PROPOSTAS DE MUDANÇA NOS CURSOS PRESENCIAIS
COM A EDUCAÇÃO ON-LINE
Especialista em mudanças na educação presencial e a distância
Texto apresentado
no 11º
Congresso Internacional de Educação a Distância. 8/09 em Salvador, BA.
Programação em www.abed.org.br/congresso2004/por/gradetc.htm#08
Resumo
Uma das tarefas mais importantes das universidades e escolas é tornar mais
flexível o currículo de cada curso, com atividades presenciais e a distância integradas
e inovadoras. O sistema bi-modal – parte presencial e parte a
distância - se mostra o mais promissor para o ensino nos diversos níveis,
principalmente no superior. As universidades poderiam flexibilizar seus
currículos até chegar a uma carga horária média de cinqüenta por cento
presencial e cinqüenta por cento a distância. Algumas
áreas de conhecimento e disciplinas teriam menos atividades a
distância e outras poderiam ter mais. A implantação pode ser progressiva, para
fazer uma transição suave do totalmente presencial para o semi-presencial.
Do ponto de vista didático, podemos organizar atividades inovadoras na sala de aula, no laboratório
com acesso a Internet, integradas com atividades a
distância e as de inserção profissional ou experimental. Em alguns momentos o professor pode levar seus
alunos ao laboratório conectado à Internet para desenvolver atividades de
pesquisa e de domínio das tecnologias. Estas atividades se ampliam a distância, nos ambientes virtuais de aprendizagem
conectados à Internet, o que permite diminuir o número de aulas e continuar
aprendendo juntos a distância. Os cursos precisam prever espaços e tempos de
contato com a realidade, de experimentação e de inserção em ambientes
profissionais e informais em todas as matérias e ao longo de todos os anos.
Palavras-chave: Internet, espaços de
aprendizagem, ambientes virtuais, currículo, cursos semi-presenciais.
A gestão de diferentes espaços nos cursos presenciais
2. O espaço do laboratório conectado
3. A utilização de ambientes virtuais de
aprendizagem
4. Inserção em ambientes experimentais e
profissionais (prática/teoria/prática
Uma das
reclamações generalizadas de escolas e universidades é de que os alunos não
agüentam mais nossa forma de dar aula. Os alunos reclamam do tédio de ficar
ouvindo um professor falando na frente por horas, da rigidez dos horários, da
distância entre o conteúdo das aulas e a vida.
Passando
pelos corredores das salas de aula, o que se vê é quase sempre uma pessoa
falando e uma classe cheia de alunos semi-atentos (na melhor das hipóteses). A
infra-estrutura é deprimente. Salas barulhentas, a voz do professor mal chega aos que estão mais distantes. Conseguir um
datashow na maioria delas é uma tarefa inglória. Muitas vezes existe um único
equipamento para um prédio inteiro.
A
educação está tão defasada em todos os níveis, que não bastam medidas
paliativas. Obrigar alunos a ficar confinados horas seguidas de aula numa mesma sala,
quando temos outras possibilidades, torna-se cada dia mais contraproducente.
Para alunos que tem acesso à Internet, à multimídia, as universidades e escolas
têm que repensar esse modelo engessado de currículo, de aulas em série, de
considerar a sala de aula como único espaço em que pode ocorrer a aprendizagem.
A
Internet, as redes, o celular, a multimídia estão revolucionando nossa vida no
cotidiano. Cada vez resolvemos mais problemas conectados, a
distância. Na educação, porém, sempre colocamos dificuldades para a mudança,
sempre achamos justificativas para a inércia ou vamos mudando mais os
equipamentos do que os procedimentos. A educação de milhões de pessoas não pode
ser mantida na prisão, na asfixia e na monotonia em que se encontra. Está muito
engessada, previsível, cansativa.
As
tecnologias são só apoio, meios. Mas elas nos permitem
realizar atividades de aprendizagem de formas diferentes às de antes. Podemos
aprender estando em juntos em lugares distantes, sem precisarmos estar sempre
juntos numa sala para que isso aconteça. Podemos planejar mudanças graduais,
flexibilizando o currículo, diminuindo o número de aulas presenciais,
combinando-as com atividades em laboratórios conectados a Internet e com
atividades a distância.
