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No Vale do Ribeira, estudantes de Turismo colocam teoria em prática

Atividades no Parque Estadual e no Quilombo Ivaporunduva unem sustentabilidade, gestão de territórios e turismo de base comunitária

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Foto de homen negro de pele clara de semi-perfil esboçando sorriso. Ele tem olhos castanhos, cabelos curtos e grisalhos e usa camiseta bege e óculos com armação preta. Atrás dele há uma  janela com persiana e uma planta.
Reinaldo Miranda de Sá Teles - Foto: Weslley Andrade

Entre 19 e 22 de novembro de 2025, os alunos do segundo semestre do curso de Turismo da ECA participaram de uma viagem didática ao Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar), em Iporanga (SP), e ao Quilombo Ivaporunduva, Eldorado (SP), uma das mais antigas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. A atividade integra a formação prática das disciplinas introdutórias Turismo e Meio Ambiente (CRP 0470) e Trabalho de Campo em Área de Proteção Ambiental (CRP 0493), ambas componentes estruturantes do currículo do curso, ministradas pelo professor Reinaldo Miranda de Sá Teles. 

 

Teoria em movimento

A partir da Teoria Ator-Rede, de Bruno Latour, que, segundo o professor, “amplia o entendimento das interações entre humanos, não humanos, tecnologias e paisagens”, as disciplinas e a viagem didática têm o objetivo de desconstruir a visão clássica de antagonia entre natureza e sociedade. A obra de Ailton Krenak - especialmente A vida não é útil  e Ideias para adiar o fim do mundo — também foi estudada, provocando questionamentos sobre modos de existência, sustentabilidade, interdependência e os limites do modelo de desenvolvimento contemporâneo.

Outros importantes nomes que fizeram parte da discussão das disciplinas foram: bell hooks, Audre Lorde, Carolina Maria de Jesus, Milton Santos e Maria Ribeiro. Para os estudantes, essa base teórica é essencial para entender o turismo como uma relação com o território.

Segundo a aluna Mariana Fermino, a vivência transformou sua percepção sobre o que é o turismo sustentável e permitiu  entender que a natureza e a cultura local não precisam de grandes intervenções para terem valor turístico.

 

“A partir dessas referências, foi possível compreender como rios, solos, estruturas, relevo e sistemas de gestão ambiental compõem uma rede híbrida que reorganiza relações sociais, econômicas e simbólicas. O turismo, antes associado apenas à beleza das montanhas, rios e cavernas, passa também a ser mediado pela memória dos conflitos socioambientais e pela necessidade de reconstrução territorial.”

Reinaldo Miranda de Sá Teles, professor do Curso de Turismo

 

Foto de grupo de cerca de quinze pessoas com coletes salva-vidas e capacetes segurando grandes boias pretas em um trecho de terra e pedras entre dois braços de rio. Ao fundo, árvores, muita vegetação e o céu azul.
Estudantes se preparando para a atividade de boia cross. Foto: acervo pessoal/ Reinaldo Miranda de Sá Teles

 

 

Petar e Quilombo Ivaporunduva

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar) compõe uma das Unidades de Conservação mais relevantes do país, reconhecida pela Unesco como patrimônio natural e marcada por abrigar a maior porção contínua preservada de Mata Atlântica do Brasil, além de mais de 300 cavernas.

Durante a visita ao parque, os estudantes percorreram diferentes cavernas, além dos núcleos de visitação e das áreas de uso comum, observaram métodos de controle de acesso, manejo ambiental e práticas de ecoturismo. O Petar vem sendo o destino dessa viagem didática não apenas por suas características ambientais, mas também pela presença de comunidades tradicionais, incluindo quilombos, que desenvolvem experiências vinculadas ao turismo comunitário. 

No Quilombo Ivaporunduva, os alunos tiveram contato com a história local, a organização comunitária e as práticas econômicas, como o artesanato e o turismo de base comunitária. Segundo o professor, a vivência permitiu discutir, de forma crítica, a importância do patrimônio cultural quilombola para o turismo responsável e para a valorização das identidades tradicionais do Brasil.

Para a estudante de Turismo Marcela Silva, a parte teórica sozinha não alcança com precisão o carinho com que os residentes tratam o território turístico, que também é sua moradia, e os desafios enfrentados por eles, como o fechamento de cavernas devido à degradação por falta de cuidado dos visitantes, além do receio da substituição da mão de obra local por empresas focadas apenas no lucro. 

 

“O trabalho de base sustentável ou até de guia turístico em espaços de preservação são atividades que eu me identifico e passei a me identificar muito mais depois da viagem do Petar. Eu acho que a viagem vai além de mudar a nossa percepção do que é passado na sala de aula, mas também muda a nossa percepção do que a gente pretende fazer dentro da carreira como turismólogo.”

Marcela Silva, estudante de Turismo

 

Estudantes produziram documentário

O trabalho final das disciplinas consistiu na produção de um material audiovisual que sintetiza a experiência. O documentário produzido pelos estudantes, disponível no canal oficial da ECA no YouTubearticula as entrevistas feitas no Vale do Ribeira e a base teórica debatida ao longo do semestre, transformando os relatos de campo e as observações técnicas em uma narrativa, que une as vozes das comunidades locais à reflexão acadêmica. Confira: 

 

 

 


Imagem de capa: Estudantes do segundo semestre do curso de Turismo da ECA na viagem didática ao Vale do Ribeira. Fonte: acervo pessoal/ Reinaldo Miranda de Sá Teles.