ECA terá seis novos professores eméritos das áreas de Música e Jornalismo

A Congregação da Escola aprovou a outorga dos títulos, em reconhecimento à trajetória marcante dos docentes

Pessoas
corpo docente
professor emérito
homenagem
docentes aposentados

A Congregação da ECA aprovou, em suas reuniões de abril e de junho, a concessão do título de professor emérito a seis docentes aposentados que construíram trajetórias de destaque na história da instituição. A homenagem será prestada a  Aylton Escobar Silva e Ronaldo Coutinho de Miranda, professores do Departamento de Música (CMU), e Alice Mitika Koshiyama, Bernardo Kucinski, José Coelho Sobrinho e Manuel Carlos da Conceição Chaparro, docentes do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE).

O título de professor emérito é uma das mais altas honrarias da universidade para docentes aposentados que se destacaram no ensino, na pesquisa e na produção científica, artística e intelectual, além de terem contribuído de forma marcante para o progresso da Escola. Indicado pelo departamento de origem, o reconhecimento exige a aprovação de dois terços da Congregação, colegiado deliberativo máximo da ECA. As datas das cerimônias de outorga ainda serão definidas.

Saiba um pouco mais sobre cada professor indicado:

 

Departamento de Música (CMU)

 

Aylton Escobar Silva

Foto de homem branco idoso falando ao microfone e sorrindo. Ele tem cabelos curtos, lisos e grisalhos, usa óculos com armação fina e arredondada e veste blazer bege com lenço de bolso marrom e camiseta cinza. O fundo é desfocado em tons de marrom.
Aylton Escobar Silva. Foto: reprodução/Instagram.

Maestro e compositor, iniciou a docência em 1989, dedicando-se ao ensino de regência orquestral, composição, instrumentação e orquestração, além de atuar como regente adjunto da Orquestra de Câmara da ECA (OCAM). Incluído em 1980 pelo International Registry da Suíça entre os cem músicos mais destacados do mundo na década de 1970, o docente aposentou-se em 2013.

O professor do CMU e vice-viretor da ECA, Mario Rodrigues Videira Junior, ressaltou na justificativa ao colegiado que o professor Aylton “merece destaque como uma das referências centrais na formação de regentes no Brasil, marcada por um método pedagógico que valoriza o aprofundamento musical, analítico e estético.”

 

Ronaldo Coutinho de Miranda

Foto de homem branco idoso, com cabelos curtos e grisalhos, parcialmente calvo e de olhos castanhos. Ele veste blazer preto sobre camisa listrada azul e branca.  Ao fundo,um edifício branco antigo com janela escura.
Ronaldo Coutinho de Miranda. Foto: reprodução/Revista Concerto.

Graduado em Piano, Jornalismo e Composição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é autor de óperas como Dom Casmurro, A Tempestade e o balé Macunaíma. Com uma carreira de projeção internacional, teve suas obras executadas em palcos como o Carnegie Hall, em Nova York. Docente da ECA entre 2004 e 2020, atuou na graduação e no Programa de Pós-Graduação em Música (PPGMUS), lecionando disciplinas de Composição, Instrumentação e Orquestração. 

Mario Rodrigues afirma que o professor Ronaldo reúne indubitavelmente os méritos exigidos para a concessão do título de professor emérito, “pelo conjunto de sua obra, pela liderança exercida em instituições de destaque na cena musical brasileira e pela contribuição à formação de músicos e pesquisadores”.

 

Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE)

 

Alice Mitika Koshiyama

Foto em moldura circular de uma mulher amarela, de óculos, cabelo grisalho, de semi-perfil, sorrindo. Ela usa uma blusa cinza e um lenço roxo amarrado no pescoço.
Alice Mitika Koshiyama. Foto: Dairan Paul/Objethos.

Formada em Jornalismo e História pela USP, ingressou na ECA em 1972 como auxiliar de ensino e, mesmo após se aposentar em 1998, manteve suas atividades didáticas na graduação e na pós-graduação. Autora de dezenas de artigos e de três livros, a professora foca sua atuação em temas como comunicação e cidadania, história do jornalismo e estudos feministas, destacando-se por estudos pioneiros sobre a violência de gênero contra jornalistas. 

