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Cursinho popular da ECA se destaca em aprovações nas Artes Cênicas

Sete dos 30 ingressantes de 2024 passaram pelo Ruth de Souza, projeto de extensão com participação de estudantes

 

Comunidade

Além de ter de passar pelo vestibular da Fuvest, estudantes que se candidatam ao curso de graduação em Artes Cênicas da ECA precisam realizar uma prova de habilidades específicas. Isso pode ser um grande desafio, já que o exame conta com uma bibliografia extensa e exige habilidades teatrais na prática.  O cursinho popular Ruth de Souza é uma iniciativa de estudantes do curso que enfoca o preparo para esta prova. 

Anderson Soares Bernardes, ingressante do curso neste ano, frequentou o Ruth de Souza no segundo semestre de 2023. Quando foi estudar para a prova, se deparou com a necessidade de ler artigos complexos. Ele reconhece que o cursinho teve papel essencial no entendimento desse conteúdo. “É uma linguagem muito complicada, tem que pesquisar muita coisa por fora, e o cursinho traz isso de uma forma que você consegue entender muito mais rápido. A didática deles é muito boa, fiquei impressionado”, comenta.

A proposta do cursinho é trazer um corpo discente mais diverso para o Departamento de Artes Cênicas (CAC). Os candidatos são selecionados através de critérios socioeconômicos e podem ter algum auxílio para sua permanência nos estudos. Lana Balisa Pauliquevis, que também ingressou em 2024, conta que algumas pessoas da sua turma não conseguiram pagar a taxa de inscrição para o vestibular e a gestão do cursinho ajudou a pagar. “Eles tentam ajudar de toda maneira, se alguém tiver alguma dificuldade para chegar até aqui ou para frequentar aqui”, explica.

 

Foto de pessoas frente a frente na plateia e no palco de um teatro. À esquerda, há oito pessoas jovens sentadas em cadeiras pretas de couro das três primeiras fileiras do teatro. Do lado direito da imagem, duas pessoas gesticulam sentadas na beirada do palco de madeira. Ao fundo, há paredes cinza com lâmpadas amarelas e uma porta de emergência vermelha.
No Teatro Laboratório, estudantes do ensino médio conversam com professores do Departamento de Artes Cênicas e da Escola de Arte Dramática durante visita monitorada à ECA em 2023. Imagem: Amanda Ferreira/LAC

 

Rafael Alves Batista também foi aluno do cursinho e conta que, antes de frequentá-lo, entrar em Artes Cênicas parecia um sonho muito distante. “Até pouco tempo atrás, na minha família, ninguém tinha cursado USP. Se eu não tivesse feito o cursinho, acho que eu não teria conseguido passar”. Ele também conta que quer retribuir o auxílio que recebeu e irá compor a equipe do cursinho em 2024. “Tenho muito interesse nessa área de atingir realmente todo mundo por meio do teatro e da educação", explica.

Assim como  Anderson, Lana e Rafael, Laura Vitória da Silva fez o cursinho em 2023 e foi aprovada em 2024. Neste ano, ainda entraram na ECA três pessoas que fizeram o cursinho em anos anteriores, totalizando sete aprovações. Esse número corresponde a cerca de 23% da turma, que conta com 30 vagas. 

Nos anos anteriores, a taxa de aprovação de egressos do cursinho também foi alta. Em 2022, foram nove estudantes: Gabriel Bueno, Giovanna Melo Cavalcanti, Helena Bueno Barbosa, Isabela Mansur, Júlia Batista Axt, Kamilly Oliveira,  Laís Paixão, Naju e Pedro Goifman. Em 2023, houve seis aprovados: Ariadne Rodrigues, Clara Poletti, Gabrielly Mendes Leão da Silva, Guilherme Felinto, Juaum e Tarsila de Oliveira Trevisan.

 

Sobre o cursinho

O cursinho Ruth de Souza surge, em 2021, com o objetivo de ampliar o acesso de “estudantes de baixa renda, negras (os, es), indígenas, pessoas que se identifiquem com o segmento T (travestis, transgêneres, etc.) e pessoas com deficiência” à USP, de acordo com o seu edital de chamamento de estudantes de 2024.

A gestão do cursinho é feita por estudantes da graduação. Eles acreditam que a USP é um espaço de todes e que eles têm o dever de devolver à sociedade o ensino que recebem nesse ambiente. “Nós, estudantes, estamos aqui não só para reivindicar, mas para criar meios de chegarmos até os ideais de democratização, acesso, ensino e extensão universitária”, dissertam no documento. 

O período de ensino conta com sete módulos. Cada um dura um mês e tem como conteúdos práticos e teóricos os temas da bibliografia específica, redação, provas orais e prática cênica que integram a prova de habilidades específicas do curso.

Em 2023, o cursinho foi contemplado com cinco bolsas do Programa Unificado de Bolsas (PUB) da USP  na vertente ensino. A docente responsável pelo projeto é Maria Lúcia de Souza Barros Pupo, do CAC.

Saiba mais sobre o cursinho através de suas redes sociais.

 

Quem foi Ruth de Souza?

Foto em preto e branco de Ruth de Souza. É uma mulher negra e jovem, tem cabelos castanhos crespos e presos, usa brincos e volta seu olhar para o lado.
Ruth de Souza.
Imagem: reprodução/ Wikimmedia Commons

Ruth de Souza foi uma atriz brasileira nascida no Rio de Janeiro, em 1921. Quando criança, frequentava peças de teatro e se apaixonou pela profissão, que exerceu até o final da sua vida. Em sua juventude, na década de 1940, participou do Teatro Experimental do Negro (TEN), de Abdias Nascimento, que buscava trazer aos palcos uma valorização social do negro, denunciar a exclusão social e opressão e romper com os estereótipos impostos às pessoas negras nas artes cênicas, que atuavam em papéis secundários e pejorativos.

Ruth inicia sua carreira no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, aos 24 anos. Em 1948, estreia no cinema e, na década seguinte, ganha uma bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, estudando na Universidade de Harvard e na American National Theater and Academy (Teatro e Academia Nacional Americana, em tradução livre), na Karamu House. Foi a primeira mulher negra a ser protagonista em uma telenovela brasileira, interpretando Cloé em A Cabana do Pai Tomás, em 1969.

 

 

 


Foto de capa: Amanda Ferreira/LAC.