O que faz a Comissão de Inclusão e Pertencimento da ECA?

Entenda como funciona a comissão responsável por resolver conflitos e implementar ações de inclusão e pertencimento na ECA
 

Conheça a ECA
cip
eca
PRIP
inclusão e pertencimento
SUA

Ao longo da graduação ou do expediente de trabalho, todo membro da comunidade ecana já se deparou com siglas de programas e comissões que auxiliam na gestão da escola: CG, Cipa, ProQual, CRInt entre outras comissões permanentes ecanas. Uma delas é a Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP), responsável por implementar na ECA as ações da Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento (Prip) da USP.

Mas, você já parou para pensar em como essa comissão atua e como realmente afeta a vida dos estudantes, docentes e funcionários da Escola?

Nesta matéria, entrevistamos membros da CIP para entender a história da comissão, quais são suas principais ações e como elas podem ajudar a comunidade a usufruir plenamente da Escola. Confira!

 

Uma intermediária entre a ECA e a Prip

Foto de uma mulher branca sorrindo. Ela tem olhos castanhos, cabelos lisos, castanhos, de tamanho médio e com franja e usa óculos com armação preta de gatinho. Veste blusa preta com estampa gráfica de fundo branco e pontos pretos. O fundo é cinza.
Daniela Osvald Ramos (CCA), presidente da CIP. Foto: acervo pessoal/ Daniela Osvald

A Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ECA se tornou uma instância local da Prip e passou a se chamar Comissão de Inclusão e Pertencimento (CIP) em 2022. “A criação de uma pró-reitoria”, explicam Daniela Osvald e Marcelo dos Santos, presidente e vice-presidente da CIP, “implica num efeito cascata de criação de uma estrutura que vai se relacionar com essa pró-reitoria”. Assim, a comissão assume o papel de ser um braço da pró-reitoria dentro da unidade, fazendo um “meio de campo” entre as exigências da Prip e as necessidades da comunidade ecana.

As ações da comissão giram em torno de:

1) Implementar ou replicar as ações da Prip na unidade;

2) Criar eventos e materiais voltados para a inclusão e pertencimento;

3) Fazer atendimentos relacionados ao tema. 

As ações da Pró-reitoria são replicadas pela Comissão de diferentes formas, a depender do tipo de portaria. “A Prip publica anualmente um edital de bem-estar e pertencimento voltado para os funcionários”, explica Daniela, mencionando uma das ações específicas da Pró-reitoria. Nesse edital, os funcionários submetem projetos vinculados ao tema e cabe à CIP, primeiro, divulgar que existe um edital e, segundo, decidir qual projeto será contemplado com a verba da Prip. A realização do projeto em si ainda fica a cargo dos funcionários, como aconteceu com o projeto Redes de Bem-Estar, realizado na ECA em 2024, ou o Pausa para Si, em realização este ano.

 Foto de um homem negro que sorri em semi-perfil. Ele tem cabelos pretos e curtos, bigode e barba grisalhos e olhos castanhos escuros. Ele veste camisa xadrez sobre uma camiseta branca. O fundo é claro.
Marcelo dos Santos (CBD), vice-presidente da CIP. Foto: Susana Narimatsu/ LAC-ECA

“As portarias que não são projetos” explica Mayza Bendinskas, estudante do curso de Publicidade e Propaganda e estagiária da CIP, “são para ações contínuas, que tão rolando o tempo todo na ECA”. A portaria 59, por exemplo, estabelece a Política de Inclusão de Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e define que as unidades devem receber e acompanhar pedidos relacionados à acessibilidade. Mayza explica que, na prática, “a gente está no papel de receber os pedidos e de fazer uma análise também, dos laudos médicos e do plano de adaptações” que então é passado para instâncias como a coordenação do curso ou a administração da ECA.

Mayza conta que as demandas vão desde “abono de faltas” até a “construção de rampas”, e que boa parte delas é atendida.

 

 

Quem faz parte da Comissão?

Docentes, discentes e funcionários contam com representação na CIP. A presidência e vice-presidência são eleitas pela Congregação da ECA e têm mandato de dois anos. Também são eleitos dois representantes discentes e um representante de funcionários, todos com um ano de mandato.

