Trajetórias Ecanas: Marcelo D’Salete, quadrinista, ilustrador e professor
Autor vencedor do Jabuti e do Eisner relembra sua trajetória desde a graduação em Artes Visuais
Vindo do distrito de São Mateus, na zona leste de São Paulo, o ilustrador e autor de quadrinhos Marcelo D’Salete conta que a relação com a arte começou nas bancas de jornal, onde tinha acesso a quadrinhos junto com seu irmão. Marcelo ingressou no curso de Artes Visuais da ECA em 2001 e lembra que não tinha nenhum parente que trabalhava com arte. “Inicialmente era algo novo e algo bem inusitado e inesperado por meu pai, principalmente.” No entanto, ele conta que sempre teve um apoio muito grande por parte da mãe e de outros familiares: “eu estava escolhendo o meu caminho e eles tinham consciência disso”.
Antes de iniciar a graduação na ECA, Marcelo cursou design gráfico na Escola Técnica Estadual (Etec) Carlos de Campos, no Brás. “Esse curso foi um divisor de águas para mim, com certeza”, conta. Ele reflete que “um curso como esse era uma oportunidade de me aprofundar um pouco mais em história da arte, em técnicas e processos artísticos, mas também de tentar levar tudo isso para o meu universo, que é o das histórias em quadrinhos”.
Suas primeiras publicações foram na Quadreca, revista que era publicada pela editora Com-Arte e reunia produções de diversos autores. “A Quadreca, acho que a [edição] número 12, foi muito relevante no sentido de poder ver a produção de outras pessoas e tentar localizar um pouco como era o meu trabalho naquele espaço, naquele momento, dentro das artes e dos quadrinhos”, diz. Em 2002, ilustrou o livro infantil Duas Casas, também publicado pela Com-Arte e escrito por Cláudia Dragonetti. A partir daí, Marcelo publicou as obras Noite Luz (2008), Encruzilhada (2011), Cumbe (2014) — cuja adaptação para o inglês venceu, em 2018, o Eisner Awards, considerado o principal prêmio da indústria de quadrinhos —, Angola Janga: Uma história de Palmares (2017) — que lhe rendeu um prêmio Jabuti —, Mukanda Tiodora (2022) e Luanda no Terreiro (2025). Em 2009, Marcelo também defendeu seu mestrado em História da Arte pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Estética e História da Arte.
Professor de Artes Visuais da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP há 14 anos, ele relata que “não é algo muito simples conciliar a rotina de professor e de criação dentro da área dos quadrinhos, mas por enquanto ainda é algo possível”. Para ele, o contato com as crianças e adolescentes para quem ele leciona influencia muito seu trabalho, já que podem ser descobertos novos modos de criação.
Confira mais do depoimento do Marcelo na galeria e no Instagram da ECA.








