Institucional



Retrospectiva 2021: ECA pela liberdade de expressão e pela nossa memória

Relembre temas que mobilizaram manifestações da ECA e do seu corpo docente em 2021

Comunidade

A pandemia do novo coronavírus foi novamente alvo das preocupações de todos nós em 2021, mas não foi a única: episódios de censura ao exercício da pesquisa e da docência, ameaças ao nosso patrimônio cultural e artístico e a crise instaurada em meio ao processo de avaliação dos programas de pós-graduação também geraram manifestações da Congregação da ECA e do seu corpo docente.

Em um ano conturbado em tantos sentidos, uma conquista importante: a concessão do título de doutor honoris causa da USP a Luiz Gama. Relembre:

 

Pelo livre exercício da docência e pesquisa: os casos da professora Larissa Mies Bombardi e do professor Conrado Mendes
 

Em março, a Congregação da ECA aprovou manifestação em apoio à professora e pesquisadora Larissa Mies Bombardi, do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Em carta aberta a colegas de Departamento, a pesquisadora relatou as ameaças sofridas após a divulgação de resultados de suas pesquisas envolvendo o uso de agrotóxicos. Para o colegiado, "o caso da professora e pesquisadora Larissa Bombardi é um entre muitos, porém é emblemático dos ataques que pesquisadores estão sofrendo no seu cotidiano". Em agosto, a Congregação da ECA aprovou nova moção de apoio, desta vez ao professor Conrado Hübner Mendes, da Faculdade de Direito da USP, alvo de ações na Justiça por artigos de opinião publicados no jornal Folha de São Paulo. Na moção de apoio ao docente da Faculdade de Direito, a Congregação da ECA ressalta o seu importante papel enquanto “observador atento e crítico do judiciário brasileiro”.

Conrado Mendes e Larissa Bombardi

Conrado Mendes é um homem branco, cabelos curtos e castanhos. Usa óculos, veste uma camisa azul e um paleto cinza. Larissa Bombardi é uma mulher, loira, cabelos compridos e lisos, veste uma blusa cinza e um colete preto. Segura um microfone em uma das mãos.

Conrado Mendes é um homem branco, cabelos curtos e castanhos. Usa óculos, veste uma camisa azul e um paleto cinza. Larissa Bombardi é uma mulher, loira, cabelos compridos e lisos, veste uma blusa cinza e um colete preto. Segura um microfone em uma das mãos.

Conrado Mendes, da Faculdade de Direito, e Clarissa Bombardi, da FFLCH, receberam o apoio da Congregação da ECA em 2021

 

Em defesa da nossa memória: os acervos da Cinemateca Brasileira e da Fundação Palmares
 

A longa crise enfrentada pela Cinemateca Brasileira – responsável pelo maior acervo audiovisual do país – ganhou um novo capítulo em 2021. O incêndio que atingiu um de seus galpões no mês de julho foi mais um duro golpe na instituição; finalmente, em outubro, a situação começa a dar sinais de mudança: um contrato emergencial é firmado com a Sociedade Amigos da Cinemateca (SAC) para cuidar da gestão, operação e manutenção da instituição. Em novembro, a SAC inicia os trabalhos, tendo à frente dois docentes do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR) da ECA: Maria Dora Genis Mourão, diretora-executiva da SAC, e Carlos Augusto Calil, eleito representante dos associados da SAC no futuro conselho da Organização Social, além do apoio de diversos outros colegas do Departamento. Leia a nossa cobertura sobre a participação da ECA na luta pela preservação da Cinemateca Brasileira e do audiovisual brasileiro

Outro acervo sob ameaça em 2021 foi o da Fundação Palmares. A intenção da presidência da entidade era se desfazer de uma parcela do seu acervo de livros, que estariam em “desvio” da missão institucional da entidade. A análise do relatório apresentado pela Fundação Palmares, feito pela professora Marisa Midori, do Departamento de Jornalismo e Editoração (CJE), para o Jornal da USP, apontou a falta de trato biblioteconômico e coerência interna nos argumentos da presidência. Em nota, o Departamento de Informação e Cultura (CBD) condenou o ato, sob o risco de “apagamento de significativa parcela da memória cultural”

O descarte de itens bibliográficos dessa biblioteca representa o apagamento de significativa parcela da memória cultural, caracterizando-se como ato inaceitável de violência contra o patrimônio intangível não somente da sociedade brasileira, mas de toda a humanidade. 

Departamento de Informação e Cultura, em nota de repúdio à exclusão de parcela do acervo da Fundação Palmares

 

 
Luiz Gama é um homem negro, de barba. Ao fundo, imagens de livros
Imagem: Marcos Santos/USP Imagens e Vinicius Vieira/Jornal da USP 
Doutor Luiz Gama agora é Honoris Causa da USP
 

No dia 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, aconteceu a cerimônia de outorga do título de doutor honoris causa póstumo da USP a Luiz Gonzaga Pinto da Gama, um dos principais abolicionistas e ativistas políticos de seu tempo. A proposta da concessão do título foi apresentada pela ECA e aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário no mês de junho.

Luiz Gama trabalhou como advogado na defesa e libertação de escravos e contribuiu com diversos artigos para jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de ser um dos principais representantes da literatura negra brasileira.

 

 

Leia mais: artigos de docentes da ECA

Relembre a opinião de docentes da ECA sobre alguns temas importantes em 2021: