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60 anos de Relações Públicas na ECA: o que mudou na formação

Carolina Terra, coordenadora do curso, reflete sobre mudanças tecnológicas, formação crítica e fundamentos que permanecem

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Ao completar 60 anos em 2026, o curso de Relações Públicas da ECA, primeiro do país, oferece um ponto de partida para observar como a área se transformou ao longo de seis décadas. Internet, redes sociais, métricas e novas tecnologias alteraram a comunicação das organizações e também chegaram à universidade, modificando temas de ensino, pesquisa e a própria formação profissional. Para a professora Carolina Frazon Terra, coordenadora do curso, acompanhar essas mudanças faz parte da trajetória da graduação.

Foto de mulher branca sorrindo. Ela tem cabelos lisos, compridos e loiros, olhos castanhos e usa uma blusa branca. O fundo é branco.
Carolina Frazon Terra (CRP) - Foto: Reprodução/Lattes.

Segundo Carolina, questões sociais e tecnológicas chegam à universidade de diferentes maneiras: entram nas disciplinas, aparecem nos conteúdos trabalhados por docentes, orientam pesquisas e despertam novos interesses entre estudantes. “O curso é fruto também do espírito do tempo”, afirma.

Ao longo dos anos, a área incorporou discussões sobre internacionalização, opinião pública e mensuração dos resultados de comunicação. Para a docente, a possibilidade de acompanhar ações por meio de indicadores e métricas também modificou a maneira como a área demonstra seus resultados para as organizações.

O modo de estudar a opinião pública também mudou. Redes sociais, ambientes digitais e o funcionamento algorítmico das plataformas interferem hoje na circulação das informações e nas formas como diferentes públicos se organizam, interagem e entram em contato com organizações e temas de interesse coletivo.

 

Formação para além das ferramentas

As tecnologias transformaram ferramentas e rotinas profissionais, mas Carolina identifica elementos que permanecem centrais para as relações públicas.

 

“Muda muita coisa do ponto de vista técnico, tecnológico, de transformação e impacto digital, mas tem a essência da nossa área, que é o relacionamento. E esse relacionamento se mantém”

Carolina Frazon Terra, coordenadora do curso de Relações Públicas

 

O relacionamento a que a professora se refere envolve organizações e seus diferentes públicos, mas também questões como transparência, prestação de contas, credibilidade e reputação. Para a professora, esses elementos continuam importantes mesmo quando mudam os canais e as tecnologias utilizadas. Organizações públicas, privadas e do terceiro setor atuam hoje em um ambiente de circulação rápida de informações, o que reforça a importância da transparência e da prestação de contas.

Na universidade, a atualização da formação ocorre pela capacitação docente, pelos interesses de pesquisa e pelos trabalhos desenvolvidos na graduação e na pós-graduação.

Foto de auditório de paredes brancas lotado com plateia acompanhando apresentação. Dezenas de pessoas estão sentadas em poltronas vermelhas e pretas dispostas em fileiras. À direita, na frente da sala, pessoa idosa veste blusa castanha e está sentada à mesa com microfones. Ao fundo, na lateral do auditório, há janelas escuras com persianas claras.
Auditório Lupe Cotrin repleto no evento comemorativo dos 60 anos do curso de Relações Públicas. Foto: Ana Clara de Souza Alves.

 

“Toda transformação exige da universidade capacitação, entendimento, reflexão e olhar crítico”, afirma a docente. De acordo com ela, trabalhos de conclusão de curso, iniciações científicas, mestrados e doutorados ajudam a incorporar novas questões e a analisá-las dentro do campo das relações públicas.

Para Carolina, acompanhar novas tecnologias é necessário, mas a formação universitária não pode depender apenas do domínio das ferramentas disponíveis em determinado momento. A capacidade analítica, crítica e reflexiva continua sendo uma parte central da preparação dos estudantes.

“A questão tecnológica, a questão ferramental, ela muda o tempo todo”, afirma. Ela acredita a formação teórica oferece uma base para compreender problemas novos e lidar com tecnologias que ainda podem surgir ao longo da trajetória profissional.

Ao falar dos próximos anos, Carolina retoma uma ideia defendida pela professora Margarida Kunsch ao longo de sua trajetória na ECA: os avanços tecnológicos não eliminam a importância de uma formação humanística, crítica e reflexiva.

Prever quais tecnologias estarão no centro da profissão no futuro é difícil. Por isso, a coordenadora considera importante que questões sociais e humanas continuem presentes na pesquisa e na formação, oferecendo referências para lidar com mudanças cada vez mais rápidas.

Para ela, a trajetória do primeiro curso de Relações Públicas do país também faz parte da construção da área acadêmica no Brasil. Ao longo de seis décadas, graduação e pós-graduação participaram da formação de profissionais e pesquisadores de diferentes regiões brasileiras.

“Nós de Relações Públicas na USP ajudamos a construir a história dessa profissão e dessa área no Brasil”, afirma. “O desafio continua sendo acompanhar transformações econômicas, culturais e sociais e cumprir a missão da universidade pública de formar pessoas”.

 

Acompanhe o curso

O perfil @rp_usp reúne informações e atividades do curso de Relações Públicas da ECA.

 

 


Imagem de capa: Ana Clara de Souza Alves.

 

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