Novas questões que a
educação on-line traz para a didática
Especialista em mudanças na educação presencial e a distância
A
Internet e as tecnologias conectadas nos trazem questões pedagógicas
específicas com desafios novos para a educação a
distância e para a presencial. Existe hoje no Brasil uma grande variedade de
cursos on-line: cursos para poucos e para muitos alunos, cursos com pouca
interação e com muita interação, cursos centrados no professor e cursos
centrados nos alunos; cursos que utilizam uma tecnologia (Internet,
videoconferência, teleconferência) e outros que integram várias tecnologias.
Para cursos com grandes grupos, o processo de organização do
ensino-aprendizagem on-line é muito mais complexo do que o que realizamos no
presencial, exigindo uma logística nova, que está sendo
testada com mídias telemáticas pela primeira vez. Os papéis do professor
se multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de
adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades.
Palavras-chave: Novas tecnologias,
Pedagogia, Educação a distância.
Hoje temos questões pedagógicas novas que
o avanço das tecnologias de comunicação nos colocam na educação presencial e a
distância e sobre as quais ainda precisamos de avaliação mais cuidadosa.
Existe hoje no Brasil uma grande variedade de cursos on-line:
cursos para poucos e
para muitos alunos, cursos com pouca interação e com muita interação,
cursos centrados no
professor e cursos centrados nos alunos; cursos unitecnológicos e outros com
múltiplas tecnologias. Muitos desses
cursos simplificam o processo pedagógico, se preocupam pouco com a construção
do conhecimento, são massificadores, só visam o lucro fácil.
É difícil definir uma metodologia
adequada para cada tipo de curso que utiliza a Internet ou tecnologias
interconectadas. É relativamente fácil aprender a gerenciar cursos on-line que
reproduzem as condições da sala de aula convencional, os que têm um professor
para uma média de quarenta alunos e que começam e terminam em datas
específicas. Neles podemos transferir para o virtual as concepções pedagógicas
das aulas presenciais. Os professores centralizadores, que se colocam como
centro da informação, organizam o curso a partir de textos e atividades que
reforcem o papel principal do professor; outros docentes que possuem uma visão
mais participativa do processo educacional estimulam a criação de comunidades
colaborativas, a pesquisa em pequenos grupos, a produção individual e coletiva.
Em educação a distância
temos cursos que são, como no presencial, de aprendizagem de habilidades
específicas, cursos de atualização profissional. Esses cursos podem ter uma
proposta pedagógica mais “empacotada”, mais programada e podem admitir alunos a
qualquer momento, sem data definida para começar e terminar. Existem outros
cursos que são de formação, normalmente de longa duração, como os de graduação.
Neles, a organização pedagógica tem que ser muito mais cuidadosa. É importante criar classes que mantenham identidade ao longo do
curso, que tenham seu professor responsável ao longo dos anos, e que equilibrem
a transmissão de informação com atividades de pesquisa em grupo e
individualmente, construindo o conhecimento de forma flexível e participativa.
Com o avanço da comunicação por satélite
podemos abrir tele-salas em todo o Brasil ou em toda a América Latina
simultaneamente. Uma mesma aula poderia estar sendo vista por milhares de
alunos em centenas de tele-salas, ao vivo, e com alguma interação: perguntas
por e-mail, por áudio-conferência ou por câmera remota podem ser feitas e o
professor responder as que lhe pareçam mais relevantes. O professor pode fazer
uma avaliação instantânea da compreensão da aprendizagem e ter um retorno
imediato da porcentagem de alunos com dúvidas em determinados pontos da aula e
pode rever esses pontos ao vivo para milhares de alunos. Se tecnologicamente
podemos colocar milhares de alunos simultaneamente, do ponto de vista
pedagógico qual é o limite razoável para que o aluno aprenda? Qual é a
estrutura necessária, a logística, para que em cursos com muitos alunos
acontece realmente a aprendizagem esperada?
A educação on-line, pela Internet,
também está começando a trazer contribuições significativas para a educação
presencial. Algumas universidades integram aulas presenciais com aulas e
atividades virtuais, flexibilizando tempos e espaços, ampliando os espaços de
ensino-aprendizagem até agora praticamente confinados à sala de aula. O
currículo pode ser flexibilizado, segundo a portaria 2253 do MEC, em 20% da
carga total. Algumas disciplinas estão sendo oferecidas total
ou parcialmente a distância. O vinte por cento é uma etapa inicial de criação da cultura on-line.
