Veja os projetos da ECA que estão no Mapa Brasileiro da Educação Midiática

As iniciativas da Escola promovem o letramento informacional e o combate à desinformação

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Infográfico sobre práticas de educação midiática. Lista atores: universidades (97), sociedade civil (58), governos (35), escolas (31) e mídia (14). Mapa do Brasil no centro está dividido nas regiões: Sudeste (114), Sul (44), Nordeste (33), Centro-Oeste (21) e Norte (14). Em formatos, destacam-se oficinas (80) e formações de professores (46). Abordagens incluem: cidadania digital (62), produção de mídia (55), análise crítica (32), conscientização (31), acesso a bens culturais (18) e checagem (9).
Infográfico do Mapa Brasileiro da Educação Midiática.
Fonte: Secom PR

Divulgado em fevereiro de 2026, o Mapa Brasileiro da Educação Midiática é um inventário de experiências, projetos e redes que estão contribuindo para uma cultura de informação mais crítica, ética e democrática. O projeto é fruto de um mapeamento iniciado em 2024 pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom PR) em parceria com a Agência Porvir, contando com o apoio da Unesco e da Embaixada do Reino Unido. 

Ao todo, o mapa interativo reúne 225 iniciativas de todas as regiões do Brasil, abrangendo desde a educação básica até o ensino superior e projetos da sociedade civil. Ele oferece um panorama diverso e inspirador sobre como a educação midiática vem sendo promovida no nosso país. A ECA aparece em seis iniciativas lideradas por docentes, discentes e egressos:

 

Licenciatura em Educomunicação

Foto de quatro pessoas jovens em ambiente externo à noite. Elas sorriem e exibem inscrições em tinta roxa na pele com os termos USP, ECA, EDUCOM e 2024. O grupo é composto por homem branco de camiseta azul, duas mulheres brancas, uma usa óculos, e pessoa negra de pele clara com cabelos cacheados e regata preta. Posam flexionando os braços para destacar as palavras escritas. O fundo é escuro e desfocado.
Caloures do curso de Educomunicação durante a Semana de Recepção 2024. Imagem: Isabel Briskievicz/LAC ECA-USP

Criada em 2011 e atualmente coordenada pela professora Thaís Brianezi, a Licenciatura em Educomunicação é o curso mais novo da ECA. Ela busca formar profissionais para integrar processos de educação e comunicação social em contextos formais e não-formais de aprendizagem. O curso prepara os estudantes para atuarem como gestores de processos comunicacionais, promovendo o uso crítico, criativo e ético das mídias e tecnologias.

Por meio de um aprofundamento teórico e prático na interface entre educação e comunicação social, as pessoas egressas estão aptas a desenvolver projetos educativos com mídias, produzir conteúdos digitais, atuar na docência e na consultoria de iniciativas voltadas à cidadania, diversidade e direitos humanos.

 

Foto de três homens e duas mulheres sentados em cadeiras brancas em um palco de madeira.  Alguns vestem trajes formais, como blazer e outros usam camiseta. No  fundo há um grande painel colorido com as cores azul, verde, amarelo e laranja, com o texto "Programa Educação para a Cidadania e Sustentabilidade" e logotipos do MEC e do Governo Federal. À esquerda, há uma bandeira do Brasil.
Lançamento do curso Educomunicação e Clima, uma parceria entre o NCE e o Ministério da Educação (MEC) para fortalecer a educação ambiental na rede pública de ensino. Fonte: Abpeducom.

Núcleo de Comunicação e Educação (NCE)

Fundado em 1996, o Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) nasceu da reunião de professores de várias universidades brasileiras interessadas na inter-relação entre comunicação e educação. Inicialmente coordenado pelo professor Ismar de Oliveira Soares, o grupo atua há 30 anos em projetos de intervenção social voltados à educomunicação e à educação midiática.

Atualmente coordenado pelo professor Claudemir Edson Viana, o núcleo presta apoio a pesquisadores e desenvolve projetos educomunicativos para crianças, jovens e para a formação de professores das redes públicas e do ensino privado. Com a finalidade de difundir e consolidar o campo da educomunicação, o NCE promove cursos, assessorias e eventos, como o Encontro Brasileiro de Educomunicação.

 

Foto de mulher negra falando ao microfone. Ela está em semiperfil, posicionada à direita da imagem. Tem cabelos curtos e crespos e usa brincos de argola. Veste blusa listrada nas cores verde e branca. À frente dela e ao fundo da imagem, em plano desfocado, há um auditório com pessoas sentadas em poltronas azuis.
Cineasta e educomunicadora Renata Martins durante a Aula Magna “Educomunicação: Olhares, saberes e transformação”, em 2016. Fonte: Labidecom

Labidecom

Fundado em 2014, o Laboratório de Inovação, Desenvolvimento e Pesquisas em Educomunicação (Labidecom) da ECA tem o objetivo de engajar docentes e estudantes de graduação e pós-graduação em atividades de extensão e pesquisa. O laboratório foca suas ações na criação de um pensamento social crítico e criativo, desenvolvendo oficinas, seminários e materiais educomunicativos que incentivam a leitura crítica da mídia e a compreensão dos ecossistemas comunicativos para a mudança social.

