Quatro novos funcionários integram a ECA
No segundo semestre de 2025, os técnicos administrativos e de laboratório concursados iniciaram suas atividades em diferentes departamentos da Escola
Quatro vagas de trabalho foram preenchidas recentemente por concurso público na ECA e os novos funcionários foram recebidos para trabalhar no Serviço de Pós-Graduação, na Comissão de Pesquisa (CPq), no Departamento de Artes Plásticas (CAP) e no Departamento de Comunicações e Artes (CCA). Eles têm diferentes experiências acadêmicas e profissionais e alguns já foram discentes da universidade, inclusive na própria ECA, retornando para experimentar o campus em uma nova perspectiva.
Caio Fernandes
Nesse início de semestre, o técnico administrativo Caio esteve ocupado com o cadastro de novos alunos no Serviço de Pós-Graduação. Suas atividades envolvem auxiliar mestrandos e doutorandos durante a realização de suas pesquisas. Ele alimenta sistemas como o Janus, cuida da documentação dos estudantes e lida com o processo de depósito – entrega – das teses e dissertações.
Até pouco depois da contratação, os concursados não sabem para qual unidade da USP serão enviados. Quando fez o exame admissional, Caio se preocupou quanto à sua adaptação a um local desconhecido. Mas quando soube que trabalharia na ECA, ficou contente: “eu fiquei bastante aliviado e bastante feliz”. Ele considera o setor um ambiente agradável, principalmente, pelo acolhimento que recebe da colega Miriam Zarate Villalba e da chefe Karina de Andrade.
“A ECA consegue unir a formalidade que é necessária no dia a dia de uma universidade, então as pessoas são muito respeitosas e corretas, mas também tem leveza e informalidade. As pessoas trabalham com criatividade e com comunicação, é uma característica especial da ECA.”
Caio Fernandes, técnico para assuntos administrativos
Ele diz que a Escola é “irmã” da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde estudou. Gosta da proximidade com a antiga “casa”, onde cursou História e Letras com habilitação em Português e Inglês. Em 2026, é novamente calouro no curso de Letras, buscando habilitação em outro idioma.
Desde criança, Caio queria ser autor, gostava de ler e escrever, “contar histórias e mentiras”, brinca. Diz que, de certa forma, conseguiu realizar esse sonho porque trabalhou com material didático de história e, eventualmente, se inscreve em concursos literários. Como inspiração citou o russo-estadunidense Isaac Asimov, autor de ficção e de divulgação científica.
A carreira profissional de Caio começou como professor de história em escola estadual, depois passou em um concurso na Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), sua primeira experiência na área administrativa.
Ele se inscreveu no concurso da USP enquanto incentivava amigos a fazerem o mesmo. Também indica que alunos se preparem para quando aparecerem novas oportunidades no campus, pois considera a universidade “um lugar muito bom para se trabalhar”, e que “só podia ser mais perto do metrô”, complementa e sorri.
José Yoshitake
O novo técnico administrativo da CPq possui uma formação diversificada. Ele tinha o sonho de ser veterinário, mas terminou cursando Engenharia da Computação e Letras na USP.
A primeira visita de José ao campus foi para uma olimpíada de matemática, enquanto ainda estava no ensino fundamental. A facilidade com exatas fez com que ele optasse pela Engenharia, “mas eu me arrependo muito”, comenta, pois para ele o curso da Escola Politécnica na década de 90 era árido. Apesar da dificuldade, ainda trabalhou na computação durante 10 anos.
Quando ingressou em Letras, ele já fazia traduções como profissional autônomo. Ele se especializou em Português e Japonês, idioma que não havia aprendido em casa com seus pais imigrantes, apesar de estar imerso na cultura. Enquanto estudava em uma escola nipo-brasileira, chegou a receber apelidos como gaijin — forma pejorativa de tratar estrangeiros — pelos colegas que falavam a língua. No curso, teve uma surpresa. “Caí do cavalo”, diz José, porque “eles não ensinam japonês no curso de Japonês”.
Acabou não se tornando fluente na língua. Mas seu interesse em Letras é genuíno e continuou trabalhando com isso até retornar à USP como funcionário pela primeira vez, “porque acho que trabalhar como monitor da Pró-Aluno não conta”, brinca.