Mais tarde, cada universidade irá definir qual é o ponto de equilíbrio entre o
presencial e o virtual em cada área do conhecimento.
Com as tecnologias cada vez mais rápidas
e integradas, o conceito de presença e distância se altera profundamente e as
formas de ensinar e aprender também. Estamos
caminhando para uma aproximação sem precedentes entre os cursos presenciais
(cada vez mais semi-presenciais) e os a distância.
Os presenciais terão disciplinas parcialmente a
distância e outras totalmente a distância. E os mesmos professores que estão no
presencial-virtual começam a atuar também na educação a
distância. Teremos inúmeras possibilidades de aprendizagem que combinarão o
melhor do presencial (quando possível) com as facilidades do virtual.
Em poucos anos dificilmente teremos um
curso totalmente presencial. Por isso caminhamos para muitas fórmulas de
organização de processos de ensino-aprendizagem. Vale a pena inovar, testar,
experimentar, porque avançaremos mais rapidamente e com segurança na busca
destes novos modelos que estejam de acordo com as mudanças rápidas que
experimentamos em todos os campos e com a necessidade de aprender
continuamente.
Todas as universidades e organizações
educacionais, em todos os níveis, precisam experimentar como integrar o
presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa. Precisamos vivenciar
uma nova pedagogia da comunicação e gestão do presencial e do virtual. É
importante que os núcleos de educação a distância das
universidades saiam do seu isolamento e se aproximem dos departamentos e grupos
de professores interessados em flexibilizar suas aulas, que facilitem o
trânsito entre o presencial e o virtual.
Com a educação on-line os papéis do professor se
multiplicam, diferenciam e complementam, exigindo uma grande capacidade de
adaptação, de criatividade diante de novas situações, propostas, atividades. Em uma parte dos cursos on-line continuamos com as aulas presenciais
regulares, acrescentando algumas atividades complementares a distância. Em
outros, as aulas são presenciais, mas há uma incidência maior de atividades
virtuais, que podem liberar os alunos de alguns encontros presenciais previstos
anteriormente. Em outros cursos só temos um ou dois encontros presenciais e a
maior parte das aulas e atividades é feita a
distância. Finalmente, organizamos cursos em que o professor não mantém contato
físico com os alunos e todas as atividades são realizadas basicamente pela
Internet.
O professor alterna cursos on-line com um
número de alunos semelhante ao das aulas convencionais com outros com trezentos,
quinhentos ou vários milhares de alunos, onde ele gerencia uma equipe de
professores assistentes e monitores, que por sua vez atendem a turmas menores de alunos. Em
determinados cursos o professor é somente um autor, não participa diretamente do andamentos dos cursos. Mesmo como autor, o conteúdo é
tratado e editado por uma equipe para dar o tratamento específico para as
mídias e o perfil do público. O professor participa de formas diferentes e exerce papéis diferentes em diferentes situações que se lhe apresentam
na educação on-line.
O professor on-line precisa aprender a
trabalhar com tecnologias sofisticadas e tecnologias simples; com Internet de
banda larga e com conexão lenta; com videoconferência multiponto e
teleconferência; com softwares de gerenciamento de cursos comerciais e com
softwares livres. Ele não pode acomodar-se, porque a todo
momento surgem soluções novas e que podem facilitar o trabalho
pedagógico com os alunos. Soluções que não podem ser aplicadas da mesma forma
para cursos diferentes.
O professor on-line cada vez será mais
solicitado por outras instituições acadêmicas e corporativas para participar em
um módulo ou parte de um curso, muitas vezes distante do local físico onde se
encontra. Em determinados cursos poderá criar comunidades de aprendizagem, com
grande interação e enfatizando a construção grupal do conhecimento. Em outros
cursos lhe será pedido que interaja o mínimo por uma questão de diminuir
custos, de padrão da instituição ou da coordenação. Em alguns cursos poderá pensar em vídeos, apresentações complexas e câmeras
para visualizar e interagir com os alunos, como vídeo-chats, enquanto em outros
receberá a orientação de não utilizar o chat por ser dispersivo ou de focar
mais o texto impresso e utilizar a Internet como mídia complementar, pela
dificuldade de acesso de uma parte significativa dos seus alunos. Ele precisa
ter flexibilidade para adaptar-se a situações muito diferenciadas e ter
sensibilidade para escolher as melhores soluções possíveis para cada momento.