A
resposta dada até agora ainda é muito tímida, deixada a critério de cada
professor, sem uma política institucional mais ousada, corajosa, incentivadora
de mudanças. Está mais do que na hora de evoluir, modificar nossas propostas,
aprender fazendo.
Nos
colégios e na maioria das universidades, as atividades a
distância não implicam até agora em nenhuma diminuição das aulas presenciais.
Duplica-se, na prática, o tempo de atendimento, as atividades de professores e alunos com o mesmo salário.
O sistema bi-modal – parte presencial e parte a distância - se mostra o mais
promissor para o ensino nos diversos níveis, a partir da quinta série. E essa
proporção entre presença e distância pode ser aumentada gradualmente na medida
em que os alunos são mais adultos. No ensino superior o governo permite vinte
por cento a distância. Isso é uma primeira etapa de
experimentação que nos levará a novas etapas de maiores porcentagens de espaços
e tempos virtuais de aprendizagem. As crianças precisam ficar muito mais tempo
juntas do que conectadas. Mas à medida que vão crescendo, o nível de interação
a distância deve aumentar progressivamente.[1]
A gestão de diferentes espaços
nos cursos presenciais
O professor, em qualquer curso presencial, precisa hoje
aprender a gerenciar vários espaços e a integrá-los de forma aberta,
equilibrada e inovadora. O primeiro espaço é o de uma nova sala de aula
equipada e com atividades diferentes, que se integra com a ida ao laboratório
para desenvolver atividades de pesquisa e de domínio técnico-pedagógico. Estas
atividades se ampliam e complementam a distância, nos ambientes virtuais de
aprendizagem e se complementam com espaços e tempos de experimentação, de
conhecimento da realidade, de inserção em ambientes profissionais e informais.
Antes o
professor só se preocupava com o aluno em sala de aula. Agora, continua com o
aluno no laboratório (organizando a pesquisa), na Internet (atividades a distância) e no acompanhamento das práticas, dos projetos,
das experiências que ligam o aluno à realidade, à sua profissão (ponto entre a
teoria e a prática).
Antes o
professor se restringia ao espaço da sala de aula. Agora precisa aprender a
gerenciar também atividades a distância, visitas
técnicas, orientação de projetos e tudo isso fazendo parte da carga horária da
sua disciplina, estando visível na grade curricular, flexibilizando o tempo de
estada em aula e incrementando outros espaços e tempos de aprendizagem.
Educar
com qualidade implica em ter acesso e competência para organizar e gerenciar as
atividades didáticas em, pelo menos, quatro espaços:
A sala
de aula será, cada vez mais, um ponto de partida e de chegada, um espaço
importante, mas que se combina com outros espaços para ampliar as
possibilidades de atividades de aprendizagem.
O que
deve ter uma sala de aula para uma educação de qualidade?
Precisa
fundamentalmente de professores bem preparados, motivados, e bem remunerados e
com formação pedagógica atualizada. Isso é incontestável.
Precisa
também de salas confortáveis, com boa acústica e tecnologias, das simples até
as sofisticadas. Uma sala de aula hoje precisa ter acesso fácil ao vídeo, DVD
e, no mínimo, um ponto de Internet, para acesso a sites
em tempo real pelo professor ou pelos alunos, quando necessário.
Um
computador em sala com projetor multimídia são recursos necessários, embora
ainda caros, para oferecer condições dignas de pesquisa e apresentação de
trabalhos a professores e alunos. São poucos os cursos até agora bem equipados,
mas, se queremos educação de qualidade, uma boa infra-estrutura torna-se cada
vez mais necessária.
Um
projetor multimídia com acesso a Internet permite que o
professores e alunos mostrem simulações virtuais, vídeos, jogos,
materiais em CD, DVD, páginas WEB ao vivo. Serve como apoio ao professor, mas
também para a visualização de trabalhos dos alunos, de pesquisas, de atividades
realizadas no ambiente virtual de aprendizagem (um fórum previamente realizado,
por exemplo). Podem ser mostrados jornais on-line, com notícias relacionadas
com o assunto que está sendo tratado em classe. Os alunos podem contribuir com
suas próprias pesquisas on-line. Há um campo de possibilidades didáticas até
agora pouco desenvolvidas, mesmo nas salas que detêm esses equipamentos.