Cada departamento pode indicar dois representantes docentes com mandatos de três anos. Além dessa representação de departamentos, o orientador de arte dramática Victor Walles de Sousa representa o conselho deliberativo da Escola de Arte Dramática na comissão.

Atualmente, a CIP da ECA também conta com o trabalho do secretário Roberto Elias Jugdar (funcionário da EAD) e da estagiária Mayza Bendinskas de Carvalho (CRP).

As reuniões da CIP ocorrem mensalmente (com exceção de janeiro e julho). Nelas são discutidas ações de inclusão e pertencimento, além de demandas surgidas a partir de atendimentos. Todos os membros participam dessas reuniões, a maioria com direito a voto.

 

 

Das portarias da Pró-reitoria às ações na unidade

Foto de pessoa branca de cabelos cacheados, médios e escuros fazendo um movimento de dança em uma sala. Ela tem os olhos fechados, veste uma camiseta regata branca e calça branca, e se move torcendo o tronco e dobrando um dos braços  em direção ao rosto, enquanto o outro braço está estendido na lateral. Ao fundo, há uma parede amarela, um quadro branco e uma cadeira.
Oficina e vivência de Cultura Ballroom. Foto: Reprodução/CIP-ECA.

Além de implementar ações e portarias da Pró-Reitoria, a Comissão realiza eventos e produz materiais voltados à inclusão e pertencimento. Esses eventos são planejados pela própria CIP durante suas reuniões e buscam atender, por um lado, as metas estabelecidas pela Prip e de outro, às demandas específicas da unidade relacionadas ao tema. “Esses eventos”, explica o professor Marcelo, “são também uma porta, é uma forma da gente coletar essas demandas e entender melhor como é que essas demandas se manifestam na unidade.”

Uma das ações destacadas pelos entrevistados foi a vivência de cultura Ballroom com oficinas de Voguing, um estilo de dança ligado à cultura negra e LGBTQIAPN+. Ao todo houve três encontros: um em junho e dois em agosto deste ano, que reuniram diversos estudantes, tendo o aluno de Artes Cênicas João Paulo Tourinho (CAC), como instrutor. “O Ballroom já acontecia entre os estudantes”, comenta Mayza, que deu a ideia para o evento. A estagiária explica que a CIP é “muito aberta a explorar essas ideias que, às vezes, podem ser um pouco arriscadas”, mas que geram valor e agregam na vida das pessoas:

 

Foto de mulher branca sorrindo. Ela tem cabelos lisos, compridos e castanhos e usa uma blusa de frio roxa sobre outra blusa cinza. Ela tem um cotovelo apoiado sobre um móvel. Ao fundo, uma parede de vidro com adesivos de letras que formam parte da palavra biblioteca.
Mayza Bendinskas, estagiária da CIP. Foto: Maria Luiza Negrão/LAC-ECA.

"Quando é que uma comissão estatutária da Universidade de São Paulo falaria para todo mundo: ‘Galera, vem aqui, vamos rebolar até o chão ouvindo, sei lá, Azealia Banks’. Ninguém ia fazer isso, sabe?"

Mayza Bendinskas, estudante de Publicidade e Propaganda e estagiária da CIP

 

A CIP também realiza eventos como rodas de conversa sobre neurodiversidade e inclusão, pertencimento, assédio e diversos outros temas, todos publicados no Instagram da Comissão. Dentre os materiais, destacam-se a cartilha de prevenção ao suicídio, feita em parceria com a professora Kelly Graziani Giacchero Vedana, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP/USP) e o catálogo de filmes sobre povos originários brasileiros, feito em parceria com a Biblioteca da ECA.

 

SUA, CIP … A quem recorrer?