Hoje temos questões pedagógicas novas que
o avanço das tecnologias de comunicação nos colocam na educação on-line e sobre
as quais ainda precisamos de avaliação mais cuidadosa.
É difícil definir uma metodologia
adequada para cada tipo de curso on-line. É relativamente fácil aprender a
gerenciar cursos on-line que reproduzem as condições da sala de aula
convencional, os que têm um professor para uma média de 40 alunos e que começam
e terminam em datas específicas. Neles transferimos para o virtual as
concepções pedagógicas das aulas presenciais. Os professores centralizadores,
que se colocam como os que conhecem, organizam o curso a partir de textos e
atividades que reforcem o papel principal do professor; outros docentes que possuem
uma visão mais participativa do processo educacional estimulam a criação de
comunidades, a pesquisa em pequenos grupos, a produção individual e coletiva.
Temos programas gratuitos como o AulaNet
ou o Teleduc que facilitam a colocação de textos, a organização de atividades
no ambiente virtual para professores e
alunos sem muito conhecimento tecnológico prévio.
Como a educação a
distância permite formar múltiplas turmas simultaneamente, o gerenciamento
dessas situações novas exige planejamento, equipe pedagógica competente e
multidisciplinar e a aprendizagem de metodologias e utilização de tecnologias
ainda pouco conhecidos. Em educação on-line temos cursos que são, como no
presencial, de aprendizagem de habilidades específicas, cursos de atualização profissional.
Esses cursos podem ter uma proposta pedagógica mais “empacotada”, mais
programada e podem admitir alunos a qualquer momento, sem data definida para
começar e terminar.
Existem outros cursos que são de
formação, normalmente de longa duração, como os de graduação. Neles, a
organização pedagógica tem que ser muito mais cuidadosa. É importante
criar classes que mantenham identidade ao longo do curso, que tenham seu
professor responsável ao longo dos anos, e que equilibrem a transmissão de
informação com atividades de pesquisa em grupo e individualmente,
construindo o conhecimento de forma flexível e participativa.
Com o avanço da comunicação por satélite
podemos abrir tele-salas em todo o Brasil ou em toda a América Latina simultaneamente.
Uma mesma aula poderia estar sendo vista por milhares de alunos em centenas de
tele-salas, ao vivo, e com alguma interação: perguntas por e-mail, por
áudio-conferência ou por câmera remota podem ser feitas e o professor responder
as que lhe pareçam mais relevantes. O professor pode fazer uma avaliação
instantânea da compreensão da aprendizagem e ter um retorno imediato da
porcentagem de alunos com dúvidas em determinados pontos da aula e pode rever
esses pontos ao vivo para milhares de alunos. O professor precisa ter o apoio
de tutores on-line e presenciais: uns atendem os alunos através da Internet; os
outros ficam em cada tele-sala acompanhando as aulas, gerenciando as atividades
previstas e fazendo a mediação com o professor principal.
Alunos com dificuldade de estudar sozinhos, com poucos recursos tecnológicos em casa,
podem encontrar nas tele-aulas e nos laboratórios com Internet uma forma mais
adequada de combinar o presencial e o virtual, em cursos de longa duração.
A videoconferência, combinada com texto
impresso e Internet também é uma excelente combinação para cursos de muitos
alunos e de longa duração. Algumas universidades utilizam quatro salas de
videoconferência simultaneamente com até cinqüenta alunos em cada sala, com
tutor em cada sala e bastante interação. Isso dá uma média de 180 a 200 alunos
conectados simultaneamente. Pelas observações que tenho feito, me parece
possível realizar um bom trabalho com esse número de pessoas, se houver um bom
planejamento das aulas, das atividades e
uma boa comunicação do professor. Também é importante ter um monitor em cada
sala para organizar os grupos locais, para preparar os alunos para alguma
pesquisa inicial antes de uma aula expositiva, para organizar as questões e
encaminhá-las para o professor na aula ao vivo e para complementar a interação
posteriormente. É possível ampliar esse número de alunos em determinadas
situações: por exemplo, para aulas magnas com grandes especialistas e que
depois poderão ser debatidas, adaptadas para grupos menores por professores
assistentes e monitores.
Uma das formas predominantes nestes
próximos anos será a combinação de aulas por vídeo, teleconferência ou pela Internet com atividades em pequenos
grupos e individuais feitas antes e depois das aulas, parte on-line e parte
off-line.
