A marca criativa da ECA: premiações e momentos em que a Escola teve produções reconhecidas
Conheça algumas criações, pesquisas e outros projetos da comunidade ecana que foram destaque no segundo semestre de 2025
A ECA, nas diferentes formações que oferece em artes, comunicações e ciências da informação, se dedica a lançar na área profissional e na pesquisa pessoas que irão oferecer propostas criativas e inovadoras. No segundo semestre de 2025, membros da comunidade ecana tiveram seu talento reconhecido em distintas premiações. Além disso, a Escola esteve representada em ocasiões importantes, marcando presença nas cenas cultural, artística e midiática.
Veja a seguir as premiações e outros destaques da comunidade ecana no segundo semestre de 2025:
Animação infantil de egressa de Educomunicação é premiada no Japão
A cozinha se transforma em um laboratório de ciências para a cientista Nair Jatobá e seus netos, Tito, Lina e Didi, em O Fantástico Laboratório da Vovó Naná. Esse é o cenário do projeto realizado por Radhi Meron, egressa do curso de Educomunicação da ECA. A proposta recebeu o prêmio Outstanding Proposal no evento Japan Prize, que busca reconhecer produções educativas para a televisão.
A partir de experimentos feitos com materiais do dia a dia, a animação infantil apresenta o universo das ciências da natureza. Ao final de cada episódio, são exibidos momentos com crianças reais realizando um experimento.
A premiação contou com criadores do Sri Lanka, Bangladesh, Filipinas, Kosovo e Índia, que buscam na televisão formas de desenvolver conteúdo educativo. “Para mim este projeto é, em parte, resultado desses anos de pesquisa sobre a relação entre audiovisual, educação e infância que comecei durante meus anos estudando Educomunicação”, Radhi comenta.
A série está em fase de produção e terá seu episódio piloto exibido na próxima edição do Japan Prize.
49ª Mostra Internacional de Cinema premia egressa do Audiovisual por melhor ficção brasileira
Em Criadas, filme exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, de Carol Rodrigues, egressa do curso de Audiovisual, a personagem Sandra retorna à casa de sua prima Mariana em busca de uma foto de sua falecida mãe, que trabalhou ali como empregada residente para os pais de Mariana.
Embora tenham crescido juntas, Sandra, negra de pele escura, e Mariana, negra de pele clara, vivenciaram aquela casa de formas muito diferentes. Ao se reconectarem, memórias há muito enterradas tomam forma ao redor delas.
Carol Rodrigues, que também foi roteirista das séries Escola de Gênios, 3% e Pico da Neblina, além de liderar projetos como a série Lov3 e a segunda temporada de Manhãs de Setembro, ganhou com Criadas o Prêmio do Público de Melhor Filme Brasileiro de Ficção da Mostra.
Festivais de cinema LGBT+ premiam pesquisador em Artes Cênicas
O filme Sangue de Réptil, dirigido por Thiago Camacho, doutorando do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC), venceu a premiação de Melhor Vídeo-Arte no Festival MT Queer Premia 2025, em Cuiabá. O filme foi gravado em estilo vídeo-arte e retrata experiências de uma escola pública de periferia, na zona sul de São Paulo, como a vivência de um professor gay que precisa lidar com a homofobia.
O filme contou com a participação de Oliver Olívia no elenco, que também desenvolve projeto de doutorado no PPGAC.
Em 2025, Thiago também recebeu os prêmios Best LGBT Film Producer e Best LGBT Film no Colors of Love Film Festival, realizado em Mumbai, na Índia, com o filme Fora, sequência do filme Dentro, de 2023. No curta, dois homens vivem um relacionamento marcado por abusos, que não são prontamente identificados pela vítima. O filme Dentro também chegou a ser premiado em outra ocasião.
Thiago Camacho considera que as vivências da diversidade são uma riqueza muito especial. "Então nossas produções atravessam diferentes tradições e culturas, e impactam com temas humanos e universais”, ele diz.
Livro sobre o jornalismo erótico brasileiro foi vencendor do Jabuti Acadêmico
A obra Repórter Eros: a história do jornalismo erótico brasileiro, foi o resultado de pesquisas que tiveram início na graduação do escritor Valmir Costa e seguiram pelo mestrado e doutorado no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA. Publicado pela editora Cepe, o livro levou o primeiro lugar do Jabuti Acadêmico de 2025 na categoria Comunicação e Informação.