Essa
infra-estrutura deve estar a serviço de mudanças na postura do professor,
passando de ser uma “babá”, de dar tudo pronto, mastigado, para ajudá-lo, de um
lado, na organização do caos informativo, na gestão das contradições dos
valores e visões de mundo, enquanto, do outro lado, o professor provoca o
aluno, o “desorganiza”, o desinstala, o estimula a mudanças, a não permanecer
acomodado na primeira síntese.
2. O espaço do laboratório conectado
Um dia
todas as salas de aula estarão conectadas às redes de comunicação instantânea.
Como isso ainda está distante, é importante que cada professor programe em uma
de suas primeiras aulas uma visita com os alunos ao “laboratório de
informática”, a uma sala de aula com micros suficientes conectados à Internet.
Nessa aula (uma ou duas) o professor pode orientá-los a fazer pesquisa na
Internet, a encontrar os materiais mais significativos para a área de
conhecimento que ele vai trabalhar com os alunos; a que aprendam a distinguir
informações relevantes de informações sem referência. Ensinar a pesquisar na
WEB ajuda muito aos alunos na realização de atividades virtuais depois, a
sentir-se seguros na pesquisa individual e grupal.
Uma outra atividade importante nesse momento é
a capacitação para o uso das tecnologias necessárias para acompanhar o curso em
seus momentos virtuais: conhecer a plataforma virtual, as ferramentas, como se
coloca material, como se enviam atividades, como se participa num fórum, num chat, tirar
dúvidas técnicas. Esse contato com o laboratório é fundamental porque há alunos
pouco familiarizados com essas novas tecnologias e para que todos tenham uma
informação comum sobre as ferramentas, sobre como pesquisar e sobre os
materiais virtuais do curso.
Tudo
isto pressupõe que os professores foram capacitados antes para fazer esse
trabalho didático com os alunos no laboratório e nos ambientes virtuais de
aprendizagem (o que muitas vezes não acontece).
Quando
temos um curso parcialmente presencial podemos organizar os encontros ao vivo
como pontuadores de momentos marcantes. Primeiro, nos
encontramos fisicamente para facilitar o conhecimento mútuo de professores e
alunos. Ao vivo é muito mais fácil que a distância e
confiamos mais rapidamente ao estar ao lado da pessoa como um todo, ao vê-la,
ouvi-la, senti-la. Depois, é mais fácil explicar e organizar o processo de
aprendizagem, esclarecer, tirar dúvidas, organizar grupos, discutir propostas.
É muito mais fácil também aprender a utilizar os ambientes tecnológicos da
educação on-line. Podemos ir a um laboratório e nivelar os alunos, os que sabem
se sentam junto com os que sabem menos e todos aprendem juntos. No presencial
também é mais fácil motivar os alunos, atender às demandas específicas, fazer
os ajustes necessários no programa.
O foco
do curso deve ser o desenvolvimento de pesquisa, fazer do aluno um
parceiro-pesquisador. Pesquisar de todas as formas, utilizando todas as mídias,
todas as fontes, todas as formas de interação. Pesquisar às vezes todos juntos,
outras em pequenos grupos, outras individualmente. Pesquisar às vezes na
escola; outras, em outros espaços e tempos. Combinar pesquisa presencial e
virtual. Comunicar os resultados da pesquisa para todos e para o professor.
Relacionar os resultados, compará-los, contextualizá-los, aprofundá-los,
sintetizá-los.
Mais
tarde, depois de uma primeira etapa de aprendizagem on-line, a volta ao
presencial adquire uma outra dimensão. É um reencontro tanto intelectual como
afetivo. Já nos conhecemos, mas fortalecemos esses vínculos; trocamos
experiências, vivências, pesquisas. Aprendemos juntos, tiramos dúvidas
coletivas, avaliamos o processo virtual. Fazemos novos ajustes. Explicamos o
que acontecerá na próxima etapa e motivamos os alunos para que continuem
pesquisando, se encontrando virtualmente, contribuindo.
