ECA lança Escola de Ópera com projeto de montagem anual e bolsas para estudantes
Iniciativa interdisciplinar estreia com a ópera “Dido e Enéas”, de Henry Purcell
A ECA lança oficialmente, no dia 9 de dezembro, o núcleo interdisciplinar Escola de Ópera, dedicado ao estudo, à prática e à produção artística de ópera como experiência formativa completa. O projeto nasce da integração entre estudantes e docentes dos Departamentos de Artes Cênicas (CAC), Artes Visuais (CAP), Música (CMU) e da Escola de Arte Dramática (EAD), com o objetivo de se tornar permanente, montando uma ópera por ano. O projeto conta ainda com a participação de estudantes e docentes dos cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas, Jornalismo e Audiovisual, que cuidarão de toda a comunicação do núcleo.
A proposta central da Escola de Ópera é permitir que estudantes aprendam a fazer ópera em todas as suas dimensões — canto, interpretação, direção, cenografia, figurino, iluminação, produção, técnicas de palco, registro audiovisual, entre outras. Para o professor Alexandre Ficarelli, chefe do CMU e idealizador da proposta, "ao reunir em um único percurso formativo os aspectos musicais, a produção, a cenografia, a dimensão técnica e a reflexão teórica, o projeto oferece aos estudantes uma vivência mais próxima da dinâmica profissional - algo indispensável em um mercado cada vez mais exigente e multidisciplinar".
A iniciativa busca aproximar a formação universitária das práticas reais de produção cultural desse gênero e estimular uma vivência colaborativa entre diferentes especialidades artísticas. “A Escola de Ópera é um projeto que expressa de forma exemplar a potência da formação interdisciplinar da ECA. Ele nasce das artes, envolve também as áreas de comunicação e mobiliza diferentes saberes em um mesmo processo criativo”, explica Clotilde Perez, diretora da ECA. Para Flavia Albano, professora de canto lírico do CMU, o projeto oferece aos alunos a possibilidade de “vivenciar a ópera como um processo completo, do estudo à realização”, destacando a combinação entre “viabilidade pedagógica e exequibilidade artística” como critério fundamental para a escolha da obra.
Primeira montagem: Dido e Enéas, de Henry Purcell
Em seu primeiro ano, o projeto encenará Dido e Enéas, de Henry Purcell, selecionada após uma análise criteriosa do repertório operístico. A obra, composta em 1688 para uma escola de meninas no Reino Unido, possui forte caráter colaborativo e permite ampla participação dos estudantes em múltiplas frentes criativas e técnicas.
A montagem deve estrear em junho de 2026, mês em que a ECA comemora 60 anos, e ser apresentada na cidade de São Paulo e no interior do estado, incluindo apresentações voltadas especialmente para escolas da educação básica como parte da dimensão extensionista do projeto. A produção contará com cenário, figurino, iluminação, orquestra (a Ocam — Orquestra de Câmara da ECA-USP) e elenco completo, com duração aproximada de 80 minutos.
"A Escola de Ópera da ECA-USP surge como uma proposta articulada, necessária e altamente promissora. Sua concepção integrada contribui não apenas para o desenvolvimento técnico e artístico dos alunos, mas também para o fortalecimento da ópera enquanto campo de criação, pesquisa e produção cultural no Brasil."
Alexandre Ficarelli, docente e chefe do CMU
55 bolsas e oportunidades de formação prática
Neste primeiro projeto, o núcleo oferece 55 bolsas para estudantes da ECA, distribuídas nas seguintes áreas:
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Direção cênica
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Canto, piano e regência assistente
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Iluminação, cenografia, figurino e indumentária
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Direção de palco e contrarregragem
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Atores, atrizes e performers
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Produção, cenografia digital, registro fotográfico e design
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Comunicação: publicidade, relações públicas, jornalismo e audiovisual
"Em um país onde a ópera ainda enfrenta desafios de financiamento, público e continuidade, uma estrutura acadêmica sólida tem potencial para tornar-se um núcleo de excelência capaz de formar novos profissionais e revitalizar o cenário operístico nacional", explica o professor Alexandre. Os estudantes terão encontros duas vezes por semana, com carga de 10 horas, incluindo estudos de canto, processos de criação visual, dramaturgia, pesquisa de repertório e treinamento corporal — tudo alinhado a uma agenda comum que envolve todos os departamentos.
Interdisciplinaridade e próximas etapas
A Escola de Ópera da ECA se destaca pela integração dos departamentos da Escola em um único projeto. A interdisciplinaridade será vivenciada desde a concepção até a estreia: estudantes e professores de música, artes cênicas e artes visuais trabalharão juntos na definição da linguagem artística, na pesquisa estética e no planejamento geral. O projeto também buscará parcerias externas que contribuam para a formação técnica dos estudantes. Como atividade extensionista, a Escola de Ópera pretende aproximar a universidade da sociedade ao tornar a arte lírica mais acessível.
“É um projeto que reafirma nosso compromisso extensionista ao compartilhar com a sociedade o que produzimos aqui — conhecimento, pesquisa e criação artística. É uma forma de devolver à sociedade aquilo que a universidade pública é capaz de realizar em toda a sua diversidade”.
Clotilde Perez, diretora da ECA
O lançamento oficial do projeto será realizado no dia 9 de dezembro, reunindo os bolsistas já selecionados e os professores envolvidos. As etapas iniciais incluem o estudo da obra e o planejamento artístico, seguidos por ensaios e atividades formativas com o corpo discente e docente.
Serviço:
Lançamento da Escola de Ópera da ECA-USP
Data: 9 de dezembro de 2025
Horário: 14h30
Local: Auditório Lupe Cotrim, Prédio Central da ECA-USP (1º andar, sala 100)
Endereço: Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, 443 — Cidade Universitária, São Paulo