Para publicar o livro, Valmir inscreveu seu projeto diversas vezes em programas de pós-doutorado, inclusive na USP. Após ter tido sua inscrição recusada onze vezes, ele continuou escrevendo o livro de forma independente.
Repórter Eros mostra como a imprensa brasileira abordou os temas relacionados a erotismo ao longo de mais de dois séculos. Do nascimento do jornalismo erótico, passando por momentos de censura no Estado Novo e na ditadura, a era de ouro da Playboy até o final do século XX, chegando aos formatos digitais vindos pela popularização da internet. As páginas contam com fotos e ilustrações históricas.
Segundo o autor, o livro, além de entreter, pretende contribuir para debates sobre direitos, moralidade e sexualidade e critica a ótica que pesava sobre pessoas negras e a sexualidade feminina.
Estudante de Educomunicação é premiada pelo projeto Atlas Interativo de Biologia Celular
A estudante Isabella Souza Xavier da Silva ganhou menção honrosa no Congresso da Federação da Sociedade de Biologia Experimental (FeSBE) por um poster relativo a seu trabalho como bolsista do Programa Unificado de Bolsa (PUB). O Atlas Interativo de Biologia Celular de Isabella lança um “olhar educomunicativo” sobre o tema. “Criamos atividades interativas, pensamos materiais de estudo para diferentes realidades de acesso ao conhecimento e à informação”, resume a aluna.
A apresentação do pôster de Isabella contou com audiodescrição, algo que, segundo a estudante, chamou atenção no evento.
Pesquisadora da ECA ganha prêmio com estudo sobre a plataformização da Rede Globo
Com a tese Uma só Globo: o caso Globoplay na plataformização da empresa brasileira de comunicação, a pesquisadora Ana Flavia Marques da Silva recebeu menção honrosa em premiação da Associação de Pesquisadores da Internet (AoIR).
Segundo a comissão julgadora, a pesquisa oferece uma análise multifacetada da plataformização do grupo Globo, que completou 100 anos em 2025. O texto revela adaptações de trabalho e infraestrutura da empresa, diante de transformações na esfera digital.
Concurso de Violão Souza Lima premia estudantes de Música
Com participação no Concurso de Violão Souza Lima, os estudantes Gabriel Galvão da Silva e Henrique Barbosa Oliveira, graduandos do curso de Música da ECA com habilitação em violão, receberam menção honrosa pela apresentação no Duo Barbosa-Galvão. O concurso é organizado desde 1990 pelo Conservatório e Faculdade de Música Souza Lima.
Gabriel acredita que os concursos são momentos ricos de troca com outros artistas. Sobre competir, ele considera que “tocar em concurso fortalece nossa resiliência no palco: é saber que é necessário dar sempre o seu melhor dentro do possível e superar eventuais erros em busca da melhor performance.”
Estudante do curso de Música recebe premiação da Academia da Osesp
Kauã Requena, estudante do curso de Música da ECA, com habilitação em trompete, recebeu o Prêmio Academia de Música da Osesp na ocasião da 55ª edição do Festival de Inverno de Campos do Jordão, garantindo uma bolsa de aperfeiçoamento técnico de dois anos na Academia da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. No primeiro semestre, Kauã também foi premiado no concurso Jovens Solistas 2025, da Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de São Paulo (Ojesp).
A presença da ECA nas cenas cultural, artística e midiática
Não é rara a participação de pessoas da comunidade ecana em espetáculos, mostras e exposições. Veja outras ocasiões em que pessoas da ECA se destacaram em 2025.
Docente foi um dos roteiristas do filme A Mulher da Fila, lançado no catálogo da Netflix
O professor Marcelo Müller, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da ECA, é um dos roteiristas do filme argentino A Mulher da Fila, que entrou no catálogo da Netflix no segundo semestre de 2025. Dirigido por Benjamin Ávila, o filme conta a história de uma mulher de classe média que tem a vida transformada por ter o filho preso injustamente. O filme mostra as falhas e a brutalidade do sistema prisional, o peso da detenção que recai sobre as mulheres e a solidariedade que surge entre as famílias.