O impacto do trabalho de Alice na comunidade acadêmica é destacado pelo professor Wagner Souza e Silva, chefe do CJE: “Não é forçoso dizer que a professora se mantém ativa e sempre atualizada e preocupada com as questões políticas nacionais, o lugar do jornalismo na promoção da cidadania e do pensamento crítico, mas sobretudo com a formação de futuros jornalistas e profissionais na universidade pública.”

 

Bernardo Kucinski

Foto de homem idoso branco em semi-perfil. Ele tem cabelos grisalhos e olhos claros, veste camisa branca e boina jeans. O fundo é desfocado e claro.
Bernardo Kucinski. Foto: Marcos Santos/USP Imagens.

Atuou na ECA de 1986 a 2007, destacando-se também por sua trajetória como jornalista e intelectual público. Atuando na resistência à ditadura militar, fundou o semanário O Movimento e foi correspondente internacional da BBC e do The Guardian. Pioneiro do jornalismo investigativo econômico no país, escreveu a obra de referência Jornalistas e revolucionários. Na docência, implantou o Jornal do Campus em 1982, transformando disciplinas técnicas em experiências reais de redação.

Na justificativa para a outorga do título, o professor Wagner argumenta: “por ter inspirado gerações de jornalistas, por ter sido um pilar na estruturação do Departamento de Jornalismo e Editoração, e por continuar sendo uma referência de integridade intelectual e criatividade, Bernardo Kucinski representa o que de melhor a ECA produziu em seus quadros docentes.”

 

José Coelho Sobrinho

Foto de homem idoso branco falando ao microfone. Ele tem cabelos curtos e brancos, barba e bigode brancos, veste camisa rosa e tem um óculos pendurado no pescoço. O fundo desfocado mostra janela e cortina.
José Coelho Sobrinho. Fonte: reprodução/Jornal da USP.

Desde 1972, sua atuação docente direciona-se aos campos da diagramação, artes gráficas, edição e produção. Ele criou a Agência Universitária de Notícias (AUN) da USP como laboratório para os estudantes de Jornalismo e colaborou na consolidação das bases do Jornal do Campus. Além disso, contribuiu para a internacionalização da ECA ao viabilizar o intercâmbio de professores para a difusão da língua portuguesa e da cultura brasileira. Mesmo após sua aposentadoria, em 2014, o professor mantém suas atividades docentes até os dias de hoje. 

Seu trabalho ao longo dos anos é celebrado pelo professor Wagner: “Sua dedicação à orientação acadêmica, aliada ao compromisso com o pensamento crítico, fez dele uma referência formativa.”

 

Manuel Carlos da Conceição Chaparro

Foto de homem branco idoso falando e gesticulando com os braços abertos. Ele é parcialmente calvo, tem cabelos brancos, curtos e lisos, veste camisa polo verde com caneta no bolso e  usa relógio. O fundo é uma parede branca.
Manuel Carlos da Conceição Chaparro. Fonte: reprodução/Abraji.

Nascido em Portugal em 1934, migrou para o Brasil em 1961 para reformular o jornal da diocese do Rio Grande do Norte. Com uma trajetória significativa na Folha de S.Paulo e detentor de quatro Prêmios Esso, graduou-se em Jornalismo pela ECA em 1982 para consolidar as experiências práticas prévias. Docente entre 1984 e 2001, foi pioneiro ao idealizar o boletim Pré-Pauta (1987) para fazer a divulgação da produção científica da USP (embrião da Agência USP de Notícias).

O professor emérito José Marques de Melo destacou em um artigo da Revista PJ:Br - Jornalismo Brasileiro que considera o pensamento jornalístico de Manuel um fluxo imparável, como um “um aluvião, em pleno processo criativo”, que demonstra “riqueza interpretativa e maturidade intelectual.”

 

 

 


Imagem de capa: montagem de fotos de reprodução/Instagram, reprodução/Revista Concerto, Dairan Paul/Objethos, Marcos Santos/USP Imagens, reprodução/Jornal da USP e reprodução/Abraji.
Notícias do