Mudanças profundas e urgentes na
educação
__________________________________________________________________________
Especialista em mudanças na educação presencial e a distância
___________________________________________________________________________
A
educação escolar precisa de uma forte sacudida, de arejamento, de um choque. A
educação de milhões de pessoas, em todos os níveis, não pode ser mantida na
prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra. Está muito engessada,
previsível, cansativa. As
crianças desenvolvem mais rapidamente sua inteligência e capacidade de
aprender. A escola não consegue dar respostas minimamente
satisfatórias aos reais alunos que temos. Obrigamo-los a se “moldarem” a
esquemas pré-concebidos e repetidos à exaustão.
A
Internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando nossa vida no
cotidiano. Cada vez resolvemos mais problemas de múltiplas formas, presencial e
virtualmente. Na educação, porém, continuamos indo ao mesmo local, no mesmo
horário, para desenvolver as mesmas atividades. Sempre achamos justificativas
para deixar tudo como está ou para fazer pequenas mudanças cosméticas e
periféricas.
As
tecnologias são só apoio, meios. Mas elas nos permitem
realizar atividades de aprendizagem de formas muito diferentes às convencionais.
Podemos aprender estando juntos fisicamente e também longe, conectados. Podemos
aprender sozinhos e em grupos, podemos aprender no mesmo tempo e ritmo ou em
tempos e ritmos diferentes.
O
conviver virtual vai tornar-se quase tão importante como o conviver presencial.
Isso se consegue com uma gestão administrativa e pedagógica mais flexível, com
tempos e espaços menos predeterminados, com modos de acesso a pesquisa e de
desenvolvimento de atividades mais dinâmicas.
Com tantos aparelhos
portáteis interconectados, sem fio e audiovisuais, o modelo de organização de
alunos em espaços e tempos de calendários fixos está fadado a desaparecer.
Teremos alunos começando um curso quando o desejarem. Seguirão algumas
diretrizes básicas, bem amplas e flexíveis para organizar a sua trajetória de
aprendizagem. O importante não é o número de aulas, mas os projetos
desenvolvidos, a capacidade de resolver problemas, de fazer conexões, de
estabelecer novas práticas. Os cursos estarão cada vez mais ligados a situações
práticas interdisciplinares, que exigem professores orientadores grupais.
Podemos pensar em
cursos cada vez mais personalizados, mais adaptados à
cada aluno ou grupos de alunos. Cursos com materiais audiovisuais e atividades bem planejados e produzidos e que depois são
oferecidos ao ritmo de cada aluno, sob a supervisão de um professor orientador
ou de uma pequena equipe, que colocam esse aluno em contato com grupos
O caminho é o da
progressiva flexibilização, caminhando do presencial,
para maiores níveis e graus de semi-presencialidade e
de personalização do currículo.
As competências
básicas serão cada vez mais as de saber escolher, avaliar as informações
importantes para cada etapa da aprendizagem, as de relacionar tudo, de pôr em prática o
compreendido teoricamente e de organizar sínteses a partir de práticas
individuais e grupais. Outras competências necessárias são as de saber conviver
presencial e virtualmente, de saber interagir afetiva e eticamente com colegas
nas mais diferentes situações. A aprendizagem terá um componente muito mais
lúdico, prático, de intervenção em situações próximas e distantes e envolverá à sociedade como um todo para ensinar e não só os
profissionais da área. Toda a sociedade será educadora, um grande espaço de
apoio e interação para aprender tanto pratica como teoricamente.
Na educação fundamental
sempre haverá mais contato físico do que no ensino superior; a organização será
mais previsível, sem ter um único currículo, um único caminho. Haverá
diretrizes, algumas formas de avaliação periódicas para todos, mas o caminho
para chegar lá será muito mais livre do que é hoje. A educação escolar será
muito mais voltada para a prática, para a pesquisa, para projetos, para
atividades integradas semi-presenciais.
As Faculdades de
Pedagogia estão profundamente defasadas em relação às situações novas que estão
aí e que exigem reformular tudo. Em pouco tempo seremos chamados de dinossauros
por manter sempre, basicamente, o mesmo projeto de ensino para cada idade e
para cada nível escolar. Precisamos preparar gestores e docentes abertos,
orientadores e não meramente informadores e repetidores.
Todos os
que estamos envolvidos
Não
basta tentar remendos com as atuais tecnologias. Temos quer fazer muitas coisas
diferentemente. É hora de mudar de verdade e vale a pena fazê-lo logo, chamando
os que estão dispostos, incentivando-os de todas as formas – entre elas a
financeira – dando tempo para que as experiências se consolidem e avaliando com
equilíbrio o que está dando certo. Precisamos trocar experiências, propostas,
resultados.
Precisamos
experimentar urgentemente novas formas de organizar processos de aprendizagem,
de fazer experiências observadas, avaliadas, podendo errar, mas buscando
acertar. O Ministério de Educação precisa autorizar grupos e instituições a
poder fazer estas novas experiências supervisionadas. Sem elas será muito
difícil quebrar a rotina, os modelos espaço-temporais
há séculos consolidados e quem perde somos todos nós e a sociedade como um
todo.