FAPESP aprova projeto da ECA e da TV Cultura sobre comunicação pública

Com duração de cinco anos, o estudo investiga Inteligência Artificial, TV 3.0 e inovação cidadã

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O que é e como funciona um CCD da FAPESP?

Criado para conectar a produção científica ao setor público, o programa financia pesquisas voltadas à resolução de desafios do Estado de São Paulo e ao aprimoramento de políticas públicas.

  • Cada projeto deve ser proposto por universidades ou institutos de pesquisa paulistas em parceria com um órgão governamental.
  • Os CCDs operam em modelo de cofinanciamento, ou seja, para cada R$ 1 investido pela FAPESP, as instituições parceiras aportam o mesmo valor em recursos financeiros.
  • Os projetos duram de três a cinco anos, com financiamento da FAPESP de até R$ 2 milhões por ano por proposta.
  • Os editais geralmente são lançados a cada um ano. Na última chamada, foram selecionadas 32 propostas. Ao todo, 115 CCDs já foram aprovados no estado desde o início do programa.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) aprovou o financiamento de um projeto submetido pela ECA e pela Fundação Padre Anchieta (FPA/TV Cultura). Trata-se de um Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) intitulado CCD - Comunicação Pública e Transformação Digital: Inteligência Artificial, TV 3.0 e Inovação Cidadã para Comunicação de Interesse Público. A proposta nasceu de uma parceria entre as instituições e terá a duração de cinco anos, de fevereiro de 2027 a janeiro de 2032.

O objetivo da pesquisa é analisar o desenvolvimento tecnológico e os desafios enfrentados pela comunicação pública diante da transformação do ambiente digital. A professora Thaís Brianezi, do Departamento de Comunicações e Artes (CCA), lidera a iniciativa ao lado do pesquisador Rodrigo Savazoni, funcionário da TV Cultura, e dos professores Leonardo Feltrin Foletto, do CCA, e de Rosane Borges, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), além de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores associados e profissionais das instituições participantes.

O CCD integra a estratégia de modernização da Fundação Padre Anchieta, que contratou Rodrigo, mestre e doutor em Ciências Humanas e Sociais pela Universidade Federal do ABC (UFABC), para a criação e desenvolvimento do Núcleo de Inovação em Comunicação Pública (Nino), cujo acrônimo homenageia o personagem do programa Castelo Rá-Tim-Bum.

 

“O Rodrigo já havia trabalhado com o Leonardo e comigo [Thaís]; e nos convidou para elaborarmos um projeto para concorrer ao edital da Fapesp de CCDs, mirando no desafio da transformação digital de uma emissora pública, que não pode ser pautada pelos objetivos, lógicas e modelos comerciais que organizam a maior parte das plataformas digitais e serviços de inteligência artificial disponíveis.”

Thaís Brianezi, professora do Departamento de Comunicações e Artes (CCA)

 

Eixos de pesquisa e desenvolvimento 

Ao longo dos cinco anos, a pesquisa será organizada em três eixos principais:

Foto selfie de três pessoas sorrindo e abraçadas em área externa. À esquerda, homem branco de cabelos lisos e castanhos, usando óculos com armação preta e cachecol cinza. Ao centro, mulher branca de cabelos lisos e castanhos e óculos com armação dourada. À direita, homem branco de cabelos cacheados e barba grisalhos. Ao fundo, parede verde com logotipo da TV Cultura e palavra Cultura espelhada.
Visita da equipe do projeto à Fundação Padre Anchieta. Foto: Leonardo Foletto.
  • Investigação de aplicações de Inteligência Artificial para acervos audiovisuais e comunicação pública, englobando o desenvolvimento de tecnologias para organização, processamento e acesso ao acervo da TV Cultura;
  • Análise de plataformas digitais e novas narrativas audiovisuais, com foco no conteúdo infanto-juvenil;
  • Exploração das possibilidades abertas pela TV 3.0, como o desenvolvimento e a experimentação de serviços públicos interativos.

De acordo com a professora Thaís, esses processos serão conduzidos de maneira formativa, na dinâmica do "aprender-fazendo" e "fazer-aprendendo", com a criação do Laboratório de Experimentação Audiovisual. Para aproximar a pesquisa do ambiente real de uma empresa pública de comunicação, a TV Cultura disponibilizará seus profissionais especializados e sua infraestrutura tecnológica, incluindo estúdios e estruturas de produção e transmissão.

O CCD nasce conectado a uma rede nacional e internacional de colaboração. Desde a elaboração da proposta, diversas organizações se somaram ao projeto, tais como a Associação Brasileira de Pesquisadores e Profissionais em Educomunicação (ABPEDUCOM), a Associação Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (Redecomciência), o CCD Inteligência Artificial para Matemática e Aprendizagem Inovadora (IAMAI) do Instituto de Matemática e Estatística (IME), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN), a Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP), o Institute for Democracy, Media and Cultural Exchange (IDEM) e a empresa Media Portal Soluções.

Conforme destaca o professor Leonardo Foletto, o projeto busca dialogar com a trajetória construída pela TV Cultura ao longo das últimas décadas para trabalhar de maneira crítica as lógicas das tecnologias digitais e servir de inspiração a outros serviços públicos, com base em objetivos construídos coletivamente.

 

Inovação cidadã e impacto social

Além das pesquisas científicas e tecnológicas, o CCD assume compromisso com a formação acadêmica, a inovação cidadã e o impacto social. O projeto prevê o desenvolvimento de soluções próprias em tecnologia, programação e experiência do usuário, abrangendo a gestão inteligente de acervos e a criação de novas plataformas e serviços digitais públicos.

A dimensão formativa do Centro alcançará diferentes níveis de ensino e atuação profissional, envolvendo pesquisadores, estudantes universitários, comunicadores e também professores e alunos da rede de educação básica. Por meio de laboratórios de experimentação, desenvolvimento e testes de protótipos, o CCD promoverá processos de formação focados em cultura digital, inteligência artificial, TV 3.0, comunicação pública, ciência e novas linguagens audiovisuais.

 

“Acreditamos que o CCD ganha importância ao trazer para a comunicação pública alternativas guiadas por uma inovação que seja baseada no interesse público. Queremos usar o espaço privilegiado da TV Cultura para buscar construir soluções de IA baseadas em código aberto e sistemas que sejam co-construídos pela comunidade a partir dos seus interesses, não somente interesses comerciais.”

Leonardo Feltrin Foletto, professor do Departamento de Comunicações e Artes (CCA)

 

O projeto parte do princípio de que a transformação digital na comunicação pública não deve se adaptar passivamente às emissoras tradicionais e às plataformas comerciais existentes, mas sim ampliar sua capacidade por meio do desenvolvimento de infraestrutura, tecnologia e conhecimento orientados pela soberania digital, pela ética e pelo interesse público.

Com essa abordagem, ao longo de sua realização, o CCD buscará consolidar a integração entre a universidade pública e os meios de comunicação, garantindo que o avanço tecnológico caminhe ao lado da inclusão, da inovação cidadã e da democratização do acesso à informação.

 

 


 Imagem de capa: montagem por Gabriela Gumieri

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