Estamos caminhando para um conjunto de
situações de educação on-line plenamente audiovisuais. Caminhamos para processos de
comunicação audiovisual, com possibilidade de forte interação, integrando o que
de melhor conhecemos da televisão (qualidade da imagem, som, contar estórias,
mostrar ao vivo) com o melhor da Internet (acesso a bancos de dados, pesquisa
individual e grupal, desenvolvimento de projetos em conjunto, a distância, apresentação de resultados).
Tudo isto exige uma pedagogia muito mais flexível,
integradora e experimental diante de tantas situações novas que começamos a
enfrentar. Não
podemos confundir a educação on-line só com cursos pela Internet e somente pela
Internet no modo texto.
Estamos aprendendo a desenvolver propostas pedagógicas
diferentes para situações de aprendizagem diferentes. As instituições sérias, mesmo quando têm muitos alunos, encontrarão
formas de organizá-los para que consigam aprender com qualidade. As
instituições que só buscam o lucro, organizarão cursos prontos, com pouca
interação e apoio, massificando o processo de ensino-aprendizagem, como
acontece também no presencial.
Em geral pensa-se a educação on-line como
cursos pela Internet. Existe hoje uma variedade de ofertas de cursos on-line
com ou sem a Internet. Realmente a Internet é a novidade e também a mídia mais
promissora pela variedade de possibilidades que combinam custos, flexibilidade
e possibilidade de interação. Aos poucos as instituições que trabalham com
educação a distância ou com cursos parcialmente a
distância utilizam mais e mais a Internet como um meio ao menos parcial ou
complementar. E proliferam os cursos oferecidos via Internet, basicamente de
dois tipos: Os que estão prontos, focados no professor-autor e que exigem uma
interação mínima e os que em parte são
construídos pelo grupo, com muita mais participação.
Outros cursos utilizam o texto impresso
como mídia principal e a Internet como mídia complementar. É uma combinação
bastante frequente, pelo tamanho do Brasil e pelas desigualdades acentuadas da
sociedade. Outros cursos acrescentam também o CD ou o vídeo como mídias complementares, principalmente para
materiais audiovisuais, difíceis de acessar pela Internet de banda estreita, a
mais comum.
Está aumentando a combinação da
videoconferência com a Internet. Na videoconferência ponto a ponto (duas salas)
ou multiponto (várias salas simultaneamente) acontece a
aula multiplicada em tempo real e a Internet serve como espaço de pesquisa e de
comunicação on e off-line.
Outras instituições integram a
videoconferência, a teleconferência e a Internet. A teleconferência para
grandes palestras ou aulas magistrais, a videoconferência para aulas com grupos
menores e a Internet como complemento. Estão começando a acontecer cursos que
utilizam salas de teleconferência (com
alguma interação em tempo real) e a Internet. Os alunos se encontram em alguns
momentos para aulas e atividades juntos. Depois continuam sozinhos, através de
materiais impressos ou textos on-line, com o apoio de tutores virtuais. O
próximo passo tecnológico é a recepção do curso diretamente em casa ou onde o
aluno possa conectar-se, por pequena antena parabólica, sem ter necessidade de
ir a uma tele-sala. As aulas podem ser ao vivo, com bastante interação em tempo
real. A Tv digital facilitará a integração de aulas, navegação on-line,
atendimento de dúvidas, orientação de projetos.
Dificuldades na educação on-line
Existem dificuldades sérias na aceitação da educação
on-line. A primeira é o peso da sala de
aula. Desde sempre aprender está
associado a ir a uma sala de aula e lá concentramos os esforços dos últimos
séculos para o gerenciamento da relação entre ensinar e aprender. O modelo
cultural e burocrático predominante nas organizações educacionais exerce também
um peso avassalador na inércia frente a necessidade de
inovar. Tudo é planejado ou decidido de cima para baixo. Os prédios, os
currículos, a contratação de professores são feitos em função do atrelamento
(muitas vezes, confinamento) a salas de aula.
Os professores aprenderam como alunos a
relacionar-se com o modelo convencional de ensinar-aprender dentro de um espaço
bem específico que é a escola e dentro dela a sala de aula. O papel principal
que os professores assumem ainda é o de responsáveis por uma determinada área
do conhecimento e insistem em utilizar predominantemente métodos expositivos
com alguma (pouca) interação. Os alunos, por sua vez, estão acostumados a ficar
ouvindo, em geral, passivos, o que os professores falam e esperam da
universidade ou escola que lhes tragam em bandeja as informações prontas. Nas
faculdades particulares é freqüente ouvir: “Eu pago, eu quero que me ensinem” e
reclamam quando o professor exige mais pesquisa e trabalho em grupo.