Os
próximos encontros presenciais já trazem maiores contribuições dos alunos, dos
resultados de pesquisas, de projetos, de solução de problemas, entre outras
formas de avaliação.
3. A utilização de ambientes virtuais de aprendizagem
Os
alunos já se conhecem, já tem as informações básicas de como pesquisar e de
como utilizar os ambientes virtuais de aprendizagem. Agora já podem iniciar a
parte a distância do curso, combinando momentos em sala de aula com atividades
de pesquisa, comunicação e produção a distância,
individuais, em pequenos grupos e todos juntos[2].
O
professor precisa hoje adquirir a competência da gestão dos tempos a distância combinado com o presencial. O que vale a pena
fazer pela Internet que ajuda a melhorar a aprendizagem, que mantém a
motivação, que traz novas experiências para a classe, que enriquece o
repertório do grupo.
Os
ambientes virtuais aqui complementam o que fazemos em sala de aula. O professor
e os alunos são “liberados” de algumas aulas presenciais e precisam aprender a
gerenciar classes virtuais, a organizar atividades que se encaixem em cada
momento do processo e que dialoguem e complementem o que estamos fazendo na
sala de aula e no laboratório. Começamos algumas atividades na sala de aula:
informações básicas de um tema, organização de grupos, explicitar os objetivos
da pesquisa, tirar as dúvidas iniciais. Depois vamos para a Internet e
orientamos e acompanhamos as pesquisas que os alunos realizam individualmente
ou em pequenos grupos. Pedimos que os alunos coloquem os resultados em uma
página, um portfólio ou que nos as enviem virtualmente, dependendo da
orientação dada. Colocamos um tema relevante para discussão no fórum ou numa
lista e procuramos acompanhá-la sem sermos centralizadores nem omissos. Os
alunos se posicionam primeiro e, depois, fazemos alguns comentários mais
gerais, incentivamos, reorientamos algum tema que pareça prioritário, fazemos
sínteses provisórias do andamento das discussões ou pedimos que alguns alunos o
façam.
Podemos
convidar um colega, um pesquisador ou um especialista para um debate com os
alunos num chat,
realizando uma entrevista a distância, atuando como mediadores. Os alunos
gostam de participar deste tipo de atividade.
Nós
mesmos, professores, podemos marcar alguns tempos de atendimento semanais, se o
acharmos conveniente, para tirar dúvidas on-line, para atender grupos,
acompanhar o que está sendo feito pelos alunos. Sempre que possível
incentivaremos os alunos a que criem seu portfólio, seu espaço virtual de
aprendizagem próprio e que disponibilizem o acesso aos colegas, como forma de
aprender colaborativamente.
Dependendo
do número de horas virtuais, a integração com o presencial é
mais fácil, Um tópico discutido no fórum pode ser aprofundado na volta à
sala de aula, tornando mais claros os pontos de divergência que havia no
virtual.
Creio
que há três campos importantes para as atividades virtuais: o da pesquisa, o da
comunicação e o da produção. Pesquisa individual de temas, experiências,
projetos, textos. Comunicação, realizando debates off
e on-line sobre esses temas e experiências pesquisados. Produção, divulgando os
resultados no formato multimídia, hipertextual, “linkada” e publicando os resultados para os colegas e,
eventualmente, para a comunidade externa ao curso.[3]
A
Internet favorece a construção colaborativa, o trabalho conjunto entre
professores e alunos, próximos física ou virtualmente. Podemos participar de
uma pesquisa em tempo real, de um projeto entre vários grupos, de uma
investigação sobre um problema de atualidade. O importante é combinar o que
podemos fazer melhor em sala de aula: conhecer-nos, motivar-nos,
reencontrar-nos, com o que podemos fazer a distância pela lista, fórum ou chat – pesquisar, comunicar-nos e divulgar as produções dos
professores e dos alunos.
É fundamental
hoje pensar o currículo de cada curso como um todo, e planejar o tempo de
presença física em sala de aula e o tempo de aprendizagem virtual. A maior
parte das disciplinas pode utilizar parcialmente atividades a
distância. Algumas que exigem menos laboratório ou estar
juntos fisicamente podem ter uma carga maior de atividades e tempo
virtuais. A flexibilização de gestão de tempo, espaços e
atividades é necessária, principalmente no ensino superior ainda tão
engessado, burocratizado e confinado à monotonia da fala do professor num único
espaço que é o da sala de aula.