Foto de homem branco, de semi-perfil, sorrindo levemente. Ele tem cabelos lisos, curtos e castanhos, levemente grisalhos, e barba curta grisalha, usa óculos de armação quadrada e camiseta cinza. O fundo é claro.
Roberto Elias Jugdar. Foto: Weslley Andrade/LAC-ECA

Atualmente, há diversas opções de atendimento da CIP para membros da comunidade ecana que precisem tirar dúvidas ou resolver conflitos. Entretanto, essa variedade pode confundir alguns usuários: “eu vou para quem estiver mais perto?”, perguntaria um ecano desavisado. Essas “múltiplas portas”, explica o secretário Roberto Jugdar, servem para que o solicitante opte pela via na qual se sentir mais confortável, ou pela opção mais adequada às suas demandas

O Sistema USP de Acolhimento (SUA), por exemplo, é uma porta de escuta que independe da CIP ou da ECA, ainda que possa ser acionada via Comissão. O SUA é voltado para registrar casos de violência e violações de direitos, no sentido de aplicar sanções aos responsáveis. Conforme Roberto explica, ela serve para quando a questão extrapola os limites da grave ameaça ou violência. O principal meio de acesso ao SUA é via formulário, mas é possível que solicitações que tenham partido de outros canais ou instâncias sejam levadas ao SUA.

Como a CIP herdou o serviço de escuta da antiga Comissão de Direitos Humanos (CDH) da ECA, ela também realiza o acolhimento e resolução de conflitos. Nesse caso, a comissão é responsável por fazer uma escuta inicial e a partir daí contatar as partes, escutar todos os lados, fazer reuniões e conciliar os litigantes, inclusive solicitando a intervenção de outros órgãos da Escola, quando é o caso. Demandas que não envolvam conflitos podem ser resolvidas já no contato inicial, ou encaminhadas para as instâncias adequadas dentro do Departamento ou da Escola. Via de regra, a CIP não aplica punições, mas resolve “ruídos de comunicação” e a principal forma de entrar em contato para solicitar esse tipo de auxílio é pelo e-mail cipeca@usp.br

Foto três homens e duas mulheres posando de pé em uma sala, sorrindo. Um dos homens é negro e veste camisa listrada verde, as demais pessoas são brancas e vestem roupas casuais. Ao fundo um quadro branco com algumas palavras escritas.
Membros da CIP em evento sobre os desafios da inclusão. Foto: Reprodução/CIP ECA

 

Para casos que envolvam saúde mental, Roberto recomenda o Programa Ecos, da Prip. O Programa conta com atendimento online e presencial, por meio dos quais o solicitante pode ser encaminhado às redes de cuidado internas ou externas à USP. Mayza comenta que além dessas portas há um canal de ouvidoria da ECA que pode ser usado para a resolução de conflitos, reclamações e dúvidas.

 

Qual é o resultado das ações da CIP na ECA?

 

"Qual é o resultado imediato que eu posso te falar? O mapeamento de um monte de problemas que sempre existiram e nunca foram falados."

Daniela Osvald, docente do CCA e presidente da CIP.

Daniela e Marcelo destacam a importância de trazer à tona problemas que não eram falados dentro da unidade, desde conflitos entre as pessoas até obstáculos estruturais à permanência e inclusão dos membros da comunidade. “É um ecossistema, não é?” explica a professora, “geralmente, esses problemas de inclusão e pertencimento que emergiram, estão ligados. É muito raro que isso seja algo próprio só dos indivíduos. Isso está ligado a uma estrutura maior. 

“Ela [a CIP] tá com muitas ações que têm uma bandeira forte em direitos humanos, que eu acho que é um ponto fundamental a ser debatido e ampliado dentro da universidade” complementa o secretário Roberto Jugdar. Para Mayza, falar sobre esses temas amplia a noção sobre a sua importância na unidade, o que abre o caminho para ainda mais ações voltadas à inclusão na universidade. 

 

"Antes de ter a Prip, até tinha algumas ações, mas ter uma Pró-reitoria que fizesse só o trabalho de inclusão e pertencimento fez com que isso fosse mais visto, fosse mais pensado e que fosse, consequentemente, gerar mais ações, né? E acho que isso acontece com a CIP também."

Mayza Bendinskas, estudante de Publicidade e Propaganda (CRP) e estagiária da CIP

 

 

 


Foto de capa: reprodução/@cipeecausp.