As linhas de pesquisa do Labidecom investigam as interfaces entre comunicação, educação, cultura e artes, buscando fundamentar ações inovadoras e desenvolver perspectivas cidadãs voltadas, especialmente, para o ambiente escolar.

 

 

Vaza, Falsiane!

Foto de homem branco com os braços apoiados em uma bancada cinza. Ele tem cabelos pretos curtos, é parcialmente calvo e tem barba bem aparada. Veste camisa xadrez vermelha e azul. Com expressão de dúvida, encolhe os ombros e mantém os braços abertos com as palmas para cima. O fundo é composto por painéis de madeira com diversas ferramentas penduradas.  Sobreposta à imagem, a frase em letras grandes e brancas: “FAKE NEWS = NOTÍCIAS FALSAS”
Iberê Thenório, egresso de Jornalismo da ECA e criador do Manual do Mundo,  explica o conceito de fake news e desinformação em vídeo exclusivo para o curso Vaza, Falsiane!. Fonte: reprodução/YouTube

O Vaza, Falsiane! é um curso online criado pelos professores Ivan Paganotti e Rodrigo Ratier e pelo egresso Leonardo Sakamoto, todos do Jornalismo, com o objetivo de enfrentar o avanço das notícias falsas e da desinformação. A iniciativa busca traduzir estudos complexos sobre o tema para uma linguagem simples e acessível, ajudando o público em geral a desenvolver critérios práticos para identificar e não compartilhar conteúdos enganosos na internet.

Desenvolvido após dois anos de pesquisa, o projeto foi incubado pela ONG Repórter Brasil e contou com o apoio de um edital de financiamento do Facebook. O curso também faz parte da Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD).

 

Capa da revista Babel de junho de 2024 com o título Pontos que Unem. Ao centro, mãos de uma pessoa negra e de uma pessoa de pele clara com os dedos mínimos entrelaçados. Sobre os braços, linhas pontilhadas vermelhas e azuis formam o mapa da América do Sul. A palavra UNEM é grande e azul. O fundo é bege claro texturizado. Há chamadas de texto no topo e parágrafo sobre bordado no canto inferior direito. Logotipo da Revista Babel no canto inferior esquerdo.
Capa da edição de junho de 2024 da Revista Babel. Fonte: Revista Babel

Revista Babel

A Revista Babel é um jornal-laboratório produzido por estudantes de Jornalismo da ECA, atualmente sob a coordenação do professor Ivan Paganotti. Com foco em temáticas latino-americanas e perspectivas decoloniais, ela funciona como um importante espaço de experimentação prática, permitindo que estudantes desenvolvam reportagens e exercitem o pensamento crítico sobre a realidade social e midiática.

Com uma cobertura multiplataforma, a revista disponibiliza suas edições completas no Issuu e mantém canais ativos no Instagram, TikTok e Substack, onde publica sua newsletter. O projeto une a formação acadêmica à produção de conteúdos que instigam o letramento informacional e o debate sobre ética e cidadania por meio do jornalismo.

 

 

 

Aulas de educação midiática do Colégio Stockler

Foto de mulher branca jovem sorrindo. Ela tem cabelos castanhos ondulados de comprimento médio com franja e olhos verdes. Veste blusa de alças finas estampada nas cores rosa, laranja e branca. Ao fundo, folhagens verdes e uma grade.
Tatiana Carvalho, educomunicadora responsável pela iniciativa de educação midiática no Colégio Stockler. Fonte: reprodução/LinkedIn

No Colégio Stockler, a educação midiática integra a grade curricular do Ensino Médio, com encontros semanais voltados para estudantes da 1º e 2º anos. O projeto fundamenta-se na pedagogia de Paulo Freire, que compreende a educação como uma prática de liberdade, e busca desenvolver as competências do campo jornalístico-midiático previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A iniciativa foi desenvolvida por Tatiana Garcia Luz de Carvalho, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA. Durante as aulas, os estudantes utilizam metodologias variadas para analisar conceitos, gêneros e práticas do jornalismo, promovendo debates críticos sobre desinformação, segurança digital e o uso consciente das redes sociais no cotidiano escolar.

 

Metodologia e Curadoria

A construção do Mapa partiu de uma consulta pública realizada entre 2023 e 2024, que recebeu 496 inscrições de escolas, universidades, governos locais e organizações da sociedade civil. A curadoria final de 2025 teve como objetivo um panorama amplo e plural de práticas em diferentes regiões do país, valorizando a diversidade de metodologias, territórios e atores envolvidos na educação midiática. 

As 225 iniciativas foram selecionadas com base em abordagens como: análise crítica da mídia, checagem de fatos, letramento algorítmico, conscientização e disseminação, produção de mídia e jornalismo, cidadania digital e uso seguro da internet, acesso a bens culturais ou divulgação científica. 

O site do mapa reitera que a proposta é ser um panorama amplo, aberto e plural do que já está sendo feito no Brasil. Por isso, tem como objetivo ser uma inspiração para a criação de novas políticas públicas, sem necessariamente configurar um selo de validação acadêmica formal.

 


Foto de capa: Susana Narimatsu/LAC-ECA

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