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A comunicação em grupos e organizações
Professor de Comunicação, Educação e Tecnologias * Participamos de várias situações e formas de comunicação em grupos e organizações, mais ou menos significativas, presenciais e virtuais. Em cada uma das organizações, como, por exemplo, as ligadas ao trabalho, à educação ou ao entretenimento, desempenhamos papéis mais “profissionais” – em que mostramos competência e conhecimento em áreas específicas – e outros mais pessoais. Um médico, conversando num bar de um clube de tênis, continuará sendo visto pelas demais pessoas como um profissional da saúde. As suas opiniões sobre uma determinada doença pesarão mais do que as de um colega engenheiro sentado ao seu lado.
Comunicação nas organizações O paradigma da cultura ocidental é de que a essência das pessoas é perigosa. Assim, elas precisam ser ensinadas, guiadas e controladas por aquelas que são investidas de uma autoridade superior.(Carl Rogers, Um jeito de ser, p. 65) Esse modelo desconfiado, negativo e pessimista só nos traz problemas. Atualmente estamos percebendo a necessidade de investir em novos modelos de gerenciamento e de exercício do poder. Carl Rogers reafirma o significado de trabalhar em grupo numa perspectiva mais aberta, confiante: "Talvez o significado mais marcante de nosso trabalho e de maior alcance futuro seja simplesmente nosso modo de ser e agir enquanto equipe. Criar um ambiente onde o poder é compartilhado, onde os indivíduos são fortalecidos, onde os grupos são vistos como dignos de confiança e competentes para enfrentar os problemas – tudo isto é inaudito na vida comum. Nossas escolas, nosso governo, nossos negócios estão permeados da visão de que nem o indivíduo nem o grupo são dignos de confiança. Deve existir poder sobre eles, poder para controlar. O sistema hierárquico é inerente a toda a nossa cultura".(Carl Rogers, Um jeito de ser, p. 65-66) As pessoas são o ingrediente essencial das organizações . Se as pessoas, no seu conjunto, não mudam, as instituições não mudarão. As pessoas com liderança são as que ditam o ritmo das mudanças. Existem líderes que inspiram confiança e incentivam a participação; outros só impõem diretrizes e conseguem obter adesões superficiais. Em organizações autoritárias, há muito pouca comunicação real. Existem muitas mensagens unidirecionais e feedback pouco confiável. Muitos se limitam a obedecer e oferecer informações desejadas, esperadas, não as reais. Por ter tido educação deficiente, principalmente no aspecto emocional, encontramos muitas pessoas mal resolvidas, que guardam rancor e esperam o momento de prejudicar alguém ou sabotar decisões tomadas. Elas conseguem atrasar significativamente o processo de mudança organizacional. Muitas delas estão mais atentas às críticas do que à cooperação, à sabotagem do que à colaboração. Funcionários mal resolvidos semeiam discórdia, divisão, mal-estar e pessimismo. Fomentam o ambiente de fofoca, de intrigas. Estabelecem redes paralelas de informação, que corroem a confiança, geram incerteza e envenenam umas pessoas contra as outras. Existem grupos de pessoas que não sabotam diretamente, mas adotam uma postura passiva e indiferente quanto às mudanças. São aquelas que resistem silenciosamente. Aparentemente colaboram, mas, sem um controle externo, pouco produzem. Infelizmente nossa educação valoriza mais a obediência do que a autonomia; a competição do que a colaboração, e isso se reproduz no ambiente profissional. Quanto mais evoluem as pessoas, mais evoluem as organizações. Pessoas mais abertas, confiantes e bem resolvidas podem compreender melhor e implantar novas formas de relacionamento, de trabalho, de cooperação. Estão atentas para o novo, conseguem ouvir os outros e expressar-se de forma clara, sem ficar ressentidas porque suas idéias não foram eventualmente aceitas. Cooperam em projetos que foram decididos democraticamente, mesmo que não coincidam com todos os seus pontos de vista. Todos vivenciamos momentos especiais, em que conseguimos expressar-nos profundamente, compreender melhor o sentido das coisas e compartilhar sentimentos, afetos e ternura. Essas situações mostram que, mesmo esporadicamente, podemos mexer com o nosso eu profundo e encontrar nossa integração. Ficamos com a sensação de que nos tornamos mais plenos e realizados quando conseguimos “tocar-nos” emocionalmente, quando fazemos algo bom, quando participamos de algum tipo de encontro em que conseguimos quebrar nossos medos e barreiras. Quanto mais entrarmos em contato conosco, com o nosso eixo, com o nosso eu de forma autêntica, verdadeira, mais fácil será perceber, sentir, comunicar-nos e viver. Isso nos ajudará a mudar, evoluir, aprender e ensinar melhor, levando-nos a trabalhar de forma mais criativa e produtiva. É possível mudar esse quadro? É, aos poucos. Muitos, quando estimulados, mostram-se prontos para novas experiências, para formas de gerenciamento mais flexíveis, para processos de comunicação mais participativos. Boa parte resiste à mudança, não acredita nela e a dificulta. É importante aprender a conviver com os resistentes. Vale a pena aproximar-se dos que querem mudar, dos que desejam experimentar formas menos centralizadoras, mais abertas. As mudanças não se fazem por decreto, mas sim pela percepção do seu valor. E hoje há uma consciência bastante difundida de que o caminho é pela competência, pela interação, pela cooperação. É todo um processo de aprendizagem, de evolução e de mudança, cheio de marchas e contramarchas, de acertos e dificuldades. Mas vale a pena tentá-lo.
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