Estudante de Publicidade lança revista sobre as diferentes formas de arte
O projeto de Anita Meraki foi selecionado por um edital de financiamento da Comissão de Cultura e Extensão
A relação entre a memória, a imaginação e as diversas formas de expressão artística é o foco da primeira edição da revista Mnemozine, projeto idealizado pela aluna do curso de Publicidade e Propaganda, Anita Meraki. A publicação surge como uma plataforma de encontro entre literatura, cinema, música e artes visuais, propondo um espaço para que jovens artistas e pesquisadores compartilhem seus olhares sobre o mundo da arte.
A revista foi fomentada pelo edital de financiamento Apoio a Atividades de Extensão e Atividades Extensionistas Curriculares (AEX) – 2026/2027 da Comissão de Cultura e Extensão da ECA. “Pouco a pouco eu percebi uma coisa em comum entre alguns amigos, o desejo de expor seus trabalhos artísticos e ensinar outras pessoas sobre suas curiosidades mais profundas”, relatou a estudante sobre a motivação para a criação da revista.
“Eu ficava pensando que alguém deveria criar uma oportunidade para esses artistas e pesquisadores. Até que me perguntei: Por que não eu? Se alguém consegue criar um espaço para essas pessoas, eu posso ser esse alguém, eu também consigo.”
Anita Meraki, estudante de Publicidade e Propaganda e criadora da Mnemozine
Editais de Cultura e Extensão
Os editais de fomento são uma oportunidade para a obtenção de recursos financeiros que viabilizam o desenvolvimento de projetos na universidade. A Comissão de Cultura e Extensão da ECA (CCEx) disponibiliza anualmente o Edital CCEx/ECA, responsável pelo apoio a iniciativas dos Departamentos, como a revista Mnemozine, além do Edital de Apoio à Participação de Estudantes de Graduação e da Escola de Arte Dramática em Eventos Acadêmicos, Científicos ou Culturais. As informações completas, regulamentos e orientações para inscrição são disponibilizados periodicamente na página da CCEx.
Anita destaca a relevância social do projeto ao defender que a arte é essencial para a humanização, capaz de conectar pessoas, registrar momentos históricos e criar comunidade. Segundo ela, o financiamento viabiliza projetos de estudantes e pesquisadores em início de carreira que não dispõem de recursos próprios, garantindo que esses jovens criadores se sintam vistos, escutados e valorizados pela universidade.
A origem e o conceito
Com experiências prévias de produção editorial e de conteúdo para as redes sociais, Anita conta que a ideia de produzir a revista se intensificou durante um intercâmbio acadêmico na França, entre 2024 e 2025, através de uma parceria entre a USP e a Université Lumière Lyon 2. Ao participar da cena cultural local e conviver com artistas visuais, performers e historiadores da arte, ela identificou a necessidade de construir um espaço coletivo para trocas dessas experiências.
O nome do projeto surge da fusão entre a palavra magazine (revista) e Mnemosine, deusa da mitologia grega que personifica a memória e que, ao lado de Zeus, gerou as musas inspiradoras das artes. O logotipo da revista, segundo Anita, é uma “fechadura por onde entra a luz, pois a curiosidade serve como uma saída. Há também um bonequinho explorador e uma espiral, que permitem olhar para o mesmo ponto através de diferentes perspectivas.” Na diagramação do projeto, cada estudante que publicou seu trabalho teve liberdade criativa para dialogar com os textos, utilizando tipografias e recursos visuais próprios para caracterizar a leitura.
Os tipos de memória
A primeira edição da Mnemozine navega entre texto, ilustrações e fotografias, organizada em três blocos temáticos que exploram as facetas das recordações humanas.
“Acredito que toda criação é, mesmo que de maneira inusitada, inspirada pela memória, principalmente, quando lembramos que, segundo muitos neurocientistas, o hipocampo guarda a imaginação e a memória juntos. Começar tratando da memória me pareceu o mais lógico, uma vez que tudo é uma recordação.”
Anita Meraki, estudante de Publicidade e Propaganda e criadora da Mnemozine
No eixo da memória histórica, os autores investigam como a passagem do tempo e as lembranças coletivas moldam a cultura e a sociedade. Entre os destaques estão o artigo A história da arte pode ser modificada pela memória?, de Beatrice Vasile, e o quadrinho Vovô Arendito e sua historia de amor em uma ditadura, de João Pedro Bossolla.
No segmento de memória coletiva, a revista avança por um conjunto de textos dedicados à linguagem, à crítica de cinema e às mídias. Como é o caso da entrevista sobre a autora Clarice Lispector, O tecer da memória, conduzida por Anita com a professora Yudith Rosenbaum, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH).
A publicação encerra na seção memória individual, que adentra um terreno intimista e poético por meio da análise de músicas e filmes, além de ensaios visuais e relatos pessoais.
Segundo a estudante, a bagagem teórica e prática do curso de Publicidade e Propaganda foi essencial para integrar a diversidade em um projeto coeso, uma vez que as aulas de Planejamento Publicitário a ajudaram a fazer construções narrativas coerentes e as matérias de Linguagem Publicitária, Redação Publicitária e Design e Produção Gráfica trouxeram a habilidade de trabalhar com um senso estético. Anita contou com a orientação de professores do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP), como Heliodoro Teixeira Bastos Filho, João Luís Anzanello Carrascoza e Bruno Pompeu Marques Filho.
A edição digital da Mnemozine está disponível para leitura gratuita no site oficial do projeto. As cópias físicas são impressas sob demanda, a partir do interesse demonstrado pelo público por meio do formulário online. Também é possível acompanhar a revista pela página do Instagram.
A segunda edição da revista já está sendo produzida, com previsão de lançamento em novembro. Anita pretende dar continuidade ao projeto de forma independente mesmo após o encerramento do financiamento institucional.
Foto de capa: Anita Meraki e Maria Eduarda Bartholomeu Duarte