Ambos, professores e alunos, constatam a
inadequação desse modelo. Muitos intelectualmente sabem que precisam mudar. É
freqüente o discurso da participação, da mudança, mas, na prática, no dia a
dia, muitos ainda permanecem aferrados aos modelos tradicionais, até porque não
existem muitas experiências inovadoras perto de onde eles lecionam. Por todos
esses fatores, é difícil manter a motivação de forma permanente.
É difícil manter a motivação no presencial e muito mais no
virtual, se não envolvermos os alunos em processos participativos, afetivos,
que inspirem confiança. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo,
mesmo que esteja brilhantemente produzido, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja
só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Em sala de
aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos
problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias
pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível
por e-mail, que é frio, não imediato ou por um telefonema
eventual, que é mais direto, mas num curso a distância encarece o custo
final.
Com os processos convencionais de ensino
e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a
autonomia, a organização pessoal, indispensável para os processos de
aprendizagem a distância. O aluno desorganizado vai
deixando passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e
pode sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalha sua
motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que cria tensão ou
indiferença. Esses alunos pouco a pouco vão deixando de participar, de produzir
e muitos têm dificuldade, a distância, em retomar a
motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas
mais próximos, do professor, pode ajudar a voltar a participar do curso. Á
distância é possível, mas não fácil.
A maior parte dos cursos presenciais e
on-line continua focada no conteúdo, focada na informação, no professor, no
aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Os cursos hoje –
principalmente os de formação – convêm que sejam focados na construção do
conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre
conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado
e em parte construído ao longo do curso.
Todas as universidades e organizações
educacionais, em todos os níveis, precisam experimentar como integrar o
presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa. Precisamos
vivenciar uma nova pedagogia do presencial e do virtual. Não temos muitas
referências anteriores que transitem pelo presencial e pelo virtual de forma
integrada. Até agora temos ou cursos em sala de aula ou cursos a distância, criados e gerenciados por grupos em núcleos
específicos, pouco próximos da educação presencial. É importante que os núcleos
de educação a distância das universidades saiam do seu
isolamento e se aproximem dos departamentos e grupos de professores
interessados em flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o
presencial e o virtual.
A educação
on-line nos cursos presenciais
Tendo acesso à Internet, podemos
flexibilizar a forma de organizar os momentos de sala de aula e os de
aprendizagem virtual de forma integrada e alternada.
No ensino superior precisamos criar a
cultura da educação on-line em professores, alunos e nas instituições. Que
todos se acostumem a utilizar a Internet fora da sala de aula, como uma parte integrante do curso. Os cursos podem
alternar momentos de encontro numa sala de aula e outros em que continuamos
aprendendo cada um no seu lugar de trabalho ou em casa, conectados através de redes
eletrônicas.
O currículo pode ser flexibilizado,
segundo a portaria 2253 do MEC, em 20% da carga total. Algumas disciplinas
podem ser oferecidas total ou parcialmente a
distância. O vinte por cento é uma etapa
inicial de criação de cultura on-line. Mais tarde, cada universidade irá
definir qual é o ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual em cada
área do conhecimento. Não podemos definir a priori uma porcentagem aplicável de
forma generalizada a todas as situações. Algumas disciplinas necessitam de
maior presença física, como as que utilizam laboratório, as que precisam de
interação corporal (dança, teatro....). O importante é experimentar diversas
soluções para diversos cursos. Todos estamos aprendendo. Nenhuma
instituição está muito na frente na educação inovadora on-line.
Podemos começar com algumas disciplinas,
apoiando os professores mais familiarizados com as tecnologias e que se dispõem
a experimentar e ir criando a cultura do virtual, o conhecimento dentro de cada
instituição para avançar para propostas curriculares mais complexas, integradas
e flexíveis, até encontrar em cada área de conhecimento e em cada instituição
qual é o ponto de equilíbrio entre o presencial e o virtual.
Dentro de poucos anos esta discussão do
presencial e a distância terá muito menos importância. Caminhamos para uma
integração dos núcleos de educação a distância com os
atuais núcleos ou coordenações pedagógicas dos cursos presenciais. A maioria
dos cursos de graduação e de pós-graduação será semi-presencial
e os cursos a distância terão muitas formas de aproximação presencial-virtual
(maior contato audiovisual entre os participantes).
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