Boris Kossoy recebe título de professor emérito da ECA
Fotógrafo e historiador é reconhecido por sua contribuição pioneira à teoria e à história da fotografia no Brasil
No dia 25 de setembro, o professor Boris Kossoy, docente aposentado do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), recebeu o título de professor emérito da ECA. A honraria, aprovada pela Congregação da ECA em reunião realizada no dia 25 de junho, reconhece sua trajetória como fotógrafo, pesquisador e referência internacional na epistemologia da imagem e da fotografia.
A sessão contou com a presença da diretora da ECA, Maria Clotilde Perez Rodrigues, e da professora sênior do CJE, Cremilda Medina, que fez a saudação ao homenageado, lembrando seus 50 anos de convivência acadêmica e amizade. Para a colega, as obras de Boris Kossoy demonstram a “observação, reflexão e metabolismo erudito de um autor que se debruça sobre a linguagem fotográfica”, com destaque para seus estudos sobre Hercule Florence e o início da fotografia no Brasil.
No livro Hercule Florence: A Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil, Boris sustenta a tese de que a fotografia foi descoberta em Campinas, no interior de São Paulo, por Hercule Florence, e não exclusivamente na França, como apontam os manuais de história da fotografia. “Um livro onde seu lado historiador e cientista se manifestam com toda a potência”, afirmou a diretora da ECA.
“Estamos aqui para celebrar Boris Kossoy, um professor notável, um pesquisador sagaz e incansável, um artista sensível, um amigo querido”.
Clotilde Perez, diretora da ECA
O título de professor emérito é concedido a docentes aposentados que se distinguiram por atividades didáticas e de pesquisa, ou que tenham contribuído, de modo notável, para o progresso da Universidade. Desde sua fundação, em 1966, a ECA já concedeu 23 títulos dessa natureza.
A fotografia como fonte de conhecimento
Em seu discurso, o novo professor emérito da ECA lembrou que, no início de sua trajetória como pesquisador, predominava na academia uma “tradição livresca”, que tratava a imagem apenas como adorno ou ilustração. “Creio que minha atração pela iconografia e pela teoria das imagens ocorreu quando me dei conta da necessidade de compreender em profundidade os diferentes mundos que envolvem, de um lado, o fato e, de outro, a representação daquele fato”, afirmou Boris Kossoy. Para o novo professor emérito, enquanto o fato é efêmero, a representação do fato é perpétua e documental, materializando-se, pela fotografia, em uma segunda realidade.
Kossoy também relembrou como, em suas pesquisas, buscou desafiar a historiografia tradicional da fotografia, criticando a abordagem “episódica e positivista” dos manuais clássicos europeus. Ao final, manifestou preocupação com as “realidades sintéticas” produzidas por inteligência artificial, destacando a urgência de estudos críticos sobre as novas formas de representação.
Boris Kossoy enfatizou a fotografia como fonte de conhecimento: “Vivemos sob o jugo das imagens, razão pela qual um profundo conhecimento de suas leis e alcance ideológico, político, artístico e social é decisivo”. Para o professor e pesquisador, “Necessitamos de mais obras que alimentem criticamente o pensamento fotográfico para melhor compreendermos os processos de construção de realidades e ficções”, conclui.
O homenageado
O currículo de Boris Kossoy é marcado por uma trajetória multifacetada, que integra criação artística, reflexão e pesquisa histórica. Graduado em Arquitetura pela Universidade Mackenzie (1965), formou-se mestre e doutor em Ciências pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Tornou-se livre-docente da ECA em 2000.
Foi professor da Unesp (1992-1994) e ingressou na ECA em 1988, inicialmente como professor convidado e, a partir de 1998, como docente em regime de dedicação exclusiva. Em 2002, tornou-se professor titular, cargo que ocupou até sua aposentadoria, em 2008. Na USP, criou o Núcleo de Estudos Interdisciplinares de Imagem e Memória (Neim) e desenvolveu projetos temáticos que transitaram pelas áreas de história, ciências sociais, museologia e comunicação.
Paralelamente à docência, construiu carreira profissional como fotógrafo e gestor. Fundou o estúdio Ampliart (1968), atuou como fotógrafo para agências e revistas, dirigiu o Museu da Imagem e do Som (MIS) e a Divisão de Pesquisas do Centro Cultural de São Paulo (Idarte), e integrou o Conselho Curatorial da Coleção Pirelli/Masp de Fotografia por mais de 20 anos.
Autor de mais de 40 livros, Boris Kossoy tem obras em acervos como a Casa George Eastman, o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque, a Biblioteca Nacional de Paris e o Centro da Imagem (México). Seu livro Viagem pelo Fantástico (1971) é considerado um marco do realismo fantástico na fotografia sul-americana.