Série Tremembé tem direção de egressa de Audiovisual
Em 2025, a plataforma Amazon Prime Video disponibilizou episódios da série Tremembé, dirigida por Vera Egito, egressa do curso de Audiovisual. A série do gênero true crime é baseada nos livros Suzane: assassina e manipuladora, Elize - A Mulher que Esquartejou o Marido e Tremembé: o presídio dos famosos, de Ulisses Campbell, e também nos autos dos respectivos processos. A série é ambientada no complexo prisional de Tremembé, conhecido por ter pessoas que foram presas por crimes que ganharam notoriedade na mídia. A segunda temporada já está em processo de produção.
Filme produzido no curso de Audiovisual é licenciado pelo Canal Brasil
Após muitos anos de autoexílio, a última herdeira de uma família de imigrantes libaneses retorna ao lugar onde viveu na infância, com a intenção de vender a casa da família e enterrar as memórias de um passado de conflitos familiares. No curta-metragem Nosso Tipo Inesquecível, Camila, ao encontrar um acervo de fitas cassetes contendo gravações das vozes de seus parentes mortos, fica obcecada e cogita rever sua decisão.
As fitas utilizadas no filme fazem parte de um acervo familiar real, com gravações de voz datadas entre 1982 e 1996.
O curta-metragem, que usa recursos de fantasmagoria para tratar de autoexílio, origem familiar e relações entre espaço e memória, nasceu de um trabalho de conclusão de curso de estudantes de Audiovisual, dirigido por Victor Stoll e estreou no Canal Brasil em novembro.
Participações da ECA na 49ª Mostra Internacional de Cinema
Além do filme premiado Criadas, de Carol Rodrigues, outros ex-alunos de Audiovisual marcaram presença na 49ª Internacional de Cinema.
O filme Alma Errante – Hibakusha, de Joel Yamaji, cineasta e funcionário da ECA, foi também exibido na Mostra. O documentário retrata as memórias de Takashi Morita, ex-soldado da Guarda Imperial no Japão, relojoeiro e sobrevivente da bomba atômica em Hiroshima em 1945.
Yamaji já dirigiu 17 filmes, entre curtas e médias-metragens.
Na Passagem do Trópico, filme de Francisco Miguez, narra a história de um topógrafo que mapeia áreas de risco de deslizamento na cidade de Ubatuba, conhecendo um pouco mais sobre a vida de pessoas que vivem em tais áreas. Obcecado por medir e organizar, o protagonista se depara com um território de ocupação humana caótica e repleta de conflitos, onde a história da cidade se revela.
Em A Voz de Deus, dirigido por Miguel Antunes Ramos, é narrada a história de duas crianças que ficam famosas na internet por realizarem pregações religiosas. O filme revela as infâncias escondidas e incertezas sobre o futuro, oferecendo uma reflexão sobre um Brasil em transformação, em que política e religião frequentemente se confundem.
Melodia ancestral: curta de ex-aluna estreia na HBO Max
No filme Melodia Ancestral, Beatriz Costa, egressa de Audiovisual, investiga a história de seu avô, Antônio Vaz do Nascimento, maestro negro da orquestra Marabá, que se apresentava em bailes da cidade de São Paulo entre as décadas de 1950 e 1980. O filme foi exibido na HBO Max, com sessões extras nos canais TNT, TLC e Cinemax. Melodia Ancestral retrata a importância da preservação da memória e da cultura por meio da música e os desafios enfrentados por artistas negros.
Beatriz percebe na população negra um público consumidor pouco explorado pela indústria audiovisual. “Temos a necessidade de nos vermos representados em tela, e abrir esse espaço para diretores negros, que têm um olhar e uma vivência que diretores brancos não possuem e que dialogam diretamente com 60% do público, não é apenas uma questão de dar oportunidade, mas algo benéfico para a própria indústria”, explica.
Outros ecanos participaram do filme: os graduados em Audiovisual Laís Vallina, técnica de som, e Marlon Carvalho, microfonista, e Natália Miotto, violoncelista e personagem, egressa do curso de Música.
O filme foi uma das três produções realizadas na segunda edição do programa de aceleração de talentos Black Brazil Unspoken - Narrativas Negras Não Contadas, da Warner Bros. Veja a notícia completa no site da ECA.
