USP concede título de Doutor Honoris Causa a Gilberto Gil após proposta da ECA
Honraria reconhece o impacto do artista e ex-ministro na cultura, na política pública e na ciência brasileira
O Conselho Universitário da USP aprovou, em reunião realizada no dia 25 de agosto, a outorga do título de Doutor Honoris Causa ao músico e ex-ministro da Cultura Gilberto Gil. A honraria é a mais alta concedida pela Universidade a personalidades que tenham prestado contribuições extraordinárias para o progresso das ciências, letras ou artes. A mesma reunião aprovou a outorga do título de Doutor Honoris Causa à artista e ativista Cláudia Andujar.
A indicação partiu da ECA, por meio do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), e foi aprovada por unanimidade pela Congregação da Escola em maio.
Durante a sessão do Conselho Universitário, a diretora da ECA, professora Clotilde Perez, apresentou a defesa do título. Em seu discurso, a docente destacou que a homenagem reafirma a vocação da universidade para a cultura e as artes:
“Ao laurear o compositor baiano, a USP, como universidade pública, laica e autônoma, reafirma que o seu sentido fundamental não habita apenas a precisão empírica dos béqueres, o rigor formal das equações ou a densidade conceitual da filosofia tradicional. O espírito universitário manifesta-se, com igual potência, nos acordes, na poesia e na pulsação da arte, revelando que a excelência acadêmica reside também na capacidade de decodificar e transformar a realidade humana através de múltiplas linguagens”.
Clotilde Perez, diretora da ECA, durante sessão do Conselho Universitário
A diretora da ECA descreveu a trajetória do artista como uma “combinação rara de visão intelectual, sensibilidade artística e capacidade de gestão”. Para a professora Clotilde, “trata-se de reconhecer não apenas um artista de relevância mundial, mas um pensador sofisticado e um gestor público que contribuiu decisivamente para a construção de um Brasil mais plural, democrático e culturalmente consciente”.
Trajetória e ligação com a USP
Nascido em Salvador em 1942, Gilberto Gil construiu uma das carreiras mais influentes da música popular brasileira. Nos anos 1960, foi um dos criadores do Tropicalismo, movimento que redefiniu a cultura nacional ao integrar matrizes populares e vanguardas artísticas à guitarra elétrica e à arte pop. Perseguido e preso pela ditadura militar, exilou-se em Londres até 1972.
Após retornar ao Brasil, manteve uma atuação de resistência política. Em 1973, realizou um show histórico no Biênio da Escola Politécnica para mais de mil pessoas, que se tornou um marco da resistência artística universitária durante a ditadura. Ao longo de seis décadas de produção, Gil também articulou a criação musical ao debate sobre ciência, tecnologia, meio ambiente e sociedade, abordando temas como a inteligência artificial na canção Cérebro Eletrônico (1969) e a relação entre conhecimento científico e arte no álbum Quanta (1997).
Em 2006, então ministro da Cultura, Gil participou do lançamento do projeto do edifício da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (BBM) e da inauguração da nova sede do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP.
A data da cerimônia de entrega do título de Doutor Honoris Causa a Gilberto Gil será divulgada em breve pela Reitoria da USP.