ECA revelada aos 60 anos
Professor Joel La Laina, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão, rememora a história do antigo Laboratório de Fotografia da Escola
Desde os primeiros anos de sua formação, a ECA já oferecia os melhores equipamentos disponíveis no ambiente profissional, tanto de captação de imagens fixas, quanto em movimento. Laboratórios externos eram contratados para o processamento cinematográfico, enquanto os trabalhos de fotografia e de TV podiam ser finalizados na própria Escola.
No curso de Audiovisual, o antigo Laboratório de Fotografia se transformou em Laboratório de Imagem, onde os efeitos e toda finalização para exibição são concebidos e elaborados. A magia de ver a fotografia aparecer, que experimentávamos na penumbra da ampliação, hoje, está na modulação da luz nos estúdios, na correção e gradação da luz, e por fim na exibição.
Só foi possível manter esse encanto natural do processo fotográfico, em nosso caso específico, por conta dos professores e alunos que se encontraram por aqui nos últimos 60 anos.
Posso esquecer de alguns e recordar de outros pouco reconhecidos, que aproveitaram as condições oferecidas nesse generoso convívio criativo. A fotografia é um ato solitário e, no laboratório, se torna estudo compartilhado. A fotografia pode ser memória, e alguns nomes, peço que pesquisem, enquanto outros já são bem conhecidos e citados.
Denise Camargo, que estudou com Carlos Moreira e Ruth Toledo, desenvolveu suas primeiras pesquisas em Deter-se nas banheiras dos químicos reveladores. Hoje, na UNB, como ela mesma se define: “mulher preta, artista, fotógrafa, educadora, gestora cultural”.
Nos anos 80, o Laboratório recebeu alunos dos departamentos de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), de Jornalismo e Editoração (CJE), de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (CRP) e de Artes Plásticas (CAP). O fotógrafo e professor João Musa, na altura, já cuidava das Artes.
No auge, circulavam pelas salas escuras cerca de 200 alunos e já tivemos mais de 20 ampliadores em pleno funcionamento, sala de aula com projeção de slides, processamento de filmes e papel. A dissertação de mestrado Anatomia da imagem fotográfica, de Antonio Carlos d’ Ávila, uma verdadeira aula de ponto de vista, luz, enquadramento e narrativa fotográfica.
Nos anos 80 e 90, no primeiro andar do Prédio Central da ECA, a cada final de curso, os alunos exibiam seus ensaios na parede do corredor, entre as portas do Laboratório.
Alguns filmes foram produzidos a partir de ensaios fotográficos, como Maria da Luz, de Wilson Barros, Seo Chico, de Rafael Mamigonian, e o atualíssimo Juvenília, de Paulo Sacramento.
No século XXI, o laboratório analógico de fotografia do CTR foi cedendo espaço para a captação e os processamentos digitais. Recursos como os de tratamento de imagem, e mesmos os estúdios, começam a ditar os novos olhares e experimentações da imagem narrativa.
O audiovisual requer princípios fotográficos e ainda hoje utilizamos câmeras, objetivas e iluminação na elaboração das imagens para expressar uma determinada intenção visual.
No início, a função básica do Laboratório foi dar vazão à experimentação, pesquisar, refletir, criar poéticas e narrativas visuais. As técnicas fotográficas perpetuam seus elementos de linguagem: ponto de vista, enquadramento, composição, objetivas, foco, modulação luminosa. Expressar-se por imagens demanda cultura no sentido do cultivo das parcerias, histórias para contar, conceber autorias coletivas. As imagens dos 60 anos da ECA seguem contando com o laborar fotográfico.
Sobre o autor
Joel La Laina é professor aposentado (1990-2019) do CTR na área de Fotografia Cinematográfica. É bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Fotografia Cinematográfica pela ECA-USP (1979), mestre em Artes Visuais pela Unesp (1997) e doutor em Educação, área de Linguagem e Educação, pela FE-USP (2002), tendo sido bolsista Capes na Universitat Autònoma de Barcelona (2001).
Fotógrafo e pesquisador, atua nos seguintes temas: fotografia poética e documental brasileiras, direção de fotografia, crônica e narrativas fotográficas. Foi professor-visitante da Kyoto University of Foreign Studies, pesquisador de Assuntos Culturais e Coordenador do Setor de Audiovisual do Centro Cultural São Paulo (CCSP), de 1979 a 1986, professor de Fotografia (1979-1990): Imagem-ação, Sesc Pompeia, Universidade Presbiteriana Mackenzie e editor de Fotografia da Enciclopédia Larousse (1989). Participou do Encontro Internacional Entretelas da UNB (2017), que gerou a publicação Temporalidade das Telas (2024), e do Cinematography in Progress, em Bruxelas, com o paper Work Flow for Young Filmmakers (2019).
Foto de capa: Fernando Scavone.