4. Inserção em ambientes experimentais e profissionais (prática/teoria/prática)
Os
cursos de formação, os de longa duração, como os de graduação, precisam ampliar
o conceito de integração de reflexão e ação, teoria e prática, sem confinar
essa integração somente ao estágio, no fim do curso. Todo o currículo pode ser
pensando em inserir os alunos em ambientes próximos da realidade que ele
estuda, para que possam sentir na prática o que
aprendem na teoria e trazer experiências, cases, projetos do cotidiano para a
sala de aula. Em algumas áreas, como administração, engenharia, parece mais
fácil e evidente essa relação, mas é importante que aconteça em todos os cursos
e em todas as etapas do processo de aprendizagem, levando em consideração as
peculiaridades de cada um.
Se os
alunos fazem pontes entre o que aprendem intelectualmente e as situações reais,
experimentais, profissionais ligadas aos seus estudos, a aprendizagem será mais
significativa, viva, enriquecedora. As universidades e os professores precisam
organizar nos seus currículos e cursos atividades integradoras da prática com a
teoria, do compreender com o vivenciar, o fazer e o refletir, de forma
sistemática, presencial e virtualmente, em todas as áreas e ao longo de todo o
curso.
O
currículo pode ser flexibilizado, segundo a portaria 2253 do MEC, em 20% da
carga total. Algumas disciplinas podem ser oferecidas total ou parcialmente a distância. O vinte por cento é uma etapa inicial de criação de cultura on-line.
Mais tarde, cada universidade irá definir qual é o ponto de equilíbrio entre o
presencial e o virtual em cada área do conhecimento. Não podemos definir a
priori uma porcentagem aplicável de forma generalizada a todas as situações.
Algumas disciplinas necessitam de maior presença física, como as que utilizam
laboratório, as que precisam de interação corporal (dança, teatro....). O
importante é experimentar diversas soluções para diversos cursos. Todos estamos
aprendendo. Nenhuma instituição está muito na frente na
educação inovadora on-line.
Podemos
começar com algumas disciplinas, apoiando os professores mais familiarizados
com as tecnologias e que se dispõem a experimentar e ir criando a cultura do
virtual, o conhecimento dentro de cada instituição para avançar para propostas
curriculares mais complexas, integradas e flexíveis, até encontrar em cada área
de conhecimento e em cada instituição qual é o ponto de equilíbrio entre o
presencial e o virtual.
Dentro
de poucos anos esta discussão do presencial e a distância terá muito menos
importância. Caminhamos para uma integração dos núcleos de educação a distância com os atuais núcleos ou coordenações
pedagógicas dos cursos presenciais. A maioria dos cursos de graduação e de
pós-graduação será semi-presencial e os cursos a
distância terão muitas formas de aproximação presencial-virtual (maior contato
audiovisual entre os participantes).
Com
todas as cautelas e problemas que este tema tem por trás, é importante que as
universidades reorganizem seus currículos e projetos pedagógicos. As
universidades, que têm mais autonomia, poderiam flexibilizar os currículos até
chegar a uma carga horária, na média, de cinqüenta por cento presencial e
cinqüenta por cento a distância. Na média, significa
que algumas disciplinas teriam menos atividades a
distância e outras poderiam ter mais. A implantação poderia ser progressiva,
para fazer uma transição progressiva do totalmente presencial para o real semi-presencial.
A idéia
não é aligeirar os cursos, nem pagar menos aos professores, mas realizar um
planejamento de atividades muito mais racional, atraente, interessante e
motivador para professores e alunos e para as instituições. Estar em aula vale
a pena, mas durante menos tempo e com mais intensidade. Hoje aproveitamos
efetivamente, em média, menos da metade do tempo nela, pela percepção que um
curso é muito longo e de que muitas das informações que acontecem na sala de
aula podem ser acessadas ou recuperadas em outro momento.
