Veja os projetos da ECA que estão no Mapa Brasileiro da Educação Midiática
As iniciativas da Escola promovem o letramento informacional e o combate à desinformação
Fonte: Secom PR
Divulgado em fevereiro de 2026, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática é um inventário de experiências, projetos e redes que estão contribuindo para uma cultura de informação mais crítica, ética e democrática. O projeto é fruto de um mapeamento iniciado em 2024 pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom PR) em parceria com a Agência Porvir, contando com o apoio da Unesco e da Embaixada do Reino Unido.
Ao todo, o mapa interativo reúne 225 iniciativas de todas as regiões do Brasil, abrangendo desde a educação básica até o ensino superior e projetos da sociedade civil. Ele oferece um panorama diverso e inspirador sobre como a educação midiática vem sendo promovida no nosso país. A ECA aparece em seis iniciativas lideradas por docentes, discentes e egressos:
Licenciatura em Educomunicação
Criada em 2011 e atualmente coordenada pela professora Thaís Brianezi, a Licenciatura em Educomunicação é o curso mais novo da ECA. Ela busca formar profissionais para integrar processos de educação e comunicação social em contextos formais e não-formais de aprendizagem. O curso prepara os estudantes para atuarem como gestores de processos comunicacionais, promovendo o uso crítico, criativo e ético das mídias e tecnologias.
Por meio de um aprofundamento teórico e prático na interface entre educação e comunicação social, as pessoas egressas estão aptas a desenvolver projetos educativos com mídias, produzir conteúdos digitais, atuar na docência e na consultoria de iniciativas voltadas à cidadania, diversidade e direitos humanos.
Núcleo de Comunicação e Educação (NCE)
Fundado em 1996, o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) nasceu da reunião de professores de várias universidades brasileiras interessadas na inter-relação entre comunicação e educação. Inicialmente coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, o grupo atua há 30 anos em projetos de intervenção social voltados à educomunicação e à educação midiática.
Atualmente coordenado pelo professor Claudemir Edson Viana, o núcleo presta apoio a pesquisadores e desenvolve projetos educomunicativos para crianças, jovens e para a formação de professores das redes públicas e do ensino privado. Com a finalidade de difundir e consolidar o campo da educomunicação, o NCE promove cursos, assessorias e eventos, como o Encontro Brasileiro de Educomunicação.
Labidecom
Fundado em 2014, o Laboratório de Inovação, Desenvolvimento e Pesquisas em Educomunicação (Labidecom) da ECA tem o objetivo de engajar docentes e estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de extensão e pesquisa. O laboratório foca suas ações na criação de um pensamento social crítico e criativo, desenvolvendo oficinas, seminários e materiais educomunicativos que incentivam a leitura crítica da mídia e a compreensão dos ecossistemas comunicativos para a mudança social.
As linhas de pesquisa do Labidecom investigam as interfaces entre comunicação, educação, cultura e artes, buscando fundamentar ações inovadoras e desenvolver perspectivas cidadãs voltadas, especialmente, para o ambiente escolar.
Vaza, Falsiane!
O Vaza, Falsiane! é um curso online criado pelos professores Ivan Paganotti e Rodrigo Ratier e pelo egresso Leonardo Sakamoto, todos do Jornalismo, com o objetivo de enfrentar o avanço das notícias falsas e da desinformação. A iniciativa busca traduzir estudos complexos sobre o tema para uma linguagem simples e acessível, ajudando o público em geral a desenvolver critérios práticos para identificar e não compartilhar conteúdos enganosos na internet.
Desenvolvido após dois anos de pesquisa, o projeto foi incubado pela ONG Repórter Brasil e contou com o apoio de um edital de financiamento do Facebook. O curso também faz parte da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD).
Revista Babel
A Revista Babel é um jornal-laboratório produzido por estudantes de Jornalismo da ECA, atualmente sob a coordenação do professor Ivan Paganotti. Com foco em temáticas latino-americanas e perspectivas decoloniais, ela funciona como um importante espaço de experimentação prática, permitindo que estudantes desenvolvam reportagens e exercitem o pensamento crítico sobre a realidade social e midiática.
Com uma cobertura multiplataforma, a revista disponibiliza suas edições completas no Issuu e mantém canais ativos no Instagram, TikTok e Substack, onde publica sua newsletter. O projeto une a formação acadêmica à produção de conteúdos que instigam o letramento informacional e o debate sobre ética e cidadania por meio do jornalismo.
Aulas de educação midiática do Colégio Stockler
No Colégio Stockler, a educação midiática integra a grade curricular do Ensino Médio, com encontros semanais voltados para estudantes da 1º e 2º anos. O projeto fundamenta-se na pedagogia de Paulo Freire, que compreende a educação como uma prática de liberdade, e busca desenvolver as competências do campo jornalístico-midiático previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
A iniciativa foi desenvolvida por Tatiana Garcia Luz de Carvalho, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA. Durante as aulas, os estudantes utilizam metodologias variadas para analisar conceitos, gêneros e práticas do jornalismo, promovendo debates críticos sobre desinformação, segurança digital e o uso consciente das redes sociais no cotidiano escolar.
Metodologia e Curadoria
A construção do Mapa partiu de uma consulta pública realizada entre 2023 e 2024, que recebeu 496 inscrições de escolas, universidades, governos locais e organizações da sociedade civil. A curadoria final de 2025 teve como objetivo um panorama amplo e plural de práticas em diferentes regiões do país, valorizando a diversidade de metodologias, territórios e atores envolvidos na educação midiática.
As 225 iniciativas foram selecionadas com base em abordagens como: análise crítica da mídia, checagem de fatos, letramento algorítmico, conscientização e disseminação, produção de mídia e jornalismo, cidadania digital e uso seguro da internet, acesso a bens culturais ou divulgação científica.
O site do mapa reitera que a proposta é ser um panorama amplo, aberto e plural do que já está sendo feito no Brasil. Por isso, tem como objetivo ser uma inspiração para a criação de novas políticas públicas, sem necessariamente configurar um selo de validação acadêmica formal.
Foto de capa: Susana Narimatsu/LAC-ECA