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Da bisteca do bandejão ao orgulho de ser a nossa "meca": o professor Bruno Pompeu celebra os 60 anos da ECA com irreverência e afeto

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​Ingrata sina desta Escola de tão belo nome, de Comunicações e Artes, ser conhecida muito mais apenas como ECA. ECA, interjeição de nojo e de repulsa: eca! ECA prefixo pejorativo, como nas palavras feias: meleca e furreca. Mas, também, ECA prefixo diminutivo e afetivo, de sentido até terno, como em soneca e loteca – tem coisa mais a nossa cara? ECA de sonoridade mágica e mundana, daí a Batereca, o Futxeca e a Festeca. ECA, quase teca, sufixo nobre, de acervo e coleção, de livros, quadros e jornais – biblioteca, pinacoteca e hemeroteca (coitada da discoteca). Já, já tem Criateca. Do que você se arrepende? Neca!

​ ​  ​Foto de homem jovem branco de cabelos longos, lisos e castanhos, sorrindo e segurando placa em formato de balão com a inscrição MÃE, EU TO NA ECA! Ele veste camiseta cinza e tem o rosto e os braços pintados com tinta preta. O fundo é um painel branco com ilustrações de cidades e textos em azul.
Semana de recepção 2019. Foto: Arissa Tasso.

Então, vem, que hoje é dia de festa, tempo de celebrar. Talvez no bandejão, quem sabe, hoje tem salada, arroz, feijão e bisteca (eu preferiria que fosse moqueca, mas me contentaria com panqueca) – com suco de laranja servido na caneca. Que venham todos: Júlio, Marcelo, Francisco; Natália, Sabrina, Rebeca; gente do Soho, do Harlem, do Tribeca; os daqui e os de fora, a intercambista argentina, a coreana e a da República Tcheca – para jogar truco, buraco, bisca e sueca; dama, xadrez, dominó e peteca. Música: toquem a viola, o violino e a rabeca! Vamos botar roupa nova, do chapéu à calcinha, da gravata à cueca – certamente haverá os que preferem vir de beca.

Festa desta Escola, ave aquática, tão brava quanto uma gansa, tão bela quanto um cisne, tão intrépida quanto uma marreca. Escola que pode pedir água, mas não seca; que faz bobagem, mas não peca; que pode ser caipira, mas não é Jeca; que, se se chamasse José Carlos, atenderia por Zeca; que, pobre, faz muito com pouco, faz milagre com merreca.

O mundo tem vários centros, várias civilizações, como a inca e a asteca. Mas, rodando por aí, notamos que aqui é a nossa casa, aqui é a nossa meca! Casa própria, quitada, sem hipoteca. Casa bem construída, com tudo nos trinques e louças da marca Deca. Escola que se olha no espelho e se enxerga perfeita: firme, forte, tudo no lugar, joelho, lombar e munheca. Não tem sequelas, quase sem rugas, longe de ser careca. 60 anos com rosto de boneca, jeito de moleca, levada da breca, lépida, safa, sapeca.

Não, não falarei de xereca, perereca ou pepeca.

 
Foto de um homem branco com um ligeiro sorriso. Ele tem  cabelos curtos, lisos e castanhos, olhos castanhos e veste camisa preta com detalhe em xadrez na gola. O fundo é cinza.
Foto: acervo pessoal/ Bruno Pompeu 
 

Bruno Pompeu é professor de Redação Publicitária e Coordenador do curso de Publicidade e Propaganda.

 
 
 
 
 
 
 

Foto de capa: Arissa Tasso