Para o futuro, José espera que a reitoria volte sua atenção para as necessidades de melhorias nos sistemas da USP, como o Júpiter e o Apolo. Os sistemas não são integrados e os erros constantes atrapalham o fluxo de trabalho. Por isso, José fala deles como “os deuses que não conversam e são melindrosos”.
Entre seus planos pessoais, ele ainda pretende prestar o vestibular neste ano, para cursar Biologia ou Biblioteconomia. São áreas diferentes, entretanto, além de ambos cursos começarem com “B”, os dois têm a taxonomia em comum, o funcionário destacou.
Rafael Aguaio
Rafael é paulistano e, desde setembro, trabalha como especialista em laboratório no CAP, mas sua jornada na ECA começou em 2012, quando iniciou a licenciatura em Artes Visuais. Ele conta que estimava seus professores e considerava tanto a atuação na educação quanto nas artes algo admirável: “eu sempre quis desenhar e sempre quis fazer algo que pudesse ser visto por outras pessoas”.
Quando estudante, Rafael foi representante discente por dois anos, tendo participado da Comissão Coordenadora do Curso (COC). Agora é colega dos mesmos técnicos que o auxiliavam enquanto aluno. “Respeito e admiro muito eles porque foram muito importantes na minha formação”, afirma.
Suas experiências profissionais incluem estágios em escola pública e no Sesc, reprodução de obras de artes com fotografias para artistas e instituições, além de ter lecionado na Escola Britânica de Artes Criativas e Tecnologia (Ebac). Desde que terminou a graduação, Rafael manteve o vínculo com a ECA através do Grupo de Pesquisa em Impressão Fotográfica e, como um bom filho que à casa retorna, iniciou o mestrado em Poéticas Visuais, em 2022, tendo concluído em 2025.
O interesse na fotografia percorre sua vida acadêmica e profissional. Costuma capturar momentos todos os dias, inclusive na ECA. Muitas das imagens estão presentes no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e na sua dissertação de mestrado, que atualmente fazem parte do acervo da Biblioteca da Escola.
No último ano, Rafael iniciou o doutorado, trabalho com o qual continuará envolvido pelos próximos anos. No CAP, busca incrementar mais equipamentos e atividades em parceria com o professor de fotografia André Leite Coelho. também recém-chegado ao departamento. Ademais, estão criando conexões com especialistas e professores envolvidos com os laboratórios da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) para discutir parcerias e projetos integrados entre as unidades.
Vitor Brandão
O CCA recebeu um especialista em laboratório no último mês de agosto e, depois de um semestre no trabalho, o funcionário já se adaptou à rotina. Vitor gosta de auxiliar os estudantes quando precisam de empréstimo de equipamentos ou quando realizam gravações no estúdio. Ele entende o seu serviço como algo complementar às aulas.
Além de apreciar o aspecto educacional do seu trabalho, também tem perspectivas para o futuro, organizando os materiais do departamento: “estamos verificando o que temos de equipamento, o que funciona ou não, o que faz sentido”. Assim, poderá entender e planejar as demandas do setor.
Quando criança, Vitor pensava em ser diretor de cinema. No Ensino Médio, se inclinou mais para as matérias de exatas e passou no vestibular da Escola Politécnica da USP, mas percebeu logo que não gostava da área, então encontrou o seu lugar na ECA, ingressando no curso de Audiovisual em 2014.
Após a primeira formatura, ele decidiu ingressar no curso de Ciências Sociais da FFLCH, não para mudar de área, mas com interesse em se aprofundar em conhecimentos que considera relevantes. A segunda graduação foi marcada pela pandemia de Covid-19, mas ele não se sentiu tão prejudicado quanto os seus colegas por já ter vivido experiências como discente no presencial.
Apesar da familiaridade com a Cidade Universitária, Vitor destaca algumas diferenças de quando era estudante até agora: percebeu uma modernização com melhor infraestrutura, assim como um perfil mais diversificado de alunos. Ele considera positivo o retorno à ECA por ser um local com o qual já tem afinidade e está contente com o trabalho na universidade por apreciar o que chama de “clima universitário”. Para ele, o campus oferece privilégios, como os serviços do Cepeusp. Como estudante fez canoagem e yoga, no último ano praticou tênis e pretende continuar essa atividade física em 2026.