ECA

Docentes ao longo da história

Lupe Cotrim

Maria José Cotrim Garaude Gianotti, mais conhecida como Lupe Cotrim, foi uma das docentes fundadoras da Escola de Comunicações Culturais.

Lupe cursou Filosofia na USP, realizando seus estudos com o intuito de adensar sua concepção de mundo, desenvolver mais sua escrita e investigar uma nova linguagem poética, em busca de uma expressão mais autoral. Dentre suas obras no campo da poesia, estão Monólogos do afeto (1956), Raiz comum (1959), Cânticos da terra (1962-63) e Inventos (1967).

À época da reunião do grupo que discutia a criação e estruturação da Escola de Comunicações Culturais, recebeu o convite do professor Julio García Morejón (que veio a se tornar o primeiro diretor da escola) para ministrar a disciplina de Estética, convite que inicialmente recusou, dizendo não saber Filosofia o suficiente para assumir uma turma na Universidade. Acabou, porém, aceitando o desafio, e passou a conciliar suas aulas com um programa de doutoramento direto em Estética na USP. Lecionou Fundamentos de Estética e Evolução dos Estilos Artísticos e Pensamento Filosófico no ciclo básico, que reunia alunos de comunicações e artes. 

Como escritora, poeta e professora formada em Filosofia, Lupe destacou-se pelo diálogo intenso e próximo que manteve com os estudantes ao longo de sua passagem pela ECA, levando em conta suas reivindicações e envolvendo-se com movimentos estudantis.

Morreu no ano de 1970, aos 36 anos, ainda com um livro por publicar. O Centro Acadêmico, em sua homenagem, passou a se chamar Centro Acadêmico Lupe Cotrim (CALC), mantendo forte a presença de seu nome e seu legado na Escola entre os alunos até hoje.

Olivier Toni

George Olivier Toni foi professor titular e um dos fundadores do Departamento de Música (CMU) da ECA. De 1947 a 1950, cursou Filosofia na então Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (FFCL), conciliando-o com seus estudos em fagote, piano, harmonia, regência, composição e teoria musical com profissionais como José Carboni, Osvaldo de Vicenzo e Camargo Guarnieri. 

Atuou como regente na Orquestra da Faculdade de Filosofia, que fundou em 1947, e como instrumentista e professor na Orquestra Sinfônica Municipal (OSM). É também membro fundador da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP) e, respectivamente nos anos de 1956 e 1968, criador da Orquestra de Câmara de São Paulo (OCSP) e da Orquestra Sinfônica Jovem do Município de São Paulo, nas quais também foi regente titular e diretor artístico. 

Toni, defensor da criação de um Instituto de Artes na USP, participou da comissão que estruturou o currículo do curso de Música e o Departamento de Música (CMU), que iniciou suas atividades em 1971. Foi coordenador do departamento por mais de quinze anos e, vinculado a ele, criou a Orquestra Sinfônica da USP e a Orquestra de Câmara da ECA (OCAM), da qual foi regente titular. Recebeu, na década de 1980, a Medalha Couto Magalhães, por sua contribuição à cultura do país.

Dentre seus trabalhos, estão peças para instrumentos solistas, música orquestral, de câmara e vocal (coral e camerística), apresentadas e premiadas nacional e internacionalmente.

Morreu em 2017, aos noventa anos.

Paulo Emílio Sales Gomes

Paulo Emílio foi um dos fundadores do curso de Cinema na Escola de Comunicações Culturais, atualmente chamado de Curso Superior do Audiovisual. 

Militante político, historiador, professor, escritor, crítico de cinema, ensaísta e roteirista, tem sua trajetória profundamente atrelada à história política e cultural do Brasil. 

Em 1935, ainda jovem, é preso pelo governo de Getúlio Vargas como militante de esquerda. Logo em 1937, porém, foge do presídio e parte para a França, onde se envolve cada vez mais com o cinema e onde permanece até 1939, até a eclosão da Segunda Guerra Mundial. 

Volta ao Brasil e ingressa no curso de Filosofia na USP em 1940, ano em que funda, com outros intelectuais, o Clube de Cinema de São Paulo, fechado no ano seguinte pelo Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda (DEIP). 

Após o fim da guerra, em 1946, volta à França, onde se dedica à pesquisa e preservação cinematográfica. Em 1954, retorna ao Brasil e realiza o 1º Festival Internacional de São Paulo. Já em 1956, participa da fundação da Cinemateca Brasileira, que passa a dirigir e onde implementa diversas atividades, como mostras de filmes e debates. 

Participa, em 1964, da criação do curso de Cinema da Universidade de Brasília, interrompido logo no ano seguinte por conta do regime militar. Ainda em Brasília, atua na criação da 1ª Semana do Cinema Brasileiro, evento que origina o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. 

A partir de 1967, passou a integrar o corpo docente da Escola de Comunicações Culturais, onde atuou na fundação do curso de Cinema e ministrou disciplinas como História Geral do Cinema e História do Cinema Brasileiro.

Escreveu roteiros como o do filme Capitu (em 1968, com sua esposa Lygia Fagundes Telles), e, no campo da literatura, a série de novelas Três mulheres de três pppês (1977), vencedora do Prêmio Jabuti. 

Morreu em 1977, aos sessenta anos. Seu nome ainda se mantém forte entre estudantes e profissionais do cinema, seja por meio de homenagens ou menções ao seu vasto trabalho.

Vladimir Herzog

Vlado Herzog, ou Vladimir Herzog (como passou a assinar no Brasil, para que seu nome não soasse tão estranho aos brasileiros), foi professor voluntário da ECA, no curso de Jornalismo. 

Nascido na Iugoslávia e naturalizado no Brasil, estudou Filosofia na USP e iniciou sua carreira no jornalismo em 1959, no jornal O Estado de São Paulo. 

Durante o regime militar, alguns professores foram perseguidos, demitidos ou se demitiram voluntariamente da ECA, como reflexo da repressão e intolerância do período. Especialmente no ano de 1975, vários professores saíram do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE) em solidariedade a Sinval Medina, então coordenador do curso de Editoração, que foi reprovado de forma arbitrária em seu exame de qualificação para o mestrado e, consequentemente, perdeu seu cargo como professor. A saída em massa de professores, somada ao número de professores que já haviam sido cassados e deixado a ECA, acarretou em uma redução drástica do corpo docente do CJE.
Neste contexto, Herzog foi convidado a lecionar no curso de Jornalismo, assumindo a disciplina de Telejornalismo como professor voluntário. Ele ainda dava aulas no CJE quando, em outubro de 1975, foi intimado a depor no DOI-CODI do II Exército em São Paulo e foi morto, em circunstâncias suspeitas que posteriormente se revelaram como assassinato. 

Sua morte gerou grande comoção entre estudantes e profissionais da área de comunicações e intensificou os movimentos de resistência que seguiram até o processo de abertura do governo e a promulgação da Lei de Anistia, em 1979, que perdoava os presos políticos condenados durante a ditadura.

Hoje, é considerado referência na luta dos jornalistas no período, além de dar nome ao prêmio que reconhece as melhores reportagens relacionadas a direitos humanos, ao auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e ao Laboratório de Redação da ECA-USP, dentre outras homenagens. 


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