Egressa do curso de Música representou o Brasil em concurso de regentes na França
Laura Gentile, ex-aluna do curso de Música, com habilitação em regência, participou das etapas finais do Festival Internacional de Música de Besançon, que aconteceram na França. Dos 271 participantes selecionados, apenas 20 foram para a França para a fase final do concurso. Atualmente, Laura é regente assistente do Theatro da Paz, em Belém.
A disputa não rendeu o primeiro lugar para a regente, mas ela considera ter levado muitos aprendizados sobre a participação de concursos, que são comuns em carreiras musicais, como ela comenta: “descobri que, não é porque sou mulher latinoamericana, que eu sou menos do que todo mundo que chegou lá.”
Durante a COP30, que aconteceu em Belém, ela participou da criação da Ópera I-Juca Pirama: aquele que deve morrer. A produção contou com pessoas indígenas que fizeram pinturas corporais no coro e nos solistas e criaram a proposta de figurino, além da participação do cantor Gilberto Gil, que compôs uma música sobre desmatamento, atuou no elenco e nos processos de criação.
Estudantes da EAD têm espetáculos indicados para premiações e participam de formações internacionais
Bruna Vitória Gonçalves (Bruna Tovian), foi uma das atrizes da peça Cavalo Bravo Não se Amansa, que foi indicada ao Prêmio Shell de Teatro na categoria Energia que Vem da Gente. O espetáculo tem realização da Cia. Teatro Documentário. Outro espetáculo de destaque, que também contou com a participação da atriz, o Reza Cotidiano, com realização do Coletivo Negrura, que foi indicado a melhor cenário e melhor figurino pela mostra competitiva de teatro profissionalizante do Festival de Barueri.
O espetáculo ¡CERRADO!, do Grupo Pano com a participação da aluna Maya Maia de Paiva (Maya de Paiva), também foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro na Categoria Música. Na peça, uma sociedade fictícia de uma região deserta passa a enfrentar proibições de festas, danças e boates, abordando um contexto de política proibitiva e totalitária.
O espetáculo Do outro lado do rio, idealizado pela Cia. Peixes Voadores, passou no edital de ocupação do recém inaugurado Instituto Brasileiro de Teatro (IBT) . A peça, que conta com a participação do estudante Matheus Rodrigues Pessoa Salgado (Tchô Salgado), é inspirada na poesia de Manoel de Barros, e conta a história de uma criança e uma onça que precisam atravessar um rio, explorando momentos de coragem e delicadeza.
Também passou no edital de ocupação do IBT a aluna Zahra El Rahim Rabah, com o projeto Meshtaa2eenمشتاقين.
O programa World Young Professional Performing Art Meetings (WYPPAM), residência que acontece na França, recebeu o estudante Vinícius Précoma por meio da bolsa Funarte Brasil Conexões Internacionais 2025 - temporada Cultural Brasil-França. O WYPPAM é um encontro internacional que reúne jovens artistas das artes cênicas para formação e troca.
Abraão Kimberley dos Santos, aluno da Escola de Arte Dramática (EAD) é um dos integrantes da ColetivA Ocupação, que esteve na França para se apresentar no Festival Internacional de Teatro de Rua de Aurillac.
O grupo abriu o festival com a peça Quando Quebra Queima, sobre o despertar político da juventude na greve dos secundaristas, ocorrida em 2015. O espetáculo retrata a efervescência, ousadia e esperança de um movimento que impulsionou debates sobre realidades da escola pública.
Em sua 38ª edição, o festival reuniu cerca de 600 companhias teatrais visitantes em quatro dias de apresentações na cidade de Aurillac. “Para mim, foi muito importante participar dessa experiência, porque eu respirei uma cidade que respeita o teatro”, afirmou Abraão.
Outro momento importante vivido pelo estudante da EAD este ano foi a participação no Bravo Film Festival, em que 10 roteiristas foram selecionados pela Associação de Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) para uma formação na Califórnia. Abraão, junto de outros participantes, teve oportunidade de viver uma experiência imersiva na indústria cinematográfica, participando de formações, reuniões com estúdios e produtoras.
Certamente, há outras premiações e destaques da comunidade ecana que não aparecem na matéria. Lembrou de alguma? Envie informações para o e-mail lac-eca@usp.br.