEL, Graig, The Interactive Telemedia Index: an Internet/ITV Impact model, New York, março/abril 1997, pp. 29-32.

  Uma questão importante para os profissionais de propaganda e marketing é: “Quando” a Internet vai realmente contribuir para sua atuação sobre o mercado de consumo. O ITI foi criado com o objetivo de responder essa e outras questões, já que mede o crescimento da utilização da mídia eletrônica, tendo por base o estudo de importantes áreas do mercado: conteúdo (publicidade, ferramentas do comércio); equipamentos dos clientes (PC, serviços digitais); transporte (telefone, cabo); política pública (legislação, investimentos...).

Journal of Broadcasting and  Eletronic Media

NGWAINMBI, Emmanuel K., Book Review: Telecommunication Politics: Ownership and Control of  The Information Highway in Developine Countries by Mody Bauer and Straubhaar and Global Communication in Transition: The End of Diversity? by Mowlana, spring/97.

  Revisão de autores e livros que tratam da relação entre telecomunicação e capitalismo global. Pesquisas sobre política, economia e poder. Análise detalhada sobre o livro de Mowlana.

Media International Australia

KIBBY, Marij, Babes on the Web - sex, identity and home page, Australia, maio/97, pp.39.

  Por que tantas mulheres colocam seu corpo como imagem principalmente na página pessoal na rede? Levanta-se a discussão entre o “eu” e o corpo. A pessoa “on-line” é menos limitada que em uma comunicação face a face. Na Net, o corpo não representa a identidade; esta, é formada a partir do corpo “sexualizado”, como uma fantasia.

Media International Australia

LUKE, Carmen and Halda, Techno - textuality: Representation of Feminity and Sexuality, Austrália, 05/97, pp.46.

  Tudo o que é virtual, hoje, é de fato real. O texto explora como a feminilidade e a sexualidade estão sendo textualmente mediadas e inseridas culturalmente na informação tecnológica. São estudadas as ambiguidades da feminilidade e masculinidade na rede, as quais são articuladas sob um ponto de vista machista.

Media International Australia

STRATTON, Jon, Not Really Desiring Bodies: The Rise and Rise of E-mail Affairs, Austrália, maio/97, pp.28.

  O impacto das novas tecnologias de comunicação é um fator central, na pós-modernidade, para a aceitação de mediação do eu. Este eu virtual se situa na mente e separa-se do corpo. O corpo não está presente no ciberespaço. Há uma renovação nas práticas sexuais. A fantasia se sobrepõe ao sexo real. O cibersexo engloba as fragmentações do eu e acontece desde o sexo por telefone, até o sexo por E-mail. A intimidade na comunicação sem o corpo é diferente da comunicação tradicional.

Renglones

DÍAZ, Carlos Corrales, Multimedia, Globalización y Fragmentación de la Realidad, México, 12/96 - 03/97, pp. 5-10.

  O texto faz uma análise sobre os impactos sócio-culturais das novas tecnologias ligadas à multimídia, que são entre outros; o desenvolvimento maior da percepção e a fragmentação do pensamento, que deixa de ser linear e extremamente racional, principalmente nas formas de educação.

SMPTE Journal

GAGGIONI, H.; UEDA, M.; SAGA, F.; TOMITA, K. & KOBAYASHI, N., Serial Digital Interface for HDTV, maio/97, pp.298.

  Texto técnico e detalhado sobre o avanço da TV/vídeo, a partir de 1981. A evolução é iniciada pela Sony com o (HDVS), sistema de vídeo de alta definição; passando pela introdução da tecnologia digital (HDTV); até chegar no desenvolvimento do (HD-SDI), o qual possui tamanho e consumo de energia menores, e alta eficiência.

Tela Viva

FALGETANO, Edylita, Educativas Tentam se Viabilizar, Brasil, abril 1997, pp. 10-13.

  Dirigentes de TVs educativas se reuniram afim de discutirem propostas na mudança de legislação referente à inserção de publicidade nas emissoras públicas, e o controle da grade de programação apresentada pelas retransmissoras locais da TV Cultura e TVE. Muitas dessas retransmissoras não transmitem a programação educativa que deveriam, e ainda colocam publicidades locais na programação. A discussão, é de que se deva ou não continuar proibindo essas inserções, visto que a publicidade poderia ajudar no orçamento, e na qualidade dos programas.

Telecommunications Policy

GILLARD, P.; WALE, K. & BOW, A., Prediction of future demand from current telecommunications uses in the home, maio/97, pp.329.

  A casa (o lar) é um lugar para trabalho com telecomunicações e novas formas de informação e entretenimento. Estudos estão atentos à migração para serviços domésticos. Com as tecnologias portáteis é fácil para o mundo exterior se fazer presente nos locais. O texto traz métodos de pesquisa e estatísticas sobre o uso das telecomunicações em casa.

The Information Society

SPENCER, Henry, Age of Unontrolled Information Flow, abril/junho 1997, pp. 163-170.

  O texto fala da evolução dos meios de comunicação (iniciada pela máquina de escrever no séc. XIX); da facilidade de se acessar a Internet; e da falta de controle do fluxo de informações hoje em dia. As autoridades percebem o quanto é difícil controlar “mensagens escondidas” (textos, fotografias, etc...), com o aperfeiçoamento da tecnologia. O problema discutido no texto é se as autoridades têm ou não o direito de espionar as mensagens e julgá-las, mesmo sendo ignorantes no mundo tecnológico.

The Information Society

SOPINKA, Jonh, Freedom of Speech and Privacy in the information Age, abril/junho 1997, pp. 195.

  A mídia eletrônica dá oportunidade aos canadenses de participarem diretamente na Era da Informação, que oferece liberdade de expressão por preço acessível. Isto traz benefícios à sociedade, mas liberdade ou direitos nunca são absolutos: há limites impostos a partir do momento que outras pessoas são atingidas. Daí o desejo, principalmente do governo, de controlar e regular a nova mídia. O texto fala também da necessidade de se descobrir um balanço entre o discurso livre, a privacidade e outros valores sociais.

Interactive Multimedia (IMM)

end: http://www.ncube.com/markets/immov.html

   " Estamos caminhando em direção à revolução das comunicações, um "Big Bang" que transformará

também a nossa cultura. A multimídia interativa, responsável por essa revolução, é o foco de atenção

deste site, o qual traz respostas para as mais diversas questões da nova mídia. "

  A página pertence ao site da "nCUBE" (Interactive Multimedia Servers),a qual fornece aplicações interativas tais como  video on demand, home shopping, business training (negócios), etc... e possui filiais em todo América, Europa, Oceania e parte da Ásia.

Interactive Television: A Hitchhiker`s Guide to the Superhighway