Estar menos tempo em sala de aula permite que
haja uma maior rotatividade de alunos nos mesmos espaços, necessitando
construir menos prédios e otimizando melhor os já
existentes. Com 25 por cento de um curso feito de modo não presencial é
possível organizar horários de aula de três horas diárias por turma, o que
permite organizar duas turmas diferentes por período, duplicando o uso de cada
sala. Isso, visto numa escala de muitas turmas,
poderia baratear o custo final da mensalidade do aluno sem perder qualidade.
Com a
Internet podemos reorganizar o tempo de sala de aula, o tempo
de pesquisa juntos (laboratório) e o tempo de atividades a distância.
Com a
evolução da comunicação audiovisual em tempo real, via tele-aula,
videoconferência ou pela Internet banda larga, podemos pensar em professores
atendendo a várias turmas/salas ao mesmo tempo,
interagindo com elas ao vivo e organizando atividades a
distância, com ajuda de assistentes. Alguns dos modelos atuais de educação a distância poderiam ser introduzidos na educação
presencial. O que proponho é introduzir no presencial muitas das soluções e
tecnologias utilizadas na educação a distância ou na
educação on-line.
Concordo
que é um desafio, que há inúmeros problemas nestas propostas, que podem ser
utilizadas para banalizar o ensino. Sei que algumas instituições verão nestas
propostas só enxugamento de custos, assim como muitos professores só enxergarão
a diminuição possível de aulas e de postos de trabalho. Mas é também verdade
que até agora só tentamos paliativos para resolver os problemas de falta de
motivação de alunos e professores no ensino presencial. As tecnologias não são
a solução mágica, mas permitem pensar em alternativas que otimizem o melhor do presencial
e o melhor do virtual.
Sei
também que muitas instituições não estão prontas para atender a alunos carentes
e que precisam ser encontradas soluções de facilitação do acesso dos alunos ao
computador e à Internet. Não podemos permanecer imobilizados, no entanto,
porque educação de qualidade hoje se faz com soluções inovadoras pedagógicas,
gerenciais e tecnológicas.
Com as
tecnologias cada vez mais rápidas e integradas, o conceito de presença e
distância se altera profundamente e as formas de ensinar e aprender também. Estamos
caminhando para uma aproximação sem precedentes entre os cursos presenciais
(cada vez mais semi-presenciais) e os a distância.
Os presenciais terão disciplinas parcialmente a
distância e outras totalmente a distância. E os mesmos professores que estão no
presencial-virtual começam a atuar também na educação a
distância. Teremos inúmeras possibilidades de aprendizagem que combinarão o
melhor do presencial (quando possível) com as facilidades do virtual.
Em poucos
anos dificilmente teremos um curso totalmente presencial. Por isso caminhamos
para muitas fórmulas de organização de processos de ensino-aprendizagem. Vale a
pena inovar, testar, experimentar, porque avançaremos mais rapidamente e com
segurança na busca destes novos modelos que estejam de acordo com as mudanças
rápidas que experimentamos em todos os campos e com a necessidade de aprender
continuamente.
Todas
as universidades e organizações educacionais, em todos os níveis, precisam
experimentar como integrar o presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem
significativa. Precisamos vivenciar uma nova pedagogia da comunicação e gestão
do presencial e do virtual. É importante que os núcleos de educação a distância das universidades saiam do seu isolamento e se
aproximem dos departamentos e grupos de professores interessados em
flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o presencial e o
virtual.
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VIEIRA, Alexandre et alii. Gestão educacional e
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[1] O artigo toma como base as experiências na implantação dos vinte por cento a distância nas Faculdades Sumaré-SP e as que acontecem na Universidade Anhembi-Morumbi e em outras instituições brasileiras.
[2]
É interessante o trabalho de CHRYSOS, Adonys. La universidad semi-presencial: una experiencia de
colaboración internacional. Disponível
em: http://www.unrc.edu.ar/publicar/cde/Chrysos.htm. <Acesso em 5/04/2004>
[3] Norma SCAGNOLI. El aula virtual: usos y elementos que la componen. Urbana,Universidad de Illinois USA, Enero 2, 2001. Disponível em <http://www.edudistan.com/ponencias/Norma%20Scagnoli.htm> Acesso em